Não Tropece na Língua

10/12/2016 às 3:20 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Língua Brasil. Sou assinante desse site. Recomendo fortemente a quem escreve com frequência. Publico hoje a edição do dia 03 desse mês. A autora cita o Professor Marcos Bagno, linguista da UnB que muito admiro. Norma culta, língua padrão… E as eternas perguntas contnuam: quem é o culto da língua culta ? quem dita o padrão da língua ? quem é, enfim, o dono da língua ?


Nº 258 – 3 ª edição

03/11/2016

NORMA CULTA E LÍNGUA-PADRÃO – I

“As palavras são tecidas a partir de uma multidão de fios

ideológicos e servem de trama a todas as relações sociais

                  em todos os domínios.”  (Bakhtin) 

Tenho recebido de vários leitores indagações sobre o que é afinal a língua-padrão, termo que começou a circular fora do meio acadêmico. É diferente de norma culta? Trata-se de sinônimos?

Quando acessam a internet e buscam uma página como o Língua Brasil para solucionar dúvidas, os consulentes – que já falam e escrevem português cotidianamente – desejam ampliar seu capital linguístico obtendo conhecimentos que estejam de acordo com a modalidade de língua chamada padrão ou culta. Por isso achei oportuno trazer essa questão a discussão neste espaço semanal. Procurarei fazê-lo em linguagem o menos possível acadêmica e acessível aos leitores interessados.

***

Mesmo que não se mencione terminologia específica, é evidente que se lida no dia a dia com níveis diferentes de fala e escrita. É também verdade que as pessoas querem “falar e escrever melhor”, querem dominar a língua dita culta, a correta, a ideal, não importa o nome que se lhe dê.

O padrão de língua ideal a que as pessoas querem chegar é aquele convencionalmente utilizado nas instâncias públicas de uso da linguagem, como livros, revistas, documentos, jornais, textos científicos e publicações oficiais; em suma, é a que circula nos meios de comunicação, no âmbito oficial, nas esferas de pesquisa e trabalhos acadêmicos.

***

Não obstante, os linguistas entendem haver uma língua circulante que é correta mas diferente da língua ideal e imaginária, fixada nas fórmulas e sistematizações da gramática. Eles fazem, pois, uma distinção entre o real e o ideal: a língua concreta com todas suas variedades de um lado, e de outro um padrão ou modelo abstrato do que é “bom” e “correto”, o que conformaria, no seu entender, uma língua artificial, situada num nível hipotético.

Para os cientistas da língua, portanto, fica claro que há dois estratos diferenciados: um praticamente intangível, representado nas normas preconizadas pela gramática tradicional, que comporta as irregularidades e excrescências da língua, e outro concreto, o utilizado pelos falantes cultos, qual seja, a “linguagem concretamente empregada pelos cidadãos que pertencem aos segmentos mais favorecidos da nossa população”, segundo Marcos Bagno (A norma oculta: língua e poder na sociedade brasileira. SP: Parábola, 2003, p. 51).

Convém esclarecer que para a ciência sociolinguística somente a pessoa que tiver formação universitária completa será caracterizada como falante culto (urbano).

Sendo assim, como são presumivelmente cultos os sujeitos que produzem os jornais, a documentação oficial, os trabalhos científicos, só pode ser culta a sua linguagem, mesmo que a língua que tais pessoas falam e os textos que produzem nem sempre se coadunem com as regras rígidas impostas pela gramática normativa, divulgada na escola e em outras instâncias (de repressão linguística) como o vestibular.

Isso é o que pensam os linguistas. E o povo – saberá ele fazer a distinção entre as duas modalidades e os dois termos que as descrevem?


* Maria Tereza de Queiroz Piacentini Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros ‘Só Vírgula’, ‘Só Palavras Compostas’ e ‘Língua Brasil – Crase, pronomes & curiosidades’ – www.linguabrasil.com.br

** Autorizamos a publicação da coluna, sem qualquer ônus, em jornais,
revistas e sítios da Internet. Luiz Fernando de Queiroz, diretor

FONTE: http://www.linguabrasil.com.br/

Escrever Melhor

13/11/2016 às 3:17 | Publicado em Baú de livros, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Mais um excelente livro da Professora Dad Squarisi, desta vez escrito em parceria com Arlete Salvador. Nossa língua pátria é desafiadora, devemos estudá-la continuamente. “Escrever Melhor – um guia para passar os textos a limpo“, de leitura tranquila e ponteada com o humor característico das autoras, é recomendado sobretudo aos que escrevem diariamente em seus ofícios.


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Milagres da pontuação

17/10/2016 às 3:35 | Publicado em Artigos e textos | 2 Comentários
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Esse é da Professora Dad Squarisi (via blog O BEM VIVER, via Facebook).

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Milagres da pontuação

“Um homem muito rico estava mal, agonizando. Pediu papel e caneta. Escreveu assim:

Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres* .
Morreu antes de fazer a pontuação. A quem deixava a fortuna ? Eram quatro concorrentes.
1) O sobrinho fez a seguinte pontuação:
     Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.
2) A irmã chegou em seguida e pontuou assim o escrito:
     Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.
3) O padeiro pediu cópia do original e puxou à brasa para a sardinha dele:
     Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.
4) Aí, chegaram os descamisados da cidade e um deles, sabido, fez esta interpretação:
     Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.”
Moral da história:
A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos a pontuação. Pontue sua vida com o que realmente importa. Isso faz toda a diferença.

(Autoria desconhecida).

FONTE: https://obemviver.blog.br/2016/09/30/milagres-da-pontuacao/

Data venia, ministra Cármen Lúcia, o cargo é de ‘presidente’ ou ‘presidenta’

19/08/2016 às 11:25 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Para mim essa polêmica sobre o termo já havia sido superada. Mas pensando melhor, ela não tem nada a ver com a Gamática, como bem disse o Doutor pela USP Gabriel Perissé no post que fiz ainda em fevereiro de 2012. Afinal, A Gramática é Política.

De qualquer forma vale a leitura do que diz o Professor Pasquale abaixo !


Data venia, ministra Cármen Lúcia, o cargo é de ‘presidente’ ou ‘presidenta’

Na sessão de 10.ago, o atual presidente do STF disse o seguinte: “Então eu concedo a palavra à eminente ministra Cármen Lúcia, nossa presidenta eleita… Ou presidente?”. A resposta da ministra foi esta: “Eu fui estudante e eu sou amante da língua portuguesa, eu acho que o cargo é de presidente, não é não?”. ‘Data venia’, Excelência, o cargo é de presidente ou presidenta.

Essa questão atormenta o país desde que Dilma Rousseff venceu a primeira eleição e disse que queria ser chamada de “presidenta”, porque, para ela, a forma feminina acentua a sua condição de mulher, a primeira mulher a presidir o país.

Esse argumento me parece frouxo e um tanto infantil. O que acentua o fato de Dilma ser mulher é justamente o fato de ela ser mulher, mas respeito a escolha dela e os que acham justo esse argumento.

(Pedro Ladeira-10.jun.2015/Folhapress)

BRASÍLIA, DF, 10.06.2015: STF-SESSÃO - A ministra do STF, Cármen Lúcia - Sessão do STF (Supremo Tribunal Federal), sob a presidência do ministro Ricardo Lewandowski, em Brasília (DF), nesta quarta-feira (27). O STF vai decidir sobre a liberação de biografias não autorizadas. A ministra Cármen Lúcia, relatora do caso das biografias não autorizadas. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

(A ministra do Supremo Tribunal Federal Carmén Lúcia)

O que não se pode, de jeito nenhum, é ditar “regras” linguísticas totalmente desprovidas de fundamento técnico, mas foi justamente isso o que mais se viu/ouviu/leu desde que Dilma manifestou a sua preferência por “presidenta”, forma que não foi inventada por ela.

Na bobajada que se lê na internet, o argumento mais frequente é justamente o da inexistência de “serventa”, “adolescenta” etc., como se a língua fosse regida unicamente por processos cartesianos.

Não é, caro leitor. Se assim fosse, não teríamos como fatos consagrados inúmeros casos que nem de longe seguem a lógica. Ou será que no padrão culto se registra algo como “Fulano suicidou”? Pela “lógica”, seria essa a forma padrão, mas…

A língua não funciona assim. Um exemplo: às vezes, o falante não tem noção histórica da formação de um termo e acrescenta algo que “ressuscite” o seu sentido literal. É isso que explica, por exemplo, a pronominalização de “suicidar” (“Ele se suicidou”, “Tu te suicidarias?”). O verbo não é “suicidar”; é “suicidar-se”. Pode procurar no “Houaiss” etc.

A terminação “-nte”, que vem do particípio presente latino, forma (em português e em outras línguas) adjetivos e substantivos que indicam a noção de “agente” (“pedinte”, “caminhante”, “assaltante”).

99,9999% desses termos não têm variação; o que varia é o artigo ou outro determinante (o/a viajante, o/a estudante, nosso/nossa comandante), mas é claro que há exceções.

Uma delas é justamente “presidenta”, registrada há mais de um século. Na sua edição de 1913, o dicionário de Cândido de Figueiredo registra “presidenta”, como “neologismo”. Um século depois, esse “neo-” perdeu a razão. A edição de 1939 do “Vocabulário Ortográfico” registra o termo. A última edição de cada um dos nossos mais importantes dicionários e a do “Vocabulário Ortográfico” também registram.

Deve-se tomar muito cuidado quando se usa como argumento o registro num dicionário. Nada de dizer que “a palavra existe porque está no dicionário”; é o contrário, ou seja, a palavra está no dicionário porque existe, porque tem uso em determinado registro linguístico.

Tenho profundo respeito pela ministra Cármen Lúcia, não só pela liturgia do cargo, mas também e sobretudo pela altivez com que o professa. Justamente por isso, ouso dizer que teria sido melhor ela ter dito simplesmente “Prefiro presidente”.

Aproveito para lembrar que não tenho feicibúqui, tuíter, instagrã etc., portanto toda a bobajada internética a mim atribuída é falsa. É isso.

(Pasquale Cipro Neto)

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2016/08/1804215-data-venia-ministra-carmen-lucia-o-cargo-e-de-presidente-ou-presidenta.shtml

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