O alagoano que foi o maior cientista do Império e dirigiu o Museu Nacional

11/09/2018 às 3:23 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Muito interessante essa história do cientista alagoano Ladislau, confesso que não conhecia.  Percebe-se pelo artigo que os problemas do Museu Nacional, como de outras instituições, é secular: carência de verbas, descaso com a cultura e com a ciência.


O alagoano que foi o maior cientista do Império e dirigiu o Museu Nacional

Domingo, dia 02 de setembro de 2018, às 19 horas e 30 minutos, o imponente prédio do Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro-RJ, é consumido pelas chamas. A instituição bicentenária, criada por Dom João VI em 1818, funciona desde 1892 no Palácio de São Cristóvão, que chegou a ser a residência da família real. O incêndio do Museu Nacional comprometeu um acervo de vinte milhões de itens.

Concebido para ser o principal museu do país, o Museu Nacional viveu seus tempos áureos durante as duas últimas décadas do reinado de Dom Pedro II, que, com uma sólida formação cultural, era um entusiasta das ciências e das artes.

Foi exatamente durante esta época que um alagoano dirigiu o Museu Nacional. Ele era o cientista Ladislau de Souza Mello Netto, nascido em Maceió em 1838, e que dedicou toda a vida à ciência: botânica, arqueologia, antropologia.

Tendo deixado Maceió em 1854 contra a vontade de sua família, Ladislau Netto seguiu o mesmo destino de inúmeros alagoanos de destaque, o Rio de Janeiro. Sobre este fato, a professora Nádia Fernandes Amorim registra que “o pai queria que ele seguisse a todo custo a carreira de comerciante na cidade, mas em 1854, ainda na adolescência e com espírito inquietante, Ladislau partiu em um navio em direção ao Rio de Janeiro para estudar”.

Na capital do Império, começa a cursar a Academia de Belas Artes. Alguns anos depois, Ladislau Netto inicia sua vida profissional como desenhista, tendo integrado a Comissão de Estudos Hidrográficos do Alto São Francisco.

Foi nesta época que começou a se interessar pela botânica. Seu prestígio na área era tamanho que passa a receber apoio financeiro do Império para estudar na França, quando estudou na Sorbonne, tendo se tornado Doutor em Ciências Naturais, e realizou suas pesquisas na Sociedade Botânica de Paris.

Em suas pesquisas relacionadas à botânica, Ladislau Netto viajou pelo mundo inteiro, deu conferências em Paris e em Berlim sobre arqueologia, escreveu centenas de obras e chegou até mesmo a descobrir novas espécies de plantas, tendo uma delas, na Nova Zelândia, sido batizada de Nettea, em homenagem ao cientista alagoano.

Dentre outras proezas do naturalista que hoje dá nome a uma rua do centro de Maceió, cabe registrar que ele foi membro das Sociedades Botânicas dos Estados Unidos, da França, de Portugal e de Luxemburgo.

Ao retornar ao Brasil, é convidado pelo Império para dirigir a Seção de Botânica do Museu Nacional em 1866. Considerado o cientista mais influente de sua época, Ladislau Netto assume o cargo de Diretor do Museu Nacional, em 1876.

Neste mesmo ano, cria a revista Archivos do Museu Nacional, de publicação trimestral. Dentre os cientistas estrangeiros que se correspondiam com Ladislau Netto e que colaboravam com a revista, destaca-se o nome do inglês Charles Darwin.

Netto passa a ser decisivo para a valorização de uma ciência nacional, colocando o Brasil no cenário internacional da época. Durante sua gestão à frente do principal museu do país, Ladislau Netto organiza a Exposição Antropológica de 1882 e chefia a delegação brasileira na Exposição Universal de Paris de 1889.

Atualmente, enquanto os brasileiros se lamentam pelo incêndio que destruiu o acervo valioso do Museu Nacional, vale lembrar que a mais de um século, Ladislau Netto “sempre aproveitava todos os espaços para reclamar das condições do edifício que sediava a Instituição, no Campo da Aclamação, todos os ensejos eram próprios para barganhar um aumento no orçamento, para requerer mais verbas para a publicação dos Archivos do Museu Nacional ou para custear mais viagens de naturalistas”, conforme registra o pesquisador Paulo Vinícius Aprígio da Silva.

Com a proclamação da República, Netto passa a ser um dos principais articuladores para a migração do Museu Nacional, antes situado no Campo da Aclamação, para o Palácio de São Cristovão, na Quinta da Boa Vista, o que aconteceu em 1892. No ano seguinte, o cientista alagoano se aposenta e deixa a instituição onde serviu durante mais de vinte e sete anos.

Em 1950, o médico alagoano Abelardo Duarte escreve a biografia de Ladislau Netto. Em 2003, o ballet Maria Emília Clarck lança em Maceió o espetáculo Nettea, em homenagem ao alagoano.

Hoje, o Brasil, os brasileiros e a memória do alagoano Ladislau Netto choram pelo descaso da instituição científica mais antiga do país.

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FONTE: https://culturaeviagem.wordpress.com/2018/09/03/o-alagoano-que-foi-o-maior-cientista-do-imperio-e-dirigiu-o-museu-nacional/

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