A TRAGÉDIA DA FOME

05/04/2022 às 3:01 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Os dados apresentados por Emiliano José nesta boa crônica são alarmantes.

– De uma população mundial com cerca de 7 bilhões de habitantes, temos 2,4 bilhões com fome !

– Num país continental como o nosso são 87 milhões passando fome !

exclamacao


A TRAGÉDIA DA FOME

A Academia de Letras da Bahia (ALB) em fase de intensa vitalidade desde a posse do presidente Ordep Serra, promoveu, no dia 21 de março, live abordando o mais grave problema do País – a fome, revigorada tragicamente desde o golpe de 2016 e eleição do novo presidente em 2018, a marcar fase da volta do neoliberalismo e todas as consequências, de modo especial a fome.

Do debate, participou o ex-ministro do governo Lula, José Graziano da Silva, também ex-diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) durante dois mandatos (entre 2012 e 2019). Mora hoje no Chile, de onde dirige o Instituto Fome Zero. O outro participante, este morando em Paris, Ladislau Dowbor, intelectual voltado à análise da situação mundial face ao capitalismo financeirizado, e história vinculada à resistência à ditadura. Da ALB, participamos o premiado escritor Antônio Torres, autor de tantos romances, e eu, como moderador.

De impressionar como os escândalos se sucedem, e a fome parece não ser um deles. Como se natural, aceitável. Como não fosse uma tragédia. Se olharmos o mundo, de estarrecer: 2,4 bilhões de pessoas passavam fome em 2020, moderada ou grave, e certamente tal situação se agravou. No caso do Brasil, à afirmação “comeram menos porque não tinham dinheiro para comprar”, em 2018, 29 milhões responderam afirmativamente e em 2021, o número chegou a 55 milhões. São números oficiais.

Outra afirmação, e a resposta volta a causar perplexidade: os que deixaram de comer porque não tinham dinheiro para comprar comida somavam 15 milhões em 2018, e chegavam a 32 milhões em 2021. Então, fazendo continha de somar, são 87 milhões de brasileiros passando fome ou vivendo em insegurança alimentar, comendo de modo insuficiente, consumindo alimentos de baixo valor nutricional. Esses números, trazidos por Graziano, organizados a partir de pesquisas do IBGE, Unicef e DataFolha.

Dowbor, além de revelar indignação com o quadro brasileiro, indicou iniciativas para enfrentar ou mitigar a fome, como produzir alimentos nas periferias das cidades, onde há tantos terrenos ociosos. Antônio Torres fez viagem pela literatura brasileira, onde a fome marca presença forte, de Graciliano Ramos a Solano Trindade, para lembrar dois autores citados por ele.

Sabemos: a fome não é tragédia da natureza. Envolve escolhas políticas, e está fundada em modelos econômicos concentradores de renda, na exploração do trabalho, no estímulo ao desemprego, na concentração da propriedade, e o capitalismo sem freios é tudo isso. É pela política a mudança desse quadro. Já houve momento do sumiço da fome no Brasil, e não tem muito tempo – Lula soube conduzir isso, e Graziano foi essencial nessa tarefa. O povo brasileiro sabe disso. E saberá decidir com sabedoria este ano. Para reconstruir o País e debelar a fome. Outra vez.

(Emiliano José)

FONTE: JORNAL A TARDE, SALVADOR-BA, 04.04.2020

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