Ana Júlia

18/06/2018 às 3:23 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Mais um bom conto do amigo Fabrício Junqueira. Assunto atual, estatística preocupante.

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Ana Júlia

Ana Júlia não era a música, era agora um número, mais um número sem cor, reação ou vida. Não era mais a menina bonita que na infância tinha festinhas da Xuxa e da Moranguinho, também não era a adolescente apaixonada por “New Kids oh the Block “ e que na escola distribuía seu caderno de perguntas aos amigos e principalmente ao paquera da sétima série. Ana Júlia agora é número.
Estudou, brincou, jogava vôlei, juntou muitas economias para comprar seu primeiro telefone móvel, adorava ir a balada nos finais de semana, aprendeu a beber, fumou “Gudan”, pulou carnavais no clube, teve namorados, e adorava comida mexicana…
Até que conheceu alguém, que tocou seu coração. Era de outra cidade, um “moço bom”, diziam suas tias, o “gente boa, amigão”, segundo seu irmão e primos, o “genro dos sonhos, o cara ideal… Não gostava de sair muito, não comia no “mexicano “ e aos poucos foi mostrando que não era apenas seu carro do ano, sua casa na praia ou a conta bancária que era sua, Ana Júlia também.
Então, na primeira discussão veio a primeira ofensa, depois entre outras, um empurrão até um forte tapa no rosto.
Ana Júlia passou a viver um relacionamento abusivo. E não sofria apenas dores físicas. A psicológica era como um mar, que a separava da família, dos amigos, da vida que tanto amava . Era uma mulher aprisionada no medo, não conseguia romper o silêncio que a calava, vivia o terror como se fosse um dia comum. Não foram apenas tapas, os estupros passaram a ser parte de sua vida. Sua única luz era a bebida ou mesmo algum calmante que comprava escondido.
Uma noite acabou perguntando sobre uma amiga que sempre ligava para ele… Acabou sendo espancada mais uma vez, naquela noite, ela contaria sobre sua gravidez, mas não conseguiu, mais uma vez humilhada, em estado de choque, com o coração em frangalhos, escolheu ter uma noite mais longa de sono, e não tomou apenas calmantes…
Após a surra, ele não ficou para dormir em sua casa, ele não estava lá na manhã seguinte, aliás, ele desapareceu por um bom tempo. Ana Júlia dormiu para sempre, virou mais um número, de um país que está matando suas mulheres.
Estatísticas apontam que a cada uma hora e meia, morre uma mulher vítima de feminicídio no Brasil.
Que tenhamos menos números e mais Ana Julias da música…
Não se cale diante da violência contra a mulher.

(Fabrício Junqueira)

FONTE: http://fabriciojunqueira.blogspot.com.br/2018/05/ana-julia.html?m=1

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João sem medo

17/06/2018 às 11:05 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Brasil joga logo mais, estreando nesta Copa de 2018. Em homenagem ao treinador que montou o melhor time de todos os tempos, a Seleção de 70, publico agora esse artigo de Jaguar que me fez lembrar de um livro sobre a vida dele que li há alguns anos. Na época fiz um post aqui neste ZEducando. Grande “João sem medo” !

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João sem medo

Eu morava no Leblon, a cem metros do seu apartamento, no meio do caminho do bar Clipper, onde tomava o primeiro chope do dia. Às vezes dava uma meia-trava no seu apartamento para tomarmos um cafezinho, coado por ele. “O pessoal das Escolas de Samba é sortudo: o desfile é na Sapucaí e não na minha rua. Onde iriam achar rima para Almirante Guíllen?”. Vi na TV o documentário de André Iki Siqueira e Beto Macedo sobre ele. Será exibido na Copa da Rússia, em mostra paralela: o Cinefoot – festival brasileiro de cinema de futebol – com mais dois, Democracia em preto e branco, de Pedro Asberg e Geraladinos, de Pedro Asberg e Renato Martins. Se há um cara que viveu intensamente foi João Saldanha. Aprontou poucas e boas, nos anos 1940, nas peladas na areia organizadas pelo lendário Neném Prancha, com a participação do não menos lendário Heleno de Freitas. Numa época em que ainda não havia motéis, os dois dividiam o aluguel de uma garçonière em Copacabana. Detalhe: em cima de uma funerária. Devia ser o único vizinho a não reclamar, já que a dupla gostava de andar armada e de vez em quando dava uns tirinhos. Sempre melhor que as histórias eram os relatos altamente criativos. Como disse Nelson Rodrigues, que inventou o apelido João Sem Medo: “Os fatos divergem das versões do João Saldanha. Pior para os fatos porque a versão dele é sempre muito melhor que o fato”. E Sandro Moreira emendou de primeira: “Se tudo que o João costumava dizer ter vivido fosse verdade, ele, João, deveria ter uns 250 anos de idade”. Nossos caminhos se cruzaram muitas vezes. Tínhamos namoradas que moravam no mesmo prédio na Djalma Ulrich, em Copacabana. Ficávamos esperando por elas na sorveteria de uns argentinos na esquina da Djalma com Aires Saldanha (nenhum parentesco). Quem visse os dois notórios boêmios chupando picolé àquela hora da tarde levaria um susto. E é sempre de lavar a alma lembrar aquele entrevero do João com o Médici. O ditador queria porque queria Dadá Maravilha na seleção das feras do Saldanha. Comunista militante, fã confesso de Prestes, já acho incrível que tenha sido escalado para técnico da seleção de 70,nos chamados anos de chumbo. Aí o Médici meteu o bedelho e mandou convocar o Dadá. A resposta foi na bucha: “Nem eu escalo ministério nem o presidente escala time”. Uma semana depois foi ejetado da seleção e substituído pelo Zagalo, que, com sua cabeça de formiguinha, fez o que o homem mandou. Mas o prato já estava preparado pelo João. Alguém disse que ele foi o machão que Felipão achou que era. Disse-o bem. Na época, eu participava de um programa de entrevistas na TV . Depois fomos para um boteco em frente e ficamos quase até as 3 da manhã. Garçons e a turma da cozinha fizeram rodinha para ouvir as histórias dele. Bebeu todas e fumou todos, só parava para tossir. Embarcou para a Itália 3 horas depois, para cobrir a Copa. Despediu-se com um “Adeus”. Sabíamos que era o último encontro.

(Jaguar)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 16.06.2018

6 dicas de como ler mais e melhor

08/06/2018 às 3:57 | Publicado em Artigos e textos, Baú de livros, Zuniversitas | 1 Comentário
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Sigo essas seis dicas há anos. A dica dois eu vi numa entrevista de Darcy Ribeiro faz um bom tempo. À vezes exagero um pouco e fico lendo três livros simultaneamente. Mas dois é um bom número. Ele dizia, do alto de sua sabedoria, que quando se “cansava” de um livro ia descansar lendo o outro.


6 dicas de como ler mais e melhor

como ler mais e melhor

Os livros são abelhas que levam o pólen de uma inteligência a outra.” James Lowell

Por que ler mais livros e como ler mais?

O hábito da leitura está diretamente relacionado a diversos benefícios, como sucesso profissional, financeiro, aumento de inteligência.

Além de ser uma ótima forma de adquirir conhecimento, também serve como um ótimo hábito de lazer.

Pesquisa do Instituto Pró-livro indica que os leitores brasileiros são apenas 56% da população. Nos Estados Unidos 72% das pessoas leram pelo menos um livro em 2015.

Confira a seguir nossas 6 dicas de como ler mais e melhor!

Conheça também: os livros que inspiraram os filmes indicados ao Oscar 2018


1- Crie uma rotina e reserve tempo para ler

Separe sempre um tempo diário para leitura.

Não tem tempo disponível? E se deixar de navegar pelas redes sociais antes de dormir por, inicialmente, 10-15 minutos?

Ler pouco é melhor do que não ler nada… separe pelo menos 15 minutos para ler mais. Ou seja, ao invés de uma meta de ler um capítulo por dia, planeje ler 15 minutos.

Aos poucos, com o passar do tempo, vá aumentando o tempo de leitura e  perceberá como ler mais e mais.

Para criar rotina é importante eliminar as distrações!

Com o tempo a atividade vai se tornando um hábito prazeroso. E, com ensina O Poder do Hábito, é possível construimos novos costumes.


2- Leia mais de um livro por vez. Varie!

É claro que darei computadores aos meus filhos, mas antes terão livros. ” Bill Gates

Acabe com a regra de que “Só começo um novo livro quando terminar o atual”.

Na escola, faculdade e nos programas de TV não temos a capacidade de intercalar diversos assuntos? Por que com livros precisa ser diferente?

O esforço provoca cansaço mental e leva, invariavelmente, à desistência. Alguns livros levam tempo para ser digeridos.

Uma forma de descansar sem abandonar a leitura (e para ler mais) é intercalar.

Alterne livros de ficção e não ficção. Assim, quando estiver cansado de ler um livro não corre o risco de postergar a leitura e substituir por Netflix (nada contra, mas podemos mesclar atividades de lazer, não é mesmo?).

Como ler mais? Varie! Varie para não enjoar, para não procrastinar e para não substituir a leitura pelo celular.


3- Se não tiver gostando, não termine!

Esta dica é realmente desafiadora!

Ma vamos lá: existem milhões, bilhões, talvez zilhões de livros disponíveis!

Não se prenda em um livro que não está gostando…

Não está feliz com o livro? Abandone, passe para o próximo!

No entanto, antes de abandonar, tente ler pelo menos os dois/três primeiros capítulos! As vezes a leitura vai se tornando quando conhece melhor os personagens e o ponto de vista do autor.


4- Carregue sempre um livro com você

como ler mais e melhor

Como ler mais na correria do dia-a-dia?

Tenha sempre um livro ao seu alcance!

Para um leitor prevenido, qualquer momento de espera pode se transformar em um momento de leitura. Quem prefere um livro de papel pode reservar um espaço na bolsa ou mochila. Quem é adapto a tecnologia pode ter algumas opções de livros no celular, iPad ou Kindle.


5- Crie sua lista de leitura para ler mais

Como ler mais?
Procure dicas de livros e anote! Assim você se sente estimulado a ler mais.

Pode começar com os livros mais vendidos, uma obra de filosofia do Cortella, como Por que fazemos o que fazemos?,  ou por assuntos específicos de seu interesse.

Crie metas. Que tal começar com um livro por mês? Anote suas metas e acompanhe.

Mantenha uma lista de livros pendentes de leitura, assim não perde tempo quando um uma obra terminar e já parte para o próximo!

Acompanhe o Leia um Livro para dicas de obras que podem engordar sua lista de leitura!


6- Compartilhe suas experiências

livro a sorte segue a coragem

E por final, compartilhe!

A mente humana é limitada. Escrever e conversar com amigos sobre os livros que lemos é uma forma de ajudar a absorver melhor o conteúdo.

A escrita serve não somente para nos lembrar do que lemos, mas também para nos ajudar a entender melhor o conteúdo dos livros.

O livro ensina alguma técnica específica?
Coloque em prática e compartilhe a experiência! Veja aqui como colocamos em prática as lições do livro Inteligência Visual!

Apesar da leitura ser um hábito solitário, compartilhar suas experiências com outros leitores e amigos é um prazer. Assim você transforma a leitura em um passatempo coletivo.

Converse com amigos, escreva comentários em pots de blogs sobre os livros que leu, compartilhe!

FONTE: O BEM VIVERhttps://obemviver.blog.br/2018/02/16/6-dicas-de-como-ler-mais-e-melhor-vale-conferir/

Dez dias que abalaram o Brasil

04/06/2018 às 3:13 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Um dos melhores artigos que li sobre o recente “auto-tsunami” ocorrido no país.

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Dez dias que abalaram o Brasil  foto-paulo-ormindo_thumb_thumb_thumb

A greve dos caminhoneiros demonstrou a enorme fragilidade do nosso sistema logístico, urbano e político, cativo do pneu, do petróleo e do dólar. Os caminhoneiros deram algumas lições.

A primeira, econômica. Não se botam todos os ovos num só cesto. A greve parou tudo: caminhões, ônibus, BRT, aviões, ambulâncias, táxis e lanchas, e em consequência a indústria, a exportação, o abastecimento alimentar, a saúde e o turismo. Os prejuízos são incalculáveis e as metas econômicas furadas. Embora a crise seja estrutural, foi deflagrada por Parente ao alinhar o diesel ao aumento diário e cumulativo do petróleo e do dólar. Como o combustível entra no preço de tudo, com essa lógica todos os preços e salários deveriam ser indexados pelo dólar. Atitude burra, porque um menor preço do diesel, que serve ao transporte público e de cargas, poderia ser compensado por uns centavos a mais na gasolina do carro individual, sem necessidade de voltar a tabelar preços, cortar os programas sociais, provocar a queda das ações da Petrobras e renunciar.

A segunda lição é política. O governo arrogante não ouviu, nem dialogou. Ignorou as advertências e a força das redes sociais. O movimento foi liderado por caminhoneiros autônomos terceirizados. A terceirização tirou dos sindicatos a representatividade e o governo não teve com quem negociar. Passou-se da guerra tradicional para a guerrilha. A solidariedade da população aos caminhoneiros revela a revolta da sociedade contra um estado corrupto, incompetente e sem políticas públicas. O governo se ajoelhou diante dos caminhoneiros, dando os anéis para não perder os dedos ou a cabeça.

A última lição é social. O patrão não pode mais viver tranquilo no condomínio fechado e no carro blindado, num país desigual e conflagrado. Os mauricinhos tiveram que empurrar o carro até o posto, andar de ônibus lotados ou a pé no escuro. O establishment descobriu que trabalhadores como caminhoneiros, que produzem e transportam seus bens, guardam um segredo: sabem usar o celular como uma arma e se articular silenciosamente.

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 03.06.2018

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