Pagodespell – Martinho da Vila e João Bosco

31/12/2016 às 3:55 | Publicado em Midiateca | 1 Comentário
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No último dia do ano, genialidade reunida!



Pagodespell

.
No Pão de Açúcar
De cada dia
Dai-nos Senhor
A poesia
De cada dia
Quem rezou, rezou
Quem não rezou, não reza mais
Há tantos mil Corcovados no cais
Cada um carrega um Cristo
E muitos Carnavais
Luxo, miséria, grandeza, conflito e paz
Diante da pedra são todos iguais
No Pão de Açúcar…
Joaquim José me chamou prum canjerê
Sambalelê nas Escadas da Sé
Se o Bispo deixar Jesus não se ofender
O pessoal vai fazer um pagodespell
E aí vai ser sopa no mel
No Pão de Açúcar…
No baile da corte
Foi o Conde D”Eu quem disse
Para Dona Benvinda:
Que farinha se suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É come e bebe, pita e cai
Dá licença, dá licença meu Senhor.

(João Bosco)

Eu, etiqueta

30/12/2016 às 3:17 | Publicado em Canto da poesia | Deixe um comentário
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Em tempos de festas e mais festas, é sempre bom relembrar Drummond:

Drummond


Eu, etiqueta

Em minha calça está grudado um nome

Que não é meu de batismo ou de cartório

Um nome… estranho

Meu blusão traz lembrete de bebida

Que jamais pus na boca, nessa vida,

Em minha camiseta, a marca de cigarro

Que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produtos

Que nunca experimentei

Mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido

De alguma coisa não provada

Por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,

Minha gravata e cinto e escova e pente,

Meu copo, minha xícara,

Minha toalha de banho e sabonete,

Meu isso, meu aquilo.

Desde a cabeça ao bico dos sapatos,

São mensagens,

Letras falantes,

Gritos visuais,

Ordens de uso, abuso, reincidências.

Costume, hábito, premência,

Indispensabilidade,

E fazem de mim homem-anúncio itinerante,

Escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É duro andar na moda, ainda que a moda

Seja negar minha identidade,

Trocá-lo por mil, açambarcando

Todas as marcas registradas,

Todos os logotipos do mercado.

Com que inocência demito-me de ser

Eu que antes era e me sabia

Tão diverso de outros, tão mim mesmo,

Ser pensante sentinte e solitário

Com outros seres diversos e conscientes

De sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio

Ora vulgar ora bizarro.

Em língua nacional ou em qualquer língua

(Qualquer, principalmente.)

E nisto me comprazo, tiro glória

De minha anulação.

Não sou – vê lá – anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago

Para anunciar, para vender

Em bares festas praias pérgulas piscinas,

E bem à vista exibo esta etiqueta

Global no corpo que desiste

De ser veste e sandália de uma essência

Tão viva, independente,

Que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora

meu gosto e capacidade de escolher,

Minhas idiossincrasias tão pessoais,

Tão minhas que no rosto se espelhavam

E cada gesto, cada olhar,

Cada vinco da roupa

Sou gravado de forma universal,

Saio da estamparia, não de casa,

Da vitrine me tiram, recolocam,

Objeto pulsante mas objeto

Que se oferece como signo de outros

Objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso

De ser não eu, mar artigo industrial,

Peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem.

Meu nome noco é Coisa.

Eu sou a Coisa, coisamente.

(Carlos Drummond de Andrade)

Um Sábado Qualquer

29/12/2016 às 3:04 | Publicado em Espaço ecumênico, Fotografias e desenhos | 7 Comentários
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Nem ele teve coragem de descer…

SabadoQualquer

UM SÁBADO QUALQUER

VER!SSIMAS

28/12/2016 às 3:56 | Publicado em Baú de livros, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Esse é o último do Veríssimo, uma coletânea de suas melhores frases. Recomendo fortemente!


Verissimas

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