Fidel etc.

01/12/2016 às 17:06 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Veríssimo retornou de férias, para nossa alegria ! Essa crônica e hoje é um resumo bem-humorado dos útimos acontecimentos.


Fidel etc.  Verissimo_sax

Deixei ordens expressas para que nada de muito importante acontecesse durante minhas férias, e não é que o Fidel me morre, o Trump me é eleito presidente dos Estados Unidos e um apartamento nas nuvens, num edifício que a inda não existe, me derruba um ministro do
Temer e me faz estremecer o próprio Temer?

Primeiro,Fidel. Eis um assunto sobre o qual é impossível ter uma opinião só. Você pode admir a rarevolução que derrubou um ditador corrupto e instalou um governo socialista que priorizou a saúde e a educação do povo, além de resistira anos de bullying do seu vizinho
americano, ou lamentar que os mesmos guerrilheiros que incendiaram a imaginação do mundo com sua vitória adotassem um regime totalitário que prendia opositores e desrespeitava direitos humanos.

O entusiasmo com Castro e sua revolução durou das primeiras notícias da insurreição até as primeiras notícias das execuções no “paredon”. Muitos na esquerda justificaram os excessos e mantiveram seu entusiasmo, outros se desiludiram, outros ficaram firmemente em cima do muro.

As conquistas sociais em Cuba só poderiam ter acontecido sob o governo forte de um comandante único, ou não? De qualquer maneira, foi-se uma das grandes personalidades do
mundo, não importa que opinião – ou que opiniões contraditórias – se tenha dele.

A eleição do Trump, como já tinha acontecido com a eleição do Bush há anos, encerra uma ironia amarga. Os colégios eleitorais que deram a vitória a Bush e Trump embora Gore e Hillary tivessem milhões de votos a mais, foram inventados por Alexander Hamilton, um
dos “founding fathers”, ou pais da pátria signatários da Constituição americana.

Hamilton temia que o voto direto, “cru” na definição de um analista americano, poderia dar a vitória a algum aventureiro ou demagogo sem capacidade para governar. Ou seja, os colégios eleitorais foram criados justamente para evitar que alguém como o Trump chegasse à presidência.

Adendo à ironia: o vice-presidente eleito dos Estados Unidos foi assistir a um musical da Broadway com um elenco multirracial e, no fim da peça, ouviu um recado endereçado a Trump por um ator negro, contra o racismo e contra outras medidas inconstitucionais prometidas pelo novo presidente. Nome do musical: “Hamilton”. Trump não gostou do recado.

E chegamos à Bahia, terra de sol e geddéis. O sol é para todos, mas no trigésimo andar fica mais perto. Os geddéis são muitos, mas só alguns são pegos.

(Luis Fernando Veríssimo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, hoje.

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