Landfill Harmonic

25/06/2018 às 3:37 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Iniciativas como essa dão sentido à vida. Mais que isso, nos trazem esperança de dias melhores !


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PALAVRAS MÁGICAS

22/06/2018 às 6:10 | Publicado em Fotografias e desenhos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Capitão Rapadura, simplesmente genial. Parabéns Daniel Brandão !


CapitaoRapadura

Artigos científicos estão “superados”: interesses ?

21/06/2018 às 3:22 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Ao ler esse esclarecedor e atualíssimo artigo, logo me lembrei do magnífico ‘O CANTO DO GALO”, de Rubem Alves e, óbvio, de minhas quatro Pós e do Mestrado inacabado que tentei concluir, impossibilitado que fui entre outros fatores pelo objeto desses dois textos críticos. Só para lembrar um pequeno exemplo, é muito difícil se encontrar hoje em dia, em qualquer literatura nacional ou estrangeira, forma mais burra de citação de obras em artigos e livros como a adotada no Brasil e no mundo atualmente. E linguagem hermética pior ou equivalente só mesmo a dos juristas. Fico a imaginar se os cientistas realmente brilhantes estiveram um dia preocupados com essas questões…

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Artigos científicos estão “superados”: interesses ?

Cientista não é aquele ser que fornece as verdadeiras respostas; é quem faz as verdadeiras perguntas” – C. Lévi-Strauss.

A ciência tem dado saltos qualitativos nas interfaces tecnológicas, nas disciplinas humanas da medicina do cuidar, e da epidemiologia preventiva. Também na valoração quantitativa, se cotejarmos a sua expressão na literatura através dos artigos científicos em revistas de editorias euro – americanas e links globais da web. O artigo científico tornou-se um dos pilares de evolução da ciência; antes da sua aparição, os resultados dos experimentos e hipóteses eram apresentados por cartas, descreve Thomas Wood Jr. em sua matéria.

Hoje em dia, estas publicações ao invés de gerarem conhecimentos inovadores, passaram a alimentar múltiplos networks, intra e inter comunitários acadêmicos, ou não, extrapolando o número de periódicos com textos e relatos de qualidade duvidosa; e não raro atendendo às pressões das universidades e institutos de pesquisas para justificar – e disputar rankings classificatórios de excelência –, gastos laboratoriais e honorários dos pesquisadores, consequentemente, captar mais financiamentos e notoriedades pessoais.

A forma das publicações atuais, com hermetismo estatístico no limite da razoabilidade, aliado ao fetiche de renomados boards editoriais, com textos longos e assertivos, acabou por negligenciar a ciência substantiva. Não existe estilo de prosa mais difícil de entender, e mais tedioso de ler, do que o paper científico, criticou o renomado Francis Crick.

A ciência contemporânea na colateral pesquisa experimental, sem embargo da investigação teórica, deveria ser impregnada de necessidades sociais e galvanizadas pelo bem-estar a ser alcançado para as maiorias, destarte, interpretar e responder as misérias humanas; equacionar a poluição dos sistemas ambientais; diagnosticar e tratar as re-emergentes patologias nos ecossistemas envolvendo a espécie humana. A super especialização no olhar do cientista não deveria ter o viés dos orçamentos. Para o bem da humanidade, a ciência terá que reinventar também a sua comunicação intramuros e com o mundo real.

(Marcos Luna)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 09.05.2018

 


“O CANTO DO GALO”

Era uma vez um granjeiro. Era um granjeiro incomum, intelectual e progressista.

Estudou administração, para que sua granja funcionasse cientificamente. Não satisfeito, fez um doutorado em criação de galinhas.

No curso de administração, aprendeu que, num negócio, o essencial é a produtividade. O improdutivo dá prejuízo; deve, portanto, ser eliminado.

Aplicado à criação de galinhas, esse princípio se traduz assim: galinha que não bota ovo não vale a ração que come. Não pode ocupar espaço no galinheiro. Deve, portanto, ser transformada em cubinhos de caldo de galinha.

Com o propósito de garantir a qualidade total de sua granja, o granjeiro estabeleceu um rigoroso sistema de controle da produtividade de suas galinhas. “Produtividade de galinhas” é um conceito matemático que se obtém dividindo-se o número de ovos botados pela unidade de tempo escolhida. Galinhas cujo índice de produtividade fosse igual ou superior a 250 ovos por ano podiam continuar a viver na granja como galinhas poedeiras. O granjeiro estabeleceu, inclusive, um sistema de “mérito galináceo”: as galinhas que botavam mais ovos recebiam mais ração. As galinhas que botavam menos ovos recebiam menos ração.

As galinhas cujo índice de produtividade fosse igual ou inferior a 249 ovos por ano não tinham mérito algum e eram transformadas em cubinhos de caldo de galinha.

Acontece que conviviam com as galinhas poedeiras, galináceos peculiares que se caracterizavam por um hábito curioso. A intervalos regulares e sem razão aparente, eles esticavam os pescoços, abriam os bicos e emitiam um ruído estridente e, ato contínuo, subiam nas costas das galinhas, seguravam-nas pelas cristas com o bico e obrigavam-nas a se agachar. Consultados os relatórios de produtividade, verificou o granjeiro que isso era tudo o que os galos – esse era o nome daquelas aves – faziam. Ovos, mesmo, nunca, jamais, em toda a história da granja, qualquer um deles botara. Lembrou-se o granjeiro, então, das lições que aprendera na escola, e ordenou que todos os galos fossem transformados em cubos de caldo de galinha.

As galinhas continuaram a botar ovos como sempre haviam botado: os números escritos nos relatórios não deixavam margens a dúvidas. Mas uma coisa estranha começou a acontecer. Antes, os ovos eram colocados em chocadeiras e, ao final de vinte e um dias, eles se quebravam e de dentro deles saíam pintinhos vivos. Agora, os ovos das mesmas galinhas, depois de vinte e um dias, não quebravam. Ficavam lá, inertes. Deles não saíam pintinhos. E, se ali continuassem por muito tempo, estouravam e de dentro deles o que saía era um cheiro de coisa podre. Coisa morta.

Aí o granjeiro científico aprendeu duas coisas:

Primeiro: o que importa não é a quantidade dos ovos; o que importa é o que vai dentro deles. A forma dos ovos é enganosa. Muitos ovos lisinhos por fora são podres por dentro.

Segundo: há coisas de valor superior aos ovos, que não podem ser medidas por meio de números. Coisas sem as quais os ovos são coisas mortas”.

Esta parábola é sobre a universidade. As galinhas poedeiras são os docentes. Corrijo-me: docente, não. Porque docente quer dizer “aquele que ensina”. Mas o ensino é, precisamente, uma atividade que não pode ser traduzida em ovos; não pode ser expressa em termos numéricos. A designação correta é pesquisadores, isto é aqueles que produzem artigos e os publicam em revistas internacionais indexadas.

Artigos, como os ovos, podem ser contados e computados nas colunas certas dos relatórios.

As revistas internacionais são os ninhos acreditados. Não basta botar ovos. É preciso botá-los nos ninhos acreditados. São os ninhos internacionais, em língua estrangeira, que dão aos  ovos sua dignidade e valor. A comunidade dos produtores de artigos científicos não fala português. Fala inglês.

Como resultado da pressão “publish or perish”, bote ovos ou sua cabeça será cortada, a docência termina por perder o sentido. Quem, numa universidade, só ensina, não vale nada. Os alunos passam a ser trambolhos para os pesquisadores: estes, em vez de se dedicarem à tarefa institucionalmente significativa de botar ovos, são obrigados pela presença de alunos a gastar seu tempo numa tarefa irrelevante: ensino não pode ser quantificado (quem disser que o ensino se mede pelo número de horas/aula é um idiota).

O que está em jogo é uma questão de valores, uma decisão sobre as prioridades que devem ordenar a vida universitária: se a primeira prioridade é desenvolver, nos jovens, a capacidade de pensar, ou se é produzir artigos para atender a exigência da comunidade científica internacional de “publish or perish”.

Eu acho que o objetivo das escolas e universidades é contribuir para o bem estar do povo. Por isso, sua tarefa mais importante é desenvolver, nos cidadãos, a capacidade de pensar. Porque é com o pensamento que se faz um povo. Mas isso não pode ser quantificado como se quantificam ovos botados. Sugiro que nossas universidades, ao avaliar a produtividade dos que trabalham nela, dêem mais atenção ao canto do galo…

In: ALVES, Rubem. Entre a Ciência e a Sapiência. O Dilema da Educação. 6ªed. São Paulo: Ed. Loyola, 2001. p. 67-71.

Livro existe para ser lido

11/06/2018 às 3:07 | Publicado em Artigos e textos, Baú de livros, Zuniversitas | 1 Comentário
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Esse artigo me lembrou o poeta Mário Quintana:

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Livro existe para ser lido

Leio o desabafo de uma escritora que costuma deixar livros dela em lugares onde os possíveis leitores possam encontrar, para levá-los e ler, como eu já faço, inclusive, há vários anos.

Deixamos os nossos livros em bares, restaurantes, bancos de praça, ônibus, trens, navios, aeroportos, etc., para que quem encontrar o livro possa levá-lo, para lê-lo e depois deixar em um lugar onde outra pessoa possa pegá-lo e continuar a corrente de leitura.

Falando a própria escritora: “Hoje, depois ver ao longe as pessoas encontrando os livros que deixei em alguns lugares, tive uma surpresa triste e desagradável.

Um jovem me desacatou por eu colocar livros para serem encontrados na rua. Escutei poucas e boas. Disse-me: é por conta de pessoas assim queoBrasil desabou e se encontra na lama. Livros devem estar em Livrarias e Academias de Letras ou em recintos culturais da cidade. Não devem ser distribuídos de graça, deixados por aí expostos na rua, em qualquer lugar”.

Ah, então livros não existem mais para ler, eles são feitos para ficarem guardados, para servirem de enfeite? Pois é justamente o contrário do que eu professo: não deixem seus livros guardados. Façam com que continuem sendo lidos, sempre. Livro fechado não existe, ele só existe enquanto lido, quando é recriado pelo leitor. Livro tem que estar na mão do leitor, nos olhos do leitor, fazendo o seu trabalho de disseminar o conhecimento, a cultura, a fantasia, a história do ser humano.

Fico indignado com a ignorância que grassa por aí, porque a culpa não é das pessoas, é de todo um sistema de educação, de um ensino sucateado justamente por quem tem que primar pela sua melhora, pelo seu resgate, pela sua boa manutenção e desenvolvimento.

E num país sem educação, onde o ensino é relegado a último plano, pelos nossos governantes, acontecem coisas assim.

Tenho escrito, sempre, sobre iniciativas que possibilitam a aproximação livro-leitor, que ajudam a incutir o gosto e o hábito pela leitura. Existem pessoas que recolhem livros na sua comunidade, para poder doá-los a quem queira lê-los, a quem não pode comprar livros. Mas há quem procure dificultar, como a prefeitura do Rio, que multou uma pessoa por distribuir livros de graça na praia. E a pessoa tinha licença para a sua banca, com tudo certinho, tudo legal.

Educação e cultura é tudo. Sem isso, não somos nada. E os “políticos” corruptos que comandam este país não tem cultura, nem educação. E querem que ninguém tenha. Precisamos começar a pensar nisso. Porque um país sem educação interessa a esses “políticos”, porque é mais fácil manipular o povo. E com políticos corruptos e um povo sem educação, o país sucumbe.

(Luiz Carlos Amorim)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 02.05.2018

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