100 dias: desgoverno, Golden Shower e pós-verdade

13/04/2019 às 3:51 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Um dos melhores resumos desses 100 dias.

Pergunta


100 dias: desgoverno, Golden Shower e pós-verdade zacarias

Não importa que as 35 metas prometidas para os 100 primeiros dias, Bolsonaro só tenha cumprido 13 (nem entraremos no mérito das propostas). Para seu eleitorado fiel o que vale é o que foi dito pelo “Mito”. No dia 4, ao lado dos Ministros Sergio Moro e Augusto Heleno, Bolsonaro disse ter cumprido 95% do que fora prometido, enquanto os 5% restantes teriam sido “parcialmente atingidos”. No universo paralelo vivido pelo governo e por seus apoiadores fanáticos, nada impede de acreditar no que bem quiserem.

Num quadro em que prevalece a pior avaliação registrada para um presidente em primeiro mandato desde a redemocratização, Bolsonaro deve seguir piorando. Em mais uma semana intensa de notícias, o presidente, que voltava de uma viagem a Israel, após recomendar a comemoração do 31 de de março, veio convicto de que o nazismo é de esquerda, em que pese ter visitado o Museu do Holocausto, que diz com todas as letras: o nazismo é de extrema-direita!

Mas quem se importa com os fatos, quando se pode criar os seus com as ferramentas da pós-verdade? Quando o IBGE registrou o aumento do desemprego, que voltou a subir e agora atinge 13,1 milhões de brasileiros, a solução de Bolsonaro foi criticar a metodologia. E não importa o alto conceito da instituição e os reconhecidos mecanismos de aferição usados internacionalmente. Se o dado incomoda, alterem-se as metodologias, pois se o problema do desemprego não aparecer, é porque ele não existe.

A Golden Shower da vez, contudo, foi despejada sobre o ministro da Educação, Vélez Rodriguez Indicado por Olavo de Carvalho, e sobre quem o presidente apenas indagou se estava com a “faca nos dentes” para combater o “marxismo cultural” (sic), o colombiano concorria com Damares e o próprio Bolsonaro na produção de noticias bizarras. Primeiro disse que a universidade era para uma elite; depois chamou os brasileiros de canibais que “roubam tudo quando viajam”; em seguida, pediu que diretores de escola filmassem crianças cantando o hino após a leitura de uma mensagem que terminava com o lema da campanha: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Por fim, no embalo das “comemorações” de 1964, Vélez assegurou que os livros didáticos iriam ser revistos no quesito golpe e ditadura, certamente pelos critérios da pós-verdade. O discípulo de Olavo, que já havia se desentendido com o guru, foi demitido pelo Twilter, que trazia, também, a nomeação de Abraham Weintraub, um economista, professor da Unifesp, com experiência no mercado, a “faca nos dentes”, mas nenhum conhecimento em educação.

E se os próximos 100 dias forem mais Golden Shower do que de governo, bastará uma nova live ou twitte para resolver. Para os que vivem no universo paralelo do bolsonarismo e de lá não arredam pé, o que importa é a pós-verdade, este sim o único produto efetivo deste governo de que ninguém pode se queixar.

(Carlos Zacarias de Sena Júnior)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 12.04.2019

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