Se não me vejo, não compro

22/06/2017 às 3:26 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Mais um bom artigo do Professor Jorge Portugal !

um câncer chamado racismo: nasceu na colônia, cresceu no Império e se espalhou na República pela forma de enraizamento institucional.


Se não me vejo, não compro jorge-portugal

Meninos, eu vi: na quarta-feira passada, o “Exu” Pedro Archanjo encher o salão do MAB para discutir A escravidão no Brasil, e escalar uma mesa só de feras, com o mestre supremo Hélio Santos, o orixá do canto Lazzo Matumbi, e o sociólogo Caetano Ignácio. Pessoas, naquela noite de inspirações ancestrais, Lazzo derrubou todas as resistências racionais, ao cantar à
capela “14 de Maio”, dele e deste cronista que vos escreve, e ainda nos deu de brinde “Abolição” (Lazzo e Capinan) e “Alegria da Cidade” (Lazzo e Jorge Portugal). Mas não só cantou. Falou com a voz que só poderia sair de um peito negro, um coração negro exposto pelas palavras saídas da boca de um grande Orixá.

Hélio Santos, professor, doutor, mestre, supremamente mestre, como sempre, fez a
intervenção cirúrgica mais profunda no corpo social do Brasil, expondo a metástase e um câncer chamado racismo: nasceu na colônia, cresceu no Império e se espalhou na República pela forma de enraizamento institucional. Bradou: “Eu não quero negros estudando para serem apenas empregados os outros; quero o negro empreendendo essa economia criativa, revolucionando o mundo”. Anotamos, mestre. E vamos fazer caminho!

Caminho por onde já passeia o jovem sociólogo Caetano Ignácio, saudado por Hélio Santos como “o futuro”. Futuro já bastante presente, mestre. Nas suas palavras finais, Caetano fez uma análise vertical da relação “economia x racismo” e nos deixou diante de uma campanha cívico-étnica, que pode realmente balançar o país. Disse-nos que a frase/movimento é de autoria de sua irmã, Bárbara Bela, também militante antirracismo: “Se não me vejo, não compro”. Tradução: se não há produtos para negros, se a empresa não tem negros em posição de destaque, se na propaganda da empresa negros não aparecem, não consumo um só item desse empreendimento. Simples assim. Ao estilo de Martin Luther King. Caetano tem 29 anos e Bárbara Bela, 28. E já desenham formas de Juta mais letais do que os punhos cerrados de minha geração.

(Jorge Portugal)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, em algum dia do mês de junho/2017

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