O gigante que querem que seja anão

07/11/2016 às 11:13 | Publicado em Zuniversitas | Deixe um comentário
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Esse artigo me lembrou um post que fiz dia 20 de maio com a música Bancarrota Blues do Chico: https://joserosafilho.wordpress.com/2016/05/20/um-homenagem-ao-serra-como-ministro-das-relacoes-exteriores/


O gigante que querem que seja anão

novomapa

Ontem, todos os jornais deram destaque ao trabalho do japonês  Hajime Narukawa, que redesenhou, muito mais proximo da realidade, o mapa do mundo que “vigia” desde que  Gerardus Mercator transformou, há quase 500 anos,  a Terra em um cilindro, para representá-la  num mapa plano.

O resultado, claro, foi que “quem” estava mais próximo do Equador ficou “menor” e quem estava mais próximo dos pólos “cresceu”.

O que, afinal, correspondia em parte à importância cultural e econômica do mundo “desenvolvido”: subtropical, europeu.

O mapa de  Narukawa, se olhado com mais que simples curiosidade, mostra que somos maiores do que sempre pensamos olhando o velho mapa de Mercator

Repare: maiores que os EUA, sem o Alasca.

Quase do tamanho da China, esse gigante.

Mas temos uma elite que pensa que um gigante assim pode ser anão.

Pequeno e “bem-comportado”.

Com um governo que faça “o dever de casa” como uma criança, em corpo de homem.

Obediente, quieto, fazendo “tudo o que seu mestre mandar”.

A eleita brasileira é capaz de olhar este novo mapa e dizer: mas que desperdício…

As áreas ricas deste país, se separadas da imensidão nacional, seriam nada, quase invisíveis.

Vem-me à cabeça  asas palavras de ontem, de meu velho mestre Nilson Lage:

O PT foi afastado do poder não por ser PT, mas por ser Brasil.
As políticas que estão sendo destruídas vêm de muito antes do PT.
Foi Getúlio Vargas quem criou a legislação trabalhista, as primeiras escolas técnicas, a primeira universidade federal e promoveu a industrialização com a criação da primeira usina siderúrgica e da primeira fábrica de motores. Em seu segundo governo, fundou a Petrobras, a Eletrobras e possibilitou, em Paulo Afonso, o inicio do desenvolvimento da tecnologia nacional de barragens para geração de energia elétrica.
Foi Juscelino Kubitschek quem deu impulso à expansão das grandes construtoras nacionais, promoveu a ocupação do Oeste e a abertura de nova fronteira agrícola, hoje a maior competidora da agroindústria norte-americana.
Foi Jânio Quadros quem começou a formular a política externa independente que Ernesto Geisel levaria adiante, com seu esforço para aproximação com nações da África e do Oriente Médio.
João Goulart, que o sucedeu, equacionou o conflito interno gerado pelo desenvolvimento dependente do país em tempo de expansão imperialista e apontou caminhos para uma sociedade mais justa
Os governos militares cuidaram de preservar a soberania sobre a Amazônia,deslocando maciçamente tropas do Sul e criando a Zona Franca de Manaus; desenvolveram a pesquisa agropecuária e nuclear;, criaram os projetos nacionais de informática, no âmbito da Marinha, e iniciaram a implantação da indústria de defesa.
Lula herdou tudo isso, após duas décadas perdidas – do PMDB de Sarney ao PSDB neoliberal de Fernando Henrique;, percebeu a grandeza da herança e negociou, como é de seu feitio, para incluir nela a maioria esquecida do povo.
Direita, esquerda, corrupção, moralidade são apenas discursos, embora com paixões, lágrimas e sangue.
Quem está sendo derrotado, tenham clareza, não é o PT; é o Brasil.

Esta é a questão que tantos não conseguem ver. Que nossa natureza é de gigante e não de anão.

Perder nossa auto-estima, a consciência de nossa grandeza, acharmo-nos miúdos, proclamarmo-nos atrasados e incapazes, ladrões por natureza, velhacos por definição e pobres por fatalidade é nos acocorar-nos e nos atrofiar-nos.

É ficar de um tamanho menos que nos deu a projeção de Mercator, é nossa projeção “de Mercado”, onde 30 % desta imensidão funcionando já basta para fazer a festa dos negócios.

Para os outros 70%, a selva.

E 100% funcionando, ainda que deficientemente, é um perigo, porque nos faz ficar metidos “a besta” num mundo onde não “somos para ser”.

A história nos repete e repete que é uma asneira , mas nossa elite – e parte da nossa soi disant esquerda, que sonha com Paris como os coxinhas sonham com Miami – nos querem “cosmopolitas”.

E miudinhos, falando pra dentro e olhando pro chão.

(FERNANDO BRITO)

FONTE: http://www.tijolaco.com.br/blog/o-gigante-que-quer-que-seja-anao/

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