Língua Brasil

12/08/2017 às 3:50 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Esse vem do “sítio” Língua Brasil (Nº 292, 2ª Edição). Sou assinante do maillist deles, recomendo fortemente !


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19/07/2017

PONTUAR E TAUTOLOGIA, S.M.J.

Refiro-me hoje ao verbo pontuar, que entendo estar sendo mal e excessivamente usado como simples sinônimo de “enfatizar, destacar, realçar, frisar, salientar, ressaltar”. Fica muito mais elegante e correto usar um desses verbos do que “pontuar”, em frases assim:

Bonavides pontuava que a concepção política da Idade Média e da Reforma girava em torno do Poder Constituinte de Deus (omni potestas a Deo).

O verbo pontuar significa originalmente “usar/colocar/marcar com sinais de pontuação”. Com sentido figurado, também assume o significado de “assinalar, caracterizar, acompanhar, marcar, pontilhar ou separar” – mas dentro de certa sequência de tempo ou espaço, como se fossem pontos que aparecem de quando em quando. Neste último caso é comum o uso do particípio/adjetivo. Exemplos:

Ela pontuou com bela vinheta os dez quadros da apresentação.

Em discurso pontuado por ataques ao PT, o presidente nacional licenciado do PFL afirmou que a incompetência vence o medo.

A trajetória de Filipe é pontuada por uma série de coincidências.

TAUTOLOGIA VERBAL

Perguntaram-me se seria viciosa, por tautológica, a construção de sentenças como “concelebrar uma missa com os prelados” ou “compartilhar sua alegria com os amigos”, nas quais o “com” aparece duplamente. Respondo que não é.

Chama-se tautologia a repetição das mesmas palavras ou o uso de palavras diferentes para dizer o que já foi dito. Pode ser de significado ou de forma. No primeiro caso, configura um vício de linguagem; exemplo: “Haverá simulação nos atos quando as partes os tiverem simulado”. Já no segundo, de “forma”, não há problema: trata-se de fenômeno linguístico natural, de evolução regencial.

Quando se analisa a regência preposicional, dentro da regência verbal, pode-se observar um condicionamento morfossemântico entre prefixos e preposições, isto é, o prefixo da palavra regente volta sob a forma de preposição. Assim, por exemplo, de “celebrar com” e “partilhar com” tem-se a evolução para concelebrar com e compartilhar com. Do mesmo modo, temos: acorrer a, compactuar com, contemporizar com, conviver com, derivar de, embarcar em. Isso ocorre também com alomorfia (variação de forma), como em “cúmplice com, incluir em, implicar em, interpor entre, peregrinar por, perpassar por”  (cum-com / in-em / inter-entre / per-por).

— O que significa a abreviação s.m.j. que tenho, ultimamente, encontrado quase sempre em pareceres. [“Este é o nosso parecer, s.m.j.”] Significaria “sem mais justificativas”? Grimaldi, Florianópolis/SC

Essas três letras são as iniciais de “salvo melhor juízo”. Juízo no sentido de entendimento, julgamento, decisão. Também podem ser grafadas em maiúsculas: “Este é parecer que submeto a V. Exa., S.M.J.” Quanto ao seu uso e significado, é o seguinte: o parecerista redige aquilo que entende ser o ideal e apropriado; mas, num gesto de elegância, faz essa ressalva visando deixar a pessoa que lhe pediu o parecer à vontade para decidir de maneira contrária à apresentada.


* Maria Tereza de Queiroz Piacentini Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros ‘Só Vírgula’, ‘Só Palavras Compostas’ e ‘Língua Brasil – Crase, pronomes & curiosidades’ – www.linguabrasil.com.br

** Autorizamos a publicação da coluna, sem qualquer ônus, em jornais,
revistas e sítios da Internet. Luiz Fernando de Queiroz, diretor

FONTE: http://www.linguabrasil.com.br/

“Conheça oito palavras que moldaram nosso modo de pensar”

17/07/2017 às 3:01 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Esse vem do blog “O Bem Viver”. Confiram a origem dessas oito palavras.


“Conheça oito palavras que moldaram nosso modo de pensar”

Homem e cérebro

 

Cada palavra carrega uma história, um segredo. Atrás das sílabas que usamos todos os dias se escondem várias narrativas esquecidas.

“Se você sabe a origem de uma palavra”, insistia o acadêmico do século 6 Isidore de Sevilha, “tudo pode ser compreendido mais claramente”. Enquanto a maioria das palavras entra em uso discretamente e sem deixar rastro de suas jornadas, há uma “elite” de invenções verbais cuja origem foi cuidadosamente registrada.

Algumas dessas palavras são criações únicas de pessoas esquecidas pela história. Outras são invenções de pioneiros culturais que deliberadamente queriam determinar como gerações futuras pensariam e falariam.

Em cada caso, investigar a biografia da palavra nos ajuda a conhecer a trajetória da pessoa que a criou, além da época em que ele ou ela viveu. A seguir, oito criações que mudaram a forma como pensamos, ouvimos, descobrimos e existimos no mundo:

Twitter

Geoffrey Chaucer

As redes sociais certamente seriam um lugar menos animado sem o logotipo do Twitter: aquele perfil azul de um pássaro voando.

Mas quem teve a imaginação para criar uma onomatopeia que combina a linguagem dos homens com a dos pássaros?

‘Twitter’ (ou ‘twiterith’, como era o termo original na metade do século 14), tirado da pena de Geoffrey Chaucer em sua tradução do livro A Consolação da Filosofia, do filósofo do século 6 Boethius, significa “gorjear” em inglês.

Ao lado de “chilrar”, “twitter” é uma das mais de 2,2 mil palavras que o poeta medieval leva o crédito por ter criado. É o mesmo autor que escreveu o poema O Parlamento das Aves, o que parece muito apropriado.

Serendipidade

Conto de fadas persa

Antes de 1754, se alguém quisesse expressar “a descoberta fortuita de algo por acaso”, ele ou ela teriam que se esforçar para dar vida a um sentimento tão complexo.

Até que, ao escrever uma carta em uma terça-feira de janeiro, o escritor inglês Horace Walpole presenteou o mundo com a animada união de sílabas “serendipity”.

Walpole disse que criou sua invenção lírica inspirado no conto de fadas persa As Três Princesas de Serendip, cujas protagonistas “estavam sempre fazendo descobertas, por acidente e sagacidade”, disse ele.

Pouca importa o fato de Walpole ter lembrado incorretamente da verdadeira essência do conto – na verdade, as princesas não conseguem encontrar o que procuram, apesar de dolorosas tentativas. “Serendipidade” veio para ficar.

E não é a única criação de Walpole. “Betweenity” (“entremeio”), uma palavra mais charmosa do que seu sinônimo mais conhecido, “intermédio”, merece a mesma afeição que sua irmã “serendipidade” recebe.

Panorama

Panorama

Algumas palavras parecem vibrar com o mesmo espírito que seu significado denota. “Panorama” é uma delas – seu ritmo próprio parece estar em harmonia com vistas amplas de topos de montanhas e horizontes infinitos.

Parece apropriado, portanto, que a palavra que literalmente significa “vista total” tenha entrado no léxico mundial em 1789, um ano lembrado pela queda da Bastilha em Paris.

Que irônico, então, descobrir que a palavra inicialmente estava ligada a uma experiência de confinamento: uma pintura cilíndrica que prende sua audiência, um mecanismo visual criado pelo artista irlandês Robert Barker.

Visualizar

Samuel Taylor Coleridge

É difícil acreditar que ninguém jamais havia “visualizado” algo antes de 1817, mas esse foi o ano em que o poeta romântico e crítico Samuel Taylor Coleridge criou a palavra em sua confissão filosófica Biographia Literaria – um século depois que a palavra “envision” (“vislumbrar”) foi criada.

Em retrospectiva, parece oportuno que um escritor cuja mente foi assombrada por visões fantasmagóricas como o navio fantasma de seu poema A Balada do Velho Marinheiro e pelos “olhos brilhantes” e “cabelo flutuante” que marcam o final de sua poesia lírica profética Kubla Khan, tenha dado o nome à ação de ver algo que não se vê.

Torturado ao longo de sua vida por substâncias materiais e imateriais, Coleridge é responsável por introduzir ao inglês outras palavras para descrever aspectos mais sombrios da experiência humana, como “psicossomático” e “pessimismo”.

Intelectualizar

Coleridge

Coleridge frequentemente ganha o crédito por ter concebido um verbo relacionado: “intelectualise” (“intelectualizar” em português), que significa transformar um objeto físico em uma propriedade da mente.

Enquanto ele certamente merece o crédito por criar um verbo que sugere justamente o contrário – o “thingify” (“coisificar”, em tradução livre”), que significa transformar um pensamento em um objeto.

Na verdade, “intelectualizar” provavelmente pertence a um poeta contemporâneo que serviu de inspiração ao poeta romântico: um viajante misterioso do século 18 conhecido pelo curioso apelido de “Stewart ambulante” por ter perambulado por boa parte do que se conhecia do mundo até então.

Em décadas viajando por Índia, África e Europa, Stewart desenvolveu uma filosofia excêntrica centrada na ideia de que corpo e mente estavam em fluxo constante entre um mundo que é o tempo todo intelectualizado e um espírito eternamente “coisificado”.

Burocracia

Mão segurando uma pena

O narrador da música Big Rock Candy Mountain, de 1928 e de autoria do cantor americano Harry McClintock, sonha com um paraíso sem preocupações onde “eles enforcam o desgraçado que inventou o trabalho”.

Enquanto a história não menciona o nome do “desgraçado” em questão, conhecemos a identidade do economista francês que inventou o nome de algo quase tão cansativo quanto: “burocracia”.

Em 1818, Jean Claude Marie Vincent de Gournay uniu a palavra francesa para mesa (bureau) ao sufixo grego que significa “o poder de” (cracia) e deu um nome àquilo que começava a sufocar a sociedade.

Por ter criado a palavra para processos governamentais que impõem regras entediantes no comportamento das pessoas, Gournay pode parecer a última pessoa que teria dado o nome ao termo que significa “deixe as pessoas fazerem o que acham melhor”: laissez-faire.

Fotografia

Sir John Herschel

É estranho pensar que um dos nomes aparentemente mais estáveis que damos aos objetos em nossa volta foram adotados gradualmente e em um processo de eliminação.

O inventor e astrônomo inglês Sir John Herschel propôs a palavra “fotografia” em 1839 e enfrentou uma competição intensa até que seu termo fosse adotado permanentemente no vocabulário mundial.

Se a história tivesse acontecido de outra maneira, sua avó poderia estar cobrando as suas “impressões de sol” ou “fotógenos”. Um termo rival, heliográfico, que competiu com “fotografia” por uma geração inteira, urgiu Herschel a ir atrás de seu dinheiro.

Trouxa

J K Rowling

Não é preciso dizer que os homens, como um gênero, não são os únicos bem-sucedidos na criação de palavras atraentes, apesar da pouca celebração de neologistas mulheres.

Com suas contribuições à cultura frequentemente marginalizadas, não é surpresa que o dicionário Oxford atribua a escritoras o primeiro uso da palavra “outsider” (“excluído”, em tradução livre), pela britânica Jane Austen em 1800, e “angst” (“raiva”) pela alemã George Eliot em 1849.

Na nossa época, mais uma vez foi uma escritora que definiu aqueles que se admiram com os poderes dos iniciados e ficam na vontade como se por feitiçaria.

A britânica J. K. Rowling criou a palavra “muggle” (“trouxa”, em português”) em seu livro Harry Potter e a Pedra Filosofal em 1997 para descrever os mortais que não têm um dom sobrenatural, o que nos lembra da magia perene das palavras: alguns as têm, outros não.

(Kelly Grovier)

FONTE: https://obemviver.blog.br/2017/06/30/conheca-oito-palavras-que-moldaram-nosso-modo-de-pensar/

Eco que ecoa

26/06/2017 às 3:54 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Mais uma boa coluna da Professora Dad Squarisi (CORREIO BRAZILIENSE, 31 de maio último). Português é uma língua de gramática áspera. Tem que ser estudada diariamente. Mas com textos como esse, seu estudo se torna leve e agradável.

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Eco que ecoa

A história vem lá de longe, da mitologia grega. Eco era uma mocinha pra lá de conversadeira. Falava sem parar. Muitos rapazes se encantavam com a voz da jovem e acabavam caidinhos de amor pela garota. Mas ela não queria saber de ficar. Nem de ficantes. Um dia aconteceu. Eco viu Narciso. Ah! Foi paixão à primeira vista. Mas o belo só olhava pra si. Nem sabia da existência da jovem. Ela, então, tomou uma decisão.

— Vou me declarar pra ele.
Não o fez. Sabe por quê? Foi castigo. Eco era muito amiga de Zeus, o deus dos deuses do Olimpo. Ele era casado com Juno, ciumenta que só. Certo dia, Zeus veio à Terra. Conheceu uma gatona tentadora e não resistiu à paixão. Eco se encarregou de distrair Juno enquanto o encontro rolava. Contava histórias sem fim. Mas a mulher descobriu. Furiosa, castigou a moça:
— Você me enganou com a língua. Pois, de hoje em diante, não vai mais falar. Só vai repetir o que os outros dizem.
Pobrezinha da Eco! Até hoje não pode dizer uma só palavra. Só repete as dos outros. Duvida? Quando você estiver num lugar grande e vazio, dê um grito. Vai ouvir a repetição da última sílaba da fala. É o eco que ecoa.

Herança

Eco enriqueceu o léxico português. Dela nasceram o substantivo eco e o verbo ecoar. Ecofonia, ecômetro e ecopatia vieram da mesma fonte.

Barbas de molho

Por que será? Nem os deuses sabem. Certas palavras caíram na boca do povo com a sílaba tônica trocada. O resultado é um só: a silabada bate pesado nos ouvidos. Quem sente o golpe não deixa por menos. Foge. E nos condena como Juno condenou Eco. Valha-nos, Zeus! Ensina-nos a pronúncia nota mil de vocábulos maltratados pela língua dos mortais. São sete.

Um

Subsídio joga no time de subsolo, subserviente, subsalário, subsaariano, subsimilar, subsíndico, subsinuoso. Em todas, o s que vem depois do sub se pronuncia ss. Sem tossir nem mugir.

Dois

Recorde, concorde e acorde orgulhosamente pertencem à equipe das paroxítonas. A sílaba mandachuva é cor sim, senhor. Dizer “récord”? É a receita do cruz-credo. Xô!

Três

Rubrica e fabrica são irmãzinhas inseparáveis. A força delas mora na casa do meio — bri.

Quatro

Nobel, Mabel, papel e cruel se pronunciam do mesmo jeitinho. A sílaba tônica é a última. Na dúvida, pense um pouco. Se Nobel fosse paroxítona, pertenceria à gangue de móvel e automóvel. Teria acento. Como não tem, a conclusão é uma só. O nome do prêmio mais cobiçado do planeta é oxítono e não abre.

Cinco

Ibero é a forma alatinada de ibérico. Uma e outra designam os originários da Península Ibérica, que engloba Portugal e Espanha. A sílaba tônica de ambas é a mesma — be.

Seis

Gratuito, fortuito e circuito são como unha e carne. Nas três, o ui forma ditongo. Não se separa nem com sangue, suor e lágrimas. Vamos combinar? Se a fortona recaísse no i, o acentão pediria passagem como em cuíca.

Sete

Linguiça, tranquilo, cinquentenário & cia. perderam os anéis, mas mantiveram os dedos. Em bom português: a reforma ortográfica lhes cassou o trema, mas a pronúncia nem ligou. Sabida, hein? A reforma é ortográfica. Só atingiu a grafia das palavras.

(Dad Squarisi)

Não Tropece na Língua

10/12/2016 às 3:20 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Língua Brasil. Sou assinante desse site. Recomendo fortemente a quem escreve com frequência. Publico hoje a edição do dia 03 desse mês. A autora cita o Professor Marcos Bagno, linguista da UnB que muito admiro. Norma culta, língua padrão… E as eternas perguntas contnuam: quem é o culto da língua culta ? quem dita o padrão da língua ? quem é, enfim, o dono da língua ?


Nº 258 – 3 ª edição

03/11/2016

NORMA CULTA E LÍNGUA-PADRÃO – I

“As palavras são tecidas a partir de uma multidão de fios

ideológicos e servem de trama a todas as relações sociais

                  em todos os domínios.”  (Bakhtin) 

Tenho recebido de vários leitores indagações sobre o que é afinal a língua-padrão, termo que começou a circular fora do meio acadêmico. É diferente de norma culta? Trata-se de sinônimos?

Quando acessam a internet e buscam uma página como o Língua Brasil para solucionar dúvidas, os consulentes – que já falam e escrevem português cotidianamente – desejam ampliar seu capital linguístico obtendo conhecimentos que estejam de acordo com a modalidade de língua chamada padrão ou culta. Por isso achei oportuno trazer essa questão a discussão neste espaço semanal. Procurarei fazê-lo em linguagem o menos possível acadêmica e acessível aos leitores interessados.

***

Mesmo que não se mencione terminologia específica, é evidente que se lida no dia a dia com níveis diferentes de fala e escrita. É também verdade que as pessoas querem “falar e escrever melhor”, querem dominar a língua dita culta, a correta, a ideal, não importa o nome que se lhe dê.

O padrão de língua ideal a que as pessoas querem chegar é aquele convencionalmente utilizado nas instâncias públicas de uso da linguagem, como livros, revistas, documentos, jornais, textos científicos e publicações oficiais; em suma, é a que circula nos meios de comunicação, no âmbito oficial, nas esferas de pesquisa e trabalhos acadêmicos.

***

Não obstante, os linguistas entendem haver uma língua circulante que é correta mas diferente da língua ideal e imaginária, fixada nas fórmulas e sistematizações da gramática. Eles fazem, pois, uma distinção entre o real e o ideal: a língua concreta com todas suas variedades de um lado, e de outro um padrão ou modelo abstrato do que é “bom” e “correto”, o que conformaria, no seu entender, uma língua artificial, situada num nível hipotético.

Para os cientistas da língua, portanto, fica claro que há dois estratos diferenciados: um praticamente intangível, representado nas normas preconizadas pela gramática tradicional, que comporta as irregularidades e excrescências da língua, e outro concreto, o utilizado pelos falantes cultos, qual seja, a “linguagem concretamente empregada pelos cidadãos que pertencem aos segmentos mais favorecidos da nossa população”, segundo Marcos Bagno (A norma oculta: língua e poder na sociedade brasileira. SP: Parábola, 2003, p. 51).

Convém esclarecer que para a ciência sociolinguística somente a pessoa que tiver formação universitária completa será caracterizada como falante culto (urbano).

Sendo assim, como são presumivelmente cultos os sujeitos que produzem os jornais, a documentação oficial, os trabalhos científicos, só pode ser culta a sua linguagem, mesmo que a língua que tais pessoas falam e os textos que produzem nem sempre se coadunem com as regras rígidas impostas pela gramática normativa, divulgada na escola e em outras instâncias (de repressão linguística) como o vestibular.

Isso é o que pensam os linguistas. E o povo – saberá ele fazer a distinção entre as duas modalidades e os dois termos que as descrevem?


* Maria Tereza de Queiroz Piacentini Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros ‘Só Vírgula’, ‘Só Palavras Compostas’ e ‘Língua Brasil – Crase, pronomes & curiosidades’ – www.linguabrasil.com.br

** Autorizamos a publicação da coluna, sem qualquer ônus, em jornais,
revistas e sítios da Internet. Luiz Fernando de Queiroz, diretor

FONTE: http://www.linguabrasil.com.br/

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