120 anos de Anísio Teixeira: educação e democracia caminham juntas

14/07/2020 às 2:26 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
Tags: ,

Um blog que tem por “mote” Educação não pode dispensar nada relativo a um dos maiores educadores deste país.

Salve Anísio Teixeira !

anisio-teixeira_thumb_thumb


120 anos de Anísio Teixeira: educação e democracia caminham juntas

Em 12 de julho de 1900, em Caetité, Bahia, nascia Anísio Teixeira. Diplomado em direito, em 1922, assume o cargo de inspetor-geral de Ensino da Bahia, no governo Góes Calmon, em 1924. Neste ofício, vivencia a fragilidade do sistema público escolar baiano e, com isso, decide romper com a inspeção vedeta do poder imperial sobre o funcionamento das precárias escolas provinciais e, assim, projeta novas ideias sobre a qualidade dos seus prédios e incentiva a formação profissional dos professores.

O sucesso das suas ações o credencia a assumir a Secretaria da Educação do Distrito Federal, quando o Rio de Janeiro ainda era a capital federal, entre os anos de 1931 e 1935. Nesta função, concebeu a reforma educacional que o projeta nacionalmente, remodelando os antigos ensinos primário e secundário e o ensino superior, criando a Universidade do Distrito Federal. Nesse período, ao lado de outros brasileiros ilustres, como Cecília Meireles, envolveu-se com o celebrado Manifesto dos Pioneiros (1932), que apontava para a reconstrução nacional do sistema educativo como um fato incontroverso.

Recolheu-se da vida pública entre 1937 e 1945, por decorrência das perseguições do Estado Novo, permanecendo na Bahia. Em 1947, retorna à gestão da Secretaria da Educação na Bahia, permanecendo até 1951. Nesse tempo, inaugura a Escola Parque (1950), continuamente referenciada como uma instituição propícia à formação da juventude, em que os espaços do currículo formal se unem aos da sociabilização para a vida cidadã, consagrando o consórcio entre educação e sociedade. Em 1951, vai para o MEC gerir a Capes, órgão responsável pela organização da pós-graduação no ensino superior.

Em 1952, dirige o Inep, instituição diligente na construção do Sistema Nacional de Educação à época. Em 1960, junto com Darcy Ribeiro, cria a UNB, que logo se tornou o foco das ofensivas da ditadura militar, com ultrajes e vilipêndios. Em 1961, na querela inconfessada em desfavor da escola pública implícita aos debates da LDB, é Anísio Teixeira que desmonta a farsa e reitera a proteção à escola pública mais uma vez. Fora do Brasil, atua em algumas das universidades americanas, entre 1964 e 1966, e, no começo de 1971, aqui no Brasil, sua história é interrompida pela morte trágica, em episódio até hoje sob suspeição.

Importa reviver seu pensamento, Anísio, nestes tempos em que o país assiste ao “apagão educacional”, notabilizado pelo descaso do governo federal com a Educação, por sua imperícia na gestão do MEC e pelos desamparos inquietantes postos aos sistemas de Educação. Em 2020, o governo da Bahia reverencia sua memória, celebra sua obra e se inspira no seu exemplo. Bravo, Anísio! Viva a Anísio! Anísio, presente!

(Jerônimo Rodrigues Souza)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 11.07.2020

1 Comentário »

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

  1. […] vida e a obra do baiano Anísio Teixeira são testemunhas de que nós brasileiros não necessitamos procurar genialidade, humanidade, […]


Comentários são livres, só não aceito nem publico xingamentos !

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Blog no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: