CRIME: O “inominável” tira R$ 84 milhões do Bolsa Família para gastar em propaganda

05/06/2020 às 11:02 | Publicado em Artigos e textos, Fotografias e desenhos, Zuniversitas | 1 Comentário
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O Nordeste fica prejudicado, mais uma vez . A pandemia maior tem nome, sobrenome e endereço ! Só mesmo Chico para aliviar um pouco com sua arte.

Exclamacao


Bolsonaro tira R$ 84 milhões do Bolsa Família para gastar em propaganda

Via Estadão – O governo federal retirou R$ 83,9 milhões que seriam usados no programa Bolsa Família para destinar à Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência (Secom). A medida atinge os recursos previstos para a região Nordeste do País e causou críticas no Congresso por ocorrer durante a pandemia do coronavírus, quando muitas famílias estão sem fonte de renda. O dinheiro será utilizado para comunicação institucional, ou seja, para fazer publicidade das ações da gestão de Jair Bolsonaro.
A portaria que prevê a transferência dos recursos do Orçamento foi publicada na edição desta terça-feira, 2, no Diário Oficial da União (DOU). O ato foi assinado pelo secretário executivo do Ministério da Economia, Waldery Oliveira. Segundo técnicos do Congresso, como não há recurso extra, apenas realocação dentro do Orçamento, não é preciso de aval dos parlamentares. O valor total destinado ao Bolsa Família no ano inteiro é de R$ 32,5 bilhões.
Para comparação, os R$ 83,9 milhões transferidos para Secom bancar publicidade institucional dariam para comprar 1.263 respiradores hospitalares – ao custo de R$ 66,4 mil cada, um dos preços que o governo federal pagou em compras da Saúde. Ou ainda 856.164 mil testes tipo RT-PCR para detectar a infecção pelo novo coronavírus em pacientes – o preço unitário foi de R$ 98.
A Secom já havia aumentado para R$ 17,8 milhões suas despesas com propaganda durante a pandemia do novo coronavírus. Os recursos estão sendo utilizados para divulgar peças publicitárias com o mote de que é preciso “proteger vidas e empregos”. Depois do fracasso com a campanha “O Brasil não pode parar”, vetada judicialmente, a secretaria e o presidente também adotaram a frase “ninguém fica para trás”.

FONTE: https://www.conversaafiada.com.br/politica/bolsonaro-tira-r-84-milhoes-do-bolsa-familia-para-gastar-em-propaganda



Estamos voltando a ser colônia

02/06/2020 às 3:47 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Uma das melhores análises que li sobre o vídeo da presidência (com “p” minúsculo mesmo) da República recém divulgado na mídia. Sob todos os aspectos estamos voltando a ser colônia, mas no que tange à Economia isso é claríssimo, como bem adverte o Professor Paulo Ormindo da UFBA.

Alerta


A CORTE SE DESNUDA PERANTE A NAÇÃO

A divulgação do vídeo da reunião da Corte de 22/04 não revelou nada além do que já haviam dito Moro, Bolsonaro e AGU. Mas o vídeo teve um papel político importante, mostrou como funciona o desgoverno atual: falta de objetivos, desprezo pela vida, agressões às autoridades, ameaças de defenestrações, propostas de pegadinhas, supostas conspirações e muitos palavrões. A mídia tem feito analogia entre a situação atual com o conto de Hans Christian Anderson “A roupa nova do imperador”, em que uma criança, alheia à cegueira dos seus súditos, grita, “o rei está nu!” e todos recuperam a visão. Sim, a Corte está nua, mas continuamos a viver o “Ensaio sobre a cegueira”.

A maioria das 25 autoridades presentes estava visivelmente constrangida durante a reunião em que Bolsonaro, que se crê Luiz XIV – “Eu sou a Constituição” – bradou “eu posso tirar qualquer ministro, salvo o Guedes”. Atônitas com as humilhações e palavrões, elas permaneceram passivas, com exceção de alguns desvergonhados. A frase do presidente é a chave para compreender sua submissão ao neoliberalismo e aos interesses internacionais, com os dogmas da diminuição do estado e dos programas sociais, cuja falência ficou comprovada nos países que mais o dotaram, EUA e a Inglaterra, durante o tsunami de mortes pela Covid-19.

Alguns trechos do vídeo não foram divulgados pela Globo arrependida, como a meteórica referência, sem eco, do ministro Teich, “O breve”, à Covid-19 e as denúncias ridículas da vidente Damares, de que a oposição está contaminando os índios e conta o “pacto com o diabo” proposto por seu colega de Turismo de abrir os cassinos. Anunciou que vai processar e prender governadores que estão atentando contra os direitos humanos praticando o isolamento social.

As ameaças de Weintraub e as pegadinhas de Salles são tão ignóbeis que não merecem consideração. Mas uma de Guedes é patética: “tem que vender logo essa porra”, referindo-se ao Banco do Brasil, criado por D. João VI, em 1808, quando o Brasil deixou de ser colônia e se transformou em metrópole. A nação de maior estabilidade financeira contemporânea, a Alemanha, que resistiu à alta do petróleo no período 1970/80, à reunificação em 1990, à crise financeira de 2008 e a recessão atual, deve sua estabilidade aos bancos públicos, que financiam não só os grandes grupos, mas principalmente os pequenos e médios negócios, que geram milhões de empregos em sua política de economia social de mercado.

São bancos públicos, como o BB, a CEF e BNDES, que sempre financiaram o desenvolvimento do país e que estão amenizando os efeitos perversos da pandemia, não só aqui como em todo o mundo, que ele quer vender para bancos estrangeiros. Estamos voltando a ser colônia. Num ponto o presidente tem toda a razão, o barco está fazendo água!

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 31.05.2020

(Paulo Ormindo de Azevedo)

DOIS EM UM AO FINAL DO DOMINGO

19/04/2020 às 17:56 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Nesse final de domingo, publico aqui dois bons artigos do jornal A TARDE, Salvador-BA. Um do Professor Paulo Ormindo de Azevedo e outro do craque Tostão. O primeiro é uma excelente crônica onde o autor contra-argumenta com seus leitores. Num mundo cada vez mais globalizado e interligado via grande rede digital, isolamento é um contrassenso, cabível apenas na cabeça desse DESgoverno e nas, infelizmente, milhares de cabeças de gado que ainda acreditam nele. O segundo texto é mais uma boa crônica daquele que foi um dia um dos maiores craques de futebol, médico e hoje é escritor. Como sempre digo após ler seus artigos, Tostão não escreve só sobre futebol, ele vai além. Nesse ele nos brinda ao final com essas belas e sábias palavras de Adélia Prado: “O que a memória amou se torna eterno”.


RESPONDENDO AOS MEUS LEITORES   foto-paulo-ormindo_thumb

Meu artigo de 05/04/20 sobre a desindustrialização do país provocou um amplo debate no Facebook. Recebi apoios e algumas contestações. Só posso responder às últimas.

Ecles Lisboa levanta algumas questões. Zerar impostos, inclusive de produtos que não fabricamos desestimula sua produção interna e investimentos externos. Guedes não representa o setor produtivo, que cria empregos, senão financeiro, que ganha o mesmo importando ou exportando. Ele sabe dos impactos dos acordos de comércio e por isso quer gradual. Abrir mais o quê? Importamos desde meias a carros de luxo. Todos os organismos internacionais constatam que o livre-comércio aumentou a distância entre ricos e pobres e deflagrou migrações massivas do Oriente Médio para a Europa, da América Central para os EUA.

China, Correia do Norte e Cingapura, que haviam feito investimentos enormes em educação, alta tecnologia e infraestrutura, pularam na frente dos EUA que defendiam o livre-comércio. A briga hoje é da alta tecnologia: EUA X China, Reino Unido X União Europeia, Rússia X Arábia Saudita. O desafio não vem mais do Norte, mas do Leste. Os EUA adotam sobretaxas e cotas e nós continuamos a pensar como o Chile de 1970, que implodiu. A desindustrialização do país começou em 1990, mas o corte da pesquisa por Guedes, a venda da Embraer e a entrega da base de Alcântara sem transferência de tecnologia acentuam mais o nosso descompasso mundial. O abandono da política externa multilateral, do Acordo de Paris e os ataques à China, nosso maior comprador, só aumentam o nosso isolamento. Algumas reformas são necessárias, mas não incrementarão a nossa competitividade, não criarão empregos, nem desativarão a bomba social.

Dirceu Romani observa que em todo mundo só se vê produtos da China, Vietnã, Sri Lanka e Bangladesh. É verdade, os ricos não querem mais trabalhar, só especular nas bolsas. A pandemia está mostrando o desastre dessa dependência nos EUA, Europa e Brasil.

Meu amigo Lito Passos afirma: “A indústria nacional acaba devido ao excesso de proteção e a falta de produtividade do trabalhador brasileiro” e faz uma caricatura dos nossos operários. Simples assim? A nossa indústria está acabando porque não tem apoio oficial, tecnologia competitiva e infraestrutura, portos, ferrovias, cabotagem, e a concorrência não regulamentada dos orientais. Conheço bemosetor da construção,amaior indústria do país, e as péssimas condições de trabalho, segurança, treinamento e remuneração dos trabalhadores. O que ele fazem é um milagre. O absenteísmo é alto pela falta de saneamento e o desmonte do SUS: dengue, zika e chicungunha.

Adorei a síntese do artista e meu ex-aluno Jamison Pedra Prazeres: “Voltamos aos tempos de exportar látex e importar chiclete, exportar cacau e comprar chocolate”.

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, hoje


PAIXÕES DA MEMÓRIA tostao_thumb

Hoje, poderemos ver, pelo SporTV, a final da Copa de 1970. Muitos dirão que a Seleção foi espetacular, melhor até do que se dizia, enquanto outros falarão que o futebol era muito lento, que era uma grande equipe, mas nem tanto.

No passado e no presente, há grandes times e jogadores e também os razoáveis e os ruins. Não podemos confundir a deliciosa memória afetiva com o saudosismo, em achar que tudo antes era superior, nem se iludir que a vida e o futebol começaram com a internet.

Na véspera da final, na reunião dos jogadores com a comissão técnica, combinamos que, quando Jairzinho entrasse em diagonal e fosse acompanhado pelo lateral da Itália, Carlos Alberto avançaria pela direita. Combinamos também que eu jogaria entre os quatro defensores, que faziam a marcação individual, e o zagueiro da sobra, para evitar que ele saísse na cobertura. Um marcaria o outro. Saiu tudo como planejado. Foi também uma vitória tática.

Eu sabia que pouco pegaria na bola, espremido entre os defensores. Mas sabia também que era necessário. Senti-me importante. Repito, não fui um clássico centroavante, finalizador, nem um meia-atacante,como era no Cruzeiro, com um centroavante à minha frente. Em um time com dois atacantes excepcionais, agressivos e artilheiros, como Pelé e Jairzinho, era preciso um centroavante armador, um facilitador.

Na véspera da final, como aconteceu antes de todos os jogos do Brasil na Copa, houve um encontro entre alguns jogadores, uns seis, que se revezavam. Ninguém era obrigado ou coagido a participar. Um dos presentes fazia uma reflexão inicial, sobre futebol ou sobre o que quisesse. Alguns gostavam de rezar. Só não se falava sobre estratégia de jogo, o que acontecia na reunião com a comissão técnica.

Naquele último encontro, houve uma exceção, e foi convidado para falar o Dr. Roberto Abdala Moura, que tinha me operado do olho e que assistiu a todos os jogos no estádio, a convite da comissão técnica. Após as partidas, ele viajava para Houston, nos EUA, onde morava.

Dr. Roberto disse na preleção: “Parafraseando Padre Antônio Vieira, o contrário da luz não éa escuridão, mas sim uma luz mais forte, pois, na escuridão, qualquer luz brilha, por menos intensa que seja. Ao lado de uma luz forte,  as luzes menores não são detectadas, como que se apagam. E nossa luz, a da Seleção, será mais brilhante”.

Na manhã do jogo, tomamos café juntos, já que a partida seria ao meio-dia, sob intenso calor. Havia um silêncio. De repente, Dario, meu reserva, se levantou, olhou para Zagallo e disse que havia sonhado ter feito três gols e que garantia os gols no jogo,se fosse escalado. Todos deram gargalhadas.

Não houve surpresa na final. No intervalo (estava 1 a 1), havia, no vestiário, um consenso de  que o segundo tempo seria mais fácil, já que era evidente o cansaço dos italianos, por causa do calor, da marcação individual, da semifinal desgastante contra a Alemanha e porque o Brasil tinha o melhor preparo físico da Copa. E nu m canto, como era habitual, Gérson fumou seu cigarro.

A Seleção Brasileira foi encantadora e revolucionária para a época. Zagallo era um estrategista, o que era raro. Ele foi importante para a conquista. A Seleção unia o talento individual com o coletivo, a fantasia e a inventividade com a organização e a disciplina tática. “O que a memória amou se torna eterno” (Adélia Prado).

(Tostão)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, hoje

PEC da Morte e coronavírus

09/04/2020 às 3:46 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Posto agora esse bom artigo de Emiliano José onde ele nos recorda da malfadada “PEC da Morte” e faz o devido link com a situação atual.

Exclamacao


PEC da Morte e coronavírus

É do teatro grego a figura do Deus ex machina, o ser surgido inopinadamente, a mexer com tudo, e a provocar uma solução inesperada, imprevista, na trama. O coronavírus é um Deus ex machina. A aparição mortífera, a colocar a humanidade em estado de guerra, não de alerta, é a revelação nua e crua dos resultados das políticas capitalistas neoliberais de austeridade, onde a saúde pública foi largada a um canto e a saúde privada tornou-se centro de acumulação de extraordinários lucros, pouco se lhe dando as condições de saúde das maiorias. Dizer da loucura da PEC do Teto de Gastos, a oposição o fez, com toda força, mas a classe dominante brasileira, sob o acicate dos barões privados da Saúde e da Educação, fez ouvidos de mercador e resolveu sangrar o povo brasileiro, e caminhar para a tentativa veloz, cruel, de destruir o SUS.

Sabia-se: essa PEC da Morte, apropriadamente chamada assim, ao determinar a limitação do crescimento de despesas do governo brasileiro por 20 anos, significava um gigantesco retrocesso nos serviços públicos, especialmente nas áreas de Saúde e Educação, em torno das quais os conglomerados privados sobrevoavam ávidos, insatisfeitos com as polpudas fatias já dominadas. Queriam mais e mais lucros, e nenhuma preocupação com uma educação e uma saúde voltadas às maiorias. Um País assim, entregue a um SUS atacado por todos os flancos, enfraquecido pela perda de verbas desde o dia 13 de dezembro de 2016, quando a PEC da Morte foi aprovada no Senado, sintomaticamente na mesma data do AI-5, editado 48 anos antes, um País assim está desarmado para enfrentar uma pandemia. Não se preparou para isso, embora ela não possa ser vista como uma absoluta surpresa, como tantos cientistas apontam, devido a fenômenos como o SARS e o Ebola.

Não bastasse isso, e ainda temos um presidente inteiramente despreparado para enfrentar uma conjuntura dessa dimensão, a exigir discernimento, coragem, capacidade de decisão e algum grau de razão científica, a acompanhar a média do pensamento mundial e da Organização Mundial da Saúde. Nada. Bolsonaro foi sempre na contramão disso tudo, até mesmo de Trump, seu ídolo, cujas medidas nos últimos dias, por imposição da dura realidade, tentam evitar catástrofe maior, mirando o trágico exemplo italiano.

Os governadores procuram, com destaque para Rui Costa à frente do Consórcio Nordeste, barrar o desastre, tomando medidas enérgicas, corretas, mas com enormes dificuldades face ao constante bate-cabeça do governo federal, paralisado, com o ministro da Saúde dizendo uma coisa, o presidente, outra. Resta-nos esperar, torcer, por alguma iniciativa tendente a colocar todos à mesa para salvar a vida das pessoas e não deixar a Nação ser esfacelada pela barbárie. Que a política, sempre civilizatória, possa propiciar isso. Quem souber rezar, reze. A Deus e aos orixás. Eu não sei. Soubesse, estaria em preces.

(Emiliano José)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 06.04.2020

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