O RETRATO DO BRASIL EM PRETO E BRANCO

23/01/2019 às 3:24 | Publicado em Artigos e textos | 3 Comentários
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Mais um bom e atual artigo do Professor Paulo Ormindo de Azevedo, da UFBA.

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O RETRATO DO BRASIL EM PRETO E BRANCO   foto-paulo-ormindo_thumb_thumb_thumb_thumb

Segundo o IBGE, em 2017 os 10% mais S ricos do Brasil tinham 43,3% da renda nacional e os 10% mais pobres 0,7%. Segundo o site Desigualdade Mundial, coordenado pelo economista Thomas Piketty, 27,8% da renda, em 2015, estava nas mãos de 1% dos mais ricos no Brasil, primeiro lugar da desigualdades no mundo. De lá para cá a situação só piorou.

No último dia 4 o Jornal Nacional, edição das 20h30, terminou com um sorriso dos seus apresentadores exaltando o mérito de um adolescente negro e paupérrimo de Brasília que recebeu um convite para jogar futebol nos EUA. A família vive do lixo numa toca de piso de terra coberta por restos de plásticos que não dá uma pessoa em pé. A mensagem subliminar era: “cada um pode vencer por seus méritos, não importa a exclusão”. Na mesma edição foi mostrado duas mulheres parindo, uma no chão e outra sobre um banco na espera de um hospital, sem médico ou enfermeira. Segundo sua direção os partos foram normais e os bebês e mães nunca passaram por perigo…

Isto num país que é a 8º economia mundial, maior exportador de proteínas, grãos, minério de ferro e detentor das maiores reservas de genes, de água potável de petróleo e dispõe de US$ 380 bilhões de reservas cambiais. O problema do Brasil não é de desenvolvimento, senão de perversa distribuição da riqueza.

Não vou atribuir essa tragédia ao presidente Jair Messias, recém ungido nas urnas, nem a Temer ou Dilma. O apartheid no Brasil tem sua origem no século XVI. Duvido, porém, que a política neoliberal de seu apóstolo Paulo possa liberar o nosso povo do cativeiro e devolver a terra prometida. Introduzido na década de 1980 na Inglaterra, EUA e Chile, o neoliberalismo pregando o estado mínimo, privatizações e o fim das políticas sociais, fez a fortuna das empresas, mas aumentou a concentração de renda, o desemprego e a pobreza nesses países.

Com a retórica de favorecer os países mais pobres, os EUA decretaram, em 1989, o Consenso de Washington imaginando que eles seriam os maiores favorecidos com a liberação do comércio internacional. O FMI, BIRD e BID impuseram a todo o mundo a nova cartilha. Os países pobres entraram em colapso e suas populações fogem da fome em manadas. Os que se beneficiaram foram os orientais: China, Coreia do Sul e Japão, países com boa infraestrutura e mão de obra.

Frustrados, os EUA de Trump voltaram a impor sobretaxas aos produtos importados e criar barreiras físicas aos imigrantes. Sem políticas sociais e emprego o liberalismo explodiu nas ruas da Grécia, Espanha, Argentina e atualmente na França. Aplicado ao Brasil, cujas desigualdades beiram o ponto de ignição, essa política irá aumentar os conflitos no campo, favelas e ruas com assaltos, arrastões e saques. É esse modelo falido que vai nos integrar como nação?

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 13.01.2019

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3 Comentários »

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  1. Ótimo artigo!

    Ele sintetizou bem as críticas ao liberalismo econômico!

  2. […] DE ABRIL. Parece que o Professor Paulo Ormindo leu A BÍBLIA DO CAOS , do geinal Millor Fernandes, antes de escrever essa excelente e atualíssima […]

  3. […] me permitiu o trabalho de transformar imagem em texto nesse caso. Confiram esse artigo do Professor Paulo Ormindo de Azevedo publicado ontem no jornal A TARDE, Salvador-BA. Fomos vendidos […]


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