Carlos Marighella e a história

01/08/2017 às 3:06 | Publicado em Artigos e textos, Baú de livros, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Lendo esse artigo a gente fica com vontade de ler o livro (“Vai, Carlos, ser Marighella na vida” : outro olhar sobre os caminhos de Carlos Marighella na Bahia (1911-1945)). Outros posts já fiz aqui sobre esse personagem marcante de nossa História:

Entrevista de Carlos Marighellahttps://joserosafilho.wordpress.com/2017/01/18/entrevista-de-carlos-marighella/

Centenário de Marighellahttps://joserosafilho.wordpress.com/2011/12/06/centenario-de-marighella/


Carlos Marighella e a história  

Uma dissertação de mestrado, defendida no Programa de Pós-graduação em História, da Ufba (7/4/2017), trouxe à tona uma das personalidades históricas brasileiras mais marcantes do século XX: o revolucionário baiano Carlos Marighella. Com o belo título “Vai Carlos ser Marighella na vida: outro olhar sobre os caminhos de Carlos Marighella na Bahia”, sob a orientação do prof. Carlos Zacarias de Sena Júnior, o historiador Ricardo José Sizilio empenhou-se em estudar os anos de juventude desta personagem tão importante para história que se alia a narrativas que contam o povo brasileiro para fora dos interesses das elites que comandam o país.

Um trabalho longo, pesquisa histórica atenta, boa orientação acadêmica, que se marca pelo projeto intelectual de seu autor em querer “humanizar a personagem mítica, pois ao humanizar Marighella, ele fica maior… Lendo-o assim, ele se torna atingível e mais admirável”. Nenhum estudo, até então, tinha se detido na cronologia tratada na dissertação, 1911 a 1935, onde se formou, na cidade do Salvador, o homem Carlos Marighella, poeta, revolucionário, negro de origem afro-italiana, filho de Oxóssi, primeiro deputado comunista eleito pela Bahia em 1945, que largou o conforto dos títulos para “pegar em armas e lutar a favor do povo contra a ditadura militar”. O texto defendido nos faz pensar na humanidade do mito, em sua beleza existencial entregue a projetos coletivos, pensar em alguém que fez de si instrumento para o ideal de uma vida mais bonita para todos.

Sizilio saiu-se exitoso! Por historiar aspectos nunca tratados do homem que foi criança, fruto de um casamento inter-racial, e que se tornou comunista sendo perseguido e assassinado pela truculência desmedida dos militares brasileiros durante a ditadura. Um homem que teve sua memória enterrada, apesar dos estudos biográficos que já foram feitos sobre ele.

O texto nos impele a redescobrir Marighella. Wagner Moura, leia! Sua sensibilidade vai gostar…

(Marlon Marcos)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 15.05.2017

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