O Auto da Compadecida: fatos desconhecidos

09/09/2017 às 3:57 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Esse foi um dos poucos filmes que vi três vezes em minha vida. Uma sozinho. Outra com minha filha. E uma terceira com meus alunos da Ceilândia-DF. Nesse artigo algumas curiosidades que poucos sabem sobre essa obra brilhante.

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Fatos Desconhecidos: Essas são coisas que você nunca soube (mas deveria) sobre o Auto da Compadecida.

Essas são coisas que você nunca soube (mas deveria) sobre o Auto da Compadecida


O auto da Compadecida é uma peça teatral escrita por Ariano Suassuna. Um escritor pernambucano arretado que quis elevar a linguagem popular, a literatura do cordel, bem como os autos medievais. Tudo isso de uma maneira lúdica, cômica e satírica. O texto exalta os humildes, os pobres e oprimidos.

E satiriza os poderosos, a igreja e a polícia. O filme dirigido por Guel Arraes tirou o texto do papel para as telonas, traduziu de forma fiel a imagem da história e conquistou o coração dos brasileiros, consagrando o Auto da Compadecida como o 63º melhor filme brasileiro de todos os tempos, segundo a Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).

Quem não se lembra dos planos mirabolantes e arriscados de João Grilo? E de Chicó e seus causos intermináveis? Ele não sabia de onde surgiu aquelas histórias e nem como elas eram possíveis, de tão absurdas. Ele apenas dizia “Não sei, só sei que foi assim”.

O Auto da Compadecida tornou-se um clássico da sessão da tarde. Uma maneira de resgatar a simplicidade do povo brasileiro que sofre todos os dias, que é humilhado e esquecido no interior desse país, e ainda assim, consegue sorrir e ser feliz diante das adversidades.

A fim de enaltecer essa preciosidade da nossa literatura e também para ficar com saudades dessa história, aqui vai uma lista de curiosidades que você não sabia sobre o Auto da Compadecida, mas precisa conhecer:

1 – O Diretor

Miguel “Guel” Arraes de Alencar Filho é o cineasta do filme. Ele é filho do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes.

A curiosidade é que Guel cresceu na mesma rua que Ariano Suassuna. Eles eram vizinhos e o cineasta via no escritor uma espécie de mentor intelectual.

Ariano levou anos para aceitar a adaptação da obra para a televisão. Mas a proximidade dos dois facilitou o diálogo.

Ariano Suassuna era conhecido por sua oposição à cultura pop bem como a deturpação dos conteúdos de massa produzidos pela televisão. O Auto da Compadecida só foi filmado porque foi Guel Arraes quem o convenceu.

2 –  O figurino

Toda a produção do figurino dos personagens foi realizada por Cao Albuquerque. O processo de caracterização das roupas criadas por ele foi muito interessante.

Cao jogou todas as peças de vestuário em um caldeirão. Elas foram tingidas e lixadas várias vezes para ficar com um aspecto empobrecido e gasto. Essa técnica deu ao figurino um estilo fiel das roupas nordestinas antigas.

3 – Transformação

Marco Nanini, que interpreta o personagem do cangaceiro Severino, usou um olho falso de vidro, além de látex no rosto e uma peruca. A roupa utilizada por ele, cheio de detalhes, pesava oito quilos.

Já o ator Matheus Nachtergaele (João Grilo) precisou usar uma prótese dentária amarela e irregular. Além de ter sua pele escurecida com maquiagem, para se aproximar da descrição de João Grilo na peça.

4 – Rosinha

A personagem de Rosinha, interpretada por Virginia Cavendish, não tinha destaque na obra original. Ela era apenas citada na versão de Ariano. Mas no cinema, o papel de Rosinha cresceu e é impossível imaginar o filme sem ela.

5 – Público

O filme foi um sucesso de público que lotou os cinemas para ver e rever a história sertaneja de Chicó e João Grilo. Mais de duas milhões de pessoas assistiram à película cinematográfica de Arraes, isso antes do filme ser exibido pela TV aberta.

6 – Local

O filme foi todo filmado em Cabaceiras, uma cidade localizada no sertão da Paraíba, próxima à Taperoá. Hoje Cabaceiras é conhecida como a “Roliúde Nordestina”, em referência à terra do cinema mundial, Hollywood, nos Estados Unidos.

A cidade nordestina recebe um grande fluxo de turistas que vão até o local apenas para ver os lugares históricos onde foram filmadas as cenas do filme.

7 – Prêmios

O filme teve reconhecimento da industria cinematográfica brasileira e ganhou vários prêmios no “Grande Prêmio do Cinema Brasileiro” em 2001.

O filme venceu nas categorias de Melhor Diretor com Miguel Arraes, Melhor Ator com Matheus Nachtergaele, além de Melhor Roteiro e Melhor Lançamento.

Se você já não se lembra da riqueza de detalhes do filme está na hora de rever essa joia do cinema brasileiro. Se nunca viu, já passou da hora de assisti-lo. Afinal, esse é um dos maiores clássicos da nossa literatura e também do cinema.

(Ana Luiza Andrade)

FONTE: https://newsstand.google.com/articles/CAIiEOCEGMwOnkzJ0MLR2PP3E-YqGQgEKhAIACoHCAowlOvyCjCC7NkCMNqRqwM

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Caravanas

25/08/2017 às 3:33 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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No meio de tanta coisa estranha e ruim que atravessamos atualmente em nosso país, vem Chico a nos brindar com mais uma obra sua. A notícia é de ontem, o lançamento hoje, o vídeo é apenas uma “palhinha”. Salve Chico !


DiscoChico



DIÁLOGO SOFISTICADO

A polêmica rasa criada em redes sociais sobre um Chico Buarque machista em sua canção Tua Cantiga, se esvai na primeira audição do disco Caravanas. A música, que abre o novo álbum, ao lado de outras oito faixas mostram o quanto o cantor e compositor se mantem tenaz, combativo, político, romântico e atual. Tudo ao seu modo.

Com produção de Vinícius França e direção musical e arranjos do maestro e violonista Luiz Cláudio Ramos, que o acompanha há mais de três décadas e dirige os seus trabalhos desde 1989, Caravanas é o 23º álbum solo de estúdio do artista. O disco chega às lojas amanhã, editado pela gravadora Biscoito Fino, e dialoga com o frescor de temas contemporâneos (preconceito,
geopolítica, violência) e as eternas baladas de amor.

Lançado seis anos após o último CD de estúdio (Chico,de 2011), o trabalho conta com sete canções inéditas (Tua Cantiga, Blues pra Bia, Jogo de Bola, Massarandupió, Casualmente, Desaforos e As Caravanas) e outras duas, também de sua autoria, mas registradas antes apenas em discos alheios: A Moça do Sonho (parceria com Edu Lobo para a peça Cambaio) e Dueto (composta para o espetáculo O Rei de Ramos e gravada em parceria com Nara Leão).

Caravanas reafirma um compositor de talento para o lirismo, um poeta de estilo clássico, com adornos pontuais e arestas pouco angulosas em inovações e harmonia, mas que conservam uma fonte inquieta e contestadora dentro da escrita.

A graça está em descobrir nas entrelinhas da poesia milimétrica, quando e a quem se dirige a crítica ou elogio. Algo tão sutil,
discreto e preciso quanto a personalidade do autor.

E se a forma estética agrega pinceladas de novidade, é na sofisticada composição que se destaca o novo álbum. Chico,  em acento jazz, fala do preconceito da Zona Sul carioca diante dos jovens suburbanos (As Caravanas). Rebate um amor não correspondido em metáfora às manifestações na internet em Desaforos.

Também samba e pede paz com um de seus temas preferidos, o futebol (Jogo de Bola). A já divulgada Tua Cantiga prega uma amor eterno em forma, nostálgico. Diferentemente de Blues pra Bia e A Moça do Sonho, igualmente românticas, mas romances impossíveis.

Netos

Destaque para a bela Massarandupió, melodia do neto Chico Brown (filho de Carlinhos Brown com sua filha Helena), que ganhou letra do avô em clima bucólico de antigamente.

A família volta com o dueto com a neta Clara Buarque(também filha de Brown e Helena e que faz parte do grupo vocal Subversos), em Dueto, devidamente atualizada com as tecnologias do momento como Instagram, Tinder e YouTube.

Até um novo bolero (Casualmente) surgido em parceria com o baixista Jorge Helder (com quem já dividiu Bolero Blues,em
2006, e Rubato, em 2011) ganha ares de rebeldia com letra em espanhol e descrição de Cuba pelas ruas de Havana.

Política, amores, rebeldia e vida. Está tudo lá em Caravanas, sem o rótulo de zona de conforto.ÉumautênticoChicoBuarque,sem
tirar nem por. A maior crítica talvez esteja na quantidade de músicas de Caravanas. Apenas nove canções. Pequeno em tamanho e pouco para fãs famintos, mas um grande trabalho em forma e conteúdo.

(Marcos Casé)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 24.08.2017

A Literatura como um remédio para a alma

22/08/2017 às 3:49 | Publicado em Baú de livros, Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Depois de ver esse vídeo a gente fica com vontade de ler o livro. Vi primeiro no blog-irmão “O Bem Viver”.

Literatura_como_remedio


E agora josé ? Vou-me Embora pra Pasárgada

20/08/2017 às 3:53 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | 1 Comentário
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Paulo Diniz musicando Manuel Bandeira e Carlos Drummond.



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