O primeiro do ano

06/01/2017 às 3:13 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | 1 Comentário
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O primeiro artigo do ano do Professor Jorge Portugal, “com um gosto de manifesto na boca. E a seguir minha homenagem ao movimento Tropicalista: vídeos com três dos maiores representantes de uma época.

“…aprender uma linguagem artística na escola básica pode não fazer do aluno um futuro artista; mas o tornará um médico mais humano, ou um engenheiro mais sensível!”


O primeiro do ano  jorge-portugal_thumb

Escrevo este primeiro artigo de 2017 com um gosto de manifesto na boca. Sei que o ano assinala os 50 anos da assim chamada Tripicália. O Tropicalismo não foi um marco de altíssimo teor musical como a Bossa Nova: foi manifestação cultural – estilo bomba H – que
retomou o “demônio Barroco” que nos forma e define, colocou-o no grande divã psicanalítico da cultura e tentou atar todas as pontas da diversidade e contra dições nacionais, explicando-nos um Brasil muito mais complexo e rico do que supunha nossa chã percepção”. Viva a Bossa sasa / Viva a palhoça çaçaçaça!”. Essa era a chave do conhecimento: a Bossa, nossa contribuição mais sofisticada, requintada, urbana e moderna para o desenvolvimento cultural planetário, e a palhoça, construção primitiva no meio de um Brasil rural, esquecido e pobre. Vivam as duas, antípodas contíguas de um espírito barroco tropical! O Tropicalismo foi (e por isso continua, em certo sentido, sendo) a nossa grande pedagogia contemporânea.

Todavia (um beijo, Fernando Vita!), 2017 marca o centenário de duas escolas baianas supimpas: Mestre Didi – Deoscoredes Maximiliano dos Santos e Prof. Adroaldo Ribeiro Costa. O primeiro, sacerdote supremo do culto dos eguns, autoridade religiosa inconteste e artista plástico de relevância sem igual. A sua re-laboração criativa dos símbolos do candomblé, transformados em arte plástica de refinada expressão – pintura ou escultura – coloca-o entre os maiores do seu tempo, sem demarcação geográfica. Jorge Portugal sugere: batizar o viaduto da Orlando Gomes, ao lado do Axipá, com o nome de Mestre Didi. Não é justo?

Adroaldo Ribeiro Costa, mestre maior, jornalista, escritor, criador de “A Hora da Criança”, caminho de luz de educar pela Arte, pensava (e fazia!) assim: aprender uma linguagem artística na escola básica pode não fazer do aluno um futuro artista; mas o tornará um médico mais humano, ou um engenheiro mais sensível. Que tal o nome de Adroaldo rebatizando o colégio Costa e Silva (argh!)? Justíssimo!

(Jorge Portugal – Poeta, educador e secretário estadual de Cultura da Bahia)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 03.01.2017

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  1. […] um excelente artigo do Professor Jorge Portugal. Dedico a todos os amigos que trabalham no Poder Judiciário. Juiz Cordioli, um ponto fora da curva […]


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