Ecos de Irmã Dulce

19/10/2019 às 3:44 | Publicado em Artigos e textos, Espaço ecumênico | Deixe um comentário
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A obra social de Irmã Dulce é algo marcante em terras baianas. A forma que ela batalhava em favor dos pobres também é algo inusitado: “invadia” gabinetes, falava pessoalmente e telefonava aos poderosos em prol dos pobres. De tudo que li nos últimos tempos sobre esse tema, o artigo abaixo foi um dos melhores. Como não acredito em santo, de qualquer espécie ou religião, fico pensando quantas MariaS RitaS existem por ai nos seus trabalhos de formiguinhas em prol do outro. Santas ? Com certeza !

Viva Maria Rita, viva a todas as MariaS RitaS.


Temos uma Santa. A Dulce dos Pobres, a nossa Irmã Dulce. O que isso significa? Os Assanhos santificados de ZédeJesusBarreto

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Beijei a mão de uma Santa

Não sei quantas vezes, como repórter, estive com Irmã Dulce. Santa Irmã Dulce, porque antes mesmo de a Igreja Romana se pronunciar, sabíamos que era uma  mulher santificada. Dois desses encontros foram especiais, marcantes. Em 1979, quando da visita da Madre Tereza de Calcutá, depois de rodar pelas comunidades de Alagados. Ambas iluminadas, emanavam uma energia diferente.

Outro encontro maior com a freirinha ‘Mãe dos Pobres da Bahia’ foi anos depois, ela já bem fragilizada, sentada numa cadeira, numa ala do Hospital, em Roma. Não importa agora o assunto da reportagem. O que me ficou para sempre foi a firmeza, a fé, a simplicidade, o desprendimento, a bondade e a grandeza daquela criatura tão pequenina.

Irmã Dulce era miúda e com o passar e sofrer dos anos seu corpo foi murchando, encolhendo cada vez mais. Parecia um galho ressequido, quebradiço de uma avenca, mas seus olhos brilhavam, bem vivos. Resistia, queria estar viva, presente. Sabia que a gente pobre precisava dela, e não se abatia.

Sua voz era um fio. Respirava com dificuldade, muitas vezes com a ajuda de aparelhos, em função dos pulmões danificados por tuberculoses apanhadas no contato, corpo a corpo, com os doentes de todas as idades e condições que catava nas ruas no silêncio das madrugadas frias. Dava-lhes abrigo, cuidava de cada um com ternura.

No hospital, costumava ir de cama em cama a conversar, noite adentro, de manhã cedinho, para saber como estavam, do que precisavam, às vezes só ou ao lado de médicos e enfermeiras. Cobrava, exigia, queria o melhor possível para os seus, os deserdados.  Tinha os passos já trêmulos, as mãos e rosto em pele e osso, aquele hábito (vestimenta de freira) único, surrado, sandálias rasteiras…   Cochilava sentada, alimentava-se com meio copo de leite, água e uma banda de maçã por dia. “Sobrevivo das graças dos céus”, disse. Verdade. A luz divina a mantinha acesa.

Nada possuía, nada guardava para si, nada…  dinheiro, roupa, calçados, comida… tudo doava, era tudo para sua gente, seus filhos, os mais pobres, os doentes, os sem família, os abandonados, os mais miseráveis dos humanos. Essa era a sua gente, a quem dedicou a vida desde a adolescência. Ela pra eles e por causa deles que pedia, por quem trabalhava e orava.

Sim, não tinha vergonha de pedir em nome de Deus para os que mais precisavam.  Passava a cuia de esmoler, tirando dos ricos, dos poderosos, dos mais abastados…  ía até eles, fosse o governador, o rei, o artista, o jogador famoso ou o presidente. As Obras Sociais de Irmã Dulce, hoje patrimônio da Bahia, são fruto de sua tenacidade. Tudo começou num galinheiro, imaginem.

Presenciei um telefonema do General Presidente João Baptista Figueiredo, último dos militares da chamada ditadura, pra ela, a pedido dela. E ví o duro homem da cavalaria, de feições carrancudas, enternecer o rosto, os gestos, a voz, como se tivesse falando com a própria mãe. Quase vi lágrimas em seus olhos frios e pesados de militar duro que foi chefe do  SNI – Serviço Nacional de Informações.

Como negar um pedido de Irmã Dulce?   Era uma vocação de Deus.

Irmã Dulce era um fiapo de gente. Do tamanho do nada, infinito. Exalava a Graça do divino, que nela habitou. Sem religiosidades, louvo o ser humano especial que era.

Quando me despedi, naquele dia, tive vontade de abraçá-la, de lhe fazer um gesto de ternura, um carinho de filho, mas me contive, tão insignificante me senti diante daquele ser celestial.   Apenas tomei com cuidado sua mão fria e beijei, com ternura. Os olhos marejando.

Beijei a mão de uma santa.  Santa Irmã Dulce, a Mãe dos Pobres da Bahia.  Sua benção!

(zedejesusbarreto/ 14mai2019)

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Irmã Dulce, batizada Maria Rita, nasceu em Salvador em 1914. Voou pro céu em 1992.

FONTE: http://www.noticiasdabahia.com.br/temos-uma-santa-a-dulce-dos-pobres-a-nossa-irma-dulce-o-que-isso-significa-os-assanhos-santificados-de-zedejesusbarreto/

 

 

 

Eduardo Marinho, o filósofo das ruas

20/07/2019 às 3:19 | Publicado em Espaço ecumênico, Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Eduardo Marinho, sempre imperdível !


Bruno Aziz – Estado laico

12/07/2019 às 9:41 | Publicado em Espaço ecumênico, Fotografias e desenhos | Deixe um comentário
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PADRE JÚLIO LANCELLOTTI

13/06/2019 às 3:41 | Publicado em Espaço ecumênico, Midiateca | Deixe um comentário
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Jesus Cristo foi o maior revolucionário que já pisou nesse planeta !


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