JG80 ou “O livro caindo na alma…”

16/08/2018 às 3:50 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Excelente crônica do arquiteto Lourenço Mueller. A lembrança de Castro Alves é sempre salutar.

Viva os livros !

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JG80 ou “O livro caindo na alma…”

É gérmen – que faz a palma, é gota – que faz o mar” (Antônio de Castro Alves).

Vamos recolocar os livros na dimensão da importância que sempre tiveram em relação à formação dos homens, como um propósito. Analisem o simbolismo dos versos do gênio baiano para amplificar esse propósito naquela dimensão florestal e oceânica, ao mesmo tempo.

Não nos deixemos vencer pela moda passageira instituída pelos gigantes da informática interessados em espetacularizar a imagem, reduzir o valor da palavra para vender celulares e, afinal, mais do que aproximar, afastar as pessoas.

O que importa é a outorga de poder ao livro impresso, revitalizando esse herói da cultura que resiste a quase tudo. E é de quem os ama e promove (‘Bendito aquele que semeia…’) que vou falar agora, ao juntar o verso do bardo baiano ao octogésimo aniversário de Joaci Góes (dia 25), o melhor intérprete de Castro Alves que já vi declamar. Certa vez – o que quase me faz acreditar em espíritos – incorporou o brilho e o gênio do ‘poeta dos escravos’ no salão nobre da ‘Associação Comercial da Bahia, [em] que Castro Alves declamou pela última vez, a 10 de fevereiro de 1871, cinco meses antes de morrer’ (Góes, Joaci. “As 51 personalidades (mais) marcantes do Brasil”. RJ: Topbooks, 2014. Pág. 190): fascinou o plenário ao declamar de memória ‘O Navio Negreiro’ como se o tivesse composto, o rosto rubro, a voz embargada.

Deixo aos confrades das Academias a que Joaci pertence – nas homenagens que certamente se seguirão a esse artigo – a ilustração precisa de seus méritos e títulos políticos, intelectuais e empresariais, que bastariam para encher esta página. Dou o abraço natalício detendo-me: na palavra e nas letras, jotagê que é o seu exímio arauto; no ser humano que é, para a família e para os amigos; na relevância que tem para a coletividade pelo pensamento quase obsessivo sobre a importância da educação. O projeto que tem JG de transformação desse País através da educação e, claro, do seu mais intenso vetor, dá ensejo ao verso: “Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas” (Mario Quintana).

(Lourenço Mueller)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 12.08.2018

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