DOIS EM UM AO FINAL DO DOMINGO

19/04/2020 às 17:56 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Nesse final de domingo, publico aqui dois bons artigos do jornal A TARDE, Salvador-BA. Um do Professor Paulo Ormindo de Azevedo e outro do craque Tostão. O primeiro é uma excelente crônica onde o autor contra-argumenta com seus leitores. Num mundo cada vez mais globalizado e interligado via grande rede digital, isolamento é um contrassenso, cabível apenas na cabeça desse DESgoverno e nas, infelizmente, milhares de cabeças de gado que ainda acreditam nele. O segundo texto é mais uma boa crônica daquele que foi um dia um dos maiores craques de futebol, médico e hoje é escritor. Como sempre digo após ler seus artigos, Tostão não escreve só sobre futebol, ele vai além. Nesse ele nos brinda ao final com essas belas e sábias palavras de Adélia Prado: “O que a memória amou se torna eterno”.


RESPONDENDO AOS MEUS LEITORES   foto-paulo-ormindo_thumb

Meu artigo de 05/04/20 sobre a desindustrialização do país provocou um amplo debate no Facebook. Recebi apoios e algumas contestações. Só posso responder às últimas.

Ecles Lisboa levanta algumas questões. Zerar impostos, inclusive de produtos que não fabricamos desestimula sua produção interna e investimentos externos. Guedes não representa o setor produtivo, que cria empregos, senão financeiro, que ganha o mesmo importando ou exportando. Ele sabe dos impactos dos acordos de comércio e por isso quer gradual. Abrir mais o quê? Importamos desde meias a carros de luxo. Todos os organismos internacionais constatam que o livre-comércio aumentou a distância entre ricos e pobres e deflagrou migrações massivas do Oriente Médio para a Europa, da América Central para os EUA.

China, Correia do Norte e Cingapura, que haviam feito investimentos enormes em educação, alta tecnologia e infraestrutura, pularam na frente dos EUA que defendiam o livre-comércio. A briga hoje é da alta tecnologia: EUA X China, Reino Unido X União Europeia, Rússia X Arábia Saudita. O desafio não vem mais do Norte, mas do Leste. Os EUA adotam sobretaxas e cotas e nós continuamos a pensar como o Chile de 1970, que implodiu. A desindustrialização do país começou em 1990, mas o corte da pesquisa por Guedes, a venda da Embraer e a entrega da base de Alcântara sem transferência de tecnologia acentuam mais o nosso descompasso mundial. O abandono da política externa multilateral, do Acordo de Paris e os ataques à China, nosso maior comprador, só aumentam o nosso isolamento. Algumas reformas são necessárias, mas não incrementarão a nossa competitividade, não criarão empregos, nem desativarão a bomba social.

Dirceu Romani observa que em todo mundo só se vê produtos da China, Vietnã, Sri Lanka e Bangladesh. É verdade, os ricos não querem mais trabalhar, só especular nas bolsas. A pandemia está mostrando o desastre dessa dependência nos EUA, Europa e Brasil.

Meu amigo Lito Passos afirma: “A indústria nacional acaba devido ao excesso de proteção e a falta de produtividade do trabalhador brasileiro” e faz uma caricatura dos nossos operários. Simples assim? A nossa indústria está acabando porque não tem apoio oficial, tecnologia competitiva e infraestrutura, portos, ferrovias, cabotagem, e a concorrência não regulamentada dos orientais. Conheço bemosetor da construção,amaior indústria do país, e as péssimas condições de trabalho, segurança, treinamento e remuneração dos trabalhadores. O que ele fazem é um milagre. O absenteísmo é alto pela falta de saneamento e o desmonte do SUS: dengue, zika e chicungunha.

Adorei a síntese do artista e meu ex-aluno Jamison Pedra Prazeres: “Voltamos aos tempos de exportar látex e importar chiclete, exportar cacau e comprar chocolate”.

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, hoje


PAIXÕES DA MEMÓRIA tostao_thumb

Hoje, poderemos ver, pelo SporTV, a final da Copa de 1970. Muitos dirão que a Seleção foi espetacular, melhor até do que se dizia, enquanto outros falarão que o futebol era muito lento, que era uma grande equipe, mas nem tanto.

No passado e no presente, há grandes times e jogadores e também os razoáveis e os ruins. Não podemos confundir a deliciosa memória afetiva com o saudosismo, em achar que tudo antes era superior, nem se iludir que a vida e o futebol começaram com a internet.

Na véspera da final, na reunião dos jogadores com a comissão técnica, combinamos que, quando Jairzinho entrasse em diagonal e fosse acompanhado pelo lateral da Itália, Carlos Alberto avançaria pela direita. Combinamos também que eu jogaria entre os quatro defensores, que faziam a marcação individual, e o zagueiro da sobra, para evitar que ele saísse na cobertura. Um marcaria o outro. Saiu tudo como planejado. Foi também uma vitória tática.

Eu sabia que pouco pegaria na bola, espremido entre os defensores. Mas sabia também que era necessário. Senti-me importante. Repito, não fui um clássico centroavante, finalizador, nem um meia-atacante,como era no Cruzeiro, com um centroavante à minha frente. Em um time com dois atacantes excepcionais, agressivos e artilheiros, como Pelé e Jairzinho, era preciso um centroavante armador, um facilitador.

Na véspera da final, como aconteceu antes de todos os jogos do Brasil na Copa, houve um encontro entre alguns jogadores, uns seis, que se revezavam. Ninguém era obrigado ou coagido a participar. Um dos presentes fazia uma reflexão inicial, sobre futebol ou sobre o que quisesse. Alguns gostavam de rezar. Só não se falava sobre estratégia de jogo, o que acontecia na reunião com a comissão técnica.

Naquele último encontro, houve uma exceção, e foi convidado para falar o Dr. Roberto Abdala Moura, que tinha me operado do olho e que assistiu a todos os jogos no estádio, a convite da comissão técnica. Após as partidas, ele viajava para Houston, nos EUA, onde morava.

Dr. Roberto disse na preleção: “Parafraseando Padre Antônio Vieira, o contrário da luz não éa escuridão, mas sim uma luz mais forte, pois, na escuridão, qualquer luz brilha, por menos intensa que seja. Ao lado de uma luz forte,  as luzes menores não são detectadas, como que se apagam. E nossa luz, a da Seleção, será mais brilhante”.

Na manhã do jogo, tomamos café juntos, já que a partida seria ao meio-dia, sob intenso calor. Havia um silêncio. De repente, Dario, meu reserva, se levantou, olhou para Zagallo e disse que havia sonhado ter feito três gols e que garantia os gols no jogo,se fosse escalado. Todos deram gargalhadas.

Não houve surpresa na final. No intervalo (estava 1 a 1), havia, no vestiário, um consenso de  que o segundo tempo seria mais fácil, já que era evidente o cansaço dos italianos, por causa do calor, da marcação individual, da semifinal desgastante contra a Alemanha e porque o Brasil tinha o melhor preparo físico da Copa. E nu m canto, como era habitual, Gérson fumou seu cigarro.

A Seleção Brasileira foi encantadora e revolucionária para a época. Zagallo era um estrategista, o que era raro. Ele foi importante para a conquista. A Seleção unia o talento individual com o coletivo, a fantasia e a inventividade com a organização e a disciplina tática. “O que a memória amou se torna eterno” (Adélia Prado).

(Tostão)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, hoje

Moraes Moreira

19/04/2020 às 3:53 | Publicado em Midiateca | 1 Comentário
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Domingo,  música de qualidade. Hoje em homenagem a um dos maiores cantores do Brasil !

Salve Moraes Moreira !




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