LÍNGUA BRASIL

06/07/2019 às 3:01 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Assino há alguns anos um meillist do site LÍNGUA BRASIL (http://www.linguabrasil.com.br/). Português é uma língua que devemos estudar todos os dias. Hoje publico algumas boas dicas de lá.


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DESAPERCEBIDO, GARÇOM, INFLIGIR, IMINENTE, INEPTO, LISTRADO, LASER

> Despercebido, desapercebido
Podes crer, amigo, que tuas atitudes esquisitas não me passam despercebidas.
Foram acampar desapercebidos de fósforo.

Despercebido  = sem ser notado, não visto ou não ouvido, impercebido; desatento, distraído, desacautelado (o mesmo que “desapercebido”, neste caso).
Desapercebido = desprovido, desguarnecido; desatento, desacautelado.

> Garçom, garção
Deixamos 10% de gorjeta para o garçom / garção.

Adaptamos nossa escrita à pronúncia francesa e ficou mais bonito: garçom (plural: garçons). A forma garção existe mas é desusada no Brasil.

> Infligir, infringir
Acho que se devem infligir penas maiores aos infratores reincidentes das normas de trânsito.
Com essa atitude, os dois países infringiram várias regras de conduta internacional.

O infrator infringe (transgride, desrespeita). Infligir é aplicar ou cominar pena, castigo, repreensão etc.

> Iminente, eminente
Visitaram a cidade, embora a soubessem ameaçada pela iminente erupção de um vulcão.
Para defendê-lo, contratou um dos juristas mais eminentes do país.

Iminente = que ameaça acontecer breve, logo, de imediato. [para facilitar, associe esse i com o i de imediato ou de início: “que está para iniciar”]

Eminente = elevado, alto, que excede os outros; sublime.

> Inapto, inepto
Apesar do treino intensivo proporcionado pela empresa, Paulinho foi considerado inapto para exercer as funções de digitador.
Políticos ineptos não são uma raridade, infelizmente.


Inapto
quer dizer “não apto, incapaz, inabilitado”. Inepto, além de “sem nenhuma aptidão”, tem ainda o significado de “bobo, tolo, idiota”. Portanto, ser chamado de inepto pode ser realmente ofensivo. Os substantivos respectivos são: inaptidão einépcia.

> Listradas, listadas
Roupas listradas / listadas voltam à moda de vez em quando.

Listado é derivado de lista (relação, rol). Listrado é derivado de listra (linha, faixa, risco, traço). Na linguagem da moda, listrado comuta com listado. Mas não se pode fazer o contrário, pois uma coisa constante de um rol só pode ser listada.

> Laser, lazer
Um sistema de computadores e raio laser guia a bomba a seu destino.
A heterogeneidade dos grupos sociais se encontra na praia, o lugar-comum do lazer.

A palavra laser (pronuncia-se “lêiser”) formou-se com as iniciais de “light amplification by stimulated emission of radiation”, ou seja, amplificação de luz pelo estímulo da emissão de radiação; em outras palavras: emissão de luz concentrada. O português lazer é o nosso descanso, o ócio criativo.


* Maria Tereza de Queiroz Piacentini Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros ‘Só Vírgula’, ‘Só Palavras Compostas’ e ‘Língua Brasil – Crase, pronomes & curiosidades’ – www.linguabrasil.com.br

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Drauzio entrevista Pasquale

20/03/2019 às 3:05 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | 1 Comentário
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Muito boa essa entrevista. O Professor Pasquale já esteve aqui antes, muito bom !


ESCREVER É COMO FAZER PÃO

07/03/2019 às 3:01 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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A professora Elaine Rodrigues já esteve aqui antes, por indicação do amigo Dattoli, do blog “O Bem Viver”. Retorna agora, também por indicação dele, com essa boa analogia. Vale conferir !


ESCREVER É COMO FAZER PÃO

O texto precisa de tempo para crescer, criar formas, ter sabores. Primeiro, você escolhe os ingredientes do pão de sua preferência. Depois, acrescente, aos poucos, cada item dessa receita e vá misturando-os levemente. Em seguida, comece a sovar a massa. Essa parte exige mais esforço. E quando ela estiver no ponto, deixe-a descansar por alguns minutos. Após isso, leve ao forno para assar. Só depois desse processo, você comerá o pão.

Com o texto não é diferente. Escreva-o. Guarde-o. Deixe-o repousar por alguns minutos, horas, dias… O tempo que precisar. Assim, você poderá voltar e analisá-lo melhor. Ver detalhes que passaram despercebidos na primeira escrita. Poderá editar, repensar ou alterar as frases, os parágrafos, as ideias, aprimorando sua produção textual — dando formas, tons, cores e sabores à sua escrita. Mas cuidado: não esqueça o texto por muito tempo, não deixe-o parado, senão ele se perde, estraga ou “queima no forno”.

(Elaine Rodrigues)

FONTE: https://eredigindo.wordpress.com/2019/02/24/escrever-e-como-fazer-pao/#like-1105

Escritores que não leem

06/09/2018 às 11:00 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 5 Comentários
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Esse veio por intemédio do blog-amigo “O Bem Viver”. Questões absurdas, óbvias, mas que valem a pena serem colocadas porque vivemos numa sociedade e num tempo do mais puro e simplório nonsense.


Escritores que não leem

Outro assunto polêmico. Aliás, estou até com medo que alguém tire meu blog do ar, pois ultimamente tenho escrito muitas coisas polêmicas aqui (e aqui também). Mas enfrentarei o risco, porque “num guento” as coisas que acontecem comigo. Preciso falar.

Como sou professora de redação, frequentemente um escritor (a) iniciante envia seus textos originais para eu dar uma opinião técnica sobre sua escrita. Esses e-mails ou mensagens geralmente terminam com a pergunta:

“Professora, você acha que eu serei (ou sou) um bom escritor (a)?”

Oh! quem sou eu para definir a carreira literária de alguém? Porém, como sou cautelosa nas minhas respostas (e nunca as emito sem sinceridade técnica e incentivo textual), abstenho-me; e respondo essa pergunta com outras perguntas:

Há quanto tempo você escreve?
E qual sua frequência na leitura dos livros clássicos?

E, para minha surpresa, o tal escritor (a) responde:

“Escrevo há muitos anos, amo escrever!  Mas não gosto de ler. Quase não leio…”

Agora, meus amigos leitores, vou “psicografar” aqui meu monólogo interior quando leio uma mensagem dessa:

Oi? Como assim? Um escritor que não gosta de ler? Não entendi? É a mesma coisa de um engenheiro que não gosta de números. E um padeiro que não quer colocar a mão na massa do pão. Ou um médico que tem pavor de sangue! O que vou dizer para essa pessoa? DaiMePaciênciaSenhor!

Não se trata de gostar de ler — mas de necessidade de leitura. Ou você acha que Machado de Assis fez curso de escrita? E Olavo Bilac assistia aos vídeos no YouTube sobre como escrever bem? Pensa que José de Alencar tinha acesso aos blogs de escrita criativa? Não! Eles só tinham os livros. Liam — e reliam os clássicos. (Machadão lia até a Bíblia.) Não é à toa que Carlos Drummond de Andrade disse que é lendo os grandes clássicos literários que descobrimos nosso estilo textual e aumentamos nossa capacidade criativa.

E você não precisa ser PHD em Literatura para escrever bem, mas, no mínimo, a atividade de um escritor requer uma frequência e intimidade com seu principal material de trabalho — a palavra.

Claro, pode ler outros livros também, não somente clássicos. A leitura aumenta a capacidade lexical de quem escreve e desperta várias formas diferentes de redigir uma ideia, uma frase, um parágrafo, um livro… Clichê demais? Ou será que eu estou falando besteira? (Ajudem-me aí, amigos escritores!)

Dia desses, uma professora experiente disse para mim: “Quanto menos um escritor ler melhor, porque ele não sofrerá influências textuais.” (Oooii???  MasGeeente!!!)

Questiono-me com tristeza por que raramente encontro livros contemporâneos textualmente talentosos? Por que muitos escritores de hoje apelam excessivamente para a sexualidade e sentimentalismo do leitor, a fim de vender mais? E por que dificilmente vemos inteligência literária nos autores atuais? Talvez a resposta esteja no título desse post.

Quem não lê, não quer saber; quem não quer saber, quer errar.”
Antônio Vieira (filósofo, escritor, orador e conhecido como o “Imperador da Língua Portuguesa”.)

Ler muito é um dos caminhos para a originalidade; uma pessoa é tão mais original e peculiar quanto mais conhecer o que disseram os outros.”
Miguel de Unamuno, poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo e filósofo espanhol.

P.S.: Se o meu blog não sair do ar, continuarei falando sobre esse assunto (rsrs).

Elaine Rodrigues
Professora de Redação e Literatura
E-mail: eredigindo@gmail.com

FONTE: https://eredigindo.wordpress.com/2018/08/25/escritores-que-nao-leem/#like-923

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