A FARSA DO DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA

09/12/2017 às 11:55 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Mais um bom artigo do Professor Carlos Zacarias de Sena Júnior dessa vez desmascarando o déficit da Previdência.

Pergunta


A FARSA DO DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA

Enquanto os trabalhadores organizaram mobilizações nas principais cidades do país para protestar contra a Reforma da Previdência e a retirada de direitos promovida pelo ilegítimo governo Temer, o ministro da Fazenda e o chefe do Executivo “trabalhavam” em busca de apoio para a aprovação do tema no Congresso. Há tempos que este “governo” ligou o “dane-se” para o que se passa longe dos palácios e dos mercados. Não surpreende, portanto, que Temer esteja justamente usando de sua impopularidade recorde para fazer aquilo que nenhum outro ousaria fazer: suprimir direitos, destruir a previdência e os serviços públicos e reduzir o Estado a patamares inimagináveis num país periférico e dependente.

Parece óbvio que um tal estado de coisas só é possível porque, além de impopular, o governo Temer é ilegítimo. Sua ilegitimidade deriva tanto do fato de que foi alçado a esta condição através de um golpe parlamentar, jurídico-midiático, como porque o seu programa não foi submetido a nenhum sufrágio. É apenas por isso que para conquistar apoios o governo abre os cofres, pois são poucos os parlamentares que querem se vincular abertamente ao desmonte do Estado.

Mas não é só o governo que trabalha pela Reforma da Previdência na base da troca de favores e na propagação de mentiras. Bancadas parlamentares ligadas aos banqueiros, que investiram alto nas eleições, estão empenhadas para que lhes seja garantido esse gigantesco mercado. Para se ter uma ideia, o deputado baiano Arthur Maia (SD), relator da reforma, recebeu cerca de 650 mil reais apenas de empresas ligadas ao grupo Bradesco dos poucos mais de 3 milhões que declarou ter arrecadado na campanha de 2014. E como são os governos, os banqueiros e as grandes empresas que patrocinam a programação das TVs, as principais emissoras não falam de outra coisa a não ser do “déficit” da previdência, do aumento da expectativa de vida do brasileiro, do equilíbrio das contas públicas, dos “privilégios” dos servidores e por aí vai. Exatamente por isso quase não repercutiu o relatório da CPI da Previdência que confirmou o que as entidades dos auditores e os estudiosos afirmam: o discurso do déficit é uma farsa! Segundo o relatório de 253 páginas, feito pelo senador Hélio José (PROS-DF), “é possível afirmar, com convicção, que inexiste déficit”. De acordo com o texto, os principais problemas são o montante da dívida ativa das grandes empresas, que chega a R$ 2,4 bi, e às sucessivas prorrogações da Desvinculação de Receitas da União (DRU), que segundo a Associação Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) retirou cerca de R$ 500 bi da Seguridade Social entre 2005 e 2014.

Por essas e outras, atentar contra a previdência pública é um crime praticado em nome de interesses escusos e com base na mentira propagada por parlamentares e por um governo farsesco que algum preço haverá de pagar em futuro próximo.

(Carlos Zacarias de Sena Júnior)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 08.12.2017

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O tamanho da nossa desatenção

04/12/2017 às 19:43 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Excelente esse artigo do Professor Paulo Ormindo de Azevedo. Confiram !


O tamanho da nossa desatenção   foto-paulo-ormindo_thumb_thumb

Uma velha anedota dizia que o arcanjo Miguel reclamou do Criador, durante a Gênese, por ele ter dado ao Brasil todas aquelas maravilhas que canta o nosso hino nacional e muito pouco aos demais países. O Criador disse: “Em compensação, vou colocar agora os brasileiros”. É um determinismo, e não temos como sair. Mas a corrupção e a insegurança no Brasil serão causa ou efeito?

O retrato de nossas desigualdades são os morros e periferias urbanas, onde faltam empregos, escolas, postos médicos, habitação e transporte. E isto porque esta não é uma prioridade para os nossos governantes e não há professores, médicos e juízes suficientes. Este abandono levou ao aparecimento de um estado paralelo, que não só trafica drogas, como coopta seus moradores financiando creches, times de futebol, salões de festas e enterros. Esse estado domina hoje metade do território de nossas cidades, impondo o toque de recolher e incendiando ônibus, explodindo caixas eletrônicos e matando policiais, no território dos “brancos”, quando um de seus membros é transferido de presídio.

Em vésperas de eleições, a plataforma comum dos nossos 35 partidos de aluguel é a diminuição do estado, que dá a dimensão do setor público no país. Tudo mais já foi ou está sendo privatizado. Pois bem, segundo o IBGE, em 2012, os funcionários civis eram 10,7% dos trabalhadores de carteira assinada. Taxa menor que a média dos países latino-americanos. Se considerarmos os informais dessas periferias, essa taxa baixa para 5%. Relacionado com a população total do país, eles são apenas 1,6%. A maioria dos países desenvolvidos tem o dobro de funcionários, 21%, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Nos EUA, um dos países mais privatistas, os funcionários civis são 15% dos ocupados. O estado oferece educação primária e secundária universal de qualidade, banca 120 mil bibliotecas, tem os maiores parques naturais do mundo, num total de 211 mil km², e possui 800 bases militares espalhadas pelo mundo. Suas forças armadas têm 1,26 milhão de militares na ativa. E eles não pensam em diminuir o estado. Depois do 11 de Setembro, eles aumentaram aquele efetivo em 20%. Na Dinamarca, o país de menor corrupção do mundo, está taxa sobe para 39,2%, quatro vezes a taxa formal do Brasil. É isto que permite a esses países terem educação, saúde e segurança de qualidade. A PEC que congelou por 20 anos os gastos com educação e saúde num país já carente e que está crescendo, só irá aumentar as desigualdades e a insegurança no país. Não é com medidas burras como essa que se constrói uma nação. Para os conservadores, segurança só se consegue com mais repressão. Não queremos um leviatã, senão um estado democrático, que cumpra com eficiência sua função de executar o bem comum e não que aumente os desníveis sociais.

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 03.12.2017

Entrevista com Jessé Souza

18/11/2017 às 3:01 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Jessé Souza, li dele o A RADIOGRAFIA DO GOLPE, muito bom. Esse vídeo também é bom, mas como seria bem melhor se os conterrâneos dessa Pindorama pudessem ler e refletir suas obras.


Entre os maiores países, um corre o risco de se tornar o ‘corno da rua’

10/11/2017 às 3:24 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Santayana, definitivo !

BRASIL


Entre os maiores países, um corre o risco de se tornar o ‘corno da rua’

Se, como dizia Von Klausewitz, a guerra é a continuação da política por outros meios, na msantayana encarniçada guerra em que se transformou a política, a missão do jornalismo deveria ser a de escrever a história enquanto ocorre e acontece. Isso se a mídia não estivesse, na maioria das vezes, a serviço de seus próprios interesses e de projetos de poder mendazes, hipócritas e manipuladores.

Só os ingênuos acreditam em imprensa isenta em uma sociedade capitalista – na qual ela defende o interesse de seus donos e anunciantes. E mais ainda em um país como o Brasil, em que praticamente inexistem meios de comunicação públicos, tampouco democráticos e de qualidade, como em outros lugares do mundo.

A “história oficial” que tenta contar a mídia brasileira hoje é a de que vivemos em um país subitamente assaltado, nos últimos 15 anos, por “quadrilhas” e governos populistas e incompetentes. E que tenta, por meio de uma justiça corajosa e impoluta, livrar-se desse flagelo “limpando” a ferro e fogo a nação. Enquanto isso, um governo, coitado, que não é perfeito, alçado ao poder pelas “circunstâncias”, tenta modernizar o Brasil com reformas inadiáveis para tirá-lo de uma terrível bancarrota em que o governo anterior o enfiou.

Mas a história real que ficará registrada nos livros do futuro falará de um Brasil que, no início do Século 21, chegou a sair da 14ª economia do mundo para sexta nos últimos 15 anos – e que ainda ocupa nono lugar entre as nações mais importantes do mundo. De uma nação que mais que triplicou seu PIB nesse período – sem aumentar a sua dívida pública, seus débitos com principais credores internacionais e quadruplicou sua renda per capita, além de economizar mais de US$ 340 bilhões em reservas internacionais.

Um país que cortou o número de pobres pela metade, quadruplicou o número de escolas técnicas federais, construiu quase 2 milhões de casas populares, com qualidade suficiente para atrair até mesmo o interesse de altos funcionários do Estado, como procuradores da República. Um país que tinha voltado a construir refinarias, navios, grandes usinas hidrelétricas, gigantescas plataformas de petróleo e descoberto, com tecnologia própria, abaixo do fundo do mar, a maior província petrolífera do mundo nos últimos 50 anos.

Que expandiu o crédito e o consumo, duplicou sua safra agrícola, projetou-se internacionalmente e forjou uma aliança geopolítica com potências espaciais e atômicas, como Índia, China e Rússia, montando um banco com a missão de transformar-se no embrião de uma alternativa ao sistema financeiro internacional.

Que estava construindo submersíveis – entre eles, o seu primeiro submarino nuclear – tanques, navios de patrulha, cargueiros aéreos, caças-bombardeiros, radares, novos mísseis ar-ar, sistemas de mísseis de saturação, uma nova família de rifles de assalto, para suas forças armadas, por meio de forte apoio governamental a grandes empresas de engenharia de capital majoritariamente nacional, integrando esses esforços com outros países, também do próprio continente, para fortalecer a defesa e a soberania regional contra eventuais agressões externas.

Um Brasil que, por estar fazendo isso, sofreu, nos últimos quatro anos, um ataque coordenado, ideológico e canalha, de inimigos internos e externos. Primeiro, com a revelação do escândalo de espionagem do país, do governo e de empresas, que seriam “coincidentemente” acusados de corrupção por parte de governos estrangeiros.

Depois, por meio de um golpe iniciado com manifestações financiadas de fora do país, desde a época da Copa do Mundo, e de uma ampla campanha de sabotagem midiática e de operações de contrainformação permanentes, com o deslocamento para cá de embaixadores que estavam presentes quando do desfecho de golpes semelhantes e recentes em outros países sul-americanos, como o Paraguai, por exemplo.

Um golpe que, iniciado no ano de 2013, foi finalmente desfechado em 2016 para gáudio do que existe de pior na política brasileira e de nossos concorrentes internacionais. Concorrentes que, como vimos, pretendiam não apenas parar o Brasil no caminho que estava seguindo, de seu fortalecimento econômico, social e geopolítico, mas destruir a economia brasileira, para se apossar, por meio de uma segunda onda de destruição e de desnacionalização de nossas empresas, de nosso mercado interno e de nossos mais importantes ativos públicos e privados a preço de banana, colocando no poder “governos” de ocasião, entreguistas e dóceis às suas determinações e desejos.

Para fazer isso, os inimigos do Brasil agiram e continuam agindo na frente política e na econômica, sustentados por paradigmas tão falsos quanto mendazes. O principal deles, é o que reza que a corrupção é o maior problema brasileiro, e que trata-se, ela, de um fenômeno recente em nossa história, ou que alcançou supostamente “gigantescas” proporções a partir de chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder em janeiro de 2003.

Na economia, por outro lado, era e é preciso vender o peixe de que o país está quebrado, quando no grupo das 10 principais economias do mundo, pelo menos seis países – EUA, Japão, Reino Unido, França, Itália, Canadá – têm uma dívida pública maior que a nossa. O governo encontrou R$ 200 bilhões no caixa do BNDES , “adiantados” em “devolução” ao tesouro, no lugar de serem investidos em infraestrutura para a geração de emprego. E temos mais R$ 380 bilhões, ou mais de R$ 1 trilhão, em reservas internacionais acumuladas nos últimos 15 anos, boa parte, mais de R$ 270 bilhões, emprestada aos Estados Unidos, como se pode ver pela página oficial do tesouro norte-americano.

Como já afirmamos aqui antes, se a situação real da dívida brasileira era e continua sendo essa, com relação às outras nações que concorrem no pelotão das maiores economias do mundo, por qual razão isso nunca foi divulgado de forma clara, ampla, transparente, pelo governo e pela grande mídia, e seus “especialistas” de plantão, desde a saída de Dilma? Porque isso quebraria a espinha dorsal da “história oficial”, do discurso único, neste momento, que afirma e reafirma a todo momento: que o PT quebrou o Brasil; porque é necessário fazer reformas como a trabalhista e a previdenciária (vamos ver o que nos reserva a tributária), senão o Brasil vai quebrar, inexoravelmente, no futuro próximo.

Precisam justificar um teto para os gastos do governo para os próximos 20 anos, dizendo que o Estado é superdimensionado e perdulário, quando os EUA, por exemplo, apenas na área de defesa, tem mais funcionários públicos do que o Brasil; quando eles se endividaram para se desenvolver e continuarão a se endividar – e a se armar – livremente, no futuro; enquanto nós estaremos sendo governados por imbecis ou espertalhões a serviço de terceiros, vide os mais de R$ 200 milhões recebidos pelo ministro da Fazenda no exterior nos últimos três anos – como se fôssemos uma mercearia, preocupados não com geopolítica, mas apenas, supostamente, com receitas e despesas, sendo condenados a subir no ringue da disputa em um mundo cada vez mais complexo e competitivo com um olho vendado e um braço e uma perna amarrados nas costas, com nações sem limite real de endividamento, que privilegiam a sua própria estratégia nacional no lugar dessa estúpida modalidade de austericídio.

Finalmente, precisam dizer que diante da supostamente calamitosa situação que o país vive, não há outra saída a não ser privatizar tudo – quando não entregar de mãos beijadas até mesmo a empresas estatais estrangeiras – nossas próprias estatais e seus ativos, na bacia das almas e a toque de caixa, porque elas trabalham mal, dão prejuízo; e servem como cabides de emprego – como se empresas privadas não fossem useiras e vezeiras em tráfico de influência e o genro do rei da Espanha, por exemplo – um ex-jogador de handebol – não tivesse ganhado milhares de euros por reunião, em escândalo conhecido, “pendurado” como membro do conselho de empresas “privatizadas” para capitais espanhóis por estas bandas.

Como seria possível para o governo Temer entregar o pré-sal por menos de R$ 20 bilhões, o controle da Eletrobras, a empresa líder de nossos sistema elétrico, por R$ 13 bilhões, e até a Casa da Moeda – país que repassa a terceiros o direito de imprimir o seu dinheiro não merece ser chamado de nação – se ele admitisse que tem, deixados pelo PT – que acusa de ter quebrado o país – mais de um trilhão de reais em caixa, à disposição do Banco Central, além de uma quantia superior ao que está querendo arrecadar com privatizações apenas nos cofres do BNDES?

Da mesma forma é preciso vender o peixe de que a corrupção é o maior flagelo do país para justificar a morte da engenharia brasileira, a destruição de nossas principais empresas nas áreas de energia, defesa, indústria naval e infraestrutura, e interditar judicialmente centenas de bilhões de dólares em projetos, obras e programas – vide o sucateamento e venda para a Gerdau, para derreter, de 80 mil toneladas de aço em peças de duas megaplataformas da Petrobras que estavam prontas para serem montadas, com a eliminação de milhões de empregos.

Com tudo isso, o Brasil não apenas perdeu centenas de bilhões de dólares em obras, empresas, desvalorização de ações, como também entregou e continua entregando de mão beijada, suas prerrogativas e instrumentos de desenvolvimento ao exterior, apesar de estarmos vivendo, nesta primeira quadra do século 21, em um mundo cada vez mais nacionalista, complexo e competitivo.

A doutrina da viralatice, do mais abjeto e abnegado entreguismo, tomou conta das redes sociais e de sujeitos que desgraçadamente – para a nação – nasceram em solo brasileiro, e não tem pejo de pedir na internet ao governo Temer que entregue tudo, nosso petróleo, nossos minerais, nossas terras, nosso mercado, nossas empresas estatais aos gringos.

Já não basta o desprezo pelo PT e o Nordeste, ou – como se viu nas reações à morte da turista espanhola morta por um bloqueio da PM no Rio de Janeiro – a tudo que esteja ligado à periferia das grandes cidades. É preciso bradar, cinicamente, vestido de verde e amarelo, o ódio que ficou por tanto tempo represado, dentro dos pulmões de uma gente tão calhorda quanto desprezível, contra o próprio país e tudo que lembre nacionalismo, brasilidade, soberania, nestes tempos imbecis e vergonhosos que estamos vivendo.

A desculpa é sempre a mesma. As empresas estatais seriam – contradizendo o próprio discurso anticorrupção que está acabando com dezenas de empresas e grupos econômicos privados nacionais – mais “corruptas” e propícias à criação de “cabides de empregos” que as empresas privadas ou privatizadas, embora sujeitos que participaram diretamente da privatização da Telebras tenham pendurado depois durante anos seu paletó na cadeira de presidente de grandes grupos estrangeiros que retalharam entre si o mercado brasileiro de telefonia móvel e até mesmo o genro do Rei da Espanha, especialista em handebol, tenha participado da farra, ganhando milhares de euros para participar de reuniões do Conselho dessa mesma empresa na América Latina.

(Mario Santayana)

FONTE: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/entre-os-maiores-paises-um-corre-o-risco-de-se-tornar-o-corno-da-rua-por-mauro-santayana/

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