Karl Heinrich Marx: PARABÉNS, velho Marx!

18/05/2022 às 3:36 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Os 200 anos de Marx obrigatoriamente teria que estar também aqui neste blog cujo “mote” é Educação e cujo desafio é “provocar o pensamento”. (como recebi o texto de um amigo via zapzap não coloquei a fonte).

Cidadaos_do_mundo_univos


Artigo: Marx, um pensador do século XIX, ainda inquieta

Fabio Sobral, professor da UFC, escreve sobre os 200 anos de Karl Marx

Karl Heinrich Marx, um pensador do século XIX, ainda nos inquieta.

As inquietações diante dele são de admiração e de horror. Há os que não suportam seu nome e suas ideias. Há os que se espantam diante da atualidade de seus pensamentos.

É extraordinário confrontar toda uma época histórica: o capitalismo. E foi isso que Marx fez. Mostrou a exploração e a violência implícitas a este sistema. Tornou-se a voz dos esmagados pelo domínio de impérios. O investigador que dissecou as entranhas do funcionamento do capital.

[SAIBAMAIS]Descobriu que a forma de roubar o excedente de riqueza produzido pelos seres humanos mudou ao longo da História. A princípio, senhores da guerra ameaçaram camponeses e artesãos e obtiveram seu sustento. Foram sucedidos por sacerdotes antigos e sua dominação mais sofisticada. Posteriormente, surgiram faraós, reis e sátrapas. Nasceram impérios que caçam seres humanos e os escravizam, tais como Roma antiga. Roma é substituída na Europa por senhores de feudos e seus soldados. Dias de trabalho e partes significativas do que era produzido sustentava dominadores cruéis.

[QUOTE1]Tudo foi substituído pelo capitalismo, sistema que engoliu o mundo inteiro e todos os povos. Eis a mais sofisticada das formas de dominação. Paguem salários. Calculem os salários pelo necessário à sobrevivência. Substituam a dominação das armas pela dominação econômica. Faça-os acreditar que suas necessidades são fruto de incompetência pessoal. Culpem-nos de não serem produtivos o suficiente, por isso ganham mal. Acusem-nos de não pouparem e por isso sofrerem com carências. Estigmatizem as suas dores, suas incapacidades e suas faltas de mérito.

Marx ouviu essas dores e demonstrou que o capital ganha o excedente calculando pagar aos trabalhadores a quantidade necessária para sobreviverem, sendo o restante da riqueza apropriado pelos capitalistas. Mostrou ainda que esse capitalismo é somente mais uma das formas de exploração de uns poucos seres humanos sobre a maioria dos outros. Pôs o capitalismo no mesmo patamar de senhores da guerra, escravocratas e senhores feudais. Chamou a isso de pré-história humana. A verdadeira humanidade ainda não surgiu. Ainda vivemos no mundo da violência e da exploração.

Marx disse que o capitalismo, apesar de avanços em relação aos demais sistemas, é mais uma forma de produção de miséria para a maioria e de riqueza para uma minoria. Fórmula que identifica todos os sistemas de exploração humana.

[QUOTE2]Eis o pecado mortal de Marx aos olhos dos asseclas deste sistema. Estes se acham superiores e sofisticados. Mas não estão muito acima de senhores romanos brutais e sanguinários.

Ao identificar que o capitalismo é somente mais uma forma violenta; ao dissecar o seu funcionamento; ao expor o sofrimento humano em diversos períodos de sua existência; ao gritar que é preciso construir uma forma de vida pacífica e colaborativa, em que a humanidade não se veja como inimiga, mas como irmã, Marx se tornou maldito aos olhos dos senhores da riqueza.

Odiado e difamado, Marx segue estudado, debatido, pensado. Suas ideias ainda acalentam o sonho da verdadeira autonomia humana. Suas palavras ecoam pelos séculos a ordem da liberdade. Liberdade contra os capitalistas e suas corporações, contra o Estado que é filho do capitalismo, apesar do que dizem os defensores da “livre iniciativa”, coisa que nunca houve. A riqueza do capital foi erguida com exércitos e seus massacres de povos dominados, por dívidas públicas, por legislações sanguinárias, pelo roubo de terras (grilagem) de camponeses em todos os países capitalistas.

Marx vive, pois vivem ainda os gemidos dos explorados!

Fabio Sobral

Professor da Universidade Federal do Ceará

Xadrez da nova ordem mundial e do fim do império do dólar, por Luis Nassif

20/04/2022 às 2:31 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Muito bom esse artigo de Luis Nassif. Ele consegue escrever sobre Economia de forma fácil e didática. Vale a pena conferir !

exclamacao


Xadrez da nova ordem mundial e do fim do império do dólar, por Luis Nassif

A cooperação econômica global será baseada em investimentos coligados, tendo como meta melhorar o bem-estar dos povos.

O Xadrez abaixo é um resumo da entrevista do cientista russo Sergey Glazyev, da Academia Russa de Ciências, publicada no The Slaker, e traduzida no Brasil 247.

É a melhor interpretação que li, nos últimos tempos, sobre a nova ordem mundial.

Segundo Glazyev, há dois fenômenos mundiais ocorrendo simultaneamente.

Um, são as grandes mudanças tecnológicas que acontecem a cada 50 anos, exigindo novas formas de gerenciamento.

Outro, as mudanças econômicas, que ocorrem a cada 100 anos.

A mudança dos padrões tecnológicos geralmente é acompanhada por uma revolução tecnológica, por uma depressão e por uma corrida armamentista.

Já os padrões econômicos mundiais mudam a cada 100 anos e suas mudanças são acompanhadas por guerras mundiais e revoluções sociais. Deve-se ao fato das elites dominantes, na antiga estrutura, se enclausurarem nos sistemas antigos de gestão, tentarem combater as mudanças e os novos líderes, e manter a sua hegemonia e posição de monopólio por todos os meios, incluindo os meios militares e revolucionários.

Peça 1 – O império britânico

Foi o que ocorreu com o Império Britânico. A primeira revolução industrial esgotou-se e o império passou a ser confrontado por novas economias dinâmicas, especialmente o Império Russo e a Alemanha. Segundo o autor, a Primeira Guerra foi provocada pelos serviços de inteligência britânicos. A guerra levou a autodestruição dos três impérios europeus. – a Rússia czarista, o império alemão e o austro-húngaro, e também o quarto império otomano.

O Reino Unido manteve a dominância global. Mas foi sufocado pelas leis inexoráveis de desenvolvimento econômico.

Seu poder se baseava no sistema colonial, no trabalho escravo e na relação de trocas com outras economias, trocando matérias primas por produtos industrializados.

Peça 2 – o modelo soviético e o americano

O modelo britânico foi  superado pelos por três novos modelos, o soviético, o americano, e o da Alemanha nazista, com eficácia produtiva muito maior, porque organizados sobre princípios diferentes.

No caso dos EUA, o capitalismo das famílias foi  sendo substituído pelo poder das grandes corporações multinacionais. Em todos  os casos, estruturas centralizadas de regulação econômica, emissão monetária ilimitada, usando a moeda fiduciária para ativar a produção em massa de produtos, de forma muito mais eficaz.

Na Europa, o vitorioso foi o modelo nazista, segundo ele, apoiado pelas agências britânicas e pelo capital estadunidense. Hitler desenvolveu rapidamente um sistema centralizado de governança corporativa na Alemanha – o qual permitiu que o Terceiro Reich conquistasse rapidamente toda a Europa”.

Com a Alemanha destruída pela Segunda Guerra, a nova ordem imperial mundial restringiu-se ao modelo soviético e ao modelo ocidental, tendo como centro os EUA.

Peça 3 – a nova ordem mundial

Os anos 60 em diante foram palco de novas revoluções tecnológicas, da microinformática, da eletrônica e dos bens de consumo. E a União Soviética fracassou devido a um sistema de gerenciamento planificado, pouco flexível para responder às necessidades dos novos tempos.

Mas, mesmo com os EUA assumindo a posição de potência única, as estruturas hierárquicas verticais – características do que ele denomina sistema econômico imperial mundial – revelaram-se rígidas demais para assegurar processos de inovação contínuos e crescimento da economia mundial.

A partir da periferia foi sendo moldada uma nova ordem mundial, baseada em modelos flexíveis de gestão, de organização de redes de produção nas quais o Estado age como agente integrador, combinando os interesses de vários grupos sociais ao redor de uma meta: aumentar o bem estar social público.

O caso mais notório é a China que por mais de 30 anos, cresceu três vezes mais rapidamente que os EUA. “Atualmente, a China já ultrapassa os EUA em termos de produção, exportação de bens de alta tecnologia e taxas de crescimento”.

Outro exemplo é o da Índia, com um sistema político distinto, mas com a primazia do interesse público sobre o privado e onde o Estado busca maximizar a taxa de crescimento, a fim de combater a pobreza.

Ao mesmo tempo, diz ele, a Índia – e também China – usa mecanismos de competição de mercado, o que garante a eficácia da alta concentração de recursos a fim de promover saltos econômicos.

Desde 1995 a economia chinesa cresceu 10 vezes, enquanto a economia americana cresceu apenas 15%. China, Índia e Indochina já produzem mais produtos que Estados Unidos e União Europeia. Se somar Japão e Coreia – com sistemas similares de gerenciamento – a nova ordem mundial já domina o mundo.

E aí, diz ele, a elite dominante dos EUA não consegue aceitar.

Peça 4 – a resistência à nova ordem e a crise de 2008

Segundo ele, nos últimos 15 anos, esta elite está travando uma guerra híbrida, buscando o caos nos países fora do seu controle e refrear o desenvolvimento da China. Mas, devido ao seu sistema arcaico de gerenciamento, não consegue sucesso.

A crise de 2008 foi um divisor de águas. Segundo Glazyev, o ciclo de vida da antiga ordem tecnológica já terminou e o processo de redistribuição em massa do capital para uma nova ordem tecnológica começou. Essa nova ordem tecnológica inclui um complexo de tecnologias de nano bioengenharia e de comunicações e informações.

E aí, aconteceu a diferença fundamental.

O passo essencial de um Estado moderno é dar acesso a dinheiro barato de longo prazo a todas as empresas, permitindo adotar as novas tecnologias.

Mas nos EUA e Europa os fundos foram gastos em bolhas financeiras, criando déficits orçamentários. Já na China, a enorme emissão monetária foi completamente dirigida para o crescimento da produção e o desenvolvimento de novas tecnologias. E a enorme monetização chinesa não produziu inflação porque o aumento do dinheiro foi acompanhado por um aumento na produção de bens, introdução de novas tecnologias avançadas e aumento do bem-estar social público.

Trump tentou deter o crescimento chinês e falhou. Segundo o autor, porque a China tem um sistema de gerenciamento mais eficaz. Principalmente porque o gerenciamento do dinheiro conserva a questão monetária no quadro da reprodução expandida do setor real da economia, focalizando o financiamento do investimento para o desenvolvimento.

Na China, cerca de 45% do PIB é investido, contra 20% nos EUA e Rússia.

Na China, o sistema bancário é estatal e opera como uma única instituição de desenvolvimento. Nos EUA, o dinheiro é usado para financiar o déficit orçamentário e realocado para as bolhas financeiras.

Segundo ele, a eficácia dos sistemas econômico e financeiro dos EUA é de apenas 20% – ou seja, somente um em cada cinco dólares chega à economia real -, contra quase 90% na China.

Peça 5 – as novas guerras

Segundo Glazyev, quando as guerras comerciais falharam, os EUA abriram a frente de guerra biológica. Aqui, uma afirmação polêmica: os EUA teriam lançado o coronavírus na China, na esperança que a liderança chinesa não conseguisse lidar com a pandemia. Mas o sistema de gerenciamento chinês mostrou uma eficácia muito maior, especialmente quando a pandemia se espalhou pelo mundo, revelando o fracasso das políticas púbicas dos EUA e Europa.

Segundo ele, paralelamente à guerra comercial com a China, os “serviços especiais” dos EUA já preparavam a guerra contra a Rússia.

A guerra foi deflagrada após a anexação da Crimeia pela Rússia e o primeiro passo foi a organização, pelos serviços especiais estadunidenses, do golpe de Estado de 2014 na Ucrânia.

Segundo ele, a Rússia foi inicialmente convencida que se tratava de um fenômeno temporário. O jogo sapo ficou claro quando os EUA passaram a treinar as forças armadas da Ucrânia, deram educação militar aos “nazistas” (como se refere ao exército ucraniano) em suas academias e, depois, polvilharam com eles as Forças Armadas da Ucrânia.

Ao mesmo tempo, a mídia de massa ucraniana reforçava na opinião pública a imagem da Rússia como inimiga da Ucrânia.

Finalmente, passaram a usar o dólar e o front financeiro como guerra híbrida, Em 2014 impuseram as primeiras sanções e interromperam os empréstimos ocidentais para a economia russa.

Agora, tentam impor o isolamento total da Rússia no mercado financeiro.

Segundo Glazyev, tudo isso foi previsto por ele há 10 anos. Historicamente, a geopolítica anglo-saxã é orientada contra o Império Russo e seus sucessores, porque a Rússia sempre foi vista como principal oponente dos anglo-saxões.

Criou-se um dogma: quem controlar a Eurásia controlará o mundo inteiro. Zbigniew Brzezinski cunhou um teorema, segundo o qual, para derrotar a Rússia enquanto superpotência, teria que lhe arrancar a Ucrânia.

Esse tipo de dogma incrustou-se no pensamento da elite política estadunidense, diz ele. O objetivo é impedir a aliança estratégica entre a Federação Russa e a República Popular da China, por seria forte demais para os EUA.

Segundo Sergey Glazyev, as novas formas de guerra se desdobram em cinco fronts:

* Monetário e financeiro, nos quais os EUA ainda dominam o mundo.

* Comercial e Econômico, nos quais os EUA já perderam a liderança para a China.

* Informações e cognitivo, campo onde os EUA têm tecnologias superiores.

* Biológico, aberto com o aparecimento do coronavirus no laboratório dos EUA-China em Wuhan. Segundo ele, hoje em dia há uma rede de laboratórios biológicos na Ucrânia.

* As operações militares, como último instrumento.

Segundo ele, os EUA não conseguirão vencer, assim como a Inglaterra não venceu com a Segunda guerra, Apesar de terem vencido formalmente, eles perderam política e economicamente. Perderam mais de 90% de seu território e 95% de sua população. Dois anos depois do fim da guerra, seu império ruiu, porque os outros dois vencedores – URSS e EUA – não necessitavam mais dele.

Do mesmo modo – afiança ele – o mundo não precisa das corporações multinacionais estadunidenses, do dólar dos EUA, de suas tecnologias e pirâmides financeiras.

Peça 6 – a decadência do dólar, da libra e do euro

O início da decadência começou quando os EUA apreenderam pela primeira vez reservas em moedas estrangeiras da Venezuela e passaram para a oposição. Depois, fizeram o mesmo com o Afeganistão, o Irã e, agora, a Rússia.

Ali, o dólar deixou de ser a moeda mundial, assim como o euro e a libra.

Segundo Sergey Glazyev, depois que os últimos dólares foram retornados dos países asiáticos aos EUA, será inevitável o colpado do sistema monetário e financeiro baseado em dólares e euros.

No momento, a Academia Russa está trabalhando no rascunho de um acordo internacional para a introdução de uma nova moeda mundial para liquidações financeiras, atrelada às moedas nacionais dos países participantes e dos bens comercializáveis que determinam seus valores – a propósito, é o mesmo conceito apresentado recentemente em artigo de Fernando Haddad e Gabriel Galipolo.

Com o novo sistema de pagamentos baseado em tecnologias digitais modernas – como o blockchain – os bancos perderiam sua importância.

Segundo ele, o capitalismo clássico, baseados em bancos privados, é coisa do passado. Todas as relações internacionais, incluindo a circulação de moedas mundiais, estão começando a ser formadas baseadas em contratos. Ao mesmo tempo, está sendo restaurada a soberania nacional, porque países soberanos estão chegando a um acordo.

A cooperação econômica global será baseada em investimentos coligados, tendo como meta melhorar o bem-estar dos povos. A liberalização do comércio deixa de ser prioridade, as prioridades nacionais passam a ser respeitadas e cada Estado constrói um sistema para proteger seu mercado interno e seu espaço econômico.

FONTEhttps://jornalggn.com.br/coluna-economica/xadrez-da-nova-ordem-mundial-e-do-fim-do-imperio-do-dolar-por-luis-nassif/

A TRAGÉDIA DA FOME

05/04/2022 às 3:01 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Os dados apresentados por Emiliano José nesta boa crônica são alarmantes.

– De uma população mundial com cerca de 7 bilhões de habitantes, temos 2,4 bilhões com fome !

– Num país continental como o nosso são 87 milhões passando fome !

exclamacao


A TRAGÉDIA DA FOME

A Academia de Letras da Bahia (ALB) em fase de intensa vitalidade desde a posse do presidente Ordep Serra, promoveu, no dia 21 de março, live abordando o mais grave problema do País – a fome, revigorada tragicamente desde o golpe de 2016 e eleição do novo presidente em 2018, a marcar fase da volta do neoliberalismo e todas as consequências, de modo especial a fome.

Do debate, participou o ex-ministro do governo Lula, José Graziano da Silva, também ex-diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) durante dois mandatos (entre 2012 e 2019). Mora hoje no Chile, de onde dirige o Instituto Fome Zero. O outro participante, este morando em Paris, Ladislau Dowbor, intelectual voltado à análise da situação mundial face ao capitalismo financeirizado, e história vinculada à resistência à ditadura. Da ALB, participamos o premiado escritor Antônio Torres, autor de tantos romances, e eu, como moderador.

De impressionar como os escândalos se sucedem, e a fome parece não ser um deles. Como se natural, aceitável. Como não fosse uma tragédia. Se olharmos o mundo, de estarrecer: 2,4 bilhões de pessoas passavam fome em 2020, moderada ou grave, e certamente tal situação se agravou. No caso do Brasil, à afirmação “comeram menos porque não tinham dinheiro para comprar”, em 2018, 29 milhões responderam afirmativamente e em 2021, o número chegou a 55 milhões. São números oficiais.

Outra afirmação, e a resposta volta a causar perplexidade: os que deixaram de comer porque não tinham dinheiro para comprar comida somavam 15 milhões em 2018, e chegavam a 32 milhões em 2021. Então, fazendo continha de somar, são 87 milhões de brasileiros passando fome ou vivendo em insegurança alimentar, comendo de modo insuficiente, consumindo alimentos de baixo valor nutricional. Esses números, trazidos por Graziano, organizados a partir de pesquisas do IBGE, Unicef e DataFolha.

Dowbor, além de revelar indignação com o quadro brasileiro, indicou iniciativas para enfrentar ou mitigar a fome, como produzir alimentos nas periferias das cidades, onde há tantos terrenos ociosos. Antônio Torres fez viagem pela literatura brasileira, onde a fome marca presença forte, de Graciliano Ramos a Solano Trindade, para lembrar dois autores citados por ele.

Sabemos: a fome não é tragédia da natureza. Envolve escolhas políticas, e está fundada em modelos econômicos concentradores de renda, na exploração do trabalho, no estímulo ao desemprego, na concentração da propriedade, e o capitalismo sem freios é tudo isso. É pela política a mudança desse quadro. Já houve momento do sumiço da fome no Brasil, e não tem muito tempo – Lula soube conduzir isso, e Graziano foi essencial nessa tarefa. O povo brasileiro sabe disso. E saberá decidir com sabedoria este ano. Para reconstruir o País e debelar a fome. Outra vez.

(Emiliano José)

FONTE: JORNAL A TARDE, SALVADOR-BA, 04.04.2020

LONDRES dentro de LONDRES

04/04/2022 às 2:01 | Publicado em Midiateca | Deixe um comentário
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Há uma outra Londres dentro de Londres. Interessante essa História !


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