João sem medo

17/06/2018 às 11:05 | Publicado em Artigos e textos | 1 Comentário
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Brasil joga logo mais, estreando nesta Copa de 2018. Em homenagem ao treinador que montou o melhor time de todos os tempos, a Seleção de 70, publico agora esse artigo de Jaguar que me fez lembrar de um livro sobre a vida dele que li há alguns anos. Na época fiz um post aqui neste ZEducando. Grande “João sem medo” !

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João sem medo

Eu morava no Leblon, a cem metros do seu apartamento, no meio do caminho do bar Clipper, onde tomava o primeiro chope do dia. Às vezes dava uma meia-trava no seu apartamento para tomarmos um cafezinho, coado por ele. “O pessoal das Escolas de Samba é sortudo: o desfile é na Sapucaí e não na minha rua. Onde iriam achar rima para Almirante Guíllen?”. Vi na TV o documentário de André Iki Siqueira e Beto Macedo sobre ele. Será exibido na Copa da Rússia, em mostra paralela: o Cinefoot – festival brasileiro de cinema de futebol – com mais dois, Democracia em preto e branco, de Pedro Asberg e Geraladinos, de Pedro Asberg e Renato Martins. Se há um cara que viveu intensamente foi João Saldanha. Aprontou poucas e boas, nos anos 1940, nas peladas na areia organizadas pelo lendário Neném Prancha, com a participação do não menos lendário Heleno de Freitas. Numa época em que ainda não havia motéis, os dois dividiam o aluguel de uma garçonière em Copacabana. Detalhe: em cima de uma funerária. Devia ser o único vizinho a não reclamar, já que a dupla gostava de andar armada e de vez em quando dava uns tirinhos. Sempre melhor que as histórias eram os relatos altamente criativos. Como disse Nelson Rodrigues, que inventou o apelido João Sem Medo: “Os fatos divergem das versões do João Saldanha. Pior para os fatos porque a versão dele é sempre muito melhor que o fato”. E Sandro Moreira emendou de primeira: “Se tudo que o João costumava dizer ter vivido fosse verdade, ele, João, deveria ter uns 250 anos de idade”. Nossos caminhos se cruzaram muitas vezes. Tínhamos namoradas que moravam no mesmo prédio na Djalma Ulrich, em Copacabana. Ficávamos esperando por elas na sorveteria de uns argentinos na esquina da Djalma com Aires Saldanha (nenhum parentesco). Quem visse os dois notórios boêmios chupando picolé àquela hora da tarde levaria um susto. E é sempre de lavar a alma lembrar aquele entrevero do João com o Médici. O ditador queria porque queria Dadá Maravilha na seleção das feras do Saldanha. Comunista militante, fã confesso de Prestes, já acho incrível que tenha sido escalado para técnico da seleção de 70,nos chamados anos de chumbo. Aí o Médici meteu o bedelho e mandou convocar o Dadá. A resposta foi na bucha: “Nem eu escalo ministério nem o presidente escala time”. Uma semana depois foi ejetado da seleção e substituído pelo Zagalo, que, com sua cabeça de formiguinha, fez o que o homem mandou. Mas o prato já estava preparado pelo João. Alguém disse que ele foi o machão que Felipão achou que era. Disse-o bem. Na época, eu participava de um programa de entrevistas na TV . Depois fomos para um boteco em frente e ficamos quase até as 3 da manhã. Garçons e a turma da cozinha fizeram rodinha para ouvir as histórias dele. Bebeu todas e fumou todos, só parava para tossir. Embarcou para a Itália 3 horas depois, para cobrir a Copa. Despediu-se com um “Adeus”. Sabíamos que era o último encontro.

(Jaguar)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 16.06.2018

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Oro mimá por BantosIguape

17/06/2018 às 3:21 | Publicado em Midiateca | Deixe um comentário
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Domingo com música nesta bela Terra da Bahia de Todos os Santos !


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