Motor iônico tipo Star Trek voa pela primeira vez

05/12/2018 às 3:58 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Impressionante essa pesquisa. Confesso que não sabia nada sobre o “vento iônico” e as possibilidades de sua utilização. Vale a pena conferir.


Motor iônico tipo Star Trek voa pela primeira vez

Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) construiu a primeira aeronave movida por um “vento iônico”, um sistema de propulsão que não requer partes móveis – os motores elétricos geram impulso criando e disparando partículas carregadas.

O projeto foi liderado pelo engenheiro aeroespacial Steven Barrett. “Em Star Trek você tem planadores deslizando silenciosamente. Eu pensei: ‘Nós deveríamos ter aviões assim’”, conta.

A tecnologia

Nas aeronaves convencionais, o ar é empurrado pelas partes móveis, seja pelas hélices ou pelas turbinas nos motores a jato.

Sabemos que também é possível usar campos elétricos para empurrar o ar. O desafio é que o ar é em grande parte feito de moléculas não carregadas que não respondem aos campos elétricos.

Na teoria, em tensões suficientemente altas, é possível ionizar o nitrogênio e o oxigênio que compõem a nossa atmosfera, como os raios fazem o tempo todo. Os elétrons que são liberados se afastam rapidamente, colidem com outras moléculas e ionizam algumas também.

Se isso ocorrer em um campo elétrico, os íons começam a se mover, colidem com moléculas neutras e as impulsionam. O movimento resultante das moléculas atmosféricas é chamado de vento iônico.

Cálculos feitos décadas atrás sugeriram que não era possível gerar uma quantidade prática de impulso usando um propulsor de vento iônico. Dados os avanços em baterias, eletrônicos e materiais, no entanto, Barret decidiu que já era tempo de revisitar a questão.

Sucesso

O engenheiro passou oito anos estudando a tecnologia até construir o primeiro protótipo da aeronave.

Apesar disso, tinha poucas esperanças para seu mais recente modelo, nomeado modestamente de “Versão 2”.

Diferentemente de seu antecessor, contudo, a Versão 2 navegou quase 60 metros pelo ar a cerca de 17 quilômetros por hora. Sem exaustores visíveis e sem jatos ou hélices giratórias – ou seja, sem nenhuma parte móvel -, a aeronave parecia silenciosamente animada por uma fonte etérea.

“Foi muito emocionante”, disse Barrett. “Então colidiu com a parede, o que não era o ideal”.

Façanha

Ainda assim, o voo foi uma verdadeira façanha. Propulsores de íons não são uma tecnologia particularmente nova – já ajudaram a empurrar naves e sondas espaciais muito eficientemente -, mas estão muito longe da eficiência de foguetes ou jatos.

No vácuo do espaço, propulsores de íons precisam carregar um suprimento de gás a bordo que ionizam e lançam no vazio relativo para criar impulso. Quando se trata de passar pela atmosfera espessa da Terra, no entanto, sua velocidade não é suficiente para impulsionar uma aeronave.

Barrett e sua equipe uniram três fatores para fazer a Versão 2 funcionar: um design inovador para o propulsor; um sistema elétrico leve, mas poderoso; e um modelo de computador que simulasse a melhor configuração para todos os elementos da aeronave.

Os propulsores

Os propulsores consistem em duas fileiras de longos fios de metal. A fila da frente conduz cerca de 40.000 volts de eletricidade – 166 vezes a voltagem fornecida a uma casa média.

Isso é energia suficiente para retirar elétrons de átomos de nitrogênio na atmosfera. Quando isso acontece, os átomos se transformam em íons carregados positivamente. Como a fileira de metal de trás carrega uma carga negativa, os íons se inclinam como bolas de bilhar magnetizadas.

“Ao longo do caminho, existem milhões de colisões entre esses íons e moléculas de ar neutro”, observa Barrett. Isso empurra as moléculas de ar em direção à parte de trás do avião, criando um vento que empurra o avião para frente com força e rapidez suficientes para alçar voo.

O sistema elétrico

Antes desta aeronave, ninguém havia criado um sistema que pudesse converter a energia de uma bateria leve com eficiência suficiente para gerar a tensão que os propulsores precisam.

“O maior desafio é que [os propulsores de íons] precisam de 20.000 ou 30.000 volts apenas para funcionar. Alta voltagem em uma aeronave não é fácil. 40.000 volts em uma aeronave? Essa tecnologia não existia”, explicou Mitchell Walker, engenheiro aeroespacial do Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA), que não participou do estudo.

Finalmente, Barrett usou um modelo de computador para obter o máximo de todos os elementos de design da aeronave, desde o propulsor e o sistema elétrico até os fios que atravessam o avião.

“O conversor de energia, a bateria, as tampas e a fuselagem – tudo foi otimizado. As simulações falharam o tempo todo. Tivemos que fazer centenas de mudanças”, conta o pesquisador. No final, a equipe conseguiu construir a triunfante Versão 2.

Hardware

O hardware resultante incluiu uma asa de cinco metros com um corpo fino contendo a bateria e os componentes eletrônicos suspensos abaixo dela, e uma cauda. No total, o avião pesava pouco menos de 2,5 kg.

Usando uma catapulta de lançamento baseada em corda elástica, a nave pode voar cerca de 10 metros quando desligada. Com o vento iônico aceso, cobriu 60 metros.

Medições mostraram que os propulsores geraram coletivamente cinco newtons para cada quilowatt de potência, o que na verdade é similar à saída dos motores a jato. Mas por causa de muitas ineficiências no sistema, a eficácia geral foi de apenas 2,5% – bem abaixo das aeronaves convencionais.

Ainda assim, os pesquisadores têm uma lista enorme de possíveis melhorias. Com asas maiores e uma velocidade maior, a eficiência pode chegar até 5% sem quaisquer alterações na tecnologia subjacente. A equipe também planeja explorar diferentes formas de gerar íons, designs de eletrodos que reduzam o arrasto e/ou sejam integrados na asa e melhor conversão de energia eletrônica.

Aplicações

Embora o experimento tenha sido uma bem-sucedida prova de conceito da tecnologia, seu uso provavelmente teria capacidades limitadas. Hélices e jatos ainda são muito mais competentes do que os propulsores de vento iônicos, tornando improvável que aviões de passageiros mudem tão cedo.

Porém, os propulsores têm uma vantagem fundamental: “Não há geração de som. Então, [drones] para a construção de inspeções ou coisas assim seriam uma aplicação ideal para esses propulsores”, observa Alec Gallimore, engenheiro aeroespacial da Universidade de Michigan (EUA) que não fez parte do estudo.

Barrett acrescenta que drones usados para entregas, filmagens ou monitoramento ambiental também poderiam utilizar a tecnologia. “Poderíamos ter drones por toda parte. Se todos fossem barulhentos, degradariam nossa qualidade de vida. Mas esse é silencioso”, conclui.

Os resultados do estudo foram publicados na prestigiada revista científica Nature. [ScientificAmerican, ArsTechnica]

(Natasha Romanzoti)

FONTE: https://hypescience.com/aviao-silencioso-com-motor-ionico-voa-sem-nenhuma-parte-movel/

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5 grandes perguntas para as quais a ciência ainda não tem uma resposta

02/11/2018 às 2:43 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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A essas poderíamos acrescentar mais algumas. Mas já servem para uma boa reflexão.


5 grandes perguntas para as quais a ciência ainda não tem uma resposta

1. É possível unificar as leis da física?

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Para Charles Seife, da revista especializada “Science”, o Modelo Padrão da física de partículas é um poema inacabado. “A maioria das peças está lá e, mesmo inacabada, é sem dúvida a obra mais brilhante na literatura da física. Com grande precisão, descreve toda a matéria conhecida, incluindo todas as partículas subatômicas, como quarks e léptons, bem como as forças por meio das quais as partículas interagem umas com as outras”, diz.

As forças a que se refere são o eletromagnetismo, que descreve como objetos carregados sentem a influência de outros; a força fraca, que explica como as partículas podem mudar suas identidades; e a força forte, que descreve como quarks se unem para formar prótons e outras partículas compostas.

O problema é que algumas dessas peças que fazem parte do grande quebra-cabeça da física estão faltando – e algumas presentes não se encaixam muito bem. É o caso da gravidade, por exemplo.

Essas diferenças, entretanto, podem ser superficiais. O eletromagnetismo e a força fraca parecem muito diferentes entre si. Entretanto, ainda na década de 1960, os físicos mostraram que, em altas temperaturas, essas duas forças se “unificam”.

Torna-se evidente que o eletromagnetismo e a força fraca são realmente a mesma coisa, assim como fica óbvio que o gelo e água em estado líquido são a mesma substância se você aquecê-los juntos. Essa conexão deu aos físicos a esperança de que a força forte também pudesse ser unificada com as outras duas forças, produzindo uma grande teoria – um dos grandes mistérios da física atualmente.

Uma teoria unificada deve ter consequências observáveis. Por exemplo, se a força forte de fato é a mesma que a força eletrofraca, então os prótons podem não ser verdadeiramente estáveis, uma vez que, a longo prazo, eles devem decair espontaneamente.

Apesar de muitas pesquisas, ninguém observou, até hoje, o decaimento de um próton – assim como ninguém jamais avistou quaisquer partículas previstas por algumas modificações de melhoria do modelo padrão, como a supersimetria. Pior ainda, mesmo uma teoria unificada não estaria realmente completa – a não ser que ignorasse a gravidade.

A gravidade é uma força problemática. A teoria que a descreve, a da relatividade geral, presume que o espaço e o tempo são suaves e contínuos, enquanto a física quântica que rege as partículas subatômicas e as forças é inerentemente descontínua e agitada.

“A gravidade se confronta tão fortemente com a teoria quântica que ninguém ainda foi capaz de elaborar uma maneira convincente de construir uma teoria única, que inclui todas as partículas, as forças forte e eletrofraca e a gravidade – tudo em um grande e uniforme pacote”, conta Seife. No entanto, os físicos possuem, sim, algumas pistas. Talvez a mais promissora seja a teoria das supercordas.

Essa teoria tem um grande número de seguidores porque fornece uma maneira de unificar diversos elementos da física em uma teoria maior, com uma única simetria. Por outro lado, exige um universo com 10 ou 11 dimensões, montes de partículas ainda não detectadas, além de muita bagagem intelectual que nunca poderá ser verificada.

Podem existir dezenas de teorias unificadas, das quais apenas uma é correta, mas os cientistas jamais terão meios para determinar qual. Ou talvez a luta para unificar todas as forças e partículas seja em vão.

Nesse meio tempo, os físicos continuam a procurar o decaimento de prótons, bem como ainda buscam partículas supersimétricas no acelerador de partículas subterrâneo, o “Grande Colisor de Hádrons”, em Genebra, na Suíça. Ou seja, ainda esperam que, um dia, seja possível terminar o poema e encaixar todas as peças desse misterioso quebra-cabeça.

2. Quais mudanças genéticas nos fizeram diferentes dos outros animais?

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Cada geração de antropólogos se propõe a explorar a questão e tentar respondê-la: “O que nos torna humanos?”. O famoso paleontólogo Louis Leakey acreditava que fosse a capacidade de construir ferramentas que nos tornava únicos. Por isso, quando ele descobriu ossos de hominídeos perto de ferramentas de pedra na Tanzânia, em 1960, ele batizou o suposto grupo responsável pelas ferramentas de Homo habilis, o mais antigo membro do gênero humano.

No entanto, pouco tempo depois, a primatologista Jane Goodall demonstrou que chimpanzés também usam tipos de ferramentas, e hoje a discussão entre os pesquisadores é se os H. habilisrealmente pertencem ao gênero Homo.

Elizabeth Culotta, da revista Science, conta que estudos posteriores creditaram o domínio dos humanos na Terra a traços tais como o bipedalismo, a cultura, as línguas, o humor e, claro, um grande cérebro. “No entanto, muitas dessas características também podem ser encontradas, pelo menos em algum grau, em outras criaturas – chimpanzés têm cultura rudimentar, papagaios falam e alguns ratos parecem rir quando recebem cócegas”, conta.

O que é incontestável é que os seres humanos, como todas as outras espécies, têm um genoma único, moldado por nossa história evolutiva. Com o genoma humano já mapeado e os dados sobre o genoma dos primatas começando a surgir, estamos entrando em uma era na qual pode se tornar possível identificar as mudanças genéticas que ajudam a nos separar de nossos parentes mais próximos.

As diferenças genéticas reveladas entre humanos e chimpanzés podem ser profundas, apesar de as estatísticas apontarem que apenas cerca de 1,2% do nosso DNA é diferente. Isso porque uma simples mudança de 1% pode afetar milhares de genes – e a diferença percentual se torna muito maior se você contar as inserções e deleções de cada um.

Mesmo se nós conhecermos os 40 milhões de sequências diferentes entre humanos e chimpanzés, o que elas significam? Provavelmente, muitos genes são simplesmente a consequência de 6 milhões de anos de deriva genética, com pouco efeito sobre o nosso corpo ou o nosso comportamento, enquanto outras pequenas mudanças – como, por exemplo, as sequências reguladoras, não codificadas – podem ter consequências dramáticas.

Chegamos a um novo dilema: apenas metade dos genes que nos diferenciam dos macacos é que pode definir um chimpanzé, em vez de um ser humano. Como é que podemos saber quais são eles?

Segundo Culotta, uma maneira é descartar os genes que foram favorecidos pela seleção natural nos seres humanos. Estudos que buscam sinais sutis de seleção no DNA dos seres humanos e outros primatas identificaram dezenas de genes, em particular aqueles que estão envolvidos na interação patógeno-hospedeiro, reprodução, sistemas sensoriais como olfato e paladar, e muito mais.

“Porém, nem todos esses genes ajudaram a nos diferenciarmos dos nossos primos macacos, originalmente. Nossos genomas revelam que evoluímos em resposta à malária, mas não é a defesa da malária que nos torna humanos”, ressalta.

Alguns pesquisadores realizam mutações clínicas para poder rastrear a evolução dos genes – uma técnica que tem identificado uma boa quantidade de genes com potencial para explicar esse mistério. “Por exemplo, os genes MCPH1 e ASPM, quando mutados, causam microcefalia [condição neurológica em que o tamanho da cabeça é menor do que o normal], o FOXP2 causa defeitos na fala – e os três apresentam sinais de pressão de seleção durante a evolução dos humanos, mas não dos chimpanzés. Assim, eles podem ter desempenhado um papel na evolução de cérebros grandes e na fala dos seres humanos”, explica Culotta.

Mesmo com essas evidências, a resposta final dos cientistas ainda está em aberto. Uma compreensão completa das características exclusivamente humanas, no entanto, inclui mais do que apenas o DNA. Os cientistas podem manter a discussão com uma linguagem demasiadamente sofisticada ou utilizar termos genéricos como “cultura” ou “tecnologia”. Estamos na era do genoma, mas ainda somos capazes de reconhecer que é preciso muito mais do que genes para se fazer um ser humano.

3. O que é o tempo?

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Estamos tão acostumados com ele, que raramente paramos para refletir sobre o tempo. Afinal, a passagem do tempo é muito clara: ontem foi passado, hoje é o presente e amanhã será futuro. Mas nem tudo é tão simples assim.

A ideia de que o tempo é uma linha ligando o passado, o presente e o futuro traz um questionamento: seria o tempo uma “direção”? Afinal, nós parecemos estar nos movendo para frente no tempo, mas só podemos ver eventos que já ocorreram.

O que acontece é que medimos a passagem do tempo com base no movimento. Pense: os dias, meses e estações do ano são cíclicos. Temos a impressão de que o tempo está indo para frente, mas podemos muito bem estar andando em círculos. Além disso, condicionamos nossas ações com o tempo: dizemos que um carro levou horas para fazer um percurso ou que o coração de uma pessoa bate um determinado número de vezes por minuto.

“O tempo pode ser apenas uma ‘moeda comum’ ou uma unidade de movimento com a qual todos os outros movimentos são medidos, tornando mais fácil a descrição do mundo, mas sem ter uma existência independente”, sugere Rawy Shaaban, um dos autores da página “Across the Universe: from quarks to quasars”. “Medir processos (de movimento) usando tempo é como usar dinheiro ao invés de troca direta de mercadorias”.

Curiosamente, o presente não pode ser restrito a uma medida de tempo. Quanto dura o “agora”? Um segundo? Um milésimo de segundo? Podemos até considerar que o presente, teoricamente, não existe. Afinal, quando os estímulos externos chegam ao nosso cérebro, o que aconteceu já é passado. E o futuro ainda está por vir. Vivemos nesse pequeno (e, ao mesmo tempo, imensurável) intervalo entre o passado e o futuro, que pode nem existir.

“Isso sugere que nossa percepção do tempo como passado, presente e futuro pode ser apenas uma ilusão criada por nossa mente em uma tentativa de entender o mundo em transformação que nos cerca”, afirma Shaaban. Nesse caso, como as mudanças do mundo ocorreriam se não existisse o tempo? A pergunta inicial permanece.

Entretanto, nem todos concordam com a ideia de que o tempo não passe de um devaneio coletivo. “O tempo é supremo, e a experiência que todos nós temos de que a realidade é o momento presente não é ilusão, mas a mais profunda pista que temos sobre a natureza fundamental da realidade”, defende o físico teórico Lee Smolin.

4. Estamos sozinhos no universo?

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Mais do que determinar a consistência do nosso universo, somos obcecados por saber se existe vida além do nosso planeta.

Neste ano, o telescópio espacial Kepler, da Nasa, identificou (mais) dois sistemas planetários que podem abrigar vida fora do sistema solar. Dos cinco corpos que orbitam a estrela Kepler-62, que fica a 1.200 anos-luz de distância da Terra, há chances de dois deles terem água líquida na superfície. Mas essa é a só a ponta do iceberg.

Dos 1.235 planetas suspeitos até agora, cerca de um terço estão em sistemas multiplanetários solares como o nosso. A julgar por essas descobertas, parece que os planetas são tão numerosos quanto grãos de areia.

Há 25 anos, apenas 9 planetas eram conhecidos, todos em nosso sistema solar. Nós só podíamos imaginar o resto, alimentados por um rico acervo de ficção científica, para o qual o espaço exterior era uma fonte inesgotável de ideias. A situação, no entanto, é diferente agora.

Mesmo assim, encontrar exoplanetas – ou seja, aqueles que estão fora do nosso sistema solar – não é tarefa fácil. Eles não emitem luz própria, apenas refletem a luz de suas estrelas. Dadas as distâncias interestelares envolvidas, até mesmo as estrelas mais próximas de nós não são muito visíveis, por isso identificá-los é um desafio tecnológico.

Uma das formas encontradas pelos cientistas para procurar vida extraterrestre em potencial é observar a oscilação rítmica de uma estrela como o nosso sol, criada pela força gravitacional de um planeta em sua órbita.

Existem maneiras de detectar planetas menores. A nave espacial Kepler foi especificamente projetada para varrer uma parte da Via Láctea e descobrir dezenas de planetas do tamanho da Terra perto de sua zona habitável – região em que a vida como a conhecemos é possível –, determinando quantas das bilhões de estrelas em nossa galáxia possuem tais planetas. Kepler monitora continuamente 145 mil estrelas da Via Láctea.

Também, uma nova equipe internacional de astrônomos apresentou provas convincentes de que nossa galáxia está cheia de planetas do tamanho de Júpiter, à deriva entre as estrelas. A descoberta foi feita por meio de uma técnica ainda mais misteriosa: as microlentes gravitacionais. Com base na premissa de Einstein de que a gravidade dobra a luz, é possível ver objetos escuros no céu, medindo a luz que dobra das estrelas por trás deles. Desta forma, os astrofísicos viram 10 planetas andarilhos, e estima-se que pode haver um ou dois deles para cada uma das cerca de 200 bilhões de estrelas na Via Láctea.

E se planetas do tamanho de Júpiter, que são mais fáceis de detectar, existem aos bilhões, certamente deve haver muitos outros planetas do tamanho da Terra lá fora, girando em torno de suas estrelas a uma distância certa para sustentar a vida. Mas simplesmente não sabemos ainda. E não podemos descartar a hipótese, a propósito, de que em algum lugar, existam criaturas inteligentes, moldadas por uma confluência de eventos improváveis ou forças sobrenaturais, olhando para o céu neste exato momento e pensando “será que estamos sozinhos?”.

5. Qual é a natureza da matéria e da energia escuras?

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Nada mais nada menos do que 96% do nosso universo é feito de coisas que não sabemos muito bem o que são: aproximadamente 70% é constituído de energia negra, enquanto 26% corresponde à matéria negra (sim, sobram apenas
4% para todo o resto como estrelas, planetas, seres humanos, nossas casas, nossa comida etc).

A matéria e a energia escuras são, de uma maneira geral, soluções propostas para explicar alguns fenômenos gravitacionais e, até onde sabemos, são coisas distintas. O enigma vem do fato de que só sabemos de sua existência por meios indiretos, ao observar seus efeitos sobre o universo e ao tentar deduzir suas propriedades a partir deles.

A matéria escura foi proposta nos anos 1930 por Fritz Zwicky, cuja pesquisa resultou na constatação de que a energia da matéria luminosa contribui com menos de 1% da densidade média de energia do universo. Certamente existe mais matéria nas galáxias que não emite luz, mas as evidências indicam que há um limite máximo para a matéria normal – aquela feita de átomos, como eu, você, seu cachorro – presente no universo. Evidências apontam que, no máximo, 5% da densidade de massa-energia do universo e 20% da massa dos aglomerados está na forma de átomos.

É aí que entra a matéria escura. Muitos físicos e astrônomos acreditam que ela seja uma nova partícula ainda não detectada por aceleradores de partículas ou por raios cósmicos. Para ser uma partícula de matéria escura, é preciso que tenha muita massa, mais do que um nêutron, e interaja de maneira tímida com a matéria normal, de forma que dificilmente reaja produzindo luz.

Aparentemente, a matéria escura é responsável pelas estruturas que vemos no universo, como galáxias e aglomerados – ou seja, é ela que “segura” estes objetos imensos, não deixando que se desfaçam.

Já a energia escura tem sua origem nos trabalhos para entender a expansão acelerada do universo. Uma das especulações é que a aceleração é consequência de uma nova forma de matéria, que também não foi detectada até agora. Sabemos, no entanto, de que se trata de uma “energia” porque ela contribui com cerca de 70% da energia total do universo. Se descobrirmos o que é, podemos então trocar o nome para algo menos misterioso.

Em termos gerais, a matéria escura atrai e a energia escura repele. A matéria é usada para explicar uma atração gravitacional maior que a esperada, enquanto a energia revela uma atração gravitacional negativa.

Os maiores cientistas do nosso tempo trabalham no problema e nossa melhor tecnologia está examinando o cosmos, mas, por enquanto, não há outra explicação para os efeitos que observamos: a matéria escura e a energia escura são reais. Só que não sabemos muito mais do que isso.

(Bruno Calzavara)

FONTE: https://hypescience.com/5-grandes-perguntas-para-as-quais-a-ciencia-ainda-nao-tem-uma-resposta/

A nossa história da criação: por Marcelo Gleiser

31/10/2018 às 3:26 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Muito bom esse vídeo de Marcelo Gleiser, confiram !


Borboletas e Tartarugas

29/10/2018 às 3:38 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | 3 Comentários
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Para um dia especial, um momento especial da natureza. Parabéns minha irmã Miminha, esse é em sua homenagem.


Borboletas bebem lágrimas de tartarugas

Você já observou um bando de borboletas voando e pousando em poças de lama, ou melhor ainda, rodeando a cabeça de répteis como tartarugas e jacarés? Então você já deve ter se perguntando o que esses insetos querem com a lama ou com os répteis.

O entomologista Phil Torres captou uma bela cena na Amazônia peruana: borboletas coloridas bebendo lágrimas diretamente dos olhos das tartarugas que tomam sol ao lado do rio Tambopata. O vídeo foi registrado em março de 2018 e compartilhado no canal de YouTube do pesquisador, O Diário da Selva.

Ele conta que oito espécies de três famílias diferentes de borboletas, de todas as cores e tamanhos, rodeavam as tartarugas.

Ele descreveu a cena como a mais “bizarra, estranha, bela, e fascinante” que ele já viu na vida. Segundo Phil, essa cena é relativamente rara de ser registrada, porque as tartarugas costumam pular para a água quando percebem a aproximação de barcos. Mas as borboletas parecem ter distraído essas tartarugas em questão.

“Eu diria que a chance é de uma em mil de ter a sorte de ver tantas borboletas voando assim”, diz ele.

Phil explica que as borboletas precisam fazer isso para sobreviver. A alimentação comum delas, que inclui néctar e seiva de algumas árvores, não fornece o sódio necessário para elas. O néctar é composto principalmente de água e açúcar, mas também contém proteínas, aminoácidos e vitaminas. Outra opção de fonte sódio além da lama e lágrima de répteis é o coco de animais.

Quem não parece gostar muito dessa relação de comensalismo são as tartarugas que produzem lágrimas. Os indivíduos da espécie Podocnemis unifilis não conseguem retrair a cabeça para dentro do casco, e precisam aguentar o bando de borboletas pousando em seus olhos. A única coisa que elas podem fazer para tomar banho de sol em paz é mexer a cabeça para os lados e tentar espantá-las com as patas, mas isso não parece surtir grande efeito.

As borboletas são insetos bastante insistentes, e não desistem de seu alvo. “Aposto que se eu ficasse parado por tempo suficiente, elas definitivamente viriam se alimentar de meu suor e talvez até tentar chegar perto dos meus olhos”, diz Phil. [LiveScience]

Confira abaixo o vídeo completo:

FONTE: https://hypescience.com/borboletas-bebem-lagrimas-de-tartarugas/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+feedburner%2Fxgpv+%28HypeScience%29

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