Todos os homens do presidente: Weintraub

16/10/2019 às 3:07 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Mais um excelente artigo do Professor Carlos Zacarias de Sena Júnior. Um bom aviso ao ministro da (des)Educação desse (des)Governo: não está lidando com gado !


Todos os homens do presidente: Weintraub 

Homem do mercado financeiro, o economista Abraham Weintraub foi convidado pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir o cargo de ministro da Educação em substituição ao desastrado Ricardo Vélez Rodríguez. Professor da Unifesp, onde ingressou em 2014 com o título de mestrado, Weintraub nasceu para o bolsonarismo depois de conhecer Eduardo Bolsonaro na Cúpula Conservadora das Américas, em Foz do Iguaçu, em 2018. Na ocasião, Abraham e seu irmão Arthur fizeram palestra em que dirigiram vitupérios contra pessoas de esquerda e inimigos imaginários, rasgando elogios a Olavo de Carvalho, guru dos Weintraub e do clã dos Bolsonaro.

A educação e as universidades constituem-se em área estratégica no atual governo, mas não pelos motivos nobres que se imagina. Reserva da inteligência, reduto de cientistas conceituados, alguns de renome
internacional, as universidades públicas são vistas pelos bolsonaristas como um antro de esquerdistas e polo de disseminação do que chamam de “marxismo cultural”. Depois da breve e conturbada passagem do colombiano Vélez pela direção de uma área conhecida por protagonizar lutas importantes pela democracia e contra o obscurantismo, Bolsonaro e os olavistas estão empenhados em destruir o que imaginam ser um foco de
subversão.

Ao assumir a pasta em abril com a “faca nos dentes” para combater o “marxismo cultural” nas universidades, Weintraub inaugurou um novo estilo de gestão, combinando o estrangulamento financeiro com o ataque ideológico ao conhecimento e às pessoas que o produzem, destacando-se pela arrogância e truculência no trato com os temas da área que dirige. Dado a performances patéticas, como aquela em que apareceu com um guarda-chuva ao som de Singin’ in the rain, a título de acusar supostas fake news sobre os cortes na educação, Weintraub não consegue esconder todo o ressentimento e recalque que o movem em sua guerra contra a inteligência.

A fatura, entretanto, foi apresentada por Weintraub e sua equipe em julho, através do “Future-se”, um projeto que consiste na pura e simples destruição da universidade como ela existe hoje, algo que vem sendo rejeitado por quase todas as instituições que se manifestaram sobre o assunto e que provoca arrepios em todos os que conhecem sobre o tema e sobre o papel estratégico representado pelas universidades públicas no País.

Frente ao anunciado fracasso do seu intento, Weintraub segue passando a mensagem de que sua guerra se dará em muitas frentes, pois tanto anuncia que pretende atacar as “zebras gordas”, referindo-se aos salários dos professores universitários, quanto afirma que as universidades federais possuem cracolândia. Weintraub parece ser o homem certo para levar adiante o projeto bolsonarista de destruir as universidades, mas como ele não está lidando com gado, já percebeu que terá dificuldade em combinar com os russos.

(Carlos Zacarias de Sena Júnior)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 11.10.2019

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Dia do Professor

15/10/2019 às 10:10 | Publicado em Fotografias e desenhos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Engajamento é muito mais que participação

15/10/2019 às 3:48 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Hoje é o Dia do Professor. Esse post é em sua homenagem. Pedagogia Hacker ? Confesso que nunca ouvi falar, mas é interessante. Confiram !


Engajamento é muito mais que participação

Como a Alice no seu País das Maravilhas, os hackers acreditam em seis coisas impossíveis antes do café da manhã: “1. Adultos aprendem brincando. 2. Trabalho e diversão não se separam. 3. Afeto e objetividade caminham juntos. 4. Diferença e igualdade são inseparáveis.5. Ser hacker é um estado de espírito.6. Tudo é possível dentro da P2H”, a Pirâmide da Pedagogia Hacker. Quem fez a lista e ainda descreveu o que é, afinal, essa tal de pedagogia hacker foi a pesquisadora mineira Karina Menezes. Desde cedo, ela se interessou por computadores, tanto que aprendeu a montá-los e desmontá-los e, em 2013, passou a integrar o Raul Hacker Club, em Salvador. Ali,começou a perceber que o ensino nesses espaços se dá de forma muito particular, num “contexto de aprendizagem caótico, fragmentado, pouco preocupado com a eficácia, com a eficiência ou com os resultados do processo educativo, se comparado ao cenário da educação escolarizada, mas no qual, a despeito de tudo isso, ainda se aprende”. Na sua tese de doutorado, Karina conversou com integrantes de 22 espaços hackers
brasileiros para sistematizar esse processo educativo. E acredita que muito do que se vive ali pode ser levado para as escolas. A pesquisa, orientada pelo professor Nelson Pretto, na Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, foi o único trabalho baiano na lista dos vencedores do Prêmio Capes 2019, que elegeu as melhores teses defendidas no país no ano passado. Para Karina, a premiação mostra que da ‘balbúrdia’ atribuída nos últimos meses à universidade brasileira brota, na verdade, “conhecimento inovador e de qualidade”.

 

 

Você pesquisou 22 espaços que reúnem hackers em várias regiões do país para construir o que chama de “pedagogia hacker”. Quais são as principais estratégias de aprendizagem nesses locais?

Essa pedagogia tem como princípios o compartilhamento da informação, a troca de conhecimento, a ludicidade, a curiosidade, o gosto pelo desafio, a experimentação, o lidar com a diferença e com o inesperado. Em alguns momentos, tem a ver também com competição, mas não no sentido destrutivo, até porque essa competição se dá em equipes, de forma relativamente colaborativa. É uma competição que tem uma intenção que não é a vitória por si mesma, mas o resultado dessa vitória. O que essa vitória gera para o coletivo, para a sociedade, e não apenas para a pessoa em si. É uma competição não para ganhar uma medalha, mas para produzir um conhecimento.

 

 

(Tatiana Mendonça)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 13.10.2019

Garotas exatas

11/10/2019 às 3:45 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Que bela iniciativa ! Parabéns a todos os envolvidos !


Garotas exatas

Cerca de 500 alunas de escolas públicas têm acesso à educação científica no projeto Meninas na Ciência de Dados

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Produzir gráficos separando M&Ms, aqueles confeitos de chocolate, por cores. Promover avaliações qualitativas diferindo perfis de amizades. Aprender programação fazendo um jogo de como limpar a casa. Acender uma lâmpada a partir de uma maletinha de circuitos eletrônicos. Todas essas atividades, aparentemente simples,conceitualmente complexas, inauguraram um novo mundo para cerca de 500 meninas de escolas públicas de Salvador, que participam de um projeto batizado com o nome delas: Meninas na Ciência de Dados.

Quem teve a ideia de fazer com que elas se aproximassem do “pensamento computacional e estatístico” das ciências exatas foi a engenheira química Karla Esquerre, ela mesma uma estudante de escola pública da vida inteira. Karla foi, pessoalmente, aos cinco colégios selecionados para o projeto, na Federação, Ondina e Dois de Julho, e em todos começou a falar fazendo uma pergunta que era também uma apresentação: o que ela era?

Os palpites iam surgindo aos montes pelas salas. Jardineira. Cantora. Malabarista de circo. Professora de educação física. Ninguém chutou que Karla era engenheira. O projeto existe também para isso, para que as meninas possam se ver,  no futuro, como cientistas, já que as mulheres ainda são minoria na área. “Quando agente começou a fazer as dinâmicas, uma delas perguntou: ’Ah, mas para que eu vou aprender isso? Eu vou ser camelô’. E aí eu respondi que ela podia ser camelô, tudo bem, mas que essa era apenas uma das possibilidades que tinha na vida.Há muitas outras”,conta Karla.

Os conhecimentos que adquirem ali vão servir até para quem não estiver muito interessada em seguir na área de exatas, já que hoje é inevitável lidar com dados e saber interpretá-los para resolver problemas, lembra Karla. Na primeira etapa do projeto,todas as meninas do 6º ao 9º ano das escolas, que costumam ter entre 12 e 17 anos, participaram das atividades, pensadas para ser super práticas e nada expositivas. Depois, algumas delas se inscreveram para integrar a fase posterior do trabalho, que resultará num site com dados sobre Salvador.

Ana Beatriz Santos, 13, está no 8º ano do Colégio Estadual Henriqueta Martins Catharino, na Federação.Ela é uma das três estudantes bolsistas do projeto na escola. E está agora muito interessada em descobrir quanto o governo investe na educação. Foi a pergunta que ela propôs que fosse respondida no site.

Bia conta que antes não gostava de matemática e agora está “obcecada”. Ela também está aprendendo a programar a partir da criação de um jogo que vai mostrar que cada ambiente da casa precisa de um “saneante diferente”. Fala assim mesmo, com essa palavra muito sofisticada para produto de limpeza. O jogo será apresentado na feira de ciências da escola.

O Meninas na Ciência de Dados causou tanto burburinho por lá que os garotos também quiseram participar. E ficou decidido que na feira deste ano todos os trabalhos apresentados terão que ser apresentados no formato de algoritmo, a sequência de regras e operações que leva à solução de um problema. Os professores foram capacitados para tratar do tema com todos os alunos, do ensino fundamental ao médio.

GUINADA

Alzira Melo, que dá aulas de química na Henriqueta, conta que o projeto foi como uma “alavanca”. “O colégio teve uma guinada fantástica. E olhe que educação geralmente é um processo mais lento. Mas o Meninas chegou e mudou tudo, tudo, tudo”. Ela tem esperanças de que trabalhos como esse transformem um quadro no qual já repara há tempos. As alunas costumam ir bem em matemática nos anos iniciais e depois vão caindo de desempenho. “Acho que isso tem muito a ver com os estereótipos de gênero, de elas, de repente, não se sentirem capazes. E um projeto como esse dá respaldo, dá confiança. É incrível”.

O projeto é mantido com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e vai, a princípio, até o final do ano. Alguns professores da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, onde Karla dá aulas, resolveram participar como voluntários. “Agente vem de uma escola onde há pouquíssima aproximação com a sociedade. Então, quando a gente apresentou a ideia, houve um interesse grande. Mas não é fácil. Depois que você se envolve com as crianças, é um monte de ligação de noite, no fim de semana”, ri.

Não é, de todo modo, uma reclamação. Ela já está buscando novas parcerias para que o trabalho continue. Por mais meninas. Por mais ciência.

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(Tatiana Mendonça e Rafael Martins)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 22.09.2019

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