O CONHECIMENTO NÃO TIRA FÉRIAS

04/10/2019 às 3:10 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Excelentes ações. Professor Jorge Portugal mais uma vez de parabéns !

 


O CONHECIMENTO NÃO TIRA FÉRIAS

Para Jessé Souza, meu sociólogo e pensador do Brasil preferido, o que distingue a “classe média” da chamada “ralé”, descendente da escravidão, é o conhecimento.

A informação adquirida nas boas escolas e a formação universitária funcionam como verdadeiros “títulos de nobreza” contemporâneos, garantindo aos portadores os melhores lugares nas escalas sociais e a transmissão dessa herança de classe aos pósteros. Um dia, meu saudoso – mas sempre mestre – Boaventura fez-me uma comparação inesquecível, ao se referir à escola pública em que estudei.

Disse-me: “Jorge, no seu tempo de aluno escola pública era pedagogicamente boa e socialmente ruim. Só havia filhos da classe média, com uma magnífica multidão de filhos de pobres de fora desde cedo; atualmente, é socialmente boa e pedagogicamente ruim. Há praticamente 100% de matriculados, mas os recursos, as instalações e boa parte dos professores são de uma indigência de dar dó”.

Agora digo eu: se você conferir os assuntos de matemática cobrados pelo Enem, estabelecendo um ranking dos cinco primeiros, ficará boquiaberto(a) ao constatar que o 2º assunto mais exigido é… aritmética! Isso mesmo. Algo que seria impensável em um vestibular da Ufba 15 anos atrás, hoje é o vice-campeão de questões da prova de matemática.

Afinal, trata-se de um exame de aferição de seis milhões de estudantes do ensino médio, aí dentro a maioria oriunda da rede pública estadual. Tragédia! E quando a situação começava a melhorar timidamente para os “sem futuro”… Bom, todo mundo sabe o que aconteceu em 2016, e piorou com as eleições de 2018.

Por isso, vou pedir encarecidamente aos que me leem agora e têm algum tipo de aproximação com o secretário de Educação do estado, Jerônimo Rodrigues, e com o governador Rui Correria Costa, que façam um pequeno esforço para que essa minha proposta chegue aos ouvidos, olhos e consciência de ambos. O meu axioma agora é: “O conhecimento não tira férias”. Não podemos nos dar esse luxo.

Se queremos, de fato, diminuir um pouco mais as desigualdades deploráveis que nos rebaixam como seres humanos, não podemos fazer cessar a transmissão do conhecimento aos que precisam dele como instrumento de construção da dignidade. O governo já roda programa (do qual sou um dos autores quando secretário de Cultura) chamado “Escolas Culturais”. Com o princípio singular de transformar escolas públicas em centros de
cultura – logo centros de conhecimento – ligaremos, janeiro a janeiro, com a escola de portas abertas para a fruição e aprendizagem de alunos, pais e cidadãos que não teriam como viver essa experiência fabulosa na cidade sem cinema, sem teatro, sem centro de cultura. O espaço acabou. Continuo no próximo artigo.

(Jorge Portugal)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 01.10.2019

Belchior: Conheço o meu lugar

15/09/2019 às 2:18 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | 1 Comentário
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Belchior, juntamente com Fagner, Ednardo e outros belos cantores e compositores cearenses embalaram os maiores e melhores sonhos dos jovens de uma época, eu incluso.



A seguir publico um e-mail que recebi mês passado, acho que via zapzap. Vale a pena compartilhar:

Bom dia, a Benção, Mukuiu.

Nossa presença musical nessa quarta feira recebe a visita de Belchior, um dos grandes da MPB.

Celebrando 40 anos de lançamento do álbum “Era uma vez um homem e seu tempo”, ele nos brinda com “Conheço o meu lugar”, composição sua e uma das mais ácidas letras do artista.

Ela tanto serve como alusão ao momento político como à onda de preconceito contra os nordestinos, inclusive por parte de quem deveria ser um garantidor da unidade federativa prevista na carta maior.

Que consigamos alimentar a mossa alma, a cada segundo de nossa caminhada pela vida, de coisas boas, que a tornem sempre um espaço de felicidade e satisfação com a jornada desenvolvida.

Que nessa luta se  possa construir um mundo em que fome, sede e frio sejam sensações biológicas e naturais saciáveis sem que se precise de senhores ou capatazes da nossa vontade.

Que Bamburucema nos sopre ventos de sabedoria e de garra para lutar por dias melhores para todos no mundo. Que Nzazi nos permita construir um mundo em que a justiça seja a regra e não a exceção, que seja para todos e não apenas para os amigos dos juízes ou promotores.

Boa quarta turma. Mukuiu Nzambi a todos (as).

“… O que é que pode fazer o homem comum

Neste presente instante senão sangrar?

Tentar inaugurar

A vida comovida

Inteiramente livre e triunfante?

O que é que eu posso fazer

Com a minha juventude

Quando a máxima saúde hoje

É pretender usar a voz?

O que é que eu posso fazer

Um simples cantador das coisas do porão?

Deus fez os cães da rua pra morder vocês

Que sob a luz da lua

Os tratam como gente – é claro! – aos pontapés

Era uma vez um homem e o seu tempo

Botas de sangue nas roupas de Lorca

Olho de frente a cara do presente e sei

Que vou ouvir a mesma história porca

Não há motivo para festa: Ora esta!

Eu não sei rir à toa!

Fique você com a mente positiva

Que eu quero é a voz ativa (ela é que é uma boa!)

Pois sou uma pessoa

Esta é minha canoa: Eu nela embarco

Eu sou pessoa!

A palavra pessoa hoje não soa bem

Pouco me importa!

Não! Você não me impediu de ser feliz!

Nunca jamais bateu a porta em meu nariz!

Ninguém é gente!

Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca houve!

Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos!

Não sou da nação dos condenados!

Não sou do sertão dos ofendidos!

Você sabe bem: Conheço o meu lugar!…”

Suassuna: graças a deus eu nasci no Brasil !

05/09/2019 às 3:08 | Publicado em Midiateca | Deixe um comentário
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Mais uma lição brilhante de Suassuna, com o humor de sempre.


Strange fruit

18/08/2019 às 2:21 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Domingo: música, cultura e História !


Em 20 de abril de 1939, a cantora de jazz Billie Holiday, entrou num estúdio com uma banda de oito músicos para gravar Strange Fruit (Fruta Estranha). Essa chocante música sobre os horrores dos linchamentos nos Estados Unidos não foi apenas o maior sucesso de Billie Holiday, mas também se tornaria uma das mais influentes canções de protesto do século 20.

Em 1999, ela foi escolhida pela revista Time como a “canção do século”, e a história de como Strange Fruit foi concebida tornou-se lendária. Originalmente um poema chamado Bitter Fruit, ela foi escrita pelo professor judeu Abel Meeropol, sob o pseudônimo Lewis Allen, em resposta aos linchamentos de negros em Estados do sul dos Estados Unidos.

“Eu escrevi Strange Fruit porque odeio os linchamentos, odeio injustiça e odeio as pessoas que os perpetuam”, disse Meeropol, em 1971. Ele nunca testemunhou um linchamento, mas acredita-se que ele tenha composto a canção depois de ver a perturbadora foto do linchamento de Thomas Shipp e Abram Smith, em 1930 em Indiana, feita pelo fotógrafo Lawrence Beitler. Em 1940, Meeropol, que era socialista, foi convocado para testemunhar num comitê investigando comunismo e foi questionado se o Partido Comunista dos EUA havia lhe dado algum dinheiro para que ele compusesse Strange Fruit.

O que aconteceu na primeira noite em que Holiday interpretou Strange Fruit no Café Society antecipou o tipo de resposta que a canção teria quando fosse lançada comercialmente. “Na primeira vez que eu a cantei, eu achei que houvesse algo de errado… Não houve nenhum aplauso. Aí, uma pessoa começou a bater palmas, de um jeito nervoso. E, de repente, todo mundo estava aplaudindo”, disse Holiday em sua autobiografia. “Você consegue imaginar nunca ter ouvido essa música antes e perceber qual é a estranha fruta pendurada no choupo? Há alguma coisa reveladora quando você a escuta, e aquela imagem de olhos arregalados e boca distorcida salta na direção do ouvinte.”

FONTE: https://entretenimento.uol.com.br/noticias/bbc/2019/07/21/strange-fruit-a-musica-sobre-linchamentos-de-negros-que-chocou-os-eua.htm

 

 


Fruta Estranha

Árvores do sul produzem uma fruta estranha,
Sangue nas folhas e sangue nas raízes,
Corpos negros balançando na brisa do sul,
Frutas estranhas penduradas nos álamos.

Cena pastoril do valente sul,
Os olhos inchados e a boca torcida,
Perfume de magnólias, doce e fresca,
Então o repentino cheiro de carne queimando.

Aqui está a fruta para os corvos arrancarem,
Para a chuva recolher, para o vento sugar,
Para o sol apodrecer, para as árvores derrubarem,
Aqui está a estranha e amarga colheita.

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