Sobre o futuro

27/03/2017 às 3:02 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Um bom artigo para reflexão. É o óbvio, é o que está acontecendo diariamente com a vida dos que trabalham na sociedade moderna, ou pós-moderna para os acadêmicos, mas muita gente ainda teima em achar que não !

Alerta 2


Sobre o futuro

A JPMorgan, terceira maior empresa do mundo, com US$ 2,3 bilhões em ativos, já não precisa mais de tantos advigados. Inaugurou seu novo sistema de informação, o Coin, que interpreta acordos comerciais em segundos, comete menos erros e nunca sai de férias.
Sua capacidade de processamento representará, em um ano, a economia do trabalho intelectual que consumia 360 mil horas de milhares de advogados. As redações de jornais, rádios e TVs estão a cada ano mais enxutas: com um celular se transmite ao vivo de qualquer canto do planeta.

A substituição de trabalhadores por máquinas, que atingia apenas o trabalho braçal e mecanizado, hoje também desemprega nas profissões de forte produção intelectual.
Em uma sociedade com valores de solidariedade bem pactuados entre os cidadãos,
menos necessidade de trabalho humano significaria menores jornadas, aposentadorias mais precoces e mais tempo para o lazer – o desenvolvimento tecnológico, em tese, deveria melhorar a qualidade de vida da população.

Na vida real, o que temos é o aumento exponencial do desemprego crônico. Por
mais qualificado que seja o trabalhador, chega uma hora que não tem necessidade
de tanta gente trabalhando. Nos países mais ricos já é assustadora a parcela de jovens
desempregados, uma realidade que só se agrava. Num ambiente de desregulação
neoliberal, esta equação só terá como resultado uma desigualdade social ainda mais
abismal e milhões de miseráveis, um modelo impraticável de sociedade, que certamente sofrerá uma irrupção violenta em algum momento da história.

Como garantir, então, um equilíbrio social que entregue dignidade e bem-estar a toda a população? Regulando a relação entre as pessoas, o capital e a produção de riqueza. Para isto que serve o Estado. Já que a tendência do capitalismo é de incorporar cada vez mais tecnologia para gastar menos com pessoal, o Estado precisa criar mecanismos para ao menos preservar nas mãos dos trabalhadores a parcela da riqueza produzida que hoje vira
massa salarial. Ao propor a ampliação da jornada de trabalho e muitos anos a mais de contribuição para aposentadoria, o governo Temer faz o contrário: aumenta a oferta de trabalhadores e agrava o problema.

Hoje não existe rombo na Previdência. O nosso sistema prevê que impostos (Cofins, PIS/Pasep e CSLL) – e não somente a contribuição previdenciária – financiem as aposentadorias. É assim em todo o mundo desenvolvido. Para bancar o modelo cruel de Previdência que Temer propõe, no Brasil de 2033, quando poderá se aposentar o primeiro brasileiro atingido integralmente pelas novas regras, serão muitos os cidadãos com 65 anos que não terão 25 anos de carteira assinada e não conseguirão se aposentar. Uma tragédia social.

(Jorge Solla)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 25.03.2017

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