A intolerância e o papel da Educação

14/01/2017 às 16:27 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Esse blog tem como foco principal a Educação. Assim, nada melhor que um artigo desse no momento delicado em que atravessa a nação brasileira. Os três casos citados pelo autor são apenas exemplos, há mais, muito mais, infelizmente.

MundoPlural


A intolerância e o papel da Educação

Três crimes, três demonstrações de ódio, de preconceito, de intolerância de uma sociedade doente, que não respeita os direitos humanos. O engenheiro Alexandre José da Silva Neto
matou o filho, Guilherme Silva Neto, dia 15 de novembro, e se matou em seguida, em Goiânia. O motivo foi a discordância com o rapaz por conta da sua ligação com ocupações em escolas, numa clara demonstração de intolerância e radicalização política. No dia de Natal, o ambulante Luiz Carlos Ruas, agredido no metrô de São Paulo após defender um morador de rua homossexual que era perseguido, foi morto por espancamento, demonstração de homofobia e intolerância contra os pobres. No dia 31 de dezembro, doze pessoas foram assassinadas dentro de casa, pouco antes da meia-noite, e outras três
pessoas foram baleadas. O assassino foi Sidnei de Araújo, que estava inconformado com a separação da mulher e invadiu a casa, disparou contra a ex-mulher, o filho de 8 anos e outras dez pessoas. Em seguida, o atirador se suicidou com um tiro na cabeça. Ele deixou uma carta onde ataca as mulheres, chama todas de “vadias” e disse que não deixaria seu filho crescer num mundo dominado pelas feministas.

Esses não são os únicos crimes por ódio, homofobia, misoginia no Brasil, cometidos por pessoas inseridas na sociedade, empregadas, e que se sentem compelidas e estimuladas por um clima de intolerância no Brasil, incensado pelos meios de comunicação de massa e por
uma onda política conservadora. Nesse clima de intolerância, cabe a nós educadores nos perguntarmos: qual o nosso papel nessa situação? Fecharemos os olhos para o fato de que o Brasil tem 500 mil estupros por ano provocados pela cultura do estupro e do machismo? Nada faremos por um país que tem os maiores índices de assassinatos contra homossexuais no mundo, com uma pessoa morta a cada 29 horas? Um país com um racismo ainda presente nas relações sociais, na atuação policial, na diferenciação salarial e no acesso aos direitos?

Paulo Freire insistiu que não é possível mudar a Sociedade a partir apenas da Escola, afinal a transformação social depende de uma transformação das instituições como um todo, da cultura de uma Sociedade, dos movimentos sociais mais amplos. Entretanto ele foi claro ao
afirmar que não seria possível melhorar a Sociedade sem uma mudança da Escola. E o engajamento do docente é essencial para construir uma nova cultura, democrática, tolerante, que respeite os direitos e os espaços das mulheres, dos negros, da comunidade LGBT, dos índios, dos quilombolas. Em tempos de propagandas superficiais e fúteis de “escola sem partido”, cabe perguntar qual o posicionamento dos professores e da Educação num mundo cada vez menos democrático.

(Penildon Silva Filho, Professor da UFBA)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, hoje

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