Vendedor de ilusões

11/12/2016 às 3:24 | Publicado em Artigos e textos | 3 Comentários
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Muito bom esse artigo do Professor Carlos Zacarias de Sena Junior. Serve para a gente refletir sobre o tal do marqueting !

questionamento


Vendedor de ilusões

Na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da última segunda-feira, 21, o publicitário baiano Nizan Guanaes mandou seu recado para um atento Michel Temer. Falando com a autoridade de quem controla o grupo ABC, um dos maiores grupos de comunicação da América Latina, e que ajudou a eleger FHC em 1998, Guanaes, que também trabalhou em campanhas do PT, defendeu que o “presidente” deveria utilizar a sua impopularidade para fazer as reformas que o Brasil precisa e disparou: “Popularidade é uma jaula. O senhor tem que puxar isso para o senhor e falar à nação”.

No dia seguinte, em sua coluna na Folha, o empresário baiano argumentou que a população deve entender que “remédios amargos são necessários”. Para confirmar a sua tese, citou o “realismo emocionante e motivador” do primeiro ministro britânico Winston Churchill, que se referiu aos duros tempos de “sangue, suor e lá- grimas”, e também o personagem bíblico Moisés, que “guiou os hebreus 40 anos pelo deserto em meioaimensas dificuldades, mas movidos pela fé”. Para nossa sorte, Nizan Guanaes parou por aí, porque exemplos históricos poderiam ter sido oferecidos também da Itália de Mussolini e da Alemanha de Hitler, onde a propaganda foi elemento essencial para sustentar governos que fizeram a maioria do povo acreditar que deveria arcar com sacrifícios em nome de uma necessária, embora infausta, “modernização”. Optando por conduzir o seu argumento para o batido terreno que diz que enquanto alguns querem dividir o país, ele prefere “transformar o embate divisor e destrutivo num debate unificador e construtivo”, Guanaes se coloca à disposição de Temer, dizendo-se pronto para ajudar porque o seu único partido “é o partido do Brasil”.

O marqueteiro baiano é bom com as palavras! Se engana, contudo, se acha que “dona Maria”, citada por ele como aquela que conhece muito bem a realidade de um orçamento apertado e a necessidade de racionar e planejar gastos”, vai acreditar que um país é governado da mesma forma que se dirige uma casa ou uma megaempresa como a sua. Um país é feito de gente que trabalha, precisa de saúde, transporte e educação e também desconfia que um governo impopular, que sequer precisou de votos, pode implantar reformas a bem de toda a nação.

Nizan Guanaes sabe do lugar de onde fala, por isso não mede esforços para defender seu quinhão. Como grande empresário se soma aos seus para tentar arrancar do governo medidas que salvaguardem os mais ricos a custa de ainda mais sacrifícios para os mais pobres. Como publicitário que ganhou a biografia “Enquanto eles choram, eu vendo lenços”, Guanaes continua achando que enquanto nós entramos com o “sangue, o suor e as lágrimas”, ele segue lucrando com lenços e ilusões.

(Carlos Zacarias de Sena Junior)

FONTE: Jornal A TARDE, final de novembro de 2016

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3 Comentários »

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  1. Bom artigo, porém o autor poderia enriquecido mais os ecemplos que deu de Hitler e Mussolini, incluindo Stalin, Churchil, Roosevelt, Fidel, Lula e toda a casta governante em geral ao longo da história.

  2. Valeu amigo Panta, mas acho que faltaria espaço… Abraço.

  3. […] artigo e lembrança do Professor Carlos Zacarias de Souza Júnior. Parabéns aos profissionais que pensam e registram a História […]


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