10 dos mais bonitos poemas de amor da Língua Portuguesa

02/01/2019 às 2:56 | Publicado em Canto da poesia, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Iniciando o ano com poesias, as melhores !


10 dos mais bonitos poemas de amor da Língua Portuguesa

Língua PortuguesaLíngua Portuguesa

Como se ama em português? Como conseguem os poetas da Língua Portuguesa utilizar o nosso idioma de forma tão bela e perfeita para expressar o mais nobre dos sentimentos, o amor? Ninguém consegue explicar de forma científica o que é o amor, como se ama, como nos lembramos da pessoa amada e como nos sentimos quando ela não está presente. Mas os poetas possuem um dom especial para juntar um pequeno conjunto de palavras e transformá-las em algo maravilhoso e que nos toca de uma forma tão especial que parece que foi escrita para nós… ou por nós. A Língua Portuguesa é um idioma dócil, suave e delicado. E com um idioma tão único os poemas de amor em português tornam-se sempre especiais. Estes são alguns dos mais lindos poemas de amor da Língua Portuguesa. Qual é o seu preferido?

1. Amor é fogo que arde sem se ver (Luís Vaz de Camões)

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

2. Todas as cartas de amor… (Fernando Pessoa)

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

3. Soneto de fidelidade (Vinicius de Moraes)

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

4. Via láctea (Olavo Bilac)

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

5. Amar (Florbela Espanca)

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…

6. Amar você é coisa de minutos… (Paulo Leminski)

Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui

7. O tempo passa? Não passa (Carlos Drummond de Andrade)

O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer toda a hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama
escutou o apelo da eternidade.

8. Do amoroso esquecimento (Mário Quintana)

Eu agora — que desfecho!
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

9. Morrer de amor (Maria Teresa Horta)

Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso

10. Canção do amor-perfeito (Cecília Meireles)

Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.

Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.

Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.

FONTE: https://www.vortexmag.net/10-dos-mais-bonitos-poemas-de-amor-da-lingua-portuguesa/

APESAR DE VOCÊ !

25/10/2018 às 15:34 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 3 Comentários
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Esse texto veio via zapzap, enviado por um amigo. Dizia que foi publicado no Estadão recentemente. De tão bem escrito, resolvi compartilhar aqui para reflexão. É poesia em prosa. 

 

 

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APESAR DE VOCÊ!

Por Marcelo Rubens Paiva

“Apesar de você, as cores do arco-íris continuarão as mesmas, ele sempre estará entre o céu e a terra, continuará lindo a nos emocionar. Mulheres continuarão a desejar mulheres, homens se beijarão e se amarão: o amor não tem limites, o desejo não tem barreiras. A composição familiar nunca mais será a mesma. Os jovens não deixarão de mudar padrões, quebrar regras. O amor vencerá a bala. A Inteligência sempre vencerá a burrice.

Drummond continuará arquiteto das palavras, Niemeyer, o poeta das formas. Ambos continuarão gauche na vida. Livros poderão ser proibidos, mas jamais serão esquecidos, poderão estar escondidos nos labirintos das estantes, no labirinto da nossa memória.

Apesar de você, a palavra será a melhor arma, o pensamento, livre, as ideias brotarão, os questionamentos serão infinitos, é da nossa essência, é nossa vocação.

Apesar de você, florescerá na primavera, a solidariedade existirá, o altruísmo continuará vital como o ar. Apesar de você, a bondade estará entre nós. Vamos esperar para tudo melhorar, vamos esperar para o dia amanhecer sem ódio, sem tiros, vamos esperar a tempestade passar.

Apesar de você, Dom Quixote lutará contra moinhos de vento, Riobaldo, contra o amor por outro jagunço, Canudos, contra as tropas da insensatez, Zumbi, contra a escravidão. A dívida social não será paga. A história dos negros não será reescrita nem recontada. Uma ditadura continuará a ser assassina, e a tortura, nunca mais! Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.

Hoje é dia 20 de outubro. Hoje é celebrado o dia do poeta. Hoje é dia de Manuel Bandeira. Apesar de você, podemos ir embora pra Pasárgada, onde somos amigos do rei, termos o amor que quisermos, na cama que escolhermos e, se aqui não somos felizes, lá a existência será uma aventura, lá faremos ginástica, andaremos de bicicleta, montaremos em burros brabos e, cansados, nos deitaremos na beira do rio, porque em Pasárgada tem tudo, é outra civilização, nos sentiremos seguros, e no dia mais triste, o mais triste de todos, amaremos quem quiser, porque lá somos amigos do rei.

Apesar de você, toda a cultura será acessível, Brecht proporá a revolução, a angústia estará na solidão, a dor da alma não terá cura, até o dia em que decidirmos não sofrer mais e agir. Sofreremos por causa de você, superaremos apesar de você. Nossos ancestrais não sairão do lugar, seus ensinamentos irão nos guiar, apesar de você. Os mortos continuarão vivos entre nós. Continuarão a nos inspirar. Luther King continuará mito. Jesus a nos defender. Simone de Beauvoir nos fez pensar. Gandhi é o mito da paz.

O índio guerreiro vai lutar, vai se esconder e sobreviver, vai defender a sua mata, unir-se aos animais, defender sua família, até o último guerreiro, e mais uma vez o mal não vencerá. Os rios terão o poder de se regenerar, os mares, de se recompor, a fumaça vai se dissipar, as bombas vão se calar. A floresta vai renascer das cinzas. A destruição não nos acometerá.

Cometas vão passar. O Universo continuará a se expandir e ser enigmático. As descobertas nos surpreenderão. O conhecimento será sempre o caminho, não o ponto final. O desconhecido será conhecido, para voltar a ser desconhecido, que será conhecido, e desconhecido. Teorias podem ser reescritas, nunca extintas ou ignoradas.

Michelangelo será eternamente belo. Leonardo, genial. Van Gogh pintará as cores do vento. Pollock, a representar nossa loucura. Picasso, a incongruência. Miró será eternamente arrebatador. Rimbaud será nosso poeta que faz da vida, versos, da sua andança, sentido: “Que venha a manhã, com brasas de satã, o dever é ardor. Ela foi encontrada. Quem? A eternidade é mar misturado ao sol”.

Shakespeare nunca deixará de mostrar o horror de reinos, a loucura de reis. Campos de Carvalho narrarei de cor. Continuará píncaro do espetacular.

Lobos uivarão para a lua. Cachorros latirão uns para os outros. Gatos se esconderão na escuridão. Sabiás cantarão antes do amanhecer, nos despertando com a beleza da sua inconveniência. À noite, será sempre noite, por vezes desesperadora, por vezes longa demais, dolorida e saudosa. Enfim, o sol aparecerá. O ciclo das estações não se alternará. O minuto de daqui a pouco será depois o minuto que se foi. O amanhã será ontem.

A Justiça não será parcial, a defender os que mais têm. A verdade poderá nunca prevalecer. Mas nenhum doutor irá nos convencer do contrário. A polícia continuará a reprimir, a defender o bem de quem os têm. Mas nunca será eliminado o fato de sermos tão desiguais, de que quem não tem luta para dividir. Os grilhões se romperam. As amarras se romperão. Apesar de você.

Hoje é dia de poesia e samba. Todo dia é dia de samba. Apesar de você, o sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar aos corações, do mal será queimada a semente, o amor será eterno novamente. Quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer. Amanhã será um novo dia. Apesar de você.”

Fonte: Estadão, 20/102018


Um poema para o povo brasileiro

29/08/2016 às 11:48 | Publicado em Canto da poesia | Deixe um comentário
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Esse é de Gregório Duvivier !


“Ler-vos-ei um poema, depois sairei de fininho   GregorioDuvivier©RenatoParada_07_divulgação

Quem escreveu não fui eu, foi meu filho Michelzinho

Para o povo brasileiro, chamar-me-ão de morto-vivo

Alguns me chamarão mordomo, outros vice decorativo

Aos poucos aceitaram tudo aquilo que eu propunha

devo tudo nesta vida ao meu amigo Eduardo Cunha

Alçaram-me à Presidência para acabar com a Lava Jato

Vosso sangue, sugá-lo-ei; muito prazer: Nosferastu

Ó multidão barulhenta, eu vim aqui silenciá-la

Mulheres voltem pro lar, negros voltem pra senzala

Bandido bom é bandido que fala português correto

Matar-vos-ei pelas costas, foder-vos-ei pelo reto

Confessar-vos-ei meu nome, antes que eu vá embora

Meu segundo nome é Temer, mas meu primeiro nome é “Fora!”

(Gregório Duvivier)

FONTE: http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/08/artistas-cantam-a-democracia-e-exigem-201cfora-temer201d-no-rio-6955.html

Se

26/08/2013 às 3:21 | Publicado em Canto da poesia, Midiateca | 3 Comentários
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Se…
“Se você é capaz manter sua cabeça no lugar quando todos estão perdendo as deles, e o culpam disso;
Se você é capaz confiar em si mesmo quando todos duvidam de você, e no entanto, permite que duvidem;
Se você é capaz de esperar sem perder a esperança;
Ou sendo enganado, não se utilizar de mentiras;

Ou sendo odiado, não se render ao ódio e ainda não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se você é capaz de sonhar, sem fazer dos sonhos seus senhores;
Se você é capaz de pensar, sem fazer dos pensamentos suas armas;
Se você é capaz de encontrar com o triunfo e com o desastre e tratar esses dois impostores da mesma maneira;
Se você é capaz de aguentar ouvir a verdade que disseste ser distorcida por pessoas sem princípios em armadilhas para tolos;
Ou assistir as coisas pelas quais você deu sua vida, estraçalhadas, e reconstruí-las com o pouco que lhe reste;
Se você é capaz de arriscar numa única tentativa, tudo o que ganhou em toda a sua vida, e ao perder, retornar ao ponto de partida, sem resmungar uma palavra sobre sua perda;
Se você é capaz de forçar seu coração e nervos e músculos, e dar o máximo depois que se esgotarem, e ainda aguentar quando não há nada mais em você, exceto aquela vontade que diz para eles: “Aguentem firme!”;
Se você é capaz de falar com a plebe sem se vulgarizar, e andar com reis, sem perder a naturalidade;
Se nem inimigos nem amigos queridos podem machucar você;
Se todos os homens contam com você, mas não demasiadamente;
Se é capaz de preencher o impiedoso minuto com 60 segundos valiosos como os de uma corrida à distância,
Sua é a Terra e tudo o que há nela, e – mais do que isso – você será um Homem, meu filho.”


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