Biometria comportamental vira arma de bancos contra crimes digitais

12/06/2017 às 3:58 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Tema interessante, não apenas para os profissionais de TI. Confiram !


Biometria comportamental vira arma de bancos contra crimes digitais

Melhorar qualquer tecnologia de segurança bancária implica alguma nova dificuldade para o usuário. Tokens, por exemplo, impõem um obstáculo a mais entre o cliente e sua conta, não raro causando irritação.

Para lidar com esse problema, uma nova tecnologia promete ao mesmo tempo maior segurança e conforto ao usuário. A chamada biometria comportamental mapeia padrões de uso do cliente para confirmar sua identidade. Já usada na Ásia e na Europa, está em fase de testes em alguns bancos do Brasil. Deve chegar ao país em 2018.

Segundo Rodrigo Sanchez, gerente de soluções e serviços da Gemalto, que vende essa tecnologia, a ideia é fazer a autenticação do cliente “de forma silenciosa”.

Para isso, a ferramenta avalia, entre outras informações, a intensidade que o usuário toca a tela de um smartphone, a ordem de serviços bancários que ele normalmente acessa e a velocidade com que ele digita.

Ilustração Marcelo Cipis

Para captar essas características, o sistema precisaria de cinco ou sete acessos à conta. A informação é armazenada e usada para confirmar se quem tenta acessar uma conta é, de fato, o cliente a quem ela pertence.

Caso o sistema detecte um padrão de uso diferente do registrado e não identifique se é mesmo o cliente quem tenta acessar a conta, outros passos de verificação, como o token, podem ser usados.

Sanchez afirma que, apesar de a biometria comportamental funcionar melhor nos celulares, por ter mais informações disponíveis para analisar, ela também funciona em computadores.

FOCO NO MOBILE

Um estudo feito pela consultoria Deloitte para a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) mostra que aplicativos mobile, mais do que os sites, são hoje o principal canal usado pelos brasileiros para transações digitais. Os canais digitais, juntos, cresceram 27% em 2016 em relação a 2015, segundo o estudo.

O crescimento do uso da tecnologia nos serviços bancários, no entanto, traz consigo a ameaça de crimes digitais. Os golpes estão cada vez mais refinados: em outubro de 2016, um banco brasileiro sofreu um ataque em que criminosos usaram seu endereço digital, levando os clientes a uma página falsa que roubava seus dados —na própria URL do banco.

Um relatório divulgado em fevereiro pelo instituto Ponemon, especializado em segurança digital, estima que os serviços financeiros são o setor que mais sofre ataques digitais. Os prejuízos foram de mais de U$ 16,5 bilhões (R$ 52 bi) em 2016 no mundo todo.

Para combater isso, no ano passado os bancos brasileiros investiram R$ 2 bilhões em segurança digital —de um total de R$ 18,6 bilhões aplicado em tecnologia.

Um valor semelhante pôs o país entre os dez que mais gastavam com tecnologia bancária em 2015, segundo edição anterior do estudo da Deloitte —comparação mais recente não foi divulgada.

“Os bancos se preocupam muito com essas questões”, diz o advogado especialista em direito digital Caio César Carvalho Lima. “O Judiciário geralmente tende a responsabilizar o banco, não o cliente [em caso de fraude]”.

OUSADIA

No outro lado da história estão oponentes cada vez mais sofisticados. Segundo Paulo Pagliusi, diretor de serviços de riscos cibernéticos da Deloitte, o criminoso digital brasileiro é ousado.

“Ele age sem medo da polícia e não usa a web oculta, a deep web. Faz às claras”, diz. Além disso, diz Pagliusi, são persistentes e muitas vezes focam num alvo específico.

Eles podem ser tanto hacktivistas quanto pessoas ligadas ao crime organizado. Outro risco são os “insiders” —pessoas de dentro do banco, afirma Pagliusi. Por isso, ele recomenda que as empresas tenham um bom plano para quando forem atacadas. “Os maiores bancos estão preparados. O país é um dos líderes de tecnologia bancária”, diz.

Conheça os truques e evite as fraudes

OS GOLPES

‘Golpe do motoboy’: Fraudadores ligam para o cliente e questionam uma suposta compra no cartão. Pedem as senhas para supostamente bloquear o cartão e oferecem mandar um motoboy ao cliente para recolher o cartão para “perícia”

Ataque pela internet: Usuário recebe link ou arquivo por e-mail que, ao ser clicado, altera configuração de segurança do computador, permitindo acesso remoto por fraudadores

Mensagens falsas: Por email ou celular, a pessoa recebe mensagens com link que leva para páginas falsas que capturam as informações do cliente

‘Phishing’: Golpista envia mensagens eletrônicas que se passam por comunicação oficial do banco (ou outro site popular); é comum essa mensagem informar que, se a pessoa não fizer os procedimentos que estão naquele email haverá consequência séria, só que ao clicar no link o usuário é redirecionado para uma página falsa do banco

Você sabe, mas é bom reforçar

  • Nunca dê a senha a terceiros e nem use números previsíveis para a senha (data de aniversário etc.)
  • Sempre confira se é mesmo o seu cartão antes de guardá-lo
  • Informe imediatamente ao banco a perda, roubo ou extravio de cartão, e peça o cancelamento
  • Jamais use celular de terceiros para acessar os serviços do seu banco
  • Acompanhe periodicamente os lançamentos em sua conta corrente e se constatar algo irregular, entre em contato com o banco no computador
  • Mantenha sistema operacional, softwares e antivírus atualizados
  • Evite reutilizar e troque periodicamente sua senha de acesso ao banco pela internet
  • Nunca use computadores públicos ou desconhecidos para operações bancárias
  • Nunca abra emails ou arquivos de origem desconhecida
  • Evite acessar sua conta a partir de redes wi-fi públicas ou desconhecidas
  • Lembre-se de usar a opção “sair” quando encerrar o uso do internet ou mobile banking

Como evitar páginas falsas

  • A página falsa, em geral, não terá a URL padrão do banco; é bom sempre conferir o endereço do site
  • O melhor é digitar o endereço do site diretamente na barra de endereço, em vez de clicar nos links recebidos por email
  • Tente colocar uma senha errada para fazer o acesso. Um site verdadeiro saberá alertar que você digitou a credencial incorreta
  • Ao acessar seu banco, forneça apenas uma posição do seu cartão de segurança
  • Sempre que ficar em dúvida, entre em contato com a central de relacionamento do seu banco ou com o gerente

Fontes: Febraban e Cert.br

(RAPHAEL HERNANDES)

FONTE: http://m.folha.uol.com.br/mercado/2017/05/1887324-biometria-comportamental-vira-arma-de-bancos-contra-crimes-digitais.shtml?mobile#

TELA CHEIA, CÉREBRO VAZIO

29/05/2017 às 3:01 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Mais que um simples artigo, um sério alerta !

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TELA CHEIA, CÉREBRO VAZIO

Terceirizar memória, cálculos, e gramática para o smartphone está nos deixando menos ‘smart’’ ? Neurocientistas que estudam o impacto da tecnologia sobre a mente apontam que sim

O celular que acessa a internet, grava vídeos, toca música, armazena milhares de livros, conta quantas calorias você ingeriu no almoço e não sai do seu lado nem na hora de dormir está fazendo suas faculdades mentais murcharem?

Ainda é cedo para dizer com certeza, mas há indicações preocupantes de que um anúncio na linha “O Ministério da Saúde adverte: uso excessivo de smartphone emburrece” não é ficção científica.

A telefonia móvel turbinada seda, na verdade, apenas o símbolo de um problema maior – no caso, o excesso de estimulação e exposição simultânea a múltiplas mídias que tem se tornado cada vez mais comum no último par de décadas.

Diversos estudos indicam que há uma correlação entre esses estímulos incessantes e coisas como reduzida capacidade de memória, dificuldade de filtrar informações irrelevantes,
problemas de impulsividade e falta de empatia.

Ainda não está claro se a avalanche de mídias eletrônicas está causando esses problemas ou apenas os potencializa, mas os dados disponíveis até agora sugerem que mais cautela no
uso desses dispositivos não faria mal, em especial por parte de pessoas cujo sistema nervoso ainda está em franco desenvolvimento (ou seja, crianças e adolescentes).

MMs

Os neurocientistas e psicólogos que estudam o impacto das tecnologias sobre a mente humana têm avaliado com especial atenção os efeitos do chamado MM {sigla inglesa de “media multitasking” ou “uso multitarefa de mídias”).

O comportamento MM é, obviamente, muito facilitado pela posse de um smartphone – ouvir música e usar um aplicativo de mensagens ao mesmo tempo, por exemplo (talvez com a
TV ligada ao fundo).

O grupo coordenado pelo psicólogo Anthony Wagner, da Universidade Stanford (EUA), foi um dos primeiros a analisar de forma quantitativa o desempenho cognitivo de jovens classificados como HMMs {intensos usuários multitarefa de mídias) e LMMs (usuários “leves”).

Em um dos estudos da equipe, que saiu na revista “PNAS”, havia duas tarefas simples (veja infográfico). Em uma delas, os jovens tinham de dizer se a posição de alguns retângulos vermelhos na tela do computador tinha mudado – e, ao mesmo tempo, não prestar atenção nos retângulos azuis que também apareciam na tela.

Os ‘usuários intensos’, que poderíamos comparar a viciados em smartphone, saíram-se significativamente pior. No caso das letras e números, o curioso é que eles tinham mais dificuldade de alternar entre os dois tipos de estímulo, embora supostamente estivessem mais habituados a lidar com dois tipos de informação ao mesmo tempo.

Em outra pesquisa de Wagner, desta vez no periódico “Psychonomic Bulietin & Review”, os pobres ‘usuários intensos’ também mostraram ter desempenho pior na chamada memória de trabalho (a que as pessoas usam para guardar por alguns instantes um número de telefone antes de discá-lo, por exemplo) – e, o que é mais preocupante, esse efeito parece se refletir na memória de longo prazo.

No que diz respeito à memória, resultados parecidos foram obtidos por Betsy Sparrow e colegas da Universidade Columbia (EUA) em artigo na revista “Science”.

Os pesquisadores chegaram a usar o termo “efeito Google” porque as pessoas tinham mais dificuldade para recordar informações quando sabiam que elas estavam salvas no computador no qual participavam do estudo.

Os efeitos citados acima já poderiam ser considerados ruins se tivessem apenas relação com o aprendizado, mas outros estudos mostram ainda que o MM mexe com coisas como o controle da impulsividade, das frustrações e das relações sociais.

Adolescentes do Canadá viciados em trocar mensagens, por exemplo, são mais
propensos a mostrar preconceito em relação a pessoas que não fazem parte de
seu grupo social ou étnico e a valorizarem dinheiro e aparência física.

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DILEMA DE TOSTINES

Segundo Wagner, é preciso reconhecer que há um certo “dilema de Tostines” nesses dados. Pode ser que as pessoas que naturalmente já são mais dispersas e com baixo controle de impulsividade sejam atraídas naturalmente para o uso excessivo de mídias eletrônicas, e não que cérebros serenos estejam sendo destruídos pelos aparelhos.

“Acho o tópico fascinante, porque estamos entrando numa outra fase da evolução”, analisa o neurocientista Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio
Grande do Norte). “Já somos ciborgues, estamos terceirizando memórias de trabalho, cálculos, gramática etc.”

Um impacto possível dessa explosão a longo prazo seria a diminuição da criatividade humana, uma vez que o ócio cerebral – o descanso sem estímulos significativos – ajudaria a criar conexões entre temas díspares e a ter ideias inovadoras. Ribeiro é menos pessimista.

“Essa questão é uma faca de dois gumes. O.computador e a internet aumentam imensamente o poder de criar, embora possam matar o devaneio do ócio. A variância está aumentando – vejo um futuro com mais gênios e mais idiotas. Depende do modo de usar a tecnologia.”

(Reinaldo José Lopes)

FONTE: Revista VILLA MAGAZINE, Lauro de Freitas – BA, maio/2017

Cambridge lança ferramenta gratuita que corrige seus textos em inglês na hora

08/05/2017 às 3:44 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Muito interessante essa iniciativa. Mas é como o autor do artigo diz em seu final: vamos aguardar para ver algo parecido a ser usado para textos em Português.

Cambridge


Cambridge lança ferramenta gratuita que corrige seus textos em inglês na hora

Nada como ter um editor pronto pra te ajudar a escrever melhor

Escrever não é uma ciência exata. Há, literalmente, infinitas formas de se encadear o pensamento em uma certa linha do tempo, com um determinado ritmo que pode ser mais ou menos envolvente.

E, com certeza, você sempre pode fugir ao padrão e produzir algo fantástico, dando o dedo do meio às regras ortográficas.

Ainda assim, como tudo na vida, há uma enorme chance de certas práticas serem melhor assimiladas do que outras. Ou, por familiaridade, uma forma de escrever ter chances de ser melhor lida e aceita.

Descobrir quais são esses caminhos menos tortuosos pode demorar anos. E, lá no final, não há garantia alguma de que, dominando todas as técnicas, você se torne o próximo Drummond.

Quando você precisa escrever em um outro idioma, então, as dificuldades oriundas da não-imersão na tal língua se fazem perceptíveis. Há certos traquejos que você só aprende uma vez que vive o idioma.

A Universidade de Cambridge criou a ferramenta Write & Improve para que qualquer pessoa possa corrigir de forma gratuita suas redações em inglês.

Basta enviar o texto e em alguns instantes a ferramenta analisa e retorna com feedbacks sobre gramática, vocabulário e dicas sobre o que pode ser melhorado. Então, você pode refazer o artigo baseado nos comentários e enviar novamente para análise.

O Write & Improve também retorna um gráfico que mostra o seu progresso e meio que gamifica o processo de aperfeiçoamento da escrita, dando pequenas “premiações”.

Agora já queremos uma assim para o nosso bom e velho português. Quando será que rola?

FONTE: https://www.papodehomem.com.br/cambridge-lanca-ferramenta-gratuita-que-corrige-seus-textos-em-ingles-na-hora

Despreparada para a era digital, a democracia está sendo destruída’, afirma guru do ‘big data’

06/05/2017 às 3:49 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Confiram essa entrevsita com um dos maiores especialistas em “big data” do mundo. São alarmantes os dados que ele coloca, destaco apenas alguns:

 

… os pesquisadores detectaram que com 150 curtidas o algoritmo podia prever sua personalidade melhor que seu companheiro. Com 250 curtidas, o algoritmo tem elementos para conhecer sua personalidade melhor do que você.

 

É preciso refletir e reinventar a democracia representativa. Caso contrário, ela pode facilmente se converter em ditadura da informação.

 

A democracia não está preparada para a era digital e está sendo destruída.

 

A ideia do mandato representativo, como criado peos “pais fundadores” dos EUA, era: confiamos em você como pessoa e você lidera e toma decisões em nosso nome. Agora os políticos medem sua popularidade no Facebook e mudam o discurso ao vivo para ajustá-lo aos comentários do Twitter.


‘Despreparada para a era digital, a democracia está sendo destruída’, afirma guru do ‘big data’

 

Martin Hilbert

Martin Hilbert, assessor de tecnologia da Biblioteca do Congresso dos EUA, investigou a disponibilidade de informação no mundo de hoje

Quando Martin Hilbert calcula o volume de informação que há no mundo, causa espanto. Quando explica as mudanças no conceito de privacidade, abala. E quando reflete sobre o impacto disso tudo sobre os regimes democráticos, preocupa.

“Isso vai muito mal”, adverte Hilbert, alemão de 39 anos, doutor em Comunicação, Economia e Ciências Sociais, e que investiga a disponibilidade de informação no mundo contemporâneo.

Segundo o professor da Universidade da Califórnia e assessor de tecnologia da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, o fluxo de dados entre cidadãos e governantes pode nos levar a uma “ditadura da informação”, algo imaginado pelo escritor George Orwell no livro 1984.

Vivemos em um mundo onde políticos podem usar a tecnología para mudar mentes, operadoras de telefonia celular podem prever nossa localização e algoritmos das redes sociais conseguem decifrar nossa personalidade melhor do que nossos parceiros, afirma.

Com 250 ‘likes’; o algoritmo do Facebook pode prever sua personalidade melhor que seu parceiro

Hilbert conversou com a BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, sobre a eliminação de proteções à privacidade online nos EUA, onde uma decisão recente do Congresso, aprovada pelo presidente Donald Trump, facilitará a venda de informação de clientes por empresas provedoras de internet.

Confira os principais trechos da entrevista:

Donald Trump

Trump usou redes sociais para alcan;ar o poder e suas decisões estão fortalecendo empresas que coletam dados dos cidadãos

BBC: Qual é sua opinião sobre a decisão do Congresso dos EUA de derrubar regras de privacidade na internet?

Martin Hilbert: Os provedores de internet buscam permissão para coletar dados privados dos clientes há muito tempo – incluindo o histórico de navegação na web – e compartilhar com terceiros, como anunciantes e empresas de marketing.

Um provedor de internet pode ver suas buscas na internet – se, por exemplo, você assiste Netflix ou Hulu. Essa informação é valiosa, porque poderiam orientar sua publicidade a residências que usam seus serviços.

Enquanto isso parece ser um ato grave, liberado pelo novo governo dos EUA, há que reconhecer que nos últimos 30 anos os órgãos reguladores das telecomunicações nos EUA se afastaram de uma de suas metas originais: o benefício da sociedade. E se moveram no sentido de favorecer as empresas.

BBC: Os provedores de internet diziam que as regras não se aplicaram a grandes coletores de dados como Facebook ou Google. Como vê esse argumento?

Hilbert: Tem certa razão. Mas há uma diferença: para o Facebook, seu negócio são os dados que tem, trata-se de uma empresa de dados. A questão é se classificamos ou não os provedores de internet como provedores de dados.

Facebook

Cada “like” no Facebook diz muito sobre você

Muitos provedores de telecomunicações inclusive estão começando a vender dados. Por exemplo: uma operadora de telefonia celular sabe onde você está em cada segundo. Então também podem vender essa informação? É preciso redefinir esses diferentes âmbitos. O órgão regulador precisa estar preparado e encontrar um equilíbrio em cada país.

BBC: Isso mostra a dificuldade de proteger a privacidade hoje?

Hilbert: A pergunta certa é que privacidade as pessoas querem. E a verdade é que as pessoas não estão tão preocupadas. O que ocorreu depois de todas as revelações de Edward Snowden? Nada. Disseram: “Não é bom que vejam minhas fotos íntimas”. E no dia seguinte continuaram. Ninguém foi protestar.

BBC: Consideremos uma pessoa adulta que hoje usa um celular, um computador. Quanta informação pode ser coletada sobre essa pessoa?

Hilbert: No passado, a referência de maior coleção de informação era a biblioteca do Congresso americano. E hoje em dia a informação disponível no mundo chegou a tal nível que equivale à coleção dessa biblioteca por cada 15 pessoas.

Há um monte de informação por aí, e ela cresce rapidamente: se duplica a cada dois anos e meio. A última fez que fiz essa estimativa foi em 2014. Agora deve haver uma biblioteca do Congresso dos EUA por cada sete pessoas. E em cinco anos haverá uma por cada indivíduo.

Há uma nova avaliação sobre como interpretar a privacidade. E as gerações jovens têm um conceito totalmente diferente do que é privacidade ou não.

Arquivo pessoal

Se colocássemos toda essa informação em formato de livros e os empilhássemos, teríamos 4,5 mil pilhas de livros que chegariam até o Sol. Novamente, isso era há dois anos e meio. Agora seriam 8 ou 9 mil pilhas chegando ao Sol.

E a informação que você produz cresce basicamente no mesmo ritmo: estima-se que haja 5 mil pontos de dados disponíveis para análise por morador dos EUA. São coisas que deixamos no Facebook, por exemplo. O volume de dados que deixamos de verdade é difícil de estimar, porque é quase um contínuo: você tem o celular consigo a cada segundo e deixa uma pegada digital. Então cada segundo está registrado por diversas empresas.

BBC: Pode dar exemplos?

Hilbert: Sua operadora de celular sabe onde você está graças a seu celular. O Google também sabe, porque você tem Google Maps e Gmail no seu telefone. E cada transação que faz com seu cartão de crédito é um ponto de dados, cada curtida no Facebook. Inclusive pode haver registros de como você movimenta o mouse ao usar a internet.

Logotipo do Google

Google tambiém sabe de você, porque, entre outros motivos, possui Google Maps e Gmail em seu telefone

BBC: Mas essa informação não está reunida em apenas um lugar ou por uma empresa. Até que ponto podemos ser previsíveis para uma empresa que coleta dados sobre nós?

Hilbert: Vou dar vários exemplos. Seu telefone te mostra quantas chamadas fez. A operadora deve coletar essas informações para processar sua conta. Eles não se preocupam com quem e o que falou. É apenas a frequência e duração de suas chamadas, algo conhecido como metadados. Com isso é possível fazer uma engenharia reversa e reconstruir um censo completo de um país com cerca de 80% de precisão: gênero, famílias, renda, educação.

Se tenho informação mais detalhada – por exemplo, se a operadora registra seus deslocamentos por meio das conexões às antenas. É possível prever com até 95% de precisão onde você estará em dois meses, e em que hora do dia.

Você tem o celular consigo a cada segundo e deixa uma pegada digital; cada segundo está registrado por diversas empresas

Passemos ao Facebook, que tem um pouco mais de informação, Há, por exemplo, as “curtidas”, o que você gosta e quando. Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, fizeram testes de personalidade com pessoas que franquearam acesso a suas páginas pessoais no Facebook, e estimaram, com ajuda de um algoritmo de computador, com quantas curtidas é possível detectar sua personalidade.

Com cem curtidas poderiam prever sua personalidade com acuidade e até outras coisas: sua orientação sexual, origem étnica, opinião religiosa e política, nível de inteligência, se usa substâncias que causam vício ou se tem pais separados. E os pesquisadores detectaram que com 150 curtidas o algoritmo podia prever sua personalidade melhor que seu companheiro. Com 250 curtidas, o algoritmo tem elementos para conhecer sua personalidade melhor do que você.

BBC: Para que essa informação é usada?

Hilbert: Para uma empresa de marketing ou um político em busca de votos, é algo muito interessante. Com o chamado big data (análise de grandes volumes de dados oriundos do uso de internet) também elevamos muito o poder de previsão das Ciências Sociais. Desenvolver um algoritmo de inteligência artificial pode custar milhões de dólares. Mas uma vez criado pode ser aplicado a todos. Então é algo que está sendo empregado rapidamente em outros países.

A operadora de celular Telefônica, bastante ativa na América Latina, trabalhou muito em previsão de localização. E até já começou a vender ese tipo de informação. Então caso você queria abrir uma empresa em alguma capital da América Latina para vender gravatas. você paga e te dizem em que hora e onde os homens caminham. E você fica sabendo em qual saída do metrô deve instalar sua loja.

Big data

A operadora Telefônica começou a vender o chamado Big Data nos EUA

BBC: A questão é o quão perigoso é tudo isso, essa forma como estão coletando dados que permitem fazer previsões sobre os indivíduos e a sociedade em geral.

Hilbert: Uma tecnologia é apenas uma ferramenta. Pode-se usar um martelo para coisas boas, como erguer uma casa, mas também para matar alguém. Nenhuma tecnologia é tecnologicamente determinada, sempre é socialmente construída.

Não me preocupo tanto com o comércio ou com a economia. Quem não está preparada para esta transparência brutal entre cidadão e representante é a democracia representativa.

BBC: Por quê?

Hilbert: Porque a democracia representativa, como a inventaram nos EUA, é umprocesso de filtrar informação. Há 250 anos era impossível consultar todas as pessoas e as pessoas tampouco estavam informadas. Então os “pais fundadores” da nação americana inventaram um filtro de informação que chamaram de representação: ter representantes que em seu nome deliberam e definem o que serve à sociedade. Rompemos isso completamente.

Os representantes hoje podem ter acesso a tudo o que os cidadãos fazem. E os cidadãos podem ditar a vida dos representantes, com tuítes e outros recursos. A democracia representativa não está preparada para isso.

É o que vemos agora, com a última eleição nos EUA e como o novo presidente usa as mídias sociais – é parte dessa confusão em que estamos.

É preciso refletir e reinventar a democracia representativa. Caso contrário, ela pode facilmente se converter em ditadura da informação. E atentem que a visão mais antiga da sociedade da informação é de 1948, quando George Orwell publicou seu livro 1984. A visão era de uma ditadura da informação.

Capa do liveo

O romance “1984” de George Orwell aborda uma sociedade futurista governada por um ‘partido”‘, que controla todos os aspectos da vida dos cidadãos.

Se alguém dissesse isso há dez anos, certamente seria contestado pela maioria que acreditava que a internet era democracia pura e liberdade. Mas hoje pessoas começam a entender a necessidade de atuação rápida. A democracia não está preparada para a era digital e está sendo destruída.

Estamos num processo que (o economista austro-americano Joseph) Schumpeter chamou de destruição criativa. E não teremos nenhuma criatividade, porque não há proposta de como fazê-la de modo diferente. Não há uma saída, e isso preocupa.

BBC: Pode dar exemplos práticos dessa destruição?

Hilbert: (O ex-presidente americano Barack) Obama entende muito bem de big data. Depois do caso Snowden muitos perguntaram porque Obama nada fez. Bom, porque ele também o usou muito.

A maior despesa da campanha de Obama em 2012 não foi para comerciais de TV: criou-se um grupo de 40 engenheiros recrutados em empresas como Google, Facebook, Craigslist, e que incluiu até jogadores profissionais de pôquer. Pagou milhões de dólares para o desenvolvimento de uma base de dados de 16 milhões de eleitores indecisos: 16 milhões de perfis com diferentes dados: tuítes, posts do Facebook, onde vivem, o que assistiam na TV.

É preciso reinventar a democracia representativa. Caso contrário, ela facilmente se converte em ditadura da informação

Quando a campanha conhecia suas preferências, se um amigo seu no Facebook dava uma curtida na campanha de Obama, a equipe ganhava acesso à página desse amigo e passava e enviar mensagens.

E conseguiram mudar a opinião de 80% das pessoas alcançadas desta maneira. Com isso, Obama ganhou a eleição. È como uma lavagem cerebral: não mostra a informação, apenas o que querem escutar.

BBC: Como o big data está alterando as formas de governar?

Hilbert: O representante político tem muita informação sobre você, mas o inverso também é verdade. Veja o presidente Trump, que muitas vezes reage em tempo real ao que as pessoas dizem. É como alguém se convertesse em uma marionete do que recebe pela TV ou pelo Twitter.

Trump no Twitter

Em uma nova forma de governar, Donald Trump muitas vezes reage em tempo real, via Twitter, ao que as pessoas dizem

A ideia do mandato representativo, como criado peos “pais fundadores” dos EUA, era: confiamos em você como pessoa e você lidera e toma decisões em nosso nome. Agora os políticos medem sua popularidade no Facebook e mudam o discurso ao vivo para ajustá-lo aos comentários do Twitter. Isso não é a ideia que foi desenhada. Os grandes presidentes não se guiaram por populismo: eles lideraram.

BBC: Teria uma proposta de solução para esse problema?

Hilbert: A história mostra que é preciso mudar as instituições. Não é possível controlar quem tem dados e quem não tem. Pode-se criar instituições e determinar que algumas informações serão abertas ao público. Por exemplo: os partidos políticos devem declarar as doações que recebem. Mas vão abrir os dados das pessoas?

Abrir também não é a solução, Mas é preciso discutir muito esse assunto. E as pessoas não discutem.

Também é preciso mudar a tecnologia. A tecnologia não é algo que cai do céu. Há muitas oportunidades. Numa entrevista de emprego, por exemplo, a inteligência artificial poderia ser muito mais neutra do que um gerente de recursos humanos que possa discriminar alguém inconscientemente. Poderíamos abandonar padrões muito antigos e criar o futuro que queremos.

(Gerardo Lissardy, da BBC )

FONTE: http://www.bbc.com/portuguese/geral-39535650?ocid=wsportuguese.chat-apps.in-app-msg.whatsapp.trial.link1_.auin

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