Quão Breve Tempo é a Mais Longa Vida 

11/12/2018 às 3:42 | Publicado em Canto da poesia | Deixe um comentário
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Pessoa, na pele de Ricardo Reis, engrandecendo este espaço !


Quão Breve Tempo é a Mais Longa Vida  fernando-pessoa

Quão breve tempo é a mais longa vida
E a juventude nela! Ah!, Cloe, Cloe,
Se não amo nem bebo,
Nem sem querer não penso,
Pesa-me a lei inimplorável, dói-me
A hora invicta, o tempo que não cessa,
E aos ouvidos me sobe
Dos juncos o ruído
Na oculta margem onde os lírios frios
Da ínfera leiva crescem, e a corrente
Não sabe onde é o dia,
Sussurro gemebundo.

(Ricardo Reis, in “Odes”, heterónimo de Fernando Pessoa)

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Evoé novos cronistas

29/11/2018 às 3:53 | Publicado em Artigos e textos, Canto da poesia | Deixe um comentário
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As crônicas de Jânio Ferreira normalmente são poesias em prosa, essa é mais uma.

Abraco_no_livresco


Evoé. novos cronistas

Professora Carmem é uma dessas educadoras que faz jus ao título que lhe antecede o nome. Sempre dedicada, ela coordena o A TARDE Educação aqui em Paulo Afonso e, em abril deste ano, foi contemplada pelo velho vespertino da Praça Castro Alves como destaque entre os articuladores do projeto na Bahia. Não satisfeita, nossa formiguinha criou o ótimo “Leitura, Chave do Mundo”, onde alunos da rede municipal têm a oportunidade de mostrar seus talentos em forma de contos, fábulas, cordéis, poesias, músicas, tirinhas e afins, fato que, por si só, merece vivas, rapapés e loas. Segue o baile.

Semana passada ela me ligou e logo pensei em mais um convite para a agradável missão de assistir aos cativantes uivos de Bruno Cordeiro, 7 anos, em sua originalíssima interpretação de um lobo preocupado com o meio ambiente e amigo de Chapeuzinho Vermelho, ou ouvir a delicadeza de Jamile Sena, 12 anos, narrando A Carta, um conto de sua autoria inspirado em Ana Terra, de Érico Veríssimo, por sinal muito bem escrito. Mas, para minha surpresa, o que ela queria mesmo era que eu gravasse um vídeo direcionado aos alunos que irão participar do concurso Jovem Jornalista 2018/2019, lhes dando dicas de como escrever uma crônica. Apavorado, exclamei: valei-me, meu São Rubem Braga!

Fugindo das mídias como o diabo da cruz, inventei mil desculpas, pigarreei bem forte sugerindo súbita rouquidão, mas não teve jeito, em poucos minutos lá estava diante de mim uma câmera mais parecendo a garrucha do caçador que vai salvar a vovozinha, só que dessa vez o alvo era o focinho deste velho vira-lata do sertão.

Pois muito bem, por achar que fiquei devendo algo na minha fala, aproveito esta página que em breve deverá se abrir diante dos olhares atentos dos alunos orientados por Tia Carmem, para acrescentar que, diferentemente do bolo que a mãe de Bruno deve fazer pra ele comer enquanto lê suas historinhas, ou da inigualável paçoca que Cecília fazia quando eu tinha a idade de Jamile e vivia cor- rendo pelas calçadas de Glória tomando banho da chuva que escorria pelas bi- queiras das casas, crônicas descarecem de receita.

Seus ingredientes podem ser inúmeras coisas, visíveis ou não. A propósito, agora mesmo a Lua cheia que fecha novembro mostra seu primeiro bago na minha janela e daqui a pouco será uma imensa tangerina solta no horizonte nu. Junto com ela chega o vento da noite, que, além de uivar na fresta da veneziana no tom do lobo bom, derrubará dezenas de mangas que farão a festa de sanhaçus, coleirinhas e sabiás ora cochilando em seus galhos, nem aí para o abdômen trincado da atriz, que pode até bombar nas redes sociais, mas não combina em nada com o final deste parágrafo, As- sim, afrouxe o cinto, aperte o sinto e voe pra onde você quiser.

(Janio Ferreira Soares)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 24.11.2018

Aquilombe-se

13/11/2018 às 3:50 | Publicado em Artigos e textos, Canto da poesia, Zuniversitas | Deixe um comentário
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“Aquilombemo-nos” todos nós !

exclamacao


Aquilombe-se

No meio do caos

Quando sentir muita dor

Aquilombe-se

Se a luta parecer não acabar

Se a sua estrutura querer desabar

Aquilombe-se

Caso não tenha mais forca pra seguir

Quando pensar em desistir

Aquilombe-se

Se os seus ja estão a se tombar

Se o medo quiser se instaurar

Aquilombe-se

Junte-se aos seus

Volte um passo atrás

Ouça os seus ancestrais.

Vai la no útero de mãe

Receba um abraço de uma irma

Deita no colo do teu mais velho

Brinque com o futuro pra esperançar

Relembre do porquê começou a lutar.

Se volte pra dentro de você

Se una pra não retroceder

Se organize para não se acabar

Junte a tribo e tente rever

O que te faz aqui estar?

Una forças, mãos, sorrisos,  choros, pernas …

E vamos juntos …se aquilombar.

(Aséo)

O SEGUNDO OLHAR

01/11/2018 às 3:21 | Publicado em Baú de livros, Canto da poesia, Zuniversitas | 1 Comentário
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Que bela obra do poetinha Mário Quintana. Uma antologia reunida numa sequência lógica de sua poesia. Aqui você encontra aquele famoso poema “Poeminha do contra”, além do que destaco abaixo e de inúmeros outros. Recomendo fortemente o livro !

SEISSENTOS E SESSENTA E SEIS

A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas…
Quando se vê, já é 6.ª feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente …

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas


 

O_SEGUNDO_OLHAR

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