Tony Blair e G. W. Bush, criminosos de guerra

25/10/2016 às 3:08 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Em 16 de agosto fiz um post com um bom artigo de um jornalista inglês sobre o tema (“Robert Fisk: Um Nuremberg para Bush e Tony Blair”). Retorno agora com mais um bom texto para refelxão. São ou não criminosos ?

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Tony Blair e G. W. Bush, criminosos de guerrabush_blair97503_thumb

Em ruidosas manifestações, cidadãos ingleses pediram a prisão do ex-premiê britânico Tony Blair, acusado de ter enganado o povo para se associar à invasão do Iraque pelas tropas de Bush.

O pedido de condenação chega com atraso, pois o mundo já sabia das responsabilidades de Tony Blair, um dirigente fraco, a reboque de outro incompetente, Bush, empenhado em provocar uma guerra para vingar-se da destruição das torres gêmeas de Nova Iorque.

A desmoralização definitiva de Blair veio após a divulgação de um relatório, após sete anos de pesquisas, feitas por funcionário de alta categoria, John Chilcot. Dentre os pontos essenciais das acusações, Blair é denunciado por subordinação aos EUA, participação em uma guerra sem ameaça iminente, alegação de armas de Saddam Hussein que não
existiam. O mais grave item revela que, com a consequente deposição de Saddam, Bush e Blair ajudaram a incrementar o terror árabe no mundo, sendo responsáveis pela intensificação dos ataques globais da Al-Qaeda.

Podemos ir além, afirmando que o surgimento do terrorismo do Estado Islâmico, decapitando jornalistas e padres, explodindo bombas e espalhando o medo na França, na Bélgica, na Espanha, na Inglaterra e na Turquia, é também consequência da cegueira política e da propensão para a violência da dupla Bush-Blair. Embora Saddam Hussein, como todo ditador, fosse uma figura deletéria, sua presença no poder do Iraque neutralizava a ação terrorista, impedindo-a de alastrar-se pelo mundo inteiro com a virulência que se seguiu à sua morte. De resto, não competia a Bush ou Blair interferirem nas questões internas do Iraque para, depondo um ditador, destruir toda uma nação.

A invasão do Iraque cresce de gravidade por ter acrescentado ao mapa belicoso da humanidade mais um sangrento momento de tristeza, luto e desespero. Uma das mais vigorosas denúncias contra os horrores das guerras, de todas as guerras, está no documentário do cineasta Peter Davis, “Corações e Mentes”, lançado em 1974 e vencedor do “Oscar”, denunciando a ação norte-americana no Vietnã. Davis escreveu um folheto de
apresentação do seu filme, em que afirma: “Quanto ao Iraque, nós voamos para aquela guerra, assim como no Vietnã, nas asas das mentiras”.

Vários outros colaboradores assinam textos, expondo as misérias praticadas pelas tropas dos EUA no Vietnã. Fala-se também de uma reunião realizada em 25 de julho 1970 por mil membros de um movimento feminino de proteção da vida, sob o comando da advogada
norte-americana Ngo Ba Thanh, da Universidade de Columbia, que lançou um manifesto com estas palavras estarrecedoras sobre as torturas americanas no Vietnã: “Centenas de participantes do movimento feminino foram presas e torturadas. As torturas incluíam estupros em grupo, choques elétricos, administrados por eletrodos ligados aos órgãos reprodutores, introdução de cobras não venenosas, garrafas de refrigerantes, varas e lâmpadas na vagina; queimar a parte interna das coxas ou da vulva com cigarro aceso ou ferro aquecido e pendurá-las pelos dedões das mãos e dos pés”. Não é preciso lembrar que os norte-americanos devastaram o Vietnã com napalm, agentes desfolhantes, destruindo florestas, aldeias, casas, arrozais, contaminando rios e fontes, além de queimarem crianças, mulheres e velhos. Os asiáticos, em depoimentos dos soldados ocidentais, eram  considerados feios e inferiores, próximos dos macacos.

Não evoco esses fatos por prazer, mas apenas para reforçar a condenação que, em toda a minha trajetória de jornalista, fiz da guerra e dos seus promotores, entre os quais podemos incluir Bush e Blair, governantes mentirosos, criminosos de guerra, que deveriam estar encarcerados, pela enormidade dos seus delitos.

(JC Teixeira Gomes)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 08.10.2016

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