APESAR DE VOCÊ !

25/10/2018 às 15:34 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 3 Comentários
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Esse texto veio via zapzap, enviado por um amigo. Dizia que foi publicado no Estadão recentemente. De tão bem escrito, resolvi compartilhar aqui para reflexão. É poesia em prosa. 

 

 

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APESAR DE VOCÊ!

Por Marcelo Rubens Paiva

“Apesar de você, as cores do arco-íris continuarão as mesmas, ele sempre estará entre o céu e a terra, continuará lindo a nos emocionar. Mulheres continuarão a desejar mulheres, homens se beijarão e se amarão: o amor não tem limites, o desejo não tem barreiras. A composição familiar nunca mais será a mesma. Os jovens não deixarão de mudar padrões, quebrar regras. O amor vencerá a bala. A Inteligência sempre vencerá a burrice.

Drummond continuará arquiteto das palavras, Niemeyer, o poeta das formas. Ambos continuarão gauche na vida. Livros poderão ser proibidos, mas jamais serão esquecidos, poderão estar escondidos nos labirintos das estantes, no labirinto da nossa memória.

Apesar de você, a palavra será a melhor arma, o pensamento, livre, as ideias brotarão, os questionamentos serão infinitos, é da nossa essência, é nossa vocação.

Apesar de você, florescerá na primavera, a solidariedade existirá, o altruísmo continuará vital como o ar. Apesar de você, a bondade estará entre nós. Vamos esperar para tudo melhorar, vamos esperar para o dia amanhecer sem ódio, sem tiros, vamos esperar a tempestade passar.

Apesar de você, Dom Quixote lutará contra moinhos de vento, Riobaldo, contra o amor por outro jagunço, Canudos, contra as tropas da insensatez, Zumbi, contra a escravidão. A dívida social não será paga. A história dos negros não será reescrita nem recontada. Uma ditadura continuará a ser assassina, e a tortura, nunca mais! Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.

Hoje é dia 20 de outubro. Hoje é celebrado o dia do poeta. Hoje é dia de Manuel Bandeira. Apesar de você, podemos ir embora pra Pasárgada, onde somos amigos do rei, termos o amor que quisermos, na cama que escolhermos e, se aqui não somos felizes, lá a existência será uma aventura, lá faremos ginástica, andaremos de bicicleta, montaremos em burros brabos e, cansados, nos deitaremos na beira do rio, porque em Pasárgada tem tudo, é outra civilização, nos sentiremos seguros, e no dia mais triste, o mais triste de todos, amaremos quem quiser, porque lá somos amigos do rei.

Apesar de você, toda a cultura será acessível, Brecht proporá a revolução, a angústia estará na solidão, a dor da alma não terá cura, até o dia em que decidirmos não sofrer mais e agir. Sofreremos por causa de você, superaremos apesar de você. Nossos ancestrais não sairão do lugar, seus ensinamentos irão nos guiar, apesar de você. Os mortos continuarão vivos entre nós. Continuarão a nos inspirar. Luther King continuará mito. Jesus a nos defender. Simone de Beauvoir nos fez pensar. Gandhi é o mito da paz.

O índio guerreiro vai lutar, vai se esconder e sobreviver, vai defender a sua mata, unir-se aos animais, defender sua família, até o último guerreiro, e mais uma vez o mal não vencerá. Os rios terão o poder de se regenerar, os mares, de se recompor, a fumaça vai se dissipar, as bombas vão se calar. A floresta vai renascer das cinzas. A destruição não nos acometerá.

Cometas vão passar. O Universo continuará a se expandir e ser enigmático. As descobertas nos surpreenderão. O conhecimento será sempre o caminho, não o ponto final. O desconhecido será conhecido, para voltar a ser desconhecido, que será conhecido, e desconhecido. Teorias podem ser reescritas, nunca extintas ou ignoradas.

Michelangelo será eternamente belo. Leonardo, genial. Van Gogh pintará as cores do vento. Pollock, a representar nossa loucura. Picasso, a incongruência. Miró será eternamente arrebatador. Rimbaud será nosso poeta que faz da vida, versos, da sua andança, sentido: “Que venha a manhã, com brasas de satã, o dever é ardor. Ela foi encontrada. Quem? A eternidade é mar misturado ao sol”.

Shakespeare nunca deixará de mostrar o horror de reinos, a loucura de reis. Campos de Carvalho narrarei de cor. Continuará píncaro do espetacular.

Lobos uivarão para a lua. Cachorros latirão uns para os outros. Gatos se esconderão na escuridão. Sabiás cantarão antes do amanhecer, nos despertando com a beleza da sua inconveniência. À noite, será sempre noite, por vezes desesperadora, por vezes longa demais, dolorida e saudosa. Enfim, o sol aparecerá. O ciclo das estações não se alternará. O minuto de daqui a pouco será depois o minuto que se foi. O amanhã será ontem.

A Justiça não será parcial, a defender os que mais têm. A verdade poderá nunca prevalecer. Mas nenhum doutor irá nos convencer do contrário. A polícia continuará a reprimir, a defender o bem de quem os têm. Mas nunca será eliminado o fato de sermos tão desiguais, de que quem não tem luta para dividir. Os grilhões se romperam. As amarras se romperão. Apesar de você.

Hoje é dia de poesia e samba. Todo dia é dia de samba. Apesar de você, o sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar aos corações, do mal será queimada a semente, o amor será eterno novamente. Quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer. Amanhã será um novo dia. Apesar de você.”

Fonte: Estadão, 20/102018


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Um poema para o povo brasileiro

29/08/2016 às 11:48 | Publicado em Canto da poesia | Deixe um comentário
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Esse é de Gregório Duvivier !


“Ler-vos-ei um poema, depois sairei de fininho   GregorioDuvivier©RenatoParada_07_divulgação

Quem escreveu não fui eu, foi meu filho Michelzinho

Para o povo brasileiro, chamar-me-ão de morto-vivo

Alguns me chamarão mordomo, outros vice decorativo

Aos poucos aceitaram tudo aquilo que eu propunha

devo tudo nesta vida ao meu amigo Eduardo Cunha

Alçaram-me à Presidência para acabar com a Lava Jato

Vosso sangue, sugá-lo-ei; muito prazer: Nosferastu

Ó multidão barulhenta, eu vim aqui silenciá-la

Mulheres voltem pro lar, negros voltem pra senzala

Bandido bom é bandido que fala português correto

Matar-vos-ei pelas costas, foder-vos-ei pelo reto

Confessar-vos-ei meu nome, antes que eu vá embora

Meu segundo nome é Temer, mas meu primeiro nome é “Fora!”

(Gregório Duvivier)

FONTE: http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/08/artistas-cantam-a-democracia-e-exigem-201cfora-temer201d-no-rio-6955.html

Se

26/08/2013 às 3:21 | Publicado em Canto da poesia, Midiateca | 3 Comentários
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Se…
“Se você é capaz manter sua cabeça no lugar quando todos estão perdendo as deles, e o culpam disso;
Se você é capaz confiar em si mesmo quando todos duvidam de você, e no entanto, permite que duvidem;
Se você é capaz de esperar sem perder a esperança;
Ou sendo enganado, não se utilizar de mentiras;

Ou sendo odiado, não se render ao ódio e ainda não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se você é capaz de sonhar, sem fazer dos sonhos seus senhores;
Se você é capaz de pensar, sem fazer dos pensamentos suas armas;
Se você é capaz de encontrar com o triunfo e com o desastre e tratar esses dois impostores da mesma maneira;
Se você é capaz de aguentar ouvir a verdade que disseste ser distorcida por pessoas sem princípios em armadilhas para tolos;
Ou assistir as coisas pelas quais você deu sua vida, estraçalhadas, e reconstruí-las com o pouco que lhe reste;
Se você é capaz de arriscar numa única tentativa, tudo o que ganhou em toda a sua vida, e ao perder, retornar ao ponto de partida, sem resmungar uma palavra sobre sua perda;
Se você é capaz de forçar seu coração e nervos e músculos, e dar o máximo depois que se esgotarem, e ainda aguentar quando não há nada mais em você, exceto aquela vontade que diz para eles: “Aguentem firme!”;
Se você é capaz de falar com a plebe sem se vulgarizar, e andar com reis, sem perder a naturalidade;
Se nem inimigos nem amigos queridos podem machucar você;
Se todos os homens contam com você, mas não demasiadamente;
Se é capaz de preencher o impiedoso minuto com 60 segundos valiosos como os de uma corrida à distância,
Sua é a Terra e tudo o que há nela, e – mais do que isso – você será um Homem, meu filho.”


A PRINCÍPIO

20/05/2012 às 3:54 | Publicado em Canto da poesia | 1 Comentário
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Será que é de Mário Quintana mesmo ? Sei lá… só sei que a mensagem é bacana, segue pois:



A PRINCÍPIO        

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor,

o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos

são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre:

queremos, além de saúde,

ser magérrimos, sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel,

a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica

e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor?

Ah, o amor… não basta termos alguém com quem

podemos conversar, dividir uma pizza

e fazer sexo de vez em quando.

Isso é pensar pequeno:

queremos AMOR, todinho maiúsculo.

Queremos estar visceralmente apaixonados,

queremos ser surpreendidos por declarações

e presentes inesperados, queremos jantar à luz

de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem

e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão.

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes

de uma forma mais realista.

Ter um parceiro constante, pode ou não,

ser sinônimo de felicidade.

Você pode ser feliz solteiro,

feliz com uns romances ocasionais,

feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.

Não existe amor minúsculo, principalmente

quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção.

Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.

Não perder tempo juntando, juntando, juntando.

Apenas o suficiente para se sentir seguro,

mas não aprisionado.

E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar

a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco

de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível

e aceitar o improvável.

Fazer exercícios sem almejar passarelas,

trabalhar sem almejar o estrelato,

amar sem almejar o eterno.

Olhe para o relógio: hora de acordar.

É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro

o que nos mobiliza, instiga e conduz,

mas sem exigir-se desumanamente.

A vida não é um jogo onde só quem testa

seus limites é que leva o prêmio.

Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.

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