Qual é o limite das minhas capacidades intelectuais?

17/09/2018 às 3:27 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Esse veio do blog-amigo “O Bem Viver”. Fonte original: El Pais. A origem das nossas possibilidades e limitações pode parecer óbvia, mas vale a reflexão.

A resposta deve começar por explicar que existem três fatores que estabelecem as limitações: a genética, o treinamento e o ambiente

 


Qual é o limite das minhas capacidades intelectuais?

Visitantes da 25° Bienal do Livro de São Paulo, em de julho.

Visitantes da 25° Bienal do Livro de São Paulo, em de julho. FERNANDO BIZERRA JR. EFE

Eis a grande pergunta. Mas, para respondê-la, precisamos definir a que nos referimos quando falamos de capacidade intelectual. Seria a capacidade de cada pessoa tomar decisões, pensar e aprender tanto uma atividade motora como um conceito. Uma vez clara esta questão, a resposta sobre o limite da capacidade intelectual, sua ou de qualquer um, deve começar por dizer que há três fatores que estabelecem esses limites.

O primeiro seria a capacidade intelectual dada por sua genética, pelo genoma que você herdou de seus antepassados. Essa carga genética é diferente em cada pessoa. Depois haveria uma segunda parte que é o treinamento, o exercício da capacidade intelectual. E o terceiro é o ambiente onde a pessoa vive e que pode lhe permitir ou não desenvolver mais ou menos tanto sua capacidade inata como o treinamento e a educação. Ou seja, você pode ter uma enorme capacidade para aprender chinês, mas se jamais em sua vida for exposta a essa língua, não a aprenderá.

Uma vez que temos claro que esses são os três limites, é preciso explicar também que a combinação deles é o que tornará sua capacidade intelectual maior ou menor. Por exemplo, pode haver alguém com não muita capacidade inata, mas que esteja decidida a ampliar muito seu horizonte intelectual – o que ela deve fazer é muito treinamento. Talvez essa seja a chave que explica por que todos os esportistas, músicos ou qualquer um que seja muito bom numa determinada tarefa é tão bom assim porque treina muito, além de ter de saída uma grande capacidade inata, pois só tendo predisposição não conseguiriam. Mas também é preciso deixar claro que o desenvolvimento de algumas capacidades só com treinamento às vezes é complicado e não permitir alcançar um grau de excelência enorme, embora sim melhorar muitíssimo. Também é muito importante considerar o ambiente – certeza que lhe ocorrem nomes de pessoas que se destacam em alguns aspectos simplesmente porque estão em um ambiente muito propício.

Há outro aspecto relacionado com a inteligência que é fundamental na hora de avaliar a capacidade de uma pessoa: a tomada de decisões. Isto quer dizer que também falamos de inteligência ou capacidade intelectual naquela vertente em que uma pessoa tomaria uma determinada decisão entre todas as que possa tomar. Aqui não estaríamos melhorando uma habilidade, mas sim falando de uma pessoa inteligente no sentido de que toma a melhor decisão. Podemos ver pessoas quase iletradas, como alguém que cuida um rebanho e que toma muito boas decisões com relação a conseguir que este rebanho siga adiante – isto seria um comportamento claramente inteligente, embora essa pessoa provavelmente obtivesse maus resultados em uma prova que medisse outro tipo de capacidade intelectual.

Assim resumindo, existe de fato um limite para a capacidade intelectual, porque geneticamente o temos. Por exemplo, você poderia chegar a falar muito bem um idioma porque foi exposta a ele e treinou muitíssimo, mas ser incapaz de alcançar o nível fonético dos que são nativos do lugar, ou inclusive do ponto de vista motor há movimentos que alguém poderia não conseguir fazer. Também é preciso ter claro que se uma pessoa trabalhar duro pode reduzir, e até muito, essas limitações. Durante muito tempo parecia que com a educação era possível conseguir tudo, e isso não é totalmente verdade. Concluindo, há limites, mas também há uma grande variabilidade, e se as pessoas trabalharem e não houver uma doença ou uma lesão, pode-se chegar a conseguir muitíssimo.

(Agnès Gruart)

FONTE: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/13/ciencia/1534154167_450036.html

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