Mares e marés

20/12/2019 às 3:57 | Publicado em Canto da poesia, Fotografias e desenhos | Deixe um comentário
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FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, novembro/2019

Engenheiro largou emprego para se dedicar ao lixo e prevê faturar R$ 100 mi…

17/12/2019 às 3:36 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Que exemplo bacana, confiram !


Engenheiro largou emprego para se dedicar ao lixo e prevê faturar R$ 100 mi…

(Guilherme Brammer Júnior, posa em meio ao “lixo” na fábrica da Boomera em Cambé – PR)

Já imaginou transformar uma fralda descartável usada em um cabide? A ideia pode parecer loucura, mas já é praticada na Boomera, empresa de economia circular que desenvolve projetos para transformar resíduos considerados difíceis de reciclar em novos produtos e matérias-primas. Seu inventor, o engenheiro paulistano Guilherme Brammer Júnior, 42, foi o campeão da 15ª edição do Prêmio Empreendedor Social, anunciado pela Folha de S.Paulo na noite da última segunda-feira (4), no Teatro Porto Seguro, na capital paulista.

“Eu sempre fui curioso para saber como as coisas são feitas, como elas funcionam”, afirma Brammer, que se formou em engenharia de materiais. Ao longo de sua carreira, o profissional atuou em grandes indústrias. Mas, ali, havia processos que o incomodavam: “Sempre me deixava inconformado a quantidade de materiais, de resíduos que eram produzidos”.

O que o tirou daquela realidade e o levou para o empreendedorismo, no entanto, teve uma motivação pessoal: “Meu sogro lutava contra um câncer quando me fez refletir sobre a finitude da vida e sobre como era importante fazer o que nos desse prazer. Eu resolvi parar de reclamar e agir”. Doze anos depois de perder o sogro, Brammer vê sua atual empresa, criada em 2011, se expandir unindo lucro e responsabilidade social: a Boomera tem 150 funcionários e prevê um faturamento de R$ 100 milhões em 2020.

Como aconteceu a mudança de rumo

Guilherme Brammer largou o emprego na indústria em 2007 e viajou aos Estados Unidos com o objetivo de buscar empresas de economia circular para trazer ao Brasil. Mas a realidade brasileira tinha outros desafios.

Quando entrei em uma cooperativa pela primeira vez, me deparei com pessoas que vivem com uma dificuldade absurda, uma insalubridade diária. Mas são elas que limpam o nosso país.” Foi então que Brammer entendeu que precisava unir a indústria, o meio acadêmico e os agentes ambientais para promover um sistema de reciclagem que contribuísse para resolver problemas do país, com foco em resíduos considerados difíceis, de forma a transformá-los em matéria-prima para novos produtos. O engenheiro criou uma metodologia chamada CircularPack, que propõe uma jornada completa para a embalagem. Um exemplo disso é a história da fralda usada – hoje são recicladas três toneladas vindas de creches.

Guilherme Brammer se emociona na cerimônia de premiação da Folha - Eduardo Anizelli/Folhapress

(Guilherme Brammer se emociona na cerimônia de premiação da Folha)

Sobre o Prêmio Empreendedor Social

Criado em 2005 pela Folha de S.Paulo e Fundação Schwab, o Prêmio Empreendedor Social é destinado a gestores de iniciativas com mais de três anos de atuação em setores como saúde, educação, tecnologia assistiva e meio ambiente, entre outros. Já as iniciativas de negócios de impacto social e startups com foco socioambiental que estão em fase inicial (de um a três anos) podem se inscrever para o Prêmio Folha Empreendedor Social de Futuro, destinado a empreendedores com até 35 anos. Em sua 15ª edição, o concurso já reconheceu 112 gestores – entre finalistas e vencedores. A premiação é o passaporte para entrar na Rede Schwab e participar de encontros.

Parceria com catadores

Ao receber o Prêmio Empreendedor Social, o agradecimento de Brammer foi feito para um dos catadores que passaram por sua vida: Telines Basílio do Nascimento, 54. Carioca, como é conhecido o catador, é presidente da CooperCaps, uma das primeiras cooperativas de São Paulo a trabalhar junto à Boomera. Para ele, o impacto é também social. “Minha vida se divide entre o antes da cooperativa e o depois da cooperativa. Morei na rua, vivi o mundo das drogas e só saí depois que comecei a catar lixo”, diz.

Em seus 32 anos morando na capital paulista, Carioca viu sua vida mudar após conhecer Guilherme Brammer: “Quando começamos, tirávamos R$ 50 a cada três meses. Hoje, cada cooperado recebe entre R$ 1.400 e R$ 1.700. A Boomera se preocupa com as pessoas que estão por trás do lixo”. O presidente da cooperativa conta que também foi incentivado pelo amigo Guilherme a estudar. “Foi por insistência dele que voltei à sala de aula. Hoje sou formado em gestão ambiental e já fiz uma pós-graduação.”

 

FONTE: https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2019/11/05/premio-empreendedor-social-2019.htm

Ocean Cleanup faz história ao coletar sua primeira leva de plástico da ilha gigante de lixo

10/12/2019 às 3:13 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Ano passado fiz  dois posts sobre o Ponto Nemo (ponto do oceano mais afastado de terra). Impressionante como até lá foi detectado poluição via microplásticos. Sobre a ilha objeto desse artigo que publico hoje também já temos registro faz alguns anos. Inclusive os capitães de navios que navegam por aquele oceano têm em suas cartas náuticas a identificação da ilha. Mas essa notícia que publico hoje nos dá esperança. Confiram !


Ocean Cleanup faz história ao coletar sua primeira leva de plástico da ilha gigante de lixo

A organização não governamental Ocean Cleanup coletou com sucesso uma primeira leva de plástico de uma grande ilha de lixo no meio do Oceano Pacífico.

A empresa, sediada na Holanda e destinada a limpar os oceanos, foi fundada em 2012 e vinha conduzido testes de seu sistema “System 001/B” há um ano.

O projeto utiliza as forças naturais do oceano para concentrar e capturar passivamente o plástico acumulado no Pacífico. O próximo passo, uma vez que o programa estiver totalmente operacional, será retornar esse plástico à terra para reciclagem.

Grande ilha de lixo

O “Great Pacific Garbage Patch” (em português, “Grande Porção” ou “Grande Depósito de Lixo do Pacífico”) é uma ilha gigante de lixo situada no meio do Oceano Pacífico entre a Califórnia e o Havaí. Os resíduos, uma vez lançados ao mar, acabam presos ali por correntes.

Descoberto nos anos 1990, em 2008 já se estimou que o tamanho de tal depósito de lixo chegava a 680 mil quilômetros quadrados, o equivalente aos territórios de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo juntos.

Os cientistas calcularam que levaria milhares de anos para conseguirmos limpar todo esse plástico do oceano, mas Boyan Slat, fundador do Ocean Cleanup, apresentou um projeto que pretendia fazer o mesmo em menos de dez.

Através de financiamento coletivo e investidores, Slat conseguiu reunir milhões de dólares para tornar seu sonho realidade, o que finalmente começou a acontecer.

Avanços

O System 001/B foi lançado de Vancouver, no Canadá, em junho deste ano. Essa já é a segunda tentativa da organização de aplicar seu projeto de limpeza ao Pacífico.

Desta vez, a equipe de Slat obteve sucesso. Não somente o sistema conseguiu coletar grandes pedaços visíveis de plástico residual, bem como redes gigantes associadas a pesca comercial e microplásticos de apenas um milímetro de comprimento.

“Depois de iniciar essa jornada há sete anos, este primeiro ano de testes no ambiente imperdoável do alto mar indica fortemente que nossa visão é viável e que o início de nossa missão de livrar o oceano do lixo plástico, que se acumula há décadas, está ao nosso alcance”, anunciou Slat.

Claro que ainda há muito trabalho pela frente. O Ocean Cleanup agora quer aproveitar a experiência bem-sucedida do System 001/B para lançar um novo e melhorado sistema, o System 002, capaz de reter o plástico coletado por períodos maiores de tempo. Essa próxima fase da missão depende de mais testes e iteração do design, no entanto.

FONTE: https://hypescience.com/ocean-cleanup-faz-historia-ao-coletar-sua-primeira-leva-de-plastico-da-ilha-gigante-de-lixo-do-pacifico/

Manchas que vêm do mar

31/10/2019 às 2:53 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Mais um bom artigo do Professor Jorge Portugal. Dessa vez aborda a tragédia que assolou o litoral nordestino, a reboque do preconceito e racismo que vertem em terra brasilis.


Manchas que vêm do mar

Nas últimas semanas, fomos atingidos tragicamente por duas manchas que vieram pelo mar a fim de emporcalhar nossas praias e porto. A primeira, em forma de derramamento de petróleo, e a segunda, um grande derramamento de preconceito e racismo.

As super-reportadas manchas de petróleo (sem origem ainda detectada – estou gargalhando neste momento!), além de sujar impunemente nossas praias, e de resto de todo o litoral nordestino, “arrebentaram” toda uma cadeia da economia que começa no peixe e frutos do mar envenenados e termina no turista que cancela a viagem ao Nordeste, deixando de fazer girar uma riqueza que começa no
hotel e termina no prato de moqueca que deixou de ser servido. Pescadores, restaurantes, barraqueiros, enfim, todos os que vivem diretamente do sol e do mar nesta região paradisíaca estão com a mão na cabeça ante os prejuízos que se somam dia após dia. O mais estranho é que o governo federal está apenas assoviando para o alto, como se o caso não fosse com ele. O próprio presidente da República sequer cogitou visitar a região para ver o tamanho do estrago, nem o seu setor de “inteligência” conseguiu identificar a causa da tragédia. Isso numa época em que satélites espalhados pelo espaço são capazes até de me fotografar ou filmar no momento em que escrevo este artigo aqui na sala de casa. Contem outra, por favor!

A outra mancha que veio do mar, em forma de racismo, aportou na Baía de Todos-os-Santos, travestida em um belo transatlântico branco da organização cristã OM Ships, responsável pela biblioteca flutuante Logos Hope. Logo ao chegar aqui, postaram uma advertência que dizia: “Cuidado com esse povo, conhecido pela crença em espíritos e demônios”. Só pode ser. Um povo negro e mestiço, com ancestrais africanos e indígenas, deve ter
íntima convivência com seres de baixa vibração espiritual, como o capeta em pessoa. Uma organização cristã, atentaram? Certamente evangélica, norte-americana, branca e supremacista. Ou seja: a pior espécie de ser humano que divide o mesmo ar conosco e torna o nosso planeta mais tóxico ainda pelo tipo de ideias que eles exalam!

Perda de tempo tentar ensinar a eles que aqui, neste pedaço de mundo, deu-se uma monumental “encruzilhada de gametas”, fundando uma civilização baseada na solidariedade e alegria – sobretudo entre os que vivem no “andar de baixo” – e que a celebração da vida se faz ante o altar da diversidade, onde pontificam caboclos, orixás/voduns, santos católicos e espíritos de luz. Perda de tempo para quem tem a KKK como movimento máximo a ser respeitado e todo santo dia assassinam o legado de Jesus de Nazaré, a quem chamam “Cristo” e em quem juram acreditar. Cristãos… bah!

( Jorge Portugal)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 29.11.2019

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