Pagodespell – Martinho da Vila e João Bosco, 1995

31/12/2018 às 3:24 | Publicado em Midiateca | Deixe um comentário
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No último dia do ano de 2016 já havia postado essa música neste espaço. Nesse final de 2018 repito a dose porque trata-se de dois dos maiores artistas brasileiros e encerrar um ano difícil na companhia dos dois é um alento.

Salve Martinho ! Salve João Bosco !



Pagodespell

No Pão de Açúcar
De cada dia
Dai-nos Senhor
A poesia
De cada dia
Quem rezou, rezou
Quem não rezou, não reza mais
Há tantos mil Corcovados no cais
Cada um carrega um Cristo
E muitos Carnavais
Luxo, miséria, grandeza, conflito e paz
Diante da pedra são todos iguais
No Pão de Açúcar…
Joaquim José me chamou prum canjerê
Sambalelê nas Escadas da Sé
Se o Bispo deixar Jesus não se ofender
O pessoal vai fazer um pagodespell
E aí vai ser sopa no mel
No Pão de Açúcar…
No baile da corte
Foi o Conde D”Eu quem disse
Para Dona Benvinda:
Que farinha se suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É come e bebe, pita e cai
Dá licença, dá licença meu Senhor.

(João Bosco)

Votaram em quem ?

30/12/2018 às 3:28 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Muito bom e oportuno esse artigo do psicanalista Cotardo Calligaris publicado na Folha de São Paulo dia 06 deste. Com um “novo” governo prestes a tomar posse, vale a pena conferir o texto que para mim traz um dos melhores diagnósticos dos fatos eleitorais recentes desta Pindorama.

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Votaram em quem?  CotardoCalligaris

Ranço autoritário talvez seja razão para ‘esclarecidos’ votarem em Bolsonaro

No segundo turno das presidenciais, vários amigos e conhecidos votaram em Haddad, “tapando o nariz” sobre o cheiro do PT. Outros, com sentimentos parecidos, anularam seu voto.

Para outros, porém, a decepção falou mais alto do que qualquer desconfiança: votaram em Bolsonaro para votar contra o PT, cansados da corrupção, do aparelhamento do Estado e da incompetência do governo Dilma.

E, ainda, vários amigos e conhecidos meus votaram em Bolsonaro positivamente, ou seja, não contra o PT, mas por aquilo que o candidato propunha: mais segurança, menos corrupção e uma guinada liberal na economia.

A maioria desses amigos e conhecidos bolsonaristas declara de antemão que despreza os ranços bizarramente caretas da campanha de Bolsonaro. Mas eles sequer se preocupam com isso, pois lhes parece óbvio que os evangélicos e os TFPs não irão interferir na vida de ninguém.

Esses dois grupos dos eleitores de Bolsonaro que eu conheço —os que afirmam que votaram contra o PT e os que dizem que votaram para uma mudança econômica sem a qual o país iria pelo ralo— têm algo em comum: nas conversas que eu presenciei, eles afirmam que votaram em Bolsonaro e, a seguir, também afirmam que eles não concordam com o moralismo tacanho, por exemplo, dos futuros ministros da Educação ou das Relações Exteriores.

“A cada vez que via a Gleisi Hoffmann na TV, queria votar mais no Bolsonaro, mas não tenho nada a ver com Malafaia, viu?” “Votei nele, sim, mas sou totalmente feminista; o que importa hoje é permitir ao país uma virada modernizadora, justamente.”

Claro, entre os eleitores de Bolsonaro, deve haver uma parte grande de indivíduos explicitamente engajados no projeto de impor aos outros as regras de conduta que eles idealizam (e que eles mesmos, aliás, mal conseguem seguir). Os indivíduos que gostam de regrar a vida dos outros, eu chamo de boçais — salientando que os boçais não são uma prerrogativa do eleitorado de Bolsonaro, eles existem no espectro político inteiro.

Os bolsonaristas com quem converso não são boçais: eles dizem que votaram quer seja contra o PT, quer seja para promover uma reforma liberal da economia —sem por isso apoiar em nada as ideias ou o temperamento autoritário dos que gostariam de regrar o comportamento dos outros.

Agora, a questão está justamente aí: “eles dizem” isso MUITO. À força de escutar negações preventivas que não eram solicitadas nem por mim nem por ninguém, comecei a duvidar delas.

Para a psicanálise, a negação não solicitada é suspeita: “Sonhei com uma mulher mais velha, loira como minha mãe, mas não era minha mãe, não era mesmo”. Claro, claro…

Da mesma forma, negando com força sua adesão à agenda mais boçal da base de seu candidato, talvez esses eleitores estejam revelando uma adesão que eles mesmos, racionalmente, ignoram.

Para esses eleitores que se consideram “esclarecidos”, o ranço autoritário, antidemocrático, homofóbico, misógino e racista não seria algo que eles tiveram que engolir (tapando o nariz) para acabar com o PT ou para ter uma política econômica liberal. Na verdade, para eles, o tal ranço talvez seja a verdadeira razão para eles votarem em Bolsonaro —uma razão que eles escondem de si mesmos.

Não só no Brasil, ao longo dos últimos 30 anos, constituiu-se uma classe média aparentemente esclarecida, ou seja, que compartilha, em tese, o ideal social-democrata que parecia prevalecer no mundo.

Mas 30 anos é muito pouco, e a mudança pedida é muito grande: essa classe supostamente esclarecida engoliu mas não digeriu quase nada das “conquistas” das últimas décadas —nem o feminismo, nem o MeToo, nem os direitos das minorias raciais e sexuais— e, no fundo, nem os próprios direitos civis.

Ao contrário, o aparente triunfo dessas reivindicações as tornou mais indigestas para essa classe, que certamente gostava de seus pequenos privilégios mais do que ela admitia.

Seu racismo, sua misoginia e sua homofobia ficaram como uma espécie de pequena dor de dentes, quase esquecida. Até o dia em que alguém veio liberá-los, ou seja, conclamar que não era vergonhoso pensar nada do que eles não se permitiam mais pensar.

Alguns foram para a rua caçar veado. Outros foram para exterminar vermelhos. Outros ainda, para censurar e chantagear professor. Outros, os mais modestos, disseram que eles não concordam, mas, enfim, é preciso salvar o país, não é?

(Contardo Calligaris)

FONTE: Folha de São Paulo, 06.12.2018

Cientistas estão certos de que chinês realmente criou bebês geneticamente modificados

29/12/2018 às 3:47 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Seria uma notícia assombrosa neste final de ano ? Sinceramente, mesmo com as questões éticas envolvidas, desde a clonagem da ovelha Dolly (nos idos de 1996) e desde o uso do CRISPR/Cas, que também não é tão recente, é perfeitamente factível que humanos já tenham sido clonados. Mas vale a notícia porque fica explicitado o fato. Estranho é o gene escolhido, muito estranho…


Cientistas estão certos de que chinês realmente criou bebês geneticamente modificados

 

 

 

Esta semana já começou agitada no mundo da ciência. Entre um pouso bem sucedido em Marte e novidades assustadoras sobre as mudanças climáticas, um pesquisador chinês, Jiankui He, da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, em Shenzhen, anunciou que teria criado bebês geneticamente modificados. Segundo contou à agência de notícias Associated Press, ele teria usado a tecnologia CRISPR para desativar o gene para a proteína CCR5 nas gêmeas Lulu e Nana, nascidas este mês.

O vírus HIV entra e infecta células ao ligar-se à CCR5, que fica na superfície das células. Assim, a intenção da equipe era criar humanos resistentes à infecção pelo vírus HIV – o que ainda não foi comprovado. Essa mudança poderia ser passada para as descendentes das gêmeas.

Por causa da segurança, o consenso na comunidade científica é de que a ferramenta CRISPR ainda não está pronta para uso em embriões humanos. Somando isso ao fato de que o grupo de pesquisa realizou essas modificações em segredo, a notícia causou inquietação e mexeu com questões éticas.

Congresso em Hong Kong

No entanto, os últimos traços de dúvidas sobre a veracidade das afirmações do pesquisador chinês foram apagados na última quarta-feira, dia 28, quando ele apresentou seu trabalho no Segundo Summit Internacional em Edição do Genoma Humano, em Hong Kong. A especialista em CRISPR Helen O’Neill, da Universidade College London, esteve presente na sessão e contou, em entrevista à “New Scientist” que a atmosfera do evento era surreal.

“A maioria de nós desembarcou na segunda-feira e ligamos nossos telefones para encontrar uma enxurrada de e-mails dizendo: ‘Você viu as notícias?’”, contou à repórter Clare Wilson. He só apareceu na conferência no dia de sua palestra e, cercado por muitos jornalistas, foi conduzido rapidamente no início e no final de sua fala.

O’Neill conta, ainda, que o pesquisador tinha uma postura humilde, “como a de uma criança que levou uma bronca”. Em alguns países, o cientista poderia ir parar na prisão pelo que fez, mas a lei chinesa não impõe penalidades, ainda que a legislação não permita a modificação genética de embriões humanos.

Cientistas acreditam em He

Questionada se acreditava que He realmente modificou o genoma de bebês, a especialista declarou que, em meio à comunidade científica, todos têm “bastante certeza”. “Ele fez uma apresentação bem impressionante sobre a pesquisa bastante extensa e completa que ele tinha feito em embriões animais e humanos. O choque inicial fez com que as pessoas dissessem: ‘Certamente que não – ele tem que provar isso’. Mas eu nunca tive qualquer dúvida”, declarou.

Segundo ela, durante a sessão de perguntas os detalhes mais “suculentos” vieram à tona – o que só aumentou o choque dos presentes. Um destes detalhes é o fato de que o próprio cientista arcou com parte dos custos do experimento. Além disso, “quase que por acaso”, ele também confirmou que há mais uma gravidez de bebês geneticamente modificados em curso. O geneticista britânico Robin Lovell-Badge, que estava mediando a sessão, acrescentou que essa gravidez ainda está nos estágios iniciais.

As implicações

A CRISPR já vem sendo usada em experimentos em adultos e em experimentos com embriões que são posteriormente descartados. Então, por que editar genes de um embrião humano é tão chocante? “Principalmente porque se algo der errado, você não consegue parar. E não temos como saber que efeito terá na próxima geração”, explica O’Neill. “Se He tivesse sido mais transparente, haveria mais confiança no que ele estava fazendo. Mas ele está sumido há meses. Ele está de licença não remunerada, está fazendo isso por conta própria”.

A pesquisadora ainda classifica como “terrível” a escolha do gene CCR5, afirmando que há “quase uma camada de preconceito” atrelada à mutação de um gene para que uma pessoa não seja suscetível ao HIV. “Se fosse uma doença com risco de morte que não têm outro tratamento, as pessoas teriam achado mais justificável. A impressão entre a comunidade científica é que esta escolha era a mais fácil, porque há muita pesquisa [sobre este gene]”.

Fato é que a experiência já foi feita e os resultados ainda são incertos. Mas, o quanto He ultrapassou os limites ao modificar geneticamente um embrião humano e implantá-lo no útero de uma mulher? “Agora, o limite está a quilômetros de distância, atrás de nós. Não dá mais para vê-lo”, finaliza O’Neill.

(Jéssica Maes)

FONTE: https://hypescience.com/bebe-geneticamente-modificado/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+feedburner%2Fxgpv+%28HypeScience%29

Natal, presente e futuro

28/12/2018 às 3:59 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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ECOS DO NATAL: mais um bom artigo do Professor Jorge Portugal. Quem não recebeu pelas redes sociais, nesse ou em outros anos, a foto da garotinha de olhos tristes? Nessas épocas é sempre bom ver exemplos como os explicitados pelo professor. Como sou fã dele, o artigo que ele menciona, MULTIPLIQUEM, POR FAVOR !, eu publiquei aqui em 28/03/2012.

“contra fome, arroz e feijão; contra pobreza, educação”

jorgeportugal


Natal, presente e futuro

Foi meu querido Antônio Amorim – amigo, vizinho, sensibilidade de escol e coaching nas horas vagas (rsrs!) – quem me mandou via zap a foto da garotinha de olhos tristes, a face encardida da pobreza, segurando um cartaz que dizia: “Neste Natal, eu não quero presentes. Quero futuro”. Bateu fundo e imediatamente lembrei-me da “Frase-mantra” com que sempre termino minhas palestras para professores em jornadas pedagógicas: “contra fome, arroz e feijão; contra pobreza, educação”, Simultaneamente, me vieram à lembrança dois acontecimentos envolvendo pessoas que primam vor “dar futuros” e não simnlesmente “presentes”.

O primeiro, já relatado aqui por esta coluna, tem por protagonistas Luciano da Casa do Pão e seus amigos lá de Morro do Chapéu, que se articularam para melho: rar o nível da educação fundamental da cidade deles. Estabeleceram uma série de prêmios a partir do negócio de cada um deles (Luciano daria pão e coisas da sua pasar ao longo de um ano para o mehor aluno de uma determinada série; o dono do supermercado, cesta básica para a família do aluno campeão de uma outra série; e outros tantos seguiam o mesmo caminho de premiação, exigindo por critérios aproveitamento e assiduidade. No fim do ano, uma grande solenidade para os vencedores, seus familiares e a comunidade local, com direito a tapete vermelho e muita, muita emoção. Resultado: Morro do Chapéu , hoje, ostenta um dos melhores IDEBs da Bahia.

O meu humílimo artigo escrito neste À TARDE, há uns seis anos (intitulado “Multipliquem, por favor”), teve o condão de comunicar essa extraordinária experiência a outras cidades e outras gentes, que copiaram o “Aluno Nota 10” (esse o nome do projeto), com grande sucesso Brasil afora. Domingo passado – culminância das culminâncias! – Luciano e seus amigos contaram essa história na tela da Globo (no Fantásticol), por obra de uma matéria magistral do repórter Zé Ralmundo, um dos santos do meu altar. Alguém aí chegou a ver?

Na outra ponta da idade, dona Zilda Cidreira, 91 anos, residente do Lar Franciscano, no Largo da Saúde, com o dinheirinho que sobra da sua aposentadoria, viaja até Feira de Santana (91 anos, hein!) e volta com um calhamaço de “Cartilhas de ABC e Tabuada”, e toca a percorrer as ruas do centro histórico de Salvador, distribuindo esse material escolar e ensinando a mendigos e demais excluídos as primeiras letras e às primeiras contas. Faz isso de forma infatigável, todos os dias, o que já lhe vale o título de “a educadora mais longeva da Bahia”.

É assim que se presentelam futuros. Com dois “artefatos” que não se encontram à venda em nenhuma vitrine de shopping: solidariedade e conhecimento.

(Jorge Portugal)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, ontem


Crianca

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