O PL do “Vagão”

11/09/2020 às 11:34 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
Tags: , ,

Mais um excelente artigo do Professor Carlos Zacarias. Como pode quase dois milhões de pessoas terem votado nele ? Ele tenta explicar, outros fazem o mesmo. Mas nada me faz demover da ideia de que se trata de um problema psicológico coletivo, uma doença mesmo.

Exclamacao


Os idiotas autoritários vão tomar conta do mundo carelos-zacarias

Com 1,8 milhão de votos na última eleição, Eduardo Bolsonaro, leitor de O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, acredita que sabe o suficiente e mira o estrelato. Conhecido por ameaçar o STF com um “cabo e um soldado” e o país com o AI-5, agora quer criminalizar os opositores e pô-los na cadeia.

“Vagão”, como era chamado pelo pai que o considerava vagabundo, segundo a jornalista Thaís Bilenky da Revista Piauí, acaba de apresentar um PL com este fim, tornando ilegal “pessoas, organizações, eventos ou datas que simbolizem o comunismo ou o nazismo nos nomes das ruas, rodovias, praças, pontes, edifícios ou instalações de espaços públicos”.

O PL, que não tem nenhum efeito prático sobre a apologia do nazismo, colocaria quase uma dezena de partidos na ilegalidade e criaria condições para que milhares de militantes e simpatizantes da esquerda no Brasil sejam constrangidos e levados para a cadeia (reclusão de 9 a 15 anos).

Proposto como forma de alterar a LSN e a LDB, o PL de Vagão, que nunca foi conhecido por ser inteligente, inspira-se numa lei ucraniana, deixando de mencionar que em quase todos os países do mundo, excetuando-se as ditaduras, os partidos comunistas são legais e comunistas e socialistas podem defender livremente suas posições.

No endosso de uma proposta de aberto teor fascista travestida de defesa da liberdade, a justificativa que acompanha o PL 4425, que poderia ter sido escrita por qualquer aluno de 6º ano (com respeito às crianças), não consegue citar mais do que O livro negro do comunismo, Olavo de Carvalho e Ayn Rand, que nenhum historiador ou filósofo leva a sério.

Em seu pronunciamento em rede nacional na última segunda, Jair Bolsonaro disse que “Nos anos 60, quando a sombra do comunismo nos ameaçou, milhões de brasileiros, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, foram às ruas contra um país tomado pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”.

O comunismo, no Brasil, nunca foi nada mais do que um espantalho usado para justificar ditaduras. Foi na Ditadura Militar que se praticou todo tipo de violência contra os cidadãos, inclusive o imprescritível crime de tortura, que celebrizou o coronel Ustra, admirado pelos Bolsonaro. Jair e filhos, se pudessem, reescreveriam a história e baniriam os historiadores, bem o sabemos.

Apoiado por extremistas de toda espécie, inclusive neonazistas, o governo produz dossiês contra servidores antifascistas e ainda prepara uma reforma administrativa que pode demitir funcionários concursados, o que significa um enorme passo para a eliminação de toda a oposição, sonho maior dos autoritários, inclusive os idiotas, como Eduardo. Não seria um problema se esses idiotas fossem poucos, mas sendo muitos e estando no poder, são, para todos nós, uma ameaça.

(Carlos Zacarias de Sena Júnior)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 11;09.2020

A imprensa como design ou meu livro de cabeceira é um e-book

11/09/2020 às 3:20 | Publicado em Artigos e textos, Baú de livros | Deixe um comentário
Tags: ,

Nunca havia pensado a imprensa como design, mas Lourenço Mueller, autor deste artigo, tem razão. Sobre e-book, depois que venci a resistência e o preconceito, hoje convivo diariamente com ele e muitas vezes é também meu livro de cabeceira.


A imprensa como design ou meu livro de cabeceira é um e-book

Quando Castro Alves comparou o livro com o gérmen que faz a palma e a chuva que faz o mar, certamente estava falando poeticamente de como esse objeto, o livro, é seguramente o maior divulgador da linguagem, da ciência e do conhecimento, em todos os tempos. Mas ele é, também, o precursor do design. Logo no primeiro capítulo do livro ‘História do Design’ (Renato De Fusco. SP: Perspectiva, 2019), o autor afirma que a imprensa (nascimento da indústria em sua primeira redução do trabalho a termos mecânicos) antecipa em mais de 3 séculos a Revolução Industrial, como uma atividade de design.

Ao longo de seu relato da história da imprensa, sugere fatos como as anterioridades da invenção da imprensa propriamente dita, por Gutenberg, cujo prenome é mais difícil de pronunciar pelos estudantes quando aprendem sobre o inventor de uma das mais importantes criações da história humana: Johann Geinsfleisch (1394-1468), nascido na cidade de Mainz, Alemanha. De Fusco prova que o livro impresso figura como talvez o primeiro produto típico de design, se considerarmos as definições prévias desta atividade, quais sejam, o projeto, a produção, a venda e o consumo.

A excelência do desenho na nossa era já quase pós-industrial se expressa em cadeiras, talheres e carros, mas o conceito difundido da palavra ‘design’ tomou características próprias e se aplica a quase tudo que é bem desenhado e produzido industrialmente (do latim designo, marcar, desenhar, indicar, gerando a palavra inglesa que a rigor significa ‘projeto’, em toda a sua complexidade). O e-book é um típico produto da era digital.

Stephen King lançou, no ano 2000, seu romance ‘Riding Bullet’ em formato digital, vendeu milhares de cópias em um dia e só podia ser lido em computadores; eu o fiz entre os meus estudos da era digital. Na origem, em meados do século passado já havia, e ainda há, uma discussão do tipo ‘ceci tuera cela’ com relação à morte do livro impresso, como o conhecemos. Hoje penso que não é apenas o e-book que está ‘matando’ o livro, mas a própria cultura superficial das redes sociais, que até limita o número de palavras na comunicação e fomenta a preguiça mental e a imbecilidade. É sobretudo a interface chamada TELA. Esta sim, agora com tantas polegadas quantas forem proporcionais às possibilidades do consumidor. As TVs de 50 estão mais acessíveis, só falta ter acesso ao micro e ao benefício do wi-fi, e pronto, conectado o televisor, o mundo se revelará em outra dimensão!

Volto a falar do e-book: ganhei de presente de uma das minhas filhas, Lara, e foi um dos mais significativos para esse quase cegueta. Bibliotecas inteiras ‘dentro’ de um aparelhinho que pesa menos que um livro comum, tem luz própria e tamanho de letra variável, extrema facilidade de manuseio e leitura e honra o sujeito mais rico do mundo, o Jeff Bezos (um trilhão de reais) dono da Amazon, que fabrica o kindle. Não diria que é tão importante como Gutenberg, mas também alavanca o futuro.

(Lourenço Mueller)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 06.09.2020

IMG_0309

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: