Ariano Suassuna: a mim ninguém me enrola

25/12/2018 às 3:36 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | 3 Comentários
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Neste dia de Natal, é muito oportuno esse vídeo de Suassuna, sempre hilário mas nos ensinando muitas coisas.


3 Comentários »

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  1. EU VI A NOITE CHEGANDO, SEM ALVORADA
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2018/12/24/eu-vi-a-noite-chegando-sem-alvorada/

    Eu vi a noite chegando, nenhuma luz.
    Naquela janela estava debruçada uma esperança.
    Ninguém sabe nada que eu digo, minha flor que nunca respirou, ninguém sabe nada e eu sigo, com a dor do sonho que sonhou.
    O sonho sonhado acabou, e eu vi a noite chegando. Nenhuma luz.
    As gentes acreditando que algo melhor pode vir com o amanhecer, com a aurora. Mas eu vi a noite chegando sem qualquer luz e não vejo um amanhecer tão cedo.
    Pode ser uma noite longa, tão longa quanto já fora. Noite escura, permissiva. Noite escura, gente imune, gente impune.

    Os mesmos com as mesmas balas, de hortelã. Uso exclusivo, que nada. Uso exclusivo, certamente. Sempre chupadas pelos pretos. Sempre chupadas pelos pobres. Sempre chupadas pelas putas. Sempre chupadas pelo povo, nação.

    A noite chegando eu vi, são tantas dores.
    Eu vi a noite chegando, são poucas cores.
    Eu vi a noite chegando, sofrimentos indolores.
    A noite chegando eu vi, nenhuma luz.

    Mito medo, meto medo, muito medo, medo do demo, demo à solta, medo da morte, temor… a noite chegando escura e aterrorizante pela escuridão duradoura sem fim.

    Eu vi a noite chegando, outras noites eu vi, outra noite vivi.
    A noite descabelada, desarrumada. Noite mal arrumada, enjambrada.A noite chegando eu vi, no esculacho, no escracho, esculhambado. A noite chegando eu vi, eu vi a noite chegando.
    Na janela debruçada a esperança. Adormecida. Terminal. Quase um ponto final.

    Eu vi muito seco chegando, lágrimas não há mais, já há demais, mais por vir, muitas lágrimas, inúteis, inócuas, etéreas. Lágrimas secas no armazém de secos&molhados olhando o anoitecer sem nova alvorada a surgir.

    Eu vi a noite chegando, eu vi a ira. A lira da maldade entoando sua melodia macabra na noite.

    Eu vi a noite chegando. Nenhuma luz.

  2. Republicou isso em Gustavo Hortae comentado:
    EU VI A NOITE CHEGANDO, SEM ALVORADA
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2018/12/24/eu-vi-a-noite-chegando-sem-alvorada/

    Eu vi a noite chegando, nenhuma luz.
    Naquela janela estava debruçada uma esperança.
    Ninguém sabe nada que eu digo, minha flor que nunca respirou, ninguém sabe nada e eu sigo, com a dor do sonho que sonhou.
    O sonho sonhado acabou, e eu vi a noite chegando. Nenhuma luz.
    As gentes acreditando que algo melhor pode vir com o amanhecer, com a aurora. Mas eu vi a noite chegando sem qualquer luz e não vejo um amanhecer tão cedo.
    Pode ser uma noite longa, tão longa quanto já fora. Noite escura, permissiva. Noite escura, gente imune, gente impune.

    Os mesmos com as mesmas balas, de hortelã. Uso exclusivo, que nada. Uso exclusivo, certamente. Sempre chupadas pelos pretos. Sempre chupadas pelos pobres. Sempre chupadas pelas putas. Sempre chupadas pelo povo, nação.

    A noite chegando eu vi, são tantas dores.
    Eu vi a noite chegando, são poucas cores.
    Eu vi a noite chegando, sofrimentos indolores.
    A noite chegando eu vi, nenhuma luz.

    Mito medo, meto medo, muito medo, medo do demo, demo à solta, medo da morte, temor… a noite chegando escura e aterrorizante pela escuridão duradoura sem fim.

    Eu vi a noite chegando, outras noites eu vi, outra noite vivi.
    A noite descabelada, desarrumada. Noite mal arrumada, enjambrada.A noite chegando eu vi, no esculacho, no escracho, esculhambado. A noite chegando eu vi, eu vi a noite chegando.
    Na janela debruçada a esperança. Adormecida. Terminal. Quase um ponto final.

    Eu vi muito seco chegando, lágrimas não há mais, já há demais, mais por vir, muitas lágrimas, inúteis, inócuas, etéreas. Lágrimas secas no armazém de secos&molhados olhando o anoitecer sem nova alvorada a surgir.

    Eu vi a noite chegando, eu vi a ira. A lira da maldade entoando sua melodia macabra na noite.

    Eu vi a noite chegando. Nenhuma luz.

  3. […] Ariano sempre atual. O que diria ele nesses tempos nebulosos ? […]


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