Redes Sociais e Cidadania

12/04/2011 às 3:52 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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O vídeo tem tudo a ver com o artigo de Aninha Franco. Será que as redes sociais vão ser o último reduto da cidadania? Como diz a autora: “… a cidadania se busca nas redes sociais, porque a família e a es­cola não promovem mais discussões e troca de co­nhecimento como no século passado”.


NINGUÉM É CIDADÃO

As palavras surgem para comunicar quem se comunica com quem se trumbica. Cidadão, cidadania e cidade nasceram em Roma, Ci­vitas, invenção toda glamourosa que o português usou no século 13, só chegando à cidadania, con­vivência dos habitantes em determinado espaço geográfico, no século 20. Atualmente, a cidadania se busca nas redes sociais, porque a família e a es­cola não promovem mais discussões e troca de co­nhecimento como no século passado.

A cidade é custeada por impostos que os bra­sileiros pagam para suprir serviços que não acontecem, ou acontecem mal. Quando os cidadãos não pagam, num sistema de pa­guem-mas-não-peguem, são atirados na dívida ativa, única coisa ativa do serviço público. E o déficit entre o que os cidadãos pagam e o IOH baixo, que desfrutam, permanece.

Existe uma maneira de resolver o impasse. Atirar os maus servidores na vida ativa da de­núncia. Responsabilizar publicamente os que se locupletam com o público para afastá-Ios do poder. Os desistentes dizem que se todos que che­gam ao poder se locupletam, que nos locupletmos todos, mas assim a coisa pública será priva­da, e a cidadania, os cidadãos e as cidades se trumbicarão.

Não há cidadania onde cidadãos pagam impostos para sustentar corrupção, des­perdício e incompetência em terra inutilmente fértil, inutilmente parideira, inutilmente rica de luz, de petróleo e de água. No entanto, fora das redes, tudo é silêncio. A sociedade paga por um IOH pífio calada, o que em 1973 atordoa­va Chico Buarque (Cálice), mas era explicável, já que era preciso permanecer silencioso vendo, emergir os monstros da lagoa, que emergiam sem parar, com o AI-S nas mãos gritando Ordem e Progresso!

Agora, emerge Bolsonaro, representando milhares de idiotas sem a legalidade do AI-S. Então, por que silêncio? Para prote­ger a escória? É preciso instaurar o Correio Nagô, nosso órgão de controle privado, na esfera públi­ca dos jornais, do Ministério Público, das rádios e TVs denunciando o detrito e elogiando os que re­sistem – a duas penas – à locupletação geral e irrestrita. Privado, o Correio Nagô infecta, mas público, ele pode desinfetar.

(Aninha Franco, A TARDE, Salvador/BA, 10/04/2011)

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O “Brazil” não conhece o Brasil

03/04/2011 às 22:37 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Xenofobismos à parte (ou não ), vejam este excelente texto de Aninha Franco, publicado hoje no A TARDE de Salvador/BA. Como ela mesma diz: estamos todos de saco cheio deste Brazil com ‘z’ e esperamos que venha logo o Brasil com ‘s’:


AninhaFranco O ‘BRAZIL’ EXIGE CIDADANIA

As notícias são excitantes, mas todas esbarram na ficha que não cai do Oiapoque ao Chuí, pen­dente sobre o Senado nacional que Sarney imortalizou. Quando o camarada Obama citou uma frase de Paulo Coelho representando a prosa brasilei­ra, e uma criação de Jorge Ben, de 1966, para falar de um País tropical abençoado por Deus e bonito por Na­tureza, que em fevereiro tem Carnaval, minha adoles­cência se levantou, intempestiva, e perguntou depois de um palavrão pesado: até quando ?

Não há discussões sobre o talento midiático de Paulo Coelho, que já vendeu melhor. Mas isso nunca fez de Coelho um prosador brasileiro, porque nem brasileiro ele é. É esotérico. E para um esotérico, as questões de saúde, educação ou arte passam pelo caminho de Santiago de Compostela. Que fica no Além. Jorge Ben é um representante per­feito do País porque é Brasil na veia, porque quando ninguém nem sabia o que rolava nas favelas do Rio de Janeiro, ele já compunha Charles Anjo 45, que sótinha um 45, que era uma flor, mas que evoluiu para espé­cimes menos adoráveis que têm metralhadoras.

Agora, alguém deveria ter contado a Obama, porque nós somos, também, a memória alheia daquilo que criamos, que País Tropical pertence ao ‘Brazil’ de lyndon Johnson, não ao Brasil do Bric. Pertence ao ‘Brazil’ das mulatas, da Ficha Limpa adiada para 2012, ao ‘Brazil’ de Sarney imortal na presidência do Senado, ao ‘Brazil’ de Maluf deputado contracenando com Jader Barbalho, ao ‘Brazil’ questionado nas redes sociais pelos que exigem – porque pagam imposto para isso – cidadania.

E deveria contar que a maioria dos que sabem sa­be que não pode dar certo ser a 7a ou a 5a eco­nomia do mundo com brasileiros nas ruas, tratados como irracionais de outra espécie. Que não é cristão um ‘Brazil’ sem controle de natalidade e sem proteção às crianças nascidas do descontrole. Que não é inteligente um ‘Brazil’ com seu patrimônio artístico ameaçado. Que esse ‘Brazil’ incompetente, doente, corrupto está com o prazo de validade vencida. E que nós, todos nós, mesmo os que não sabem, estamos de saco cheio dele! Com a esperança renovada de que venha o Brasil!

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