Apocalipse now ?

26/08/2019 às 3:53 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Após ler esse artigo da Professora Yvette Amaral, a pergunta que veio imediatamente a minha mente foi essa: será o apocalipse ? A pergunta que ela faz ao final do texto é para toda a humanidade:

Será que estamos cegos ? Será que podemos dormir tranquilos sem questionar: qual a minha missão em relação à história nesse momento derradeiro de salvação ou perdição?

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NA PONTE RIO-NITEROI

Conhecer o Rio de Janeiro foi um dos primeiros sonhos da minha adolescência. Quando realizado, o coração embevecido exclamou: que cidade linda! Hoje, depois de conhecer vários continentes e tantas metrópoles diferentes, confesso ter tido poucos deslumbramentos como o de sentir-me abençoada pelo Cristo Redentor. no alto do Corcovado, contemplando a então capital do Brasil.

Na terça passada, 20 de agosto, vi pela TV o sequestro de um ônibus com 38 reféns na ponte Rio-Niteroi. Exclamei com muita tristeza: pobre Rio! Deus a fez uma cidade maravilhosa; os homens a tornaram uma metrópole de grande risco. Não comento detalhes porque foram bastante divulgados pela mídia. Apenas destaco uma cena para mim desconcertante: o governador da cidade, num gesto de euforia, desce de um helicóptero, aplaudindo a morte do criminoso, como uma grandiosa ação do policial. Que insensata atitude de quem administra uma comunidade! Fez-me lembrar a chegada de jogadores de futebol quando o seu time vence.

A análise do fato exige cautela para não parecer louvor a um e reprovação ao outro. Uma morte pede respeito qualquer que tenha sido a sua causa. Se o policial tem uma consciência madura, nem ele se aplaudiu. Julgou-se, sim, cumpridor do dever, preservando vidas naquele instante sob sua tutela. A sua habilidade foi ímpar, merecedora até de promoção dentro da incorporação. Agiu com tamanha destreza que não feriu ninguém. Este ato de compromisso com a segurança pública foi prestado e com toda a competência, e infelizmente ele não conseguiria sucesso pleno sem abater o marginal. Foi “um mal necessário”, mas nem por isso deixa de ser uma ação nefasta.

A ocorrência mostra bem a que ponto chegamos no confronto do bem contra o mal? Um cidadão precisando matar um irmão para salvar outros.

Como sairemos desse pântano que nos prende, se a lama nos nega o necessário oxigénio para sobreviver? Evidente que nenhuma proposta objetiva e completa consegue ser feita num artigo de jornal. Registro, porém, algo que refleti durante essa semana e que me faz prosseguir convicta da necessidade de reconstruir o mundo sobre novos alicerces. Num documento conhecido como “Agenda 2030” da ONU se lê: “Podemos ser a primeira geração a ter sucesso em acabar a pobreza; assim como também pode ser a última a ter uma chance de salvar o planeta”. A profecia é terrível, e a ameaça apavorante. Não se trata da dimensão do fato em si, mas da sucessão de ocorrências apocalípticas simultâneas. O mundo inteiro está em convulsão. Será que estamos cegos? Será que podemos dormir tranquilos sem questionar: qual a minha missão em relação à história nesse momento derradeiro de salvação ou perdição?

(Yvette Amaral)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 25.08.2019

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