O movimento estudantil ressurge

08/11/2016 às 3:24 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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E ainda tem gente que condena o movimento estudantil. Nem se lembram do papel dos estudantes no DIRETAS JÁ e no Impeachment do Collor, só para citar dois eventos históricos para o nosso país. Bravos caras pintadas, esperança de uma nação melhor!

UNE


O movimento estudantil ressurge

As eleições municipais revelaram a descrença do povo em nossos políticos. Na maioria das cidades o número de votos em branco e nulos foi maior que o do vencedor. As grandes cidades elegeram não políticos. Não é de admirar, depois das denúncias de corrupção envolvendo o alto clero de todos os partidos e o show de oligofrenia do baixo clero na sessão da Câmara do ímpeachment. Forças políticas, como as centrais sindicais, se enfraqueceram com o desgaste dos partidos a que estavam ligadas.

O movimento estudantil não conseguia se soerguer depois que os militares invadiram e incendiaram a sede da UNE, em 1964, no Rio. Esta instituição teve um papel importantíssimo formando lideranças políticas e liderando campanhas como “O petróleo é nosso”. A UNE foi extinta, mas resistiu na clandestinidade, organizando a Passeata dos 100 mil, devido à execução do secundarista Edison Luis, e realizando em 1968 um congresso em Ibiúna (SP), quando foram presos 1000 estudantes. No fim do mesmo ano foi decretado o AI-5. Volta a atuar com as campanhas “Diretas já” e “Fora Collor”, mas perde força a seguir.

A nação está paralisada com a novela da Lava Jato. Diante das propostas polêmicas do governo de turno, era de se esperar maior contestação para, pelo menos, parecer que há oposição. Mas para surpresa geral, são os secundaristas que levantam a bandeira da educação e assumem um papel protagôníco neste processo. Primeiro ocupando as escolas que o governo de São Paulo queria fechar para fazer caixa. Agora ocupando 1000 escolas em 19 estados em protesto pela MP do ensino secundário e PEC 241, fazendo adiar o Enem.

Não são baderneiros, lutam por um ideal e não vão desistir. Uma garota de 16 anos, Ana Iulía, fez na Assembleia do Paraná o discurso político mais contundente que ouvi nos últimos anos (https://www.youtube.com/watch?v=oY7DMbZ8B9Y). O movimento estudantil ressurge e começa a mobilizar toda a sociedade.

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 06.11.2016


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