Fotos e vídeos falsos: “O Estado da Arte”

12/01/2018 às 3:58 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
Tags: , , ,

Produzir fotos e vídeos falsos não é coisa nova. Novo é o uso de Inteligêcia Artificial e a rapidez com que se consegue, de forma fácil, fabricar imagens e vídeos falsos com qualidade. Nesse post publico  dois artigos a esse respeito. E, lógico, a discussão ética se faz necessária.


Tecnologia permite transferir expressões faciais em vídeo em tempo real

Pesquisadores criaram um programa de modificação de vídeo capaz de transferir as expressões faciais de uma pessoa para outra em tempo real. Nada melhor para explicar essa tecnologia do que o clichê: é preciso ver para crer.

O projeto é uma colaboração entre pesquisadores da Universidade de Erlangen-Nuremberga e do Instituto Max Planck, ambos localizados na Alemanha, e da Universidade de Stanford, dos Estados Unidos. O estudo intitulado “Transferência de expressão em tempo real para reconstrução facial” teve suas primeiras imagens divulgadas há cerca de um mês.

De acordo com os pesquisadores, a novidade do seu método reside na “transferência e na renderização fotorrealística das deformações faciais e detalhes para o vídeo alvo, de modo que as expressões recém-sintetizadas sejam visualmente indistinguíveis do vídeo real”.

Para capturar com precisão as expressões faciais dos indivíduos de origem e destino em tempo real, eles utilizaram sensores RGB-D. Com isso, é possível identificar modelos paramétricos para a identidade, expressão e cor da pele para organizar dados como cores, profundidade e também para reconstituir a iluminação da cena.

Para transferir a expressão facial, é preciso calcular a diferença entre as expressões de origem e destino e modificar os parâmetros do alvo para coincidir com as expressões do primeiro indivíduo. Um exemplo de utilização desta tecnologia é a aplicação de expressões e voz em tradutores, tornando a imagem mais natural durante uma dublagem, por exemplo.

Transferência expressão facial

Fonte: Universidade de Stanford

FONTE: https://canaltech.com.br/produtos/tecnologia-permite-transferir-expressoes-faciais-em-video-em-tempo-real-51127/


Estamos todos fodidos: a IA agora cola rosto de qualquer um em vídeos pornô

VICE BrasilThiago “Índio” Silva · 12/12/2017

Está rolando um vídeo da atriz Gal Gadot transando com seu meio-irmão na internet, mas há um detalhe: não é o corpo de Gadot. Trata-se de uma colagem do rosto da artista com corpo não tão destoante do dela em uma cena incestuosa pré-existente.

O vídeo foi criado com auxílio de um algoritmo de machine learning. O criador da peripécia usou materiais de fácil acesso e comandos de código aberto que qualquer um com o mínimo de conhecimento sobre a tecnologia pode fazer.

Trecho do vídeo completo, hospedado no SendVids, com o rosto de Gal Gadot no corpo de uma atriz pornográfica.

O material não engana ninguém que o analisa comcuidado. Por vezes o rastreamento dos movimentos faciais não funciona muito bem e rola aquele lance meio uncanny valley. Olhando de primeira, porém, a coisa até que funciona. Ainda mais se levarmos em consideração de que se trata do trabalho de uma única pessoa – um usuário do Reddit chamado ‘deepfakes’ – não um estúdio enorme capaz de recriar uma jovem Princesa Leia em Rogue One com auxílio de CGI.

O usuário, aliás, usa ferramentas de machine learning de código aberto tais como o TensorFlow, disponibilizado pelo Google gratuitamente para pesquisadores, universitários e qualquer um com interesse em machine learning.

Como aquela ferramenta da Adobe que faz com que as pessoas falem qualquer coisa e o algoritmo Face2Face capaz alterar um vídeo gravado com monitoramento facial em tempo real, este novo modelo de pornografia falsa mostra que estamos prestes a viver em mundo em que será ridiculamente simples criar vídeos críveis de gente fazendo e falando coisas que nunca de fato fizeram. Incluindo sexo.

Até então, deepfakes postou vídeos pornográficos com os rostos de Scarlett Johansson, Maisie Williams, Taylor Swift, Aubrey Plaza e Gal Gadot no Reddit. Entrei em contato com os representantes e agências dessas atrizes, informando sobre os vídeos falsos e atualizarei a matéria caso me respondam.

Pornografia forjada de celebridades em que imagens são editadas para se assemelharem a famosos sem roupa já não é novidade há tempos. Seus adeptos são muitos. O próprio deepfakes possui grandes fãs de seu trabalho. Ele é, afinal, o pioneiro.

“Não é mais tão complicado assim.”

De acordo com deepfakes – que não quis revelar sua identidade para evitar escrutínio público – o software tem como base diversas bibliotecas de código aberto, tais como Keras com backend TensorFlow. Para compilar os rostos das celebridades, deepfakes afirma ter utilizado fontes como a busca de imagens do Google, bancos de imagens e vídeos no YouTube. O deep learning consiste de redes de pontos conectados que rodam processos em cima dos dados que foram inseridos. Neste caso, ele treinou o algoritmo com vídeos pornograficos e o rosto de Gal Gadot e, após este “treinamento”, os pontos se organizaram de forma a completar uma tarefa específica como manipular vídeo em tempo real.

O pesquisador especializado em inteligência artificial Alex Champandard me disse via email que uma placa de vídeo boa, acessível ao consumidor comum, poderia processar este tipo de efeito em algumas horas, mas até mesmo um processador comum, sem placa de vídeo, poderia fazer o mesmo, ainda que de forma mais lenta, ao longo de dias.

“Não é mais tão complicado assim”, disse Champandard.

A facilidade com que se pode fazer algo do tipo assusta: deixando de lado toda a técnica envolvida, só seriam necessárias algumas fotos suas, coisas que muito de nós já fornecemos numa boa ao auxiliar na criação de gigantescos bancos de dados de nossos próprios rostos. (Vale lembrar: são 24 bilhões de selfies foram postadas no serviço de fotos do Google entre 2015 e 2016.) É de se considerar a possibilidade de um programador amador rodar um algoritmo de forma a criar uma sex tape de algum desafeto.

Em conversa por email, deepfakes comentou não ser um pesquisador profissional do ramo, e sim apenas um programador interessado em machine learning.

“Apenas encontrei uma forma inteligente de fazer trocas de rostos”, afirma, ao falar de seu algoritmo. “Com centenas de imagens de rostos, posso gerar com facilidade milhões de imagens distorcidas para treinar a rede. Depois disso, insiro o rosto de outra pessoa na rede e ela achará que se trata de mais uma imagem distorcida, então tentará fazê-la se parecer com o rosto utilizado nos treinos.”

Em postagem no Reddit, deepfakes mencionou estar usando umalgoritmo semelhante ao desenvolvido por pesquisadores da Nvidia que vale-se de deep learning para, por exemplo, transformar uma cena de verão em uma cena de inverno rapidamente. Os pesquisadores, por sua vez, negaram-se a comentar esta possível aplicação.

Os resultados estão longe de serem perfeitos nos exemplos postados por deepfakes. No vídeo de Gadot, por exemplo, há momentos em que uma caixa surge ao redor de seu rosto em que é possível ver a imagem original, assim como seus olhos e boca não batem com o que a atriz está falando – mas se você estiver disposto a crer, poderia muito bem ser Gadot. Em outros vídeos, o trabalho de deepfakes é ainda mais convincente.

A atriz pornográfica Grace Evangeline me disse via mensagem direta no Twitter que atrizes do ramo estão acostumadas a terem seu trabalho distribuídos gratuitamente por aí em sites como o SendVid, onde se encontra o vídeo de Gadot, sem sua permissão, mas que desta vez era algo diferente, algo que ela nunca havia visto.

“Algo importante que sempre tem que estar presente é o consentimento”, disse Evangeline. “Consentimento na vida privada e também em filmes. Criar falsas cenas de sexo com celebridades tira delas o direito ao consentimento, é errado.”

Mesmo para quem vive diante das câmeras, a violação de limites pessoais é problemática. Mostrei o vídeo à Alia Janine, atriz pornográfica aposentada há 15 anos. “É perturbador”, comentou ao telefone. “Mostra como alguns homens encaram mulheres apenas como objetos que podem manipular e forçar a fazer o que bem entendem… É um desrespeito total com os atores e atrizes do filme, bem como as atrizes em questão.”

Perguntei a deepfakes se ele já havia parado para refletir sobre as implicações éticas de sua tecnologia, se ele havia pensado em questões como consentimento, revenge porn e chantagem ao criar este algoritmo. Eis a resposta:

“Toda e qualquer tecnologia pode ser usada com motivações ruins, é impossível impedir isso”, comentou, comparando seu trabalho ao da tecnologia que recriou Paul Walker após sua morte no filme Velozes e Furiosos 7. “A principal diferença é como é fácil qualquer um fazer isso. Não acho que seja ruim para pessoas comuns começarem a mexer com pesquisas em machine learning.”

Em termos éticos, as implicações são “enormes”, de acordo com Champandard. O uso malicioso da tecnologia não pode ser evitado, mas rebatido de alguma forma.

“Precisamos ter um debate público sobre o tema em alto e bom som”, disse. “Todos precisam saber como é fácil criar vídeos e imagens falsas, ao ponto de que será difícil determinar o que é falso ou não em poucos meses. Claro que tudo isso já era possível há tempos, mas seriam necessários muitos recursos e profissionais envolvidos, e hoje tudo pode ser feito por um único programador com um computador relativamente novo.”

Champandard disse que pesquisadores já podem começar a desenvolver tecnologia para detecção de vídeos falsos, de forma a ajudar a determinar o que é real ou não. Já as regulamentações de internet podem ser alteradas de forma a moderar o que acontece quando tal tipo de material forjado e abusos ligados a este surgirem.

“De uma forma bem esquisita, trata-se de algo bom”, comentou Champandard. “É uma questão de focar em transformar a sociedade para que possa lidar com isso.”

Leia mais matérias de ciência e tecnologia no canal MOTHERBOARD.
Siga o Motherboard Brasil no Facebook e no Twitter.
Siga a VICE Brasil no Facebook , Twitter e Instagram
.

FONTE: https://newsstand.google.com/articles/CAIiEH5KPMo8uwGHv9U652vjvp4qGAgEKg8IACoHCAow56LTATC7wjUw596aAg

Anúncios

Tecnologia, natureza e agito

11/01/2018 às 3:35 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
Tags: , ,

Compartilhando o bom exemplo da jovem baiana Anna Luísa Beserra.


Tecnologia, natureza e agito

image

Não é fácil gerenciar um negócio, principalmente com 20 anos e conciliando trabalho, faculdade, vida social e falta de grana. Entretanto, Anna Luísa Beserra, que hoje cursa o 6º semestre de biotecnologia na Ufba, está fazendo esse malabarismo. Por volta dos 16, ela começou a desenvolver um dispositivo que purifica água com a luz solar e, quando entrou na faculdade, fundou a startup socioambiental SafeDrinking WaterForAll(SDW). Depois de diversos protótipos e reestruturações, o Aqualuz, como é chamado o produto, está sendo testado no município de Valente, semiárido baiano. Quando completar este projeto-piloto, a SDW já planeja uma distribuição em escala maior. “Queremos parcerias com empresas de cisternas para venda casada, quandoapessoa comprar a cisterna, levar o Aqualuz. Existem programas de financiamento como o FNE-água(Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste), que também pode facilitar a compra”, explica.Como não entendia muito de gestão e administração, Anna fez pesquisas online. “Encontrei um site que tem vários cursos de universidades do mundo todo, incluindo doiscursos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts(MIT) voltados para empreendedorismo”. Após fazer esses cursos,inscreveu-se para outro na sede do MIT e acabou sendo selecionada. Só conseguiu ir após uma campanha de financiamento coletivo. O curso, ela diz, ampliou sua perspectiva e a da SDW, que já está desenvolvendo outros produtos. “Um deles é o filtro de Sisal, desenvolvido para ser uma acessório do Aqualuz e impactar mais a economia do semiárido. Temos muitas regiões produtoras de sisal aqui no Nordeste, como Valente. E o filtro será uma tecnologia social, ensinaremos as pessoas a produzirem, para elas mesmas replicarem”.

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 17.12.2017

Nave espacial vai limpar lixo do universo: missão sustentável

06/01/2018 às 3:06 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
Tags: , ,

O homem coloca uma pancada de objetos no espaço e depois manda outro para coletá-los…


Nave espacial vai limpar lixo do universo: missão sustentável

Foto: BBC

Foto: BBC

Uma missão especial vai limpar o lixo do universo e da órbita terrestre.

A nave espacial inglesa RemoveDebris vai usar um harpão e uma rede para remover os detritos que orbitam ao redor o planeta.

A RemoveDebris vai arrastar os dejetos espaciais coletados pelas camadas mais distantes da atmosfera terrestre, detritos que causam aumento de temperatura suficiente para carbonizar o lixo antes que ele atinja o solo, de forma segura e eficiente.

Ao todo, são 500 mil artigos dos mais variados tamanhos que, juntos, somam 7,5 mil toneladas.

Atualmente, há no espaço mais de meio milhão de peças de lixo espacial, composto por pedaços quebrados de foguetes, satélites e cosmonaves desfuncionais, além de pequenos objetos perdidos pelos astronautas.

O lixo espacial é muito perigoso: satélites que não estão mais em funcionamento orbitam a Terra e são maiores que caminhões, o que pode ser uma ameaça inclusive aos satélites que se encontram em pleno funcionamento, caso entrem em choque.

A espaçonave RemoveDebris custou 15 milhões de libras, quase 65 milhões de reais, em conversão direta.

O governo inglês pretende lançá-la em órbita ainda no início de 2018.

Com informações da BBC.

FONTE: http://www.sonoticiaboa.com.br/2017/12/05/nave-espacial-vai-limpar-lixo-universo-missao-sustentavel/

Quando ocorrerá uma nova reversão dos polos magnéticos da Terra e como seremos afetados?

01/01/2018 às 3:48 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
Tags:

Iniciando o ano com mais um “fim do mundo” ? Pode ser, mas esse pelo visto ainda não começou. E quando começar deve demorar uns 250 anos, no mínimo.


Quando ocorrerá uma nova reversão dos polos magnéticos da Terra e como seremos afetados?

Interior da Terra

Direito de imagemGETTY IMAGESImage caption’Nosso campo magnético cria uma bolha protetora dentro da qual todos nós podemos viver’, explica cientista

O planeta Terra é uma esfera rochosa que contém, em seu interior, ferro líquido incandescente, em constante movimento e carregado eletricamente.

Essas correntes elétricas geram um campo magnético que envolve o planeta e protege a Terra contra a radiação espacial – mais especificamente, do Sol.

Para se ter uma ideia da importância desse escudo protetor, basta observar o que acontece em outros planetas.

“Marte, por exemplo, tem um campo magnético muito fraco, por isso não tem muita atmosfera. Os ventos solares levaram embora toda a atmosfera do planeta. Essa é uma diferença crucial entre a Terra e Marte. Nosso campo magnético cria uma bolha protetora dentro da qual todos nós podemos viver”, explica à BBC Brasil o geofísico Phil Livermore, professor e pesquisador da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra.

A “bolha protetora”, no entanto, está sujeita a instabilidades e muda constantemente. Ao longo de sua história, o planeta Terra vivenciou centenas de episódios conhecidos como “reversões magnéticas”, nos quais a bolha perde força e os polos magnéticos norte e sul trocam de lugar.

“Quando o centro da Terra está estável, sem grandes mudanças, a polaridade norte e sul se mantém. Mas, de repente, acontece alguma coisa, uma ‘tempestade’ no centro da Terra, que afeta esse equilíbrio”, diz Livermore.

Segundo ele, as tempestades são como redemoinhos de líquido – tal qual as tempestades que ocorrem na atmosfera – associados a mudanças no campo magnético local.

“Basicamente, elas afetam o equilíbrio, assim como tempestades na atmosfera.”

“Isso faz com que uma área de polaridade reversa cresça. Se essa área cresce o suficiente, (a polaridade de) todo o centro será revertida”, afirma o especialista.

Também podem ocorrer reversões temporárias e incompletas, nas quais os polos magnéticos se distanciam dos polos geográficos. Às vezes, chegam a cruzar o Equador – e depois voltam para suas posições originais, conta Livermore.

Campos magnéticos

Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionCorrentes elétricas geram um campo magnético que envolve o planeta e protege a Terra contra a radiação espacial

Quando será?

Para os especialistas, a questão é saber quando acontecerá a próxima reversão e como isso afetará a população.

Livermore e seus colegas calculam que uma nova reversão magnética é iminente. E baseiam suas suposições em algumas pistas.

Estudos indicam que o campo magnético da Terra vem encolhendo 5% a cada século. Durante uma reversão magnética, o campo protetor da Terra fica bastante reduzido, podendo chegar a apenas 10% de sua força.

Além disso, vestígios deixados por reversões magnéticas em rochas muito antigas mostram que as reversões acontecem algumas vezes a cada 1 milhão de anos.

A última reversão completa, a Brunhes-Matuyama, ocorreu há 780 mil anos. Uma reversão temporária, o evento Laschamp, aconteceu há 41 mil anos.

Com base nesses fatores, os cientistas concluíram que “está na hora” de acontecer mais uma reversão.

Mas não há motivo para pânico.

“O que sabemos é que a reversão não vai acontecer amanhã”, diz Livermore.

“Só temos os vestígios deixados nas rochas como pista, mas, com base neles, calculamos que levou mil anos para (ocorrer a) a última reversão completa. Então, mesmo se ela começasse hoje, ainda levaria um bom tempo.”

Bússola

Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionA boa notícia, segundo especialistas, é que a vida na Terra sobreviveu a centenas de reversões magnéticas ao longo da história do planeta

Por que então dizer que a próxima reversão é iminente? Mil anos, em escala humana, é muito tempo. Mas na escala da Terra, não significa nada, acrescenta o geofísico.

Sobrevivência humana

A boa notícia, segundo o especialista, é que a vida na Terra sobreviveu a centenas de reversões magnéticas ao longo da história do planeta.

“Humanos sobreviveram ao evento Laschamp (que não foi uma reversão completa) há 41 mil anos. Ele durou mil anos e a mudança na polaridade durou cerca de 250 anos”, afirma.

Sem eletricidade e sem GPS

Em artigo publicado no site The Conversation, Livermore diz, no entanto, que não é possível saber ao certo o real impacto de uma reversão completa sobre a espécie humana, já que o homem moderno não existia durante a última reversão magnética completa, há quase 800 mil anos.

Mas os cientistas fazem algumas previsões.

As alterações no campo magnético da Terra durante uma reversão enfraquecerão seu efeito de escudo, levando a um aumento nos níveis de radiação na superfície da Terra.

Se isso acontecesse hoje, a radiação poderia afetar a frota de satélites de comunicações, aviões e a rede elétrica.

Sem satélites, sistemas bancários, meteorologia, comunicações, operações militares, tecnologias à base de GPS, tudo isso deixaria de funcionar.

Com a rede elétrica comprometida, sistemas de aquecimento, aparelhos de ar-condicionado, transportes, hospitais e indústrias também seriam afetados.

Animais que, supostamente, usam o campo magnético da Terra para orientação – como baleias e algumas espécies de pássaros – também seriam atingidos, sugerem alguns especialistas.

Satélite

Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionRadiação decorrente de mudanças no campo magnético poderia afetar a frota de satélites de comunicações, aviões e a rede elétrica

“Outros levantam também a hipótese de que reversões magnéticas possam estar relacionadas a extinções em massa e, portanto, plausivelmente, ao aquecimento global”, acrescenta Livermore.

“No entanto, não existe consenso em relação a isso.”

Além disso, sem o escudo protetor, ficaríamos muito mais vulneráveis às chamadas tempestades solares, que bombardeiam a Terra com energia vinda do Sol.

Em 2003, uma tempestade solar batizada de Halloween Storm provocou apagões na Suécia e obrigou companhias aéreas a alterarem rotas de aeronaves para evitar os riscos causados pela radiação e problemas de comunicação. Satélites e sistemas de comunicação também foram afetados.

Previsão do tempo no centro da Terra

Os riscos associados às tempestades solares preocupam os cientistas, em particular, aqueles que estudam o sol e tentam descobrir formas de “prever o tempo” solar.

Enquanto isso, geofísicos como Phil Livermore se dedicam a tentar entender o que acontece – e fazer a previsão do tempo – no interior do planeta Terra.

No total, 3 mil quilômetros de rocha nos separam do centro da Terra. No entanto, são as leis da física que regem o movimento do ferro líquido no centro do planeta.

Segundo Livermore, com base nessas leis, deveríamos ser capazes de monitorar esse movimento e prever o tempo lá embaixo – da mesma forma que fazemos a previsão do tempo real ao observarmos a atmosfera e o oceano.

Com base nessas observações, deveríamos então, a princípio, ser capazes de associar reversões no campo magnético do planeta a um tipo particular de tempestade no centro da Terra.

O pesquisador e sua equipe ainda estão longe de alcançar a meta, mas acreditam ter identificado uma “corrente marítima” no interior do planeta.

“Sabemos que o ferro líquido se move e que o movimento provoca mudanças no campo magnético. Ultimamente, tem havido muitas alterações no campo magnético perto do Polo Norte.”

“Acreditamos que possam estar vinculadas a uma corrente”, completa.

Essas correntes seriam como riachos de ferro líquido correndo dentro da massa de ferro incandescente.

“Sabemos que o centro da Terra está em constante movimento, mas nunca havíamos visto mudanças tão rápidas no campo magnético.”

Mas como os especialistas concluíram isso? Para responder, Livermore recorre a uma metáfora:

“Imagine que há folhas flutuando na superfície de um rio. Quando as folhas se movem, sabemos que o que está se movendo, na verdade, é a água.”

O rio, explicou o especialista, é o centro da Terra. E as folhas são partes do campo magnético.

“Não podemos ver o centro da Terra, mas se observamos algo que se move na superfície, podemos ver como o centro está se movendo.”

“A ideia de um dia sermos capazes de prever o tempo no centro da Terra já não parece tão inatingível”, conclui.

(Mônica Vasconcelos)

FONTE: http://www.bbc.com/portuguese/geral-42057783

Próxima Página »

Blog no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: