UMA VELA NA ESCURIDÃO

18/08/2018 às 3:38 | Publicado em Artigos e textos, Baú de livros, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Ao ler o título deste artigo do Professor Carlos Zacarias de Sena Júnior não me lembrei de pronto do livro de Carl Sagan “O MUNDO ASSOMBRADO PELOS DEMÔNIOS – A CIÊNCIA VISTA COMO UMA VELA NA ESCURIDÃO”. Mas depois de ler o texto vejo que tem tudo a ver. Esse livro foi certamente um dos melhores que li na vida. Recomendo fortemente !

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UMA VELA NA ESCURIDÃO

Ouvi falar pela primeira vez em fake news há cerca de cinco anos. De lá para cá descobri que a vacina de febre amarela havia provocado a morte de um adolescente de 17 anos e que vacinas da gripe estavam levando velhinhos para o hospital; soube que Bolsonaro foi considerado o político “mais honesto do mundo”, que Lulinha era dono da Friboi, que dona Marisa Letícia está viva e morando na Itália e que Marielle Franco foi casada com Marcinho VP, com quem teve um filho. Nos últimos dias circulou a notícia de que Lurian, filha de Lula, foi flagrada bêbada no aeroporto xingando Bolsonaro. As histórias não são poucas, mas, de tão sensacionais, logo repercutem, sem que ninguém se dê ao trabalho de conferir se é verdade.

Notícias falsas não são novidade na história da humanidade. Novo é a forma rápida como se replicam e ajudam a destruir ou construir reputações. Nos últimos anos, notícias falsas têm preocupado as autoridades pela forma devastadora como funcionam. Ao que se sabe, a eleição de Trump teve uma forte ajuda de fake news espalhadas pelas redes sociais. Com o alerta aceso e já se precavendo para uma eventual onda de processos que poderão surgir no período eleitoral brasileiro, o Facebook removeu 197 páginas e 87 perfis considerados como promotores de notícias falsas e fontes de desinformação. O MBL e o Vem pra Rua, grupos de extrema-direita que ajudaram a replicar algumas das fake news descritas acima, juram que as páginas removidas não são suas, mas foram para a porta do Facebook protestar.

A mente humana é propensa a acreditar no mágico e no fantasioso. Há milhares de anos a humanidade reproduz narrativas fantásticas sobre tantas coisas, que quase nos acostumamos com os absurdos. Em sua travessia pelo Atlântico, Colombo anotou em seu diário que havia avistado sereias, mas surpreendeu-se com o fato de que não eram tão belas quanto ouvira falar. O exercício do ceticismo é necessário, mas até mesmo a nossa maneira de desconfiar revela tendência pela fantasia. Em pleno século XXI há pessoas que não acreditam que o homem foi à Lua, mas têm quase certeza de que fomos visitados por ETs e estão certos de que os ovos que compramos no carro do ovo foram fabricados com plástico pelos chineses.

Na década de 1990, o astrônomo norte-americano Carl Sagan publicou um maravilhoso livro, O mundo assombrado pelos demônios. Sagan pretendia ajudar as pessoas a pensarem de maneira mais crítica e oferecia a ciência como alternativa. Entre os bons argumentos que trouxe para exemplificar a forma como a humanidade sucumbia ao obscurantismo, Sagan se referiu ao fato de que ninguém pode lhe convencer de que não há um dragão na sua garagem se você estiver realmente disposto a acreditar nisso. A verdade não é tão relativa como se supõe, mas podemos nos aproximar dela com um pouco de inteligência e um tanto de evidência. É só pensar e pesquisar.

(Carlos Zacarias de Sena Júnior)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 03.08.2018

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16 sites de pesquisa

26/07/2018 às 3:44 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Essas dicas vêm do Blog do Sistema de Bibliotecas da UCS – Universidade de Caxias do Sul. São buscadores com conteúdos confiáveis e úteis para pesquisa de qualquer natureza, notadamente as acadêmicas. pesquisa

Scielo – Scientific Electronic Library Online.  É uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos.

Dialnet – é uma das maiores bases de dados com conteúdos científicos nas línguas ibero-americanas e conta com vários recursos: artigos de revistas, revisões bibliográficas, livros, anais de congressos, teses de doutorado. O objetivo é integrar o maior número possível de conteúdos, fornecendo, na medida do possível, acesso a textos completos.

WorldWideScience – é um porta para a ciência global, composto por bases de dados nacionais e internacionais e portais científicos. É multilíngue e fornece em tempo real os resultados da pesquisa e a tradução do conteúdo.

Google Acadêmico – fornece de uma maneira simples acesso à conteúdos acadêmicos.  É uma ferramenta de pesquisa do Google que permite pesquisar em trabalhos acadêmicos, literatura escolar, jornais de universidades e artigos variados.

Scholarpedia – é uma enciclopédia de acesso gratuito a textos revisados ​​e mantidos por especialistas acadêmicos de todo o mundo. Scholarpedia se inspira na Wikipédia e tem como objetivo fornecer um tratamento aprofundado aos conteúdos acadêmicos.

Academia.edu – é uma plataforma para que os acadêmicos possam compartilhar seus trabalhos de pesquisa. São mais de 33 milhões de acadêmicos inscritos, 10 milhões de artigos e aproximadamente 2 milhões de pesquisas adicionadas.

Springer Link – proporciona aos pesquisadores acesso a milhões de documentos científicos de revistas, livros, séries, protocolos e trabalhos de referência.

RefSeek – é um mecanismo de busca na web para estudantes e pesquisadores que visa tornar a informação acadêmica acessível a todos. RefSeek busca em milhões de documentos, incluindo páginas da web, livros, enciclopédias, revistas e jornais. Oferece aos estudantes uma ampla cobertura de assuntos sem sobrecarregar o mecanismo de busca, aumentando assim a visibilidade de informações acadêmicas, muitas vezes perdidas em links patrocinados e resultados comerciais.

CERN Document Server – acesso a artigos, relatórios e conteúdos multimídia sobre física de partículas.

Microsoft Academic – é um mecanismo de busca gratuito para publicações e conteúdos acadêmicos. A pesquisa é semântica, fornecendo resultados relevantes e atualizados.

JURN – é uma ferramenta de busca única para encontrar artigos acadêmicos e livros gratuitos. Oferece um ampla cobertura de revistas eletrônicas nas áreas de artes e humanidades e do mundo natural e ecologia. JURN aproveita ao máximo o Google, mas concentra sua pesquisa através de um índice desenvolvido e aperfeiçoado por seis anos pela equipe do site.

Ciencia.Science.gov – busca em mais de 60 bases de dados e em mais de 2.200 sites de 15 agências federais, oferecendo 200 milhões de páginas de informação científica dos Estados Unidos, incluindo resultados de pesquisa e desenvolvimento.

BASE – Bielefeld Academic Search Engine. É um dos buscadores com mais quantidade de informação do mundo, especialmente para recursos acadêmicos de acesso aberto, desenvolvido pela Biblioteca da Universidade de Bielefeld na Alemanha. BASE oferece mais de 80 milhões de documentos de mais de 4.000 fontes, com acesso a textos completos de aproximadamente 60-70% dos conteúdos indexados.

ERIC – disponibiliza recursos relacionados à educação atual para a pesquisa e a prática.

ScienceResearch.com – coloca à disposição do público a sua tecnologia capaz de pesquisar na “deep web” e fornecer resultados de qualidade, apresentando conteúdos de outros sites de pesquisa. Os resultados são obtidos nas 300 coleções de ciência e tecnologia, eliminando os conteúdos duplicados e mostrando por relevância as informações, conforme a pesquisa.

iSEEK Education – é um buscador específico que reúne diversos recursos de universidades, do governo e dos provedores não comerciais estabelecidos. Proporciona uma pesquisa inteligente e uma biblioteca pessoal baseada na web para ajudar a localizar rapidamente os resultados mais relevantes.

FONTE: https://bibliotecaucs.wordpress.com/2018/02/23/16-sites-de-pesquisa-academica-que-farao-voce-esquecer-do-google/

Dicas para leitura

09/07/2018 às 3:57 | Publicado em Baú de livros, Zuniversitas | 1 Comentário
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Seguem duas dicas de iniciativas interessantes sobre leitura. Originalmente li uma matéria sobre esses sites no jornal Correiobraziliense faz alguns meses. Vale a pena conferir !


CONTÉM UM CONTOhttp://contemumconto.strikingly.com/

 

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LEIABRASILEIROShttp://www.leiabrasileiros.com.br/

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As empresas de tecnologia ficaram poderosas demais

16/06/2018 às 3:49 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Muito interessante e atual esse tema e essa entrevista. Faço três observações:

1 – Infelizmente isso de “direito ao esquecimento” não existe na prática da grande rede. No mesmo instante em que alguém posta algo sobre alguém na Internet, isso já pode estar quase automaticamente no computador ou equipamento semelhante de outra pessoa. Assim, não há que se falar em “esquecimento” porque a informação se multiplica e se “multi-arquiva” em vários locais na rede.

2 – Uma das coisas mais interessantes que esse advogado conseguiu foi num caso concreto “resolver” a questão complicada da territorialidade em causas relativas à Internet. Nascido na França, isso pode servir como uma espécie de jurisprudência que pode ser aplicada em outros países.

3 – A questão do valor foi também muito bem observada. O que é uma multa de 1000 dólares para uma gigante como a Google ? Mas certamente que 4% do seu faturamento anual já é algo que a empresa iria se preocupar.


‘As empresas de tecnologia ficaram poderosas demais’, diz advogado que venceu ação contra Google

Para o dinamarquês Dan Shefet, domínio cada vez maior de gigantes como Google e Facebook representa ameaça à democracia

Dan Shefet, advogado dinamarquês, estará no Brasil para evento do Projeto i2030

 

Dan Shefet, advogado dinamarquês, estará no Brasil para evento do Projeto i2030

De fala mansa, o advogado dinamarquês Dan Shefet, de 63 anos, tem viajado pelo mundo para atacar alguns dos maiores problemas que a internet enfrenta hoje, de escândalos de privacidade à disseminação de notícias falsas. Radicado em Paris, Shefet lidera a ONG Association for Accountability and Internet Democracy (AAID), que defende a criação de boas práticas e, quando necessário, regulação para serviços de internet.

Shefet se tornou conhecido em 2013, após vencer o Google na Justiça francesa. Depois que uma pessoa passou a disseminar informações falsas sobre ele na web, o advogado entrou com um processo pedindo a retirada dos respectivos links dos resultados de busca do Google. A decisão favorável da corte francesa em seu caso foi uma das primeiras a garantir o “direito ao esquecimento” – reconhecido por países europeus – na era da internet.

Nesta semana, Shefet está no Brasil para três seminários promovidos pelo Projeto i2030, iniciativa liderada pelo brasileiro Tadao Takahashi, pioneiro na implantação da internet no Brasil e fundador da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), em associação com diversas instituições do setor de tecnologia da informação e comunicação no Brasil.

Leia, a seguir, trechos da entrevista concedida por telefone por Shefet ao Estado:

Estado: Quando o sr. começou a se preocupar com a proteção da privacidade na internet?

Dan Shefet: Quando eu me formei advogado, trabalhei para a IBM e aprendi muito sobre como a tecnologia funciona e quais são as leis que envolvem esse setor. Quando a internet chegou, numa convergência de várias tecnologias, ficou claro que eu continuaria trabalhando nessa área. A questão da privacidade, claro, surgiu como uma consequência dessa convergência e comecei a me preocupar com isso nos anos 2000.

Como o sr. conseguiu vencer o Google na Justiça?

Um dos grandes problemas quando se trata de privacidade online é jurisdição. Em geral, quando um pedido (de retirada de links) é feito a um escritório local de uma empresa como o Google, ele alega que não pode atender porque a responsabilidade é da matriz, que está nos Estados Unidos. Quando eu comecei a estudar esse assunto, identifiquei um conceito novo chamado “elo inextricável”. Em outras palavras, significa em que uma empresa está tão ligada à outra que pode ser responsabilizada em seu lugar. Com base nesse argumento, eu processei o escritório francês do Google – na França e não nos EUA – afirmando que o escritório local da empresa era responsável pelas ações do Google nos EUA. A corte francesa concordou com o meu argumento. Eu diria que ganhei ao provar que um caso local poderia afetar a matriz da empresa.

Por que essa decisão da corte francesa foi importante?

Essa foi uma importante decisão, porque se tornou um precedente para que o escritório local de qualquer empresa, seja Google ou Facebook, possa ser responsabilizado. Antes, era preciso entrar com um processo na Justiça americana.

Como o direito de ser esquecido fez diferença na sua vida?

Para mim, significou muito. O direito ao esquecimento está baseado na ideia de que as pessoas podem errar durante a vida. Você comete um erro e, anos depois, aquilo é esquecido pela sociedade. Em termos legais, depois de um certo tempo, você nem pode ser processado. Mas isso mudou completamente com a internet, porque a internet nunca esquece, a internet não perdoa. Se você comete um erro, não consegue emprego ou financiamento. Isso é completamente errado.

O novo marco legal de proteção a dados pessoais (GDPR) está prestes a entrar em vigor na União Europeia. A lei traz avanços na proteção à privacidade?

A GDPR é a lei mais importante para a internet desde o Telecommunications Act, estabelecido nos EUA em 1996. Desde então, nós temos visto diferentes legislações pelo mundo, mas nada tão importante quanto a GDPR. Ela representa a tentativa mais ampla de proteger a privacidade e de controlar conteúdos na internet que o mundo já viu.

Quais os novos conceitos mais importantes da GDPR?

A GDPR introduz um conceito chamado privacidade por design, que estabelece que as empresas que coletam, processam e armazenam dados precisam ser capazes de justificar porque aquela coleta de dados é importante para que o serviço funcione, do contrário, ele pode ser considerado ilegal. Pela primeira vez nós estamos no controle, não as grandes corporações. Outro fator importante são as multas pesadas. Se uma empresa como Google é multada em € 1 mil, eles não dão a mínima. Agora, elas terão de pagar 4% de sua receita anual global. Elas não vão querer isso, certo? Especialmente se pensarmos que podem se tratar não de uma, mas de centenas de infrações. Isso vai fazer as empresas pensarem melhor em como atender às normas de privacidade de dados.

Por que as gigantes de tecnologia precisam de regulação?

As empresas de tecnologia se tornaram poderosas demais. O poder dessas empresas é uma ameaça à democracia, à liberdade de expressão, ao jornalismo. Nunca, na história da humanidade, tantos dados foram controlados por tão poucos. Isso é muito perigoso.

(Cláudia Tozetto)

FONTE: https://link.estadao.com.br/noticias/empresas,as-empresas-de-tecnologia-ficaram-poderosas-demais-diz-advogado-que-venceu-acao-contra-google,70002319929

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