O exterminador do futuro

21/10/2020 às 2:04 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Excelente esse artigo do Professor Paulo Ormindo de Azevedo da UFBA. Ele tem razão quando diz com todas as letras:

“Estamos ameaçados de um “destino sombrio”, se o robot-caranguejo não cair.”

Brasil


O exterminador do futuro

Quem se lembra desta produção americana, protagonizada pelo robot Cyberdyne, com inteligência artificial e esqueleto mecânico revestido de tecido vivo para se infiltrar entre os humanos e mudar o curso da história? Na ficção, ele baixou do ano 2029 para 1984 para cumprir sua missão.

Como outros personagens do cinema, ele seria macaqueado em outros países. Fellini fez um filme delicioso de um casal que imitava Fred e Ginger em mafuás e foi parar na televisão. No Brasil também temos um clone do robot. Ao invés do alto e musculoso Arnold Schwarzenegger, que interpretou Cyberdyne, o nosso é baixinho, cevadinho e caricato.

Ao contrário da estória original, ele faz o percurso inverso, exumado da ditadura de Pinochet ele reapareceu no ano passado na TV, quando foi lançada a quinta versão da série, “O exterminador do futuro, destino sombrio”. Seu plano é simples, exterminar o futuro do país, acabando com a educação e a ciência e os conselhos civis, reduzindo os impostos dos ricos e privatizando a seguridade social, cujo sucesso foi demonstrado no quebra-quebra de 2019 no Chile.

Seu plano inclui ainda desnacionalizar empresas estratégicas e emblemáticas, como a Casa da Moeda (1694), os Correios (1663), que emitiu o segundo selo postal mundial, o Banco do Brasil (1808) e a CEF (1861), financiadores do desenvolvimento e inclusão social, e as redes integradoras de energia, telefonia e dados, tudo financiado pelo BNDES. Essas serão concessionárias monopolistas, sem concorrência e com tarifas livres.

Na semana passada foi anunciada a venda de 8 das 13 refinarias da Petrobras, supostamente para investir no pré-sal. Mas seus nove diretores/banqueiros estão vendendo também o pré-sal e acabam de elevar seus salários para R$ 400 mil/mês, mais dois milionários bônus anuais. A corrupção acabou, agora é legal. Como toda grande empresa do ramo, a Petrobras produzia do poço ao posto, e isso permitia compensar o preço baixo do petróleo, como agora (USD$ 40/tonel) com o refino e distribuição, cujo preço não baixa no posto. Vendemos a distribuidora BR e refinarias e voltamos à política de exportar látex e importar chiclet (Jamison Pedra).

A Petrobras, premiada pela OTC, o Nobel do petróleo, ficou apenas com as refinarias de S. Paulo e Rio. No Norte e Nordeste os derivados terão preços livres e as refinarias podem optar por importar o produto e exportar empregos para seus países. Os grandes produtores de óleo praticam preços de custo nos seus países, como o Irã, onde o litro da gasolina custa R$ 1,02, Sudão onde vale R$ 1,24 e Kuwait com R$ 1,26 (BBC/BR). A nossa flutua com o dólar e bolsas dos 40% de acionistas gringos. O governo federal terá que subsidiar as refinarias privadas para evitar novas greves paralisantes de caminhoneiros. Estamos ameaçados de um “destino sombrio”, se o robot-caranguejo não cair.

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 18.10.2020

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