O ser, a neurociência e a internet

17/08/2017 às 3:56 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Esse tema é atualíssimo. Quem nunca presenciou uma das cenas citadas no segundo parágrafo desse artigo ? Estamos nos perdendo entre os nós dessa grande rede que nos cerca e envolve ?

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O ser, a neurociência e a internet

Ao longo de toda a história, o homem adaptou técnicas e criou instrumentos, num processo natural de progresso e desenvolvimento, com consequências diretas no modo de produção, consumo e informação.

A década atual tem sido marcada tanto pela expansão da variedade de mídias eletrônicas quanto pela expansão ao acesso a cada uma delas. É caracterizada também pelos almoços em família nos quais as pessoas trocam animadas conversas pela utilização de aparelhos eletrônicos. Estes são usados também para comunicação por meio de mensagens instantâneas entre pais e filhos que se encontram em cômodos distantes da casa. Grupos de amigos que saem à noite para conversar permanecem de cabeça baixa, atentos ao que se observa na tela do celular. O uso dos aparelhos eletrônicos tem se tornado uma das melhores formas de entreter crianças, que têm deixado de querer bicicletas, bolas ou bonecas e passado a desejar ansiosamente um celular para uso pessoal.

Neste sentido, convém ainda analisar todos estes impactos no que diz respeito ao desenvolvimento das habilidades associadas à teoria da mente. O contato excessivo com as novas mídias digitais tem prejudicado as interações sociais em tempo real, no “mundo real”, o chamado “olho no olho”. Com isso, as oportunidades para aprender a ler as emoções e sentimentos alheios – e assim desenvolver a capacidade de se colocar no lugar do outro–estão diminuindo à medida que outras formas de comunicação vão ganhando espaço, assim como as conversas presenciais são substituídas por e-mails, posts, mensagens ou até fotos, tornando os relacionamentos na era moderna extremamente superficiais. Há, ainda, outra onsequência imediata, diante do exposto: a ausência do encontro consigo mesmo, da introspecção, necessários para o armazenamento e fixação da aprendizagem.

Do ponto de vista educacional, importa observar que a atenção é um fator primordial para a aprendizagem. Nosso sistema nervoso tem uma enorme capacidade de computação, mas ainda assim não é capaz de processar todas as informações que chegam a ele sincronicamente. Os jovens costumam estudar envolvidos em multitarefas: livro aberto, mas com o computador ligado, o celular transmitindo música e recebendo mensagens, tudo ao mesmo tempo. Não é a melhor maneira de aprender e definitivamente não conduz a uma aprendizagem mais profunda, necessitando de uma urgente reeducação e orientação no que se refere ao uso de toda essa tecnologia.

São inegáveis os benefícios e possibilidades trazidos pelo advento da internet e das novas mídias digitais, mas é preciso equacionar o seu uso adequadamente, em proveito do ser e da sua qualidade de vida.

(Erivan Augusto Santana, Professor, escritor e poeta)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 15.08.2017

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