SOMOS MUITOS EM UM SÓ

06/08/2018 às 3:34 | Publicado em Artigos e textos, Canto da poesia | Deixe um comentário
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Tostão, nessa sua crônica dominical de ontem, cita Fernando Pessoa. É ou não é diferenciado no meio da mesmice da crônica esportiva do país ?


SOMOS MUITOS EM UM SÓ  Tostao]

Escrevi, domingo passado, baseado em matérias publicadas por vários jornalistas, que estava decepcionado com Tite e com Edu Gaspar por darem privilégio aos familiares de Neymar, únicos entre os dos jogadores, hospedados no hotel da Seleção, em Sochi, na Rússia.

Tite me esclareceu que uma ala do hotel estava ocupada exclusivamente pela Seleção e que ele e Edu Gaspar não sabiam quem eram os hóspedes das outras duas alas. Deduzo que a presença somente dos familiares de Neymar em outra ala do hotel, o que é um fato, foi um privilégio dado pelos dirigentes da CBF, já que todos os outros familiares ficaram juntos em outro hotel reservado pela entidade.

Tite assistiu ao belíssimo jogo, no meio de semana, pela Copa do Brasil, entre Grêmio e Flamengo. Paquetá atuou muito bem. Ele e Arthur, já no Barcelona, provavelmente,serão convocados.

Se o técnico do Barcelona formar um trio no meio-campo,como o time jogou durante longo tempo, Arthur tem boas chances de ser titular, no lugar de Iniesta, ao lado de Busquets e Rakitic. Coutinho jogaria no trio de ataque, com Suárez e Messi. Se o Barcelona atuar com dois volantes e um meia de cada lado, como fez na maior parte da última temporada, Arthur deverá ser reserva de Busquets e Rakitic, com Coutinho, pela esquerda, e Dembélé ou Malcom, pela direita.

Neymar

Há uma enorme curiosidade, em todo o mundo, sobre qual será o comportamento de Neymar, dentro de campo, na Seleção e no PSG. Tenho muita esperança que ele, para recuperar o prestígio, deixe de lado os chiliques e brilhe intensamente, mais até do que antes. Porém, começou mal a fase de recuperação. Foi um desastre a união da propaganda comercial com o texto lido por ele, para tentar explicar o que ocorreu na Copa.Neymar parecia um robô, um roteiro sem alma.

Todos os seres humanos, de todas as épocas, especialmente as celebridades, vivem um conflito entre o criador e a criatura, entre o que desejam e o que é possível. Algumas celebridades convivem bem com essa dualidade, como Cristiano Ronaldo. Outros ficam perdidos, sem rumo, sem saber o que querem, o que são.

Há ainda os que tentam separar o público do privado, o ídolo do cidadão, como Messi. Existem também os que são tão célebres, que, naturalmente, sem perceber, sem planejar, a criatura engole, anula, o criador. Pelé é Pelé e ponto final.

Neymar, além de suas particularidades, de seu jeito de ser, mistura da genética com o  ambiente,é um produto de um novo mundo, o da internet,das redes sociais. As novas celebridades e até presidentes de países preferem não falar, não responder as perguntas. Publicam na internet o que querem, o que lhes interessa.

No futuro, haverá um novo homem,com uma inteligência artificial. Isso não é mais ficção, é realidade. Esse novo ser achará estranho o mundo em que vivemos hoje, assim como ficamos espantados com nossos antepassados, assim como as crianças e os adolescentes de hoje não entendem como era possível viver sem WhatsApp. Eu ainda sobrevivo. Não sei até quando.

O novo homem será contraditório como o atual? Fernando Pessoa, para tentar conviver com os muitos que havia dentro dele, criou 127 heterônimos, todos com identidade e vida própria. Alguns ficaram famosos, como Álvaro Campos: “Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Sou o que penso? Mas penso ser tantas coisas”.

(Tostão)

FONTE: Principais jornais do país, 05.08.2018

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Toquinho: Só tenho tempo pra ser feliz

05/08/2018 às 3:54 | Publicado em Canto da poesia, Midiateca | Deixe um comentário
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Domingo com Toquinho !


POESIA COM RAPADURA, POESIA QUE TRANSFORMA

03/08/2018 às 3:04 | Publicado em Baú de livros, Canto da poesia, Midiateca | 1 Comentário
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Muito bom esse conterrâneo. Como ele há vários outros nesses rincões nordestinos.


PoesiaQueTransforma

 


Do velhodorio@60para jucaboy@22

23/07/2018 às 3:16 | Publicado em Artigos e textos, Canto da poesia | Deixe um comentário
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Poesia em prosa. Parabéns a Jânio Ferreira Soares e seus meninos !

Celebration with Balloons Candles and Cake


Do velhodorio@60para jucaboy@22

Rapaz, parece que foi ontem, mas naquele 21 de julho de 1996 em que eu fazia 38 e você alguns minutos de vida, o mundo ainda era analógico e girava na pegada da fita VHS que, sem nem desconfiar, registrou sua primeira storie.

O dia era um domingo, tal os domingos pré-iPhones costumavam ser, onde a parentada sempre chegava com panelas cheias de gordas delícias e baralhos nas mãos, enquanto avós inventavam mil brincadeiras para netos e agregados, que só findavam quando ninguém mais enxergava grama nem tronco de goiabeira, tudo acompanhado do sucesso do momento executado pelo É O Tchan, que de uma forma, digamos, didaticamente bizarra, orientava a meninada a botar a mão no joelho e dar uma baixadinha, mexendo gostoso, balançando a bundinha.

Lembro que quando lhe vi pela primeira vez passando no corredor da maternidade nos braços de nossa querida Dra. Jussara, o que mais me chamou a atenção foi a vermelhidão de seus lábios, a ponto de Júlia, então com 6, cutucar Luiza, que acabara de fazer 7, e cochichar – num misto de inveja de quem perdera o título de caçula e de entusiasmo pelo irmão que acabara de chegar – um: “Você viu, Iza, a boca dele parece um jambo!”.

Mas, como eu ia dizendo, depois de 37 anos recebendo camisas sociais que nunca usei (me perdoe a confissão, tia Fernanda) e calções estampados que logo esgarçavam de tanto uso, eis que o destino resolveu que era hora de me presentear com algo que realmente valesse a pena e aí ordenou, com aquela voz que todo destino que se preza deve ter: “Vai, Dr. Anilton, recompense aquele coitado do calção puído, lhe dando de presente esse mimo que durante nove meses esteve embrulhado no quentinho da bolsa amniótica de Valéria e que, a partir de agora, fará com que seu pai nunca mais fuja das festinhas “surpresa” e da inevitável hora do é pique, é pique, é pique, diante de um bolo com quatro velas chamuscando idades distintas”.

Pois muito bem, desde o começo da Copa, eu e sua mãe montamos acampamento no sítio onde você cresceu, cuja forma, aos poucos, vai voltando aos bons tempos. As mangueiras, por exemplo, desandaram a florir e o laguinho já tem patos e piabas. O inverno é que não está ajudando muito, mas, com jeito, dá pra afastar as baronesas em volta da bomba e puxar uma aguazinha da beira do nosso rio, coitado, que assim como amor da ciranda, também era pouco e se acabou.

Quanto à casa, já dá pra passar uma chuva. Semana passada livros e discos retornaram às estantes, panelas foram ariadas e colchões receberam um bom banho de sol. Agora só falta você chegar pra matar a saudade das paredes da sala, que não veem a hora de ouvir de novo um “rá-tim-bum, Juca!, Juca!, Juca!”. Nessa hora, se ninguém notar, estarei brincando de esconde-esconde. Te amo.

(Jânio Ferreira Soares)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 21.07.2018

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