Fidel Castro (1926 – 2016)

26/11/2016 às 6:28 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 7 Comentários
Tags: ,

Foi-se Fidel, ficou sua obra, seu exemplo, sua luta. O maior líder (branco) latino-americano de todos os tempos, conseguiu superar Martí e Bolívar ! Republico hoje, em sua homenagem, o post que fiz em 02/09/2016 com último livro que li sobre ele: FIDEL E A RELIGIÃO !

Luto

fidel-castro


FIDEL E A RELIGIÃO

Recomendo fortemente esse livro!

585422_fidel-e-a-religiao-723088_m1_635961399494808000_thumb


“No ventre de Maria
Deus se fez homem.
Na oficina de José,
Deus se fez classe. “

.
(Do poema “E o verbo se fez classe”,  do livro “Versos adversos: antologia”, de D. Pedro Casaldáliga, sacerdote e poeta catalão, radicado no Brasil desde 1968, foi Bispo de São Félix do Araguaia – MT. É um dos maiores expoentes da Teologia da Libertação)


eleicao_thumb

Já pensou se isso fosse aqui?
Poderíamos cassar um Cunha, ou quantos cunhas houvesse.
Mas não. Isso é la na isla…
Aqui uma democracia,
Lá uma ditadura.
Tudo, inclusive a rima,
A nos lembrar a rapadura,
Aquela que doce é,
Porém não mole.


Espiritualidade:

.
A espiritualidade é um modo de viver. É a vida segundo o espírito. José Martí, o grande heroi e precursor da libertação de Cuba dizia que “a melhor maneira de dizer é fazer”. Para o cristão, a melhor maneira de crer é viver. De nada vale a fé sem obras, como afirma são Thiago: “Irmãos, de que adianta dizer que tem fé se não o demonstra com sua maneira de agir? Se a fé não é comprovada com a maneira de viver, está completamente morta!”

Anúncios

7 Comentários »

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

  1. Foi um desprezível Ditador sangrento como foram Stalin, Hitler Mussoline, Pinochet, Mao Tsetung, Mussoline e centenas de outros ao longo da história da humanidade. Enquanto tivermos pessoas os idolatrando a humanidade sempre estará a beira da extinção como disse o físico Steeve Hawking.

  2. Prezado Edison, no meu caso não se trata de idolatria. Não sei se você já leu livros sérios sobre Cuba como eu. Mas respeito a sua opinião.

  3. Esse comentário dedico ao leitor Edison e aos que pensam sobre o assunto de forma igual a ele:

    ==============

    50 verdades sobre Fidel Castro

    Por Salim Lamrani, doutor francês em Estudos Ibéricos e Latino-americanos

    1. Procedente de uma família de sete filhos, Fidel Castro nasceu no dia 13 de agosto de 1926 em Birán, na atual província de Holguín, da união entre Ángel Castro Argiz, rico proprietário de terras espanhol oriundo da Galícia, e Lina Ruz González, cubana.
    2. Aos sete anos, ele se muda para a cidade de Santiago de Cuba e vive na casa de uma professora encarregada de educá-lo. Ela o abandona à própria sorte. “Conheci a fome”, lembraria Fidel Castro e “minha família tinha sido enganada”. Um ano depois, ele entra no colégio religioso dos Irmãos de la Salle, em janeiro de 1935, como interno. Deixa a instituição para ir para o colégio Dolores, aos 11 anos, em janeiro de 1938, depois de se rebelar contra o autoritarismo de um professor. Segue sua escolaridade com os jesuítas no Colégio de Belém em Havana, de 1942 a 1945. Depois de uma graduação brilhante, seu professor, o padre Armando Llorente, escreve no anuário da instituição: “Distinguiu-se em todas as matérias relacionadas às letras. Excepcional e congregante, foi um verdadeiro atleta, defendendo sempre com valor e orgulho a bandeira do colégio. Soube ganhar a admiração e o carinho de todos. Cursará a carreira de Direito e não duvidamos de que encherá de páginas brilhantes o livro de sua vida.”
    3. Apesar de se exiliar em Miami, em 1961, por causa das tensões entre o governo revolucionário e a Igreja Católica cubana, o padre Llorente sempre guardou uma lembrança nostálgica de seu antigo aluno. “Me dizem: ‘o senhor sempre fala bem de Fidel’. Eu falo do Fidel que eu conheci. Inclusive, [ele] uma vez salvou a minha vida e essas coisas não podem ser esquecidas nunca”. Fidel Castro se jogou na água para salvar seu professor, levado pela correnteza.
    4. Em 1945, Fidel Castro entra na Universidade de Havana, onde cursa a graduação de Direito. Eleito delegado da Faculdade de Direito, participa ativamente das manifestações contra a corrupção do governo do presidente Ramón Grau San Martín. Não vacila, tampouco, em denunciar publicamente gangues vinculadas às autoridades políticas. Max Lesnik, então secretário-geral da Juventude Ortodoxa e colega de Fidel Castro, lembra-se desse episódio: “O comitê 30 de setembro [criado para lutar contra as gangues] fez o acordo de apresentar a denúncia contra o governo e os gângsteres no plenário da Federação Estudantil [Universitária]. No salão, mais de 300 alunos de diversas faculdades se apresentaram para escutar Fidel quando alguém […] gritou: ‘Aquele que falar o que não deve, falará pela última vez’. Estava claro que a ameaça era contra o orador da vez. Fidel se levantou de sua cadeira e, com passo lento e firme, se encaminhou ao centro do amplo salão, […] e começou a ler uma lista oficial com os nomes e todos e de cada um dos membros das gangues e dos dirigentes da FEU que haviam sido premiados com suculentas ‘garrafas’ [cargos] nos distintos ministérios da administração pública.”
    5. Em 1947, aos 22 anos, Fidel Castro participa, com Juan Bosch, futuro presidente da República Dominicana, de uma tentativa de desembarque da [expedição de] Cayo Confites para derrubar o ditador Rafael Trujilo, então apoiado pelos Estados Unidos.
    6. Um anos depois, em 1948, participa do Bogotazo, revolta popular desatada pelo assassinato de Jorge Eliécer Gaitán, líder político progressista, candidato às eleições presidenciais da Colômbia.
    7. Graduado em Direito em 1950, Fidel Castro atua como advogado até 1952 e defende as pessoas humildes, antes de se lançar na política.
    8. Fidel Castro nunca militou no Partido Socialista Popular (PSP), partido comunista da Cuba pré-revolucionária. Era membro do Partido do Povo Cubano, também chamado Partido Ortodoxo, fundado em 1947 por Eduardo Chibás. O programa do Partido Ortodoxo de Chibás é progressista e se baseia em vários pilares: soberania nacional, independência econômica pela diversificação da produção agrícola, supressão do latifúndio, desenvolvimento da indústria, nacionalização dos serviços públicos, luta contra a corrupção e justiça social por meio da defesa dos trabalhadores. Fidel Castro reivindica seu pertencimento ao pensamento “martiano” (de José Martí), chibasista (de Chibás) e anti-imperialista. Orador de grande talento, se apresenta às eleições parlamentárias como candidato do Partido do Povo Cubano em 1952.
    9. No dia 10 de março de 1952, a três meses das eleições presidenciais, o general Fulgencio Batista rompe a ordem constitucional e derruba o governo de Carlos Prío Socarrás. Consegue o apoio imediato dos Estados Unidos, que reconhecem oficialmente a nova ditadura militar.
    10. O advogado Fidel Castro apresenta uma denúncia contra Batista por romper a ordem constitucional: “Se existem tribunais, Batista deve ser castigado, e se Batista não é castigado […], como poderá depois este tribunal julgar um cidadão qualquer por motim ou rebeldia contra esse regime ilegal, produto da traição impune?”. O Tribunal Supremo, sob as ordens do novo regime, recusa a demanda.
    11. No dia 26 de julho de 1953, Fidel Castro se coloca à frente de uma expedição de 131 homens e ataca o quartel Moncada na cidade de Santiago, segunda maior fortaleza militar do país, assim como o quartel Carlos Manuel de Céspedes, na cidade de Bayamo. O objetivo era tomar o controle da cidade – berço histórico de todas as revoluções – e lançar um chamado pela rebelião em todo o país para derrubar o ditador Batista.
    12. A operação é um fracasso e 55 combatentes são assassinados depois de brutalmente torturados pelos militares. De fato, apenas seis deles morreram em combate. Alguns conseguiram escapar graças ao apoio da população.
    13. Fidel Castro, capturado alguns dias depois, deve a vida ao sargento Pedro Sarría, que se negou a seguir as ordens de seus superiores e executar o líder de Moncada. “Não disparem! Não disparem! Não se deve matar as ideias!”, exclamou para seus soldados.
    14. Durante sua histórica alegação, intitulada “A História me Absolverá”, Fidel Castro, encarregado de sua própria defesa, denuncia os crimes de Batista e a miséria na qual se encontra o povo cubano, e apresenta seu programa para uma Cuba livre, baseado na soberania nacional, na independência econômica e na justiça social.
    15. Condenado a 15 anos de prisão, Fidel Castro é liberado em 1955, depois da anistia que o regime de Batista lhe concedeu. Funda o Movimento 26 de Julho (M 26-7) e declara seu projeto de seguir lutando contra a ditadura antes de se exilar no México.
    16. Fidel Castro organiza ali a expedição do Granma com um médico chamado Ernesto Guevara. Não foi muito trabalhoso para Fidel Castro convencer o jovem argentino, que recordava: “O conheci em uma dessas frias noites do México e lembro-me de que nossa primeira discussão foi sobre política internacional. Poucas horas depois, na mesma noite — de madrugada — eu era um de seus futuros expedicionários.”
    17. Em agosto de 1955, Fidel Castro publica o Primeiro Manifesto do Movimento 26 de Julho, que retoma os pontos essenciais de “A História me Absolverá”. Trata de reforma agrária, da proibição do latifúndio, de reformas econômicas e sociais a favor dos deserdados, da industrialização da nação, da construção de habitações, da diminuição dos aluguéis, da nacionalização dos serviços públicos de telefone, gás e eletricidade, de educação e da cultura para todos, da reforma fiscal e da reorganização da administração pública para lutar contra a corrupção.
    18. Em outubro de 1955, para reunir os fundos necessários para a expedição, Fidel Castro realiza uma turnê pelos Estados Unidos e se reúne com os exilados cubanos. O FBI vigia de perto os clubes patrióticos M 26-7 fundados em diferentes cidades.
    19. No dia 2 de dezembro de 1956, Fidel Castro embarca no porto de Tuxpán, no México, a bordo do barco Granma, com capacidade para 25 pessoas. Os revolucionários são 82 no total e navegam rumo a Cuba com o objetivo de desatar um guerra de guerrilhas nas montanhas de Sierra Maestra.
    20. A travessia se transforma em pesadelo por causa das condições climáticas. Um expedicionário cai ao mar. Juan Almeida, membro do grupo e futuro comandante da Revolução, lembra-se do episódio: “Fidel nos disse o seguinte: ‘Daqui não nos vamos até que o salvemos’. Isso comoveu as pessoas e animou a combatividade. Pensamos: ‘com esse homem não há abandonados’. O salvamos, correndo o risco de perder a expedição.”
    21. Depois de uma travessia de sete dias, em vez dos cinco previstos, no dia 2 de dezembro de 1956 a tropa desembarca “no pior pântano jamais visto”, segundo Raúl Castro. Os tiros da aviação cubana a dispersam e 2 mil soldados de Batista, que esperavam os revolucionários, a perseguem.
    22. Alguns dias depois, em Cinco Palmas, Fidel Castro volta a se encontrar com seu irmão Raúl e com outros 10 expedicionários. “Agora sim ganhamos a guerra”, declara o líder do M 26-7 a seus homens. Começa a guerra de guerrilhas que duraria 25 meses.
    23. Em fevereiro de 1957, a entrevista com Fidel Castro realizada por Herbert Matthews, do New York Times, permite que a opinião pública estadunidense e mundial descubra a existência de uma guerrilha em Cuba. Batista confessaria mais tarde, em suas memórias, que graças a esse golpe jornalístico, “Castro começava a ser um personagem lendário”. Matthews suavizou, entretanto, a importância de sua entrevista. “Nenhuma publicidade, por mais sensacional que fosse, poderia ter tido efeito se Fidel Castro não fosse precisamente o homem que eu descrevi.”
    24. Apesar das declarações oficiais de neutralidade no conflito cubano, os Estados Unidos concedem seu apoio político, econômico e militar a Batista e se opõem a Fidel Castro até os últimos instantes. No dia 23 de dezembro de 1958, a uma semana do triunfo da Revolução, enquanto o Exército de Fulgencio Batista se encontra em plena debandada, apesar de sua superioridade em armas e homens, acontece a 392ª reunião do Conselho de Segurança Nacional [dos Estados Unidos], com a presença do presidente [Dwight D.] Eisenhower. Allen Dulles, então diretor da CIA, expressa claramente a posição dos Estados Unidos. “Temos de impedir a vitória de Castro.”
    25. Apesar do apoio dos Estados Unidos, de seus 20 mil soldados e da superioridade material, Batista não pôde vencer uma guerrilha composta de 300 homens armados durante a ofensiva final do verão de 1958, que mobilizou mais de 10 mil pessoas. Essa “vitória estratégica” revela, então, a genialidade militar de Fidel Castro, que havia antecipado e derrotado a operação Fim de Fidel lançada por Batista.
    26. No dia 1 de janeiro de 1959, cinco anos, cinco meses e cinco dias depois do ataque ao quartel Moncada, em 26 de julho de 1953, triunfou a Revolução Cubana.
    27. Durante a formação do governo revolucionário, em janeiro de 1959, Fidel Castro é nomeado ministro das Forças Armadas. Não ocupa a Presidência, ocupada pelo juiz Manuel Urrutia, nem o posto de primeiro-ministro, entregue ao advogado José Miró Cardona.
    28. Em fevereiro de 1959, o primeiro-ministro Cardona, que se opõe às reformas econômicas e sociais que considera demasiadamente radicais (projeto de reforma agrária), apresenta sua demissão. Manuel Urrutia chama Fidel Castro para ocupar o cargo.
    29. Em julho de 1959, frente à oposição do presidente Urrutia, que recusa novas reformas, Fidel Castro renuncia a seu cargo de primeiro-ministro. Imensas manifestações populares têm início em Cuba, exigindo a saída de Urrutia e o retorno de Fidel Castro. O novo presidente da República, Osvaldo Dorticós, volta a nomeá-lo primeiro-ministro.
    30. Os Estados Unidos se mostram imediatamente hostis à Fidel Castro ao acolher com braços abertos os dignitários do antigo regime, incluindo vários criminosos de guerra que tinham roubado as reservas do Tesouro cubano, levando 424 milhões de dólares.
    31. Não obstante, desde o princípio, Fidel Castro declara sua vontade de manter boas relações com Washington. Entretanto, durante sua primeira visita aos Estados Unidos, em abril de 1959, o presidente Eisenhower se nega a recebê-lo e prefere ir jogar golfe. John F. Kennedy lamentaria o ocorrido: “Fidel Castro é parte do legado de Bolívar. Deveríamos ter dado ao fogoso e jovem rebelde uma mais calorosa acolhida em sua hora de triunfo”.
    32. A partir de outubro de 1959, pilotos procedentes dos Estados Unidos bombardeiam Cuba e voltam para a Flórida sem serem perturbados pelas autoridades. No dia 21 de outubro de 1959, lançam uma bomba sobre Havana que provoca duas mortes e fere 45 pessoas. O responsável pelo crime, Pedro Luis Díaz Lanza, volta a Miami sem ser perturbado pela justiça e Washington se nega a extraditá-lo para Cuba.
    33. Fidel Castro se aproxima de Moscou somente em fevereiro de 1960 e apenas adquire armas soviéticas depois de os Estados Unidos rejeitarem fornecer o arsenal necessário para a sua defesa. Washington também pressiona o Canadá e as nações europeias solicitadas por Cuba com a finalidade de obrigar o país a se dirigir ao bloco socialista e assim justificar sua política hostil em relação a Havana.
    34. Em março de 1960, a administração Eisenhower toma a decisão formal de depor Fidel Castro. No total, o líder da Revolução Cubana sofreria nada menos que 637 tentativas de assassinato.
    35. Em março de 1960, a sabotagem, comandada pela CIA, do barco francês La Coubre, carregado de armas no porto de Havana, provoca mais de cem mortes. Em seu discurso em homenagem às vítimas, Fidel Castro lança o lema: “Pátria ou morte”, inspirado no [lema] da Revolução Francesa, “Liberdade, igualdade, fraternidade ou morte.”
    36. No dia 16 de abril de 1961, depois dos bombardeios dos principais aeroportos do país pela CIA, prelúdio da invasão da Baía dos Porcos, Fidel Castro declara o caráter “socialista” da Revolução.
    37. Durante a invasão da Baía dos Porcos por 1400 exilados financiados pela CIA, Fidel Castro faz parte da primeira linha de combate. Infringe uma severa derrota aos Estados Unidos e esmaga os invasores em 66 horas. Sua popularidade chega ao topo em todo o mundo.
    38. Durante a crise dos mísseis, em outubro de 1962, o general soviético Alexey Dementiexv estava ao lado de Fidel Castro. Conta suas lembranças: “Passei junto a Fidel Castro os momentos mais impressionantes de minha vida. Estive a maior parte do tempo a seu lado. Houve um instante em que considerávamos próximo o ataque militar dos Estados Unidos e Fidel tomou a decisão de colocar todos os meios em [estado] de alerta. Em poucas horas, o povo estava em posição de combate. Era impressionante a fé de Fidel em seu povo, e de seu povo, e de nós, os soviéticos, nele. Fidel é, sem discussão, um dos gênios políticos e militares deste século.”
    39. Em outubro de 1965, cria-se o Partido Comunista de Cuba (PCC), substituindo o Partido Unido da Revolução Socialista (PURS), surgido em 1962 (que substituiu as Organizações Revolucionárias Integradas — ORI —, criadas em 1961). Fidel Castro é nomeado primeiro-secretário.
    40. Em 1975, Fidel Castro é eleito pela primeira vez para a Presidência da República depois da adoção da nova Constituição. Seria reeleito até 2006.
    41. Em 1988, a mais de 20 mil quilômetros de distância, Fidel Castro dirige de Havana a batalha de Cuito Cuanavale em Angola, na qual as tropas cubanas e angolanas infringem uma retumbante derrota às forças armadas sul-africanas que invadiram Angola e que ocupavam a Namíbia. O historiadora Piero Gleijeses, professor da Universidade John Hopkins, de Washington, escreve a respeito: “Apesar de todos os esforços de Washington [aliado ao regime do apartheid] para impedir-lhe, Cuba mudou o rumo da história da África Austral […]. A proeza dos cubanos no campo de batalha e seu virtuosismo à mesa de negociações foram decisivos para obrigar a África do Sul a aceitar a independência da Namíbia. Sua exitosa defesa de Cuito foi o prelúdio de uma campanha que obrigou a SADF [Força de Defesa Sul-Africana, as então Forças Armadas oficiais da África do Sul, por sua sigla em inglês] a sair de Angola. Essa vitória repercutiu para além da Namíbia.”
    42. Observador lúcido da Perestroika, Fidel Castro declara ao povo em um discurso premonitório do dia 26 de julho de 1989, que, no caso do desaparecimento da União Soviética, Cuba deveria resistir e prosseguir na via do socialismo. “Se amanhã ou qualquer outro dia despertássemos com a notícia de que se criou uma grande guerra civil na URSS, ou até se despertássemos com a notícia de que a URSS se desintegrou […], Cuba e a Revolução Cubana seguiriam lutando e seguiriam resistindo.”
    43. Em 1994, em pleno Período Especial, conhece Hugo Chávez, com quem estabelece uma forte amizade, que duraria até a morte dele, em 2013. Segundo Fidel Castro, o presidente venezuelano foi o “melhor amigo que o povo cubano teve”. Ambos estabelecem uma colaboração estratégica com a criação, em 2005, da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, que agrupa atualmente oito países da América Latina e do Caribe.
    44. Em 1998, Fidel Castro recebe a visita do papa João Paulo II em Havana. Ele pede que “o mundo se abra para Cuba e que Cuba se abra para o mundo”.
    45. Em 2002, o ex-presidente dos Estados Unidos James Carter realiza uma visita histórica a Cuba. Faz uma intervenção ao vivo pela televisão: “Não vim aqui interferir nos assuntos internos de Cuba, mas estender uma mão de amizade ao povo cubano e oferecer uma visão de futuro aos nossos países e às Américas. […] Quero que cheguemos a ser amigos e nos respeitemos uns aos outros […]. Devido ao fato de os Estados Unidos serem a nação mais poderosa, somos nós que devemos dar o primeiro passo.”
    46. Em julho de 2006, depois de uma grave doença intestinal, Fidel Castro renuncia ao poder. Conforme a Constituição, é sucedido pelo vice-presidente, Raúl Castro.
    47. Em fevereiro de 2008, Fidel Castro renuncia definitivamente a qualquer mandato executivo. Consagra-se, então, à redação de suas memórias e publica regularmente artigos sob o título “reflexões.”
    48. Arthur Schlesinger Jr., historiador e assessor especial do presidente Kennedy, evocou a questão do culto à pessoa [de Fidel] depois de uma permanência em Cuba em 2001. “Fidel Castro não incentiva o culto à [sua] pessoa. É difícil encontrar um cartaz ou até um cartão postal de Castro em qualquer lugar de Havana. O ícone da Revolução de Fidel, visível em todos os lugares, é Che Guevara.”
    49. Gabriel García Márquez, escritor colombiano e Prêmio Nobel de literatura, é amigo íntimo de Fidel Castro. Esboçou um retrato dele e ressalta “a confiança absoluta que desperta no contato direto. Seu poder é de sedução. Busca os problemas onde eles estão. Sua paciência é invencível. Sua disciplina é de ferro. A força de sua imaginação o empurra até os limites do imprevisto.”

    50. O triunfo da Revolução Cubana no dia 1 de janeiro de 1959, dirigida por Fidel Castro, é o acontecimento mais relevante da História da América Latina do século XX. Fidel Castro continuará sendo uma das figuras mais controversas do século XX. Entretanto, até seus mais ferrenhos detratores reconhecem que fez de Cuba uma nação soberana e independente, respeitada no cenário internacional, com inegáveis conquistas sociais nos campos da educação, saúde, cultura, esporte e solidariedade internacional. Ficará para sempre como o símbolo da dignidade nacional que sempre se colocou do lado do oprimidos e que deu seu apoio a todos os povos que lutavam por sua emancipação.

  4. CUBA: A EXATA MEDIDA DE UM IMENSO FRACASSO

    GUSTAVO CASTAÑON28 DE NOVEMBRO DE 2016

    Com a morte de Fidel o leitmotiv predileto da direita vai voltar à carga. Esse é a acusação de que a esquerda quer transformar o Brasil numa Cuba. É uma estratégia tão, mas tão desonesta, que é até difícil explicar o tamanho da desonestidade. Mas vou tentar.

    Para começar, Cuba pode realmente ser ruim para mim, que sou de classe média alta, mas é para 100% de seus habitantes melhor do que o Brasil é para 90% dos seus. Esse não é um chute estatístico, mas uma estimativa conservadora. 75,9% dos brasileiros vivem com menos de U$10.000 ao ano enquanto 10% dos brasileiros abocanham 75,4% da renda nacional (1% abocanha 48%) (1). O produto interno bruto per capita em Cuba ajustado por poder de compra é de 20.648 dólares internacionais (2), enquanto o do Brasil antes da depressão econômica era de 15.359 dólares (3). O povo daquela ilha rochosa bloqueada é, segundo o Banco Mundial (11), mais rico que o povo do continente Brasil. Essa é uma informação chocante e geralmente desconhecida.

    Ainda assim não quero ir pra Cuba, a não ser a turismo. Porque para mim a quantidade de liberdade é mais importante do que o pão. É claro, eu tenho pão. Bem mais do que isso, eu faço parte dos 10% de privilegiados brasileiros. Logo, sou mais livre aqui do que lá. Mas a diarista que trabalha aqui em casa certamente não. Pena que ela não tem ideia do que realmente significa “Vai pra Cuba!”.

    E é também por isso que não posso querer para mim uma sociedade moralmente monstruosa como os EUA, aquela plutocracia onde o último traço de democracia é uma relativa liberdade de expressão. Mas o Brasil, meu Deus, o Brasil é uma monstruosidade social tão maior, que querer que ele se transforme em algo parecido com os EUA é querer reformas de esquerda. Sim, na maioria dos aspectos, os EUA estão à esquerda do Brasil. No dia em que o Brasil tiver um salário mínimo como o dos EUA (U$7,25 por hora contra U$1,12) (4), uma distribuição de renda como a dos EUA (gini 40,8 contra 54,7) (5), uma lei de mídia como a dos EUA, a proteção às indústrias e agricultura local como a dos EUA, um estado do tamanho do dos EUA (14,6% da população empregada contra 11,1%) (6), a direita vai poder alertar para o risco de ele virar uma Alemanha. Até lá, em vez de gritar: “A esquerda quer transformar o Brasil numa Cuba!”, deveria gritar: “A esquerda quer transformar o Brasil num EUA!”.

    E quando o Brasil ficasse parecido com os EUA, querer um governo de esquerda ia ser querer que o Brasil começasse a ter políticas de salvaguarda social mais parecidas com as da Alemanha (7), sua saúde pública, sua educação pública, suas políticas ambientais estreitas, sua carga tributária (40,6% contra 34,4% do Brasil) (8), seu imposto progressivo (quanto mais rico, mais imposto). E a direita deveria então gritar, se quisesse ser honesta: “Cuidado, a esquerda quer transformar o Brasil numa Alemanha!”

    E então, quando o Brasil ficasse parecido com a Alemanha, a direita poderia alertar para o risco de virarmos uma Dinamarca. Aí, querer reformas de esquerda seria querer que mais da metade da renda fosse para os impostos (50,8%) (9), que os filhos da elite fossem obrigados a estudar em escolas públicas, entre as melhores do mundo, que o estado empregasse mais de um terço da população (34,9%) (10), bancasse dois anos de licença para criar um recém-nascido, limitasse fortemente a atuação das grandes corporações, fosse radicalmente democrático.

    Finalmente, quando o Brasil ficasse parecido com a Dinamarca, o direitista poderia gritar sem hipocrisia seu terror com a Cuba que se avizinha, a do estado total e economia planificada, e assim disfarçar melhor sua inveja do funcionário público sob a máscara do ódio ao estado. Provavelmente nesse dia, até eu estivesse protestando a seu lado.

    Na estratégia do espantalho cubano o reacionário brasileiro finge ser a favor da liberdade e do mérito, enquanto na verdade é contra. Contra a liberdade do povo, seus direitos trabalhistas, o investimento na educação e universidade públicas, o fortalecimento do SUS e a redução dos juros. Contra o aumento da carga tributária, do salário mínimo, do estado, da remuneração do professor básico, da distribuição de renda e das oportunidades para os excluídos.

    Um conservador na Inglaterra é só um conservador. Um conservador no Brasil é um monstro. Um monstro que quer conservar as estruturas de um dos países mais desiguais e injustos do mundo.

    Não, Cuba não é o paraíso. É só uma ilha rochosa no meio do Caribe sem recursos naturais de qualquer tipo e bloqueada economicamente há cinquenta anos. E, no entanto, garante saúde e educação universal para seu povo e tem um IDH maior que o nosso, nós, que somos um continente, nós, que temos todos os recursos naturais em abundância. Essa é a medida de nosso fracasso. O incrível e gigantesco fracasso do capitalismo brasileiro.

    Notas:

    (1) Credit Suisse – Research Institute. Markus Stierli. Outubro de 2015. Tabela 6-5, pág. 149, 17-10-2016

    (2) http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PCAP.PP.CD?locations=CU&order=wbapi_data_value_2014+wbapi_data_value+wbapi_data_value-last&sort=desc

    (3) http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PCAP.PP.CD?order=wbapi_data_value_2014+wbapi_data_value+wbapi_data_value-last&sort=desc

    (4) http://www.infomoney.com.br/carreira/salarios/noticia/4073079/veja-quanto-salario-minimo-pago-paises-australia-campea

    (5) World Bank GINI index

    (6)OCDEhttp://www.oecd-ilibrary.org/sites/gov_glance-2011-en/05/01/gv-21-02.html?itemId=/content/chapter/gov_glance-2011-27-en&_csp_=6514ff186e872f0ad7b772c5f31fbf2f

    (7) http://www.dw.com/pt-br/como-o-estado-alem%C3%A3o-ap%C3%B3ia-as-fam%C3%ADlias/a-2370133

    (8) Heritage Foundation (2015).”2015 Macro-economic Data”.and Index of Economic Freedom, Heritage Foundation.

    (9)http://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php/File:Total_tax_revenue_by_country,_1995-2014_%28%25_of_GDP%29.png

    (10)OCDEhttp://www.oecd-ilibrary.org/sites/gov_glance-2011-en/05/01/gv-21-02.html?itemId=/content/chapter/gov_glance-2011-27-en&_csp_=6514ff186e872f0ad7b772c5f31fbf2f

    (11) POST SCRIPTUM: O cálculo da renda per capita de cuba ajustada pela paridade de compra segundo a metodologia do Banco Mundial foi questionada pelo Human Development Report 2015, que preferiu manter para efeito de cálculo do IDH de Cuba o valor defendido pela metodologia da CEPAL. Substituí no texto esse parâmetro pelo produto interno bruto per capita, sob o qual não pesam grandes discrepâncias. No mesmo relatório, página 47, esse órgão da ONU estima o valor do produto interno bruto per capita de Cuba em 18,796 dólares, contra 14,555 dólares do Brasil. Lembrando que esses valores são todos de antes da depressão brasileira e que Cuba cresceu todo ano de 2011 para cá. A comparação certamente está pior para nós hoje.

    http://www.revistalinguadetrapo.com.br/cuba-a-exata-medida-de-um-imenso-fracasso-por-gustavo-castanon/

  5. O ÚLTIMO DESEJO !

    Fidel deixou ordens expressas de não haver homenagens póstumas, nem estátuas, nem bustos, nem prédios, praças, avenidas ou ruas com seu nome. Estranha atitude pra um ditador megalômano, riquíssimo, assassino sanguinário que manteve, durante sessenta anos, um povo com hoje doze milhões de pessoas prisioneiras da ilha-presídio Cuba sob controle cerrado, sob a mira de fuzis e na miséria. Seu corpo, reduzido a cinzas, foi levado pelo país, atraindo multidões em silêncio de amor e respeito. Na praça onde tantas vezes se dirigiu ao povo cubano, milhões de pessoas se juntaram para ouvir o seu silêncio. Os que vaticinaram um corpo embalsamado, funerais suntuosos, a militância obrigada ao choro forçado pela força das armas, mausoléu monumental, mais uma vez foram desconcertados em seu veneno de ódio. Os seguidores, desafiados a frustrarem suas tendências idólatras, têm a oportunidade de assimilar mais uma lição deste líder humanista radical, de humildade e espírito de serviço. Fidel achava que não fizera nada além da sua obrigação.

    ” Fidel insistió en que una vez fallecido, no se le erijan monumentos, bustos, ni estatuas; que no se nombren plazas, calles, instituciones o edificios públicos en su memoria.”

    A velha cozinheira sente que lhe deve tudo. Lembra de quando ele esteve com ela, trazendo croquetes para o grupo de trabalhadores onde ela servia. “Ele esteve em todas as partes”, ela diz ao ver na televisão a quantidade de fotos de Fidel que foram levadas pela população. Agora seu sonho é visitar o local em Santa Ifigênia onde foram depositadas suas cinzas.

    “Fecha os olhos com tristeza. Sente que por sua idade, sua saúde e seus recursos, talvez não chegue a fazê-lo. Mas de repente volta às suas lembranças: Fidel comendo junto a ela nas bandejas do acampamento, Fidel tomando seu filho pelos ombros, um operário de grua, e lhe dizendo “estás fuerte, muchacho…”, Fidel orientando a entrega de casas onde estiveram os albergues e ela vivendo em uma delas. As lágrimas já não molham seu sorriso. Sem saber, ela está levantando seu próprio monumento a Fidel, sem uma só pedra.”

    http://www.cubadebate.cu/opinion/2016/12/04/la-ultima-voluntad-de-fidel/#boletin20161204

  6. Sete grandes mentiras sobre Fidel Castro que circulam (muito) nas redes sociais
    Vanessa Martina Silva | São Paulo – 30/11/2016 – 16h41

    Fortuna maior do que a da Rainha da Inglaterra, um dos maiores assassinos do século 20 e dono de uma ilha paradisíaca; confira principais mitos que circulam na Internet

    Atualizada às 21h11
    A morte do líder da Revolução Cubana e ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, gerou uma ampla comoção nas redes sociais. O fato tornou-se um elemento de mobilização apaixonada.

    O problema é que boa parte das informações que mais circularam estão incorretas. De acordo com o levantamento feito pela página Monitor do Debate Político no Meio Digital, dos 10 posts mais compartilhados no Facebook sobre o evento, quatro são chamadas com fatos inverídicos no título e outra é uma piada do site Sensacionalista.

    Outras cinco notícias são bastante parciais, publicadas por veículos à direita no espectro político. Por isso, Opera Mundi resolveu esclarecer algumas das informações incorretas mais difundidas e fez uma lista dos sete erros capitais de desinformação sobre o líder da Revolução Cubana. Veja a lista abaixo:

    1. Fidel tem fortuna estimada em US$ 550 milhões. Seu patrimônio ultrapassa o da rainha da Inglaterra
    De fato, o nome de Fidel Castro apareceu na relação das pessoas mais ricas do mundo por quase 10 anos, entre 1997 e 2006, num ranking da revista norte-americana Forbes. De acordo com a publicação, a fortuna do líder cubano seria, inclusive, maior do que a da rainha britânica Elizabeth. Fidel então, em 2006, desafiou a publicação: “Desafio que provem. E, se o provarem (…), renuncio ao cargo e às funções que estou desempenhando”. Ele fez o mesmo desafio ao então presidente George W. Bush, para que usasse as empresas e inteligência norte-americanas para provar que ele tinha US$ 1 que fosse.
    Leia também: Mais de 2 mi de pessoas lotam praça da Revolução, em Havana, para se despedir de Fidel
    A publicação não respondeu, o governo dos Estados Unidos tampouco e o nome do cubano foi retirado da lista nos anos subsequentes.
    CubaDebate

    Fidel Castro em 1966
    Mas de onde vêm esses números? A revista contava como sendo de Fidel as companhias de propriedade do Estado cubano. Em matéria publicada pela Folha de S.Paulo em 1997, a repórter Carleen Hawn explicou o “método” utilizado na contagem: “Tivemos de fazer uma estimativa”, justificou. “Não temos conhecimento exato do que Fidel Castro tem ou deixa de ter. Não sabemos, por exemplo, se ele tem conta na Suíça ou algo do gênero. Estimamos que 10% da economia cubana passa pelas mãos dele, uma estimativa até muito conservadora”. A própria repórter, à época, fez uma ressalva: o número não significa que esta seja a fortuna pessoal do presidente de Cuba, mas a que poderia, eventualmente, vir a ser.
    Leia também: ‘História da Revolução Cubana é a de Fidel’, diz biógrafa
    2. Fidel, um dos maiores assassinos do século 20
    De acordo com texto apócrifo que circula na internet, o número de pessoas mortas por fuzilamento e colocadas na conta de Fidel Castro teria sido 5.621, além de 1.163 assassinados extrajudiciais. A conta final entre combatentes de guerra e pessoas que tentaram fugir do país seria de 115.127 pessoas.
    Autor Desconhecido

    Fidel treinando tiros com uma metralhadora de tripé sustentada com as mãos
    Mesmo o informe do grupo de direitos humanos crítico ao governo cubano Cuba Archive, divulgado há dois anos, indica que 7.634 pessoas morreram desde 1959, incluindo mortes e desaparecimentos em combate em países estrangeiros.
    Leia também: Leia e ouça íntegra de discurso de Rául Castro na cerimônia a Fidel em Havana
    De acordo com o doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos Salim Lamrani, durante os primeiros meses de 1959, ano da Revolução, Ernesto “Che” Guevara era o encarregado dos tribunais revolucionários. Nesse período, cerca de 1.000 pessoas passaram pela “justiça expeditiva” e cerca de 500 foram fuziladas.
    Se comparado ao ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, somente na Guerra do Iraque, o saldo foi de 4.000 soldados norte-americanos mortos e 650 mil iraquianos que perderam a vida em decorrência da guerra, de acordo com um estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins (EUA) e pela Universidade Al Mustansiriya (Iraque), em parceria com o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA).
    Leia também: Seis frases emblemáticas de Fidel Castro
    De fato, houve mortos em decorrência da Revolução Cubana, muitos deles torturadores e responsáveis por incontáveis crimes à época do ditador Fulgencio Batista. Esse número, entretanto, não permite colocar Fidel em qualquer lista dos maiores assassinos do século 20.
    3. Fidel perseguia e executava dissidentes de forma sistemática
    Embora os cúmplices da ditadura Batista tenham sido executados no paredão no início da Revolução, as penas capitais que se seguiram foram para crimes comuns.
    Leia também: Como imprensa construiu imagem de Fidel Castro e da Revolução Cubana
    A legislação cubana prevê pena de morte para crimes como traição; corrupção; homicídio qualificado; violação ou rapto de mulher; roubo executado com violência, além de ações de terrorismo, como incendiar prédios públicos e portar explosivos. Desde 2003, quando foram condenados com a pena capital os cubanos que sequestraram uma embarcação com passageiros para tentar fugir da ilha, não há mais execuções em Cuba – na prática, o país não adota mais a pena de morte, embora ela ainda esteja prevista no código penal.
    Pessoas críticas ao governo, inclusive, trabalham com liberdade, como é o caso da blogueira Yoani Sánchez, que mantém sua atividade jornalística a partir da ilha, escrevendo para seu blog e para jornais de todo o mundo — embora relate dificuldades operacionais frequentemente (internet cara, por exemplo) – e o escritor Leonardo Padura, que viaja o mundo e expõe muitas críticas ao governo cubano em seus livros, entre eles o best seller “O homem que amava os cachorros”.
    Yoani, no entanto, depois de voltar da Suíça, onde viveu dois anos, precisou esperar cinco anos até obter a autorização para viajar ao exterior, o que ocorreu com a reforma migratória de 2013, que permite a todos os cubanos deixar o país sem outra formalidade além da obtenção de um passaporte e um visto. Antes disso, ela teve os pedidos para sair do país negados diversas vezes.
    4. Cuba é um país de miseráveis passando fome
    A ideia de que o país socialista é composto por pessoas famintas e sem acesso a alimentação de qualidade é constantemente difundida nas redes.
    Leia também: O Fidel que conheci, por Ignacio Ramonet
    No entanto, apesar de ser um país empobrecido, resultado, entre outros motivos, do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos à ilha, não há indigência e o direito à alimentação satisfatória está assegurado de fato à quase totalidade do país.
    De acordo com o Banco Mundial, o PIB de Cuba saltou de US$ 5,6 bilhões em 1970 para US$ 77,15 bilhões em 2013. Já o PIB per capita, que é o resultado da divisão do produto interno bruto pela quantidade de habitantes de um país, saltou de US$ 850 em 1972 para US$ 5.880 em 2011, superando o da Bolívia (US$ 3.080 em 2015) e o do Paraguai (US$ 4.220 em 2015). Considerando o PIB recalculado considerando a paridade de poder de compra, o número chega a US$ 10.200 em Cuba, valor próximo ao do Equador (US$ 11.300) e do Egito (US$ $11.800).
    Pixabay

    Todas as crianças cubanas têm acesso à escola; expectativa de vida é de 80 anos na ilha, uma das maiores nas Américas
    Além disso, Cuba é o único país de América Latina e Caribe que não apresenta o problema de desnutrição infantil severa, de acordo com o último relatório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), de 2006, o que faz do país, mesmo após os anos do chamado “período especial” (a crise econômica posterior à queda da União Soviética), um cumpridor dos Objetivos do Milênio e das metas estabelecidas pela Cúpula Mundial da Alimentação.
    5. Fidel era agente da CIA
    Questionando as razões de os Estados Unidos não terem invadido Cuba para dar cabo de Fidel, como foi feito com Saddam Hussein no Iraque, e as razões de a prisão de Guantánamo ficar na ilha sem qualquer ataque dos comunistas a ela, há quem sustente que Fidel foi agente do órgão de inteligência norte-americano.
    Talvez o fato de a CIA ter tentado mais de 600 vezes matar Fidel usando as mais diversas técnicas, como charuto explosivo ou caneta envenenada, responda essa questão, como mostra esse documentário do History Channel (em espanhol):

    Além disso, acusar líderes ou personalidades ligadas à esquerda de ser agente da CIA não é incomum. Uma pesquisa rápida no Google mostra uma série de sites acusando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, ou Sean Penn, ator norte-americano e amigo de líderes sul-americanos como ex-presidente Hugo Chávez, de serem agentes secretos. Em nenhum desses casos, como no de Fidel, há indícios que sugiram a veracidade da afirmação, mas, como é praticamente impossível desmentir um boato do gênero, ele acaba se propagando.

    Fidel, por Eduardo Galeano

    O Fidel que conheci, por Ignacio Ramonet

    As dez formas mais curiosas que a CIA usou para tentar matar Fidel Castro

    A CIA nunca desmentiu se Fidel foi ou não um dos agentes secretos a serviço da agência, claro, até porque qualquer pronunciamento seria visto com desconfiança: afinal, um serviço secreto trabalha com informações secretas e desinformação profissional, não com transparência.
    6. Revolução perseguiu homossexuais
    De fato, no início da revolução, houve uma grande perseguição a pessoas homossexuais no país. Elas não podiam, por exemplo, trabalhar com educação ou cultura porque o Partido Comunista considerava que seriam maus exemplos para crianças e alunos. De acordo com Mariela Castro, filha do presidente Raúl Castro e expoente da luta pela igualdade sexual e de gênero em Cuba, em entrevista a Opera Mundi, “o PC cubano era o reflexo da sociedade cubana, isto é, machista e homofóbico”.
    Ela ressalta que isso era reflexo de uma época na qual esse tipo de pensamento era disseminado. Tal orientação se refletiu na criação das Unidades Militares de Ajuda à Produção, as Umap, às quais muitos homens homossexuais foram integrados à força.
    Em entrevista ao jornal mexicano La Jornada em 2010, o próprio Fidel reconheceu a “grande injustiça” perpetrada contra pessoas homossexuais nos primeiros anos da Revolução. “Foram momentos de uma grande injustiça, uma grande injustiça”, enfatizou. Ele alegou que, na época, estava imerso nas questões políticas mais urgentes da Revolução. “Tínhamos tantos e tão terríveis problemas, problemas de vida ou morte, que não prestamos suficiente atenção” ao tratamento dispensado às pessoas homossexuais, afirmou, reconhecendo sua responsabilidade: “Se alguém é responsável, sou eu.”
    Segundo Mariela, “Fidel Castro é como o Quixote. Sempre assumiu suas responsabilidades como líder do processo revolucionário. Em razão de seu cargo, considera que deve assumir a responsabilidade de tudo o que ocorreu em Cuba, tanto os aspectos positivos como os negativos”. Ela afirma, porém, que Fidel não teve qualquer participação nessas decisões, a não ser na que decidiu extinguir as Umap.
    De acordo com artigo de Bruno Mattos, militante da Insurgência Babadeira, setorial LGBT da tendência do PSOL Insurgência, “os campos de trabalhos forçados cubanos eram vistos como mais que medida punitiva, mas espaços de ‘desintoxicação’, de ‘libertação’ de padrões comportamentais degenerados e contrarrevolucionários e ambientes em que esses sujeitos contribuiriam através de seu trabalho, de forma compulsória, com a revolução, manutenção do regime e as necessidades coletivas. As chamadas Umaps não continham somente mão de obra LGBT. Em verdade, a maior parte dos que ali trabalhavam de forma compulsória eram homens héteros. Todo homem cubano adulto estava sujeito a ser enviado a uma Umap e nem todos os homens gays e bissexuais eram submetidos aos trabalhos forçados”.
    Reprodução/YouTube

    Marcha do orgulho LGBT em Havana, realizada em 2014
    A homossexualidade deixou de ser crime em Cuba nos anos 1990 e, desde 2007, a ilha celebra, anualmente, o dia de luta contra a homofobia. Além disso, desde 2008 o Estado cubano se encarrega gratuitamente das cirurgias de redesignação sexual de pessoas transgênero. “Cuba, portanto, reconhece seu passado LGBTfóbico e vem dando tratamento a isso, avançando em direitos em uma velocidade muito maior que boa parte das nações capitalistas e signatárias dos tratados de direitos humanos internacionais do mundo”, ressalta Mattos.
    7. Fidel tinha uma mansão e uma ilha só dele
    A suposta existência da ilha exclusiva de Fidel, chamada Cayo Piedra, foi contada no livro “A vida luxuosa de Fidel”, escrito por seu ex-guarda-costas Juan Reinaldo Sánchez que, após servir o líder cubano por 17 anos, fugiu de Cuba depois de passar dois anos na prisão, acusado de insubordinação.
    Com uma pesquisa básica na internet, encontramos fotos de um pedaço de terra rodeado por um mar azul turquesa e as diversas indicações do que seriam as mansões de Fidel no local. Consta ainda que ele dirigia um luxuoso barco por 45 minutos desde Havana até ilha, para onde só levava amigos próximos, como o escritor colombiano Gabriel García Márquez. De fato, em 2015, ao pesquisar a localidade no Google Maps, aparecia a indicação “Fidel Castro Island”.
    Porém, o Google reconheceu o erro e retirou a menção no mapa ao ex-presidente cubano no mesmo ano. Apesar de o livro de Sánchez ter alcançado um grande sucesso de vendas e ampla repercussão nos meios de comunicação, de acordo com a imprensa cubana, a casa na ilha Cayo Piedra é do Estado cubano e destinada a recepcionar personalidades políticas, “especialmente dos Estados Unidos que, para evitar sanções por causa do bloqueio, não era conveniente receber em Cuba”, como diz reportagem da emissora Cubavisión.

    Com relação às diversas mansões das quais Fidel seria proprietário, novamente a emissora desmente ressaltando que ao longo de seis décadas o líder cubano morou em três casas diferentes, mas sempre teve apenas uma. As casas mencionadas pelo ex-guarda-costas são, novamente, do Estado cubano.
    Há ainda imagens da casa dos Castro vendidas à imprensa norte-americana por uma ex-namorada de um dos filhos de Fidel que fugiu para Miami (como mostra o vídeo acima). As imagens, no entanto, atestam pela simplicidade das acomodações. Nas fotos divulgadas na imprensa por ocasião dos encontros do líder com personalidades estrangeiras desde sua saída da presidência, de fato, o que se vê são instalações relativamente simples, especialmente se comparadas com o luxo reservado a chefes de Estado de todo o planeta.
    CubaDebate

    Fidel com o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter
    PUBLICIDADE

  7. […] um mês da morte de Fidel, lembro uma de suas melhores frases. Tão boa e verdadeira que até hoje não vi ninguém […]


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: