GREVE GERAL

28/04/2017 às 7:36 | Publicado em Fotografias e desenhos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Depois de anos, muito enferrujado e com pouca paciência, volto hoje às ruas junto a milhões de trabalhadores brasileiros prejudicados com as recentes reformas de um governo ilegítimo e temerário !


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Camarotização: por que o brasileiro gosta tanto de segregar o espaço?

27/04/2017 às 3:47 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Do ELPAÍS. Excelente artigo. Confiram !


Camarotização: por que o brasileiro gosta tanto de segregar o espaço?

 

Lojas em Trancoso (BA).

Lojas em Trancoso (BA). Luciano Andrade Ag. Estado

Camarotização. A gourmetização do espaço. A palavra ganhou força na última semana depois de aparecer no tema da redação do vestibular da USP, o mais concorrido do país, mas já faz tempo que o camarote faz sucesso ao prometer fazer do cidadão um ser diferenciado – para usar uma palavra cara ao público adepto.

De comícios políticos à farra do Carnaval, quem está no camarote não quer ser qualquer um. Em Salvador, no maior carnaval do mundo, participa quem paga – e caro- para ter direito a uma camiseta estampada com diversos logos dos patrocinadores. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, para ter acesso ao espaços exclusivos no Carnaval é preciso desembolsar até mais de 1.000 reais.  A promessa é viver a festa rodeado de celebridades rodeadas de jornalistas. Os famosos mais trendy, porém, ficam em um cercadinho ao qual quase ninguém tem acesso. É a camarotização do camarote.

O Carnaval foi um start, mas não está sozinho no movimento de camarotização do país. Um dos lugares que lideram o ranking dos mais camarotizados do Brasil também está na Bahia: Trancoso. Há  20 anos era uma praia de pescadores, semideserta, só alcançada por aventureiros (inclusive os endinheirados tradicionais) e hippies. Agora, nas palavras da jornalista e consultora de moda Gloria Kalil, no Réveillon, virou uma espécie de “Cannes tropical”.

“Daqui a pouco, os moradores e antigos frequentadores só vão poder entrar no pedaço se estiverem com um vestido de marca, uma maquiagem de palco e um crachá que os autoriza a circular como no melhor estilo Festival de Cannes em dia de premiação final”, disse Kalil, em sua coluna.

O Brasil sempre foi avesso e segregado. Apesar de ter a ideologia da mistura, na verdade sempre foi o pior dos apartheids

A camarotização, neste caso na política – com seus cercadinhos em cerimônias oficiais e comemorações -, também horroriza Andrea Matarazzo (PSDB), vereador que carrega o sobrenome de uma família da alta sociedade paulistana. “Getúlio Vargas fazia sucesso porque andava no meio do povo”, conta ele. “O Lula, idem”, diz. “E eu adoraria ser o Lula”.

Acesso e renda

Mas, afinal, de festas a eventos públicos, por que o Brasil gosta tanto de segregar o espaço? Para Rosana Pinheiro-Machado, antropóloga e professora da Universidade de Oxford, a aversão à mistura é o resultado de anos de desigualdade social no país. “O que está por trás [da camarotização] é o desejo de distinção em uma sociedade colonizada como a nossa e marcada por uma grande estratificação social”, diz.

“O Brasil sempre foi avesso e segregado. Apesar de ter a ideologia da mistura, na verdade sempre foi o pior dos apartheids”, diz a antropóloga brasileira. Para ela, o acesso das camadas mais pobres da população ao que antes era exclusivo dos mais ricos potencializou a camarotização. “No Brasil pós-Lula, as pessoas das camadas mais populares estão acessando o que antes era exclusivo aos brancos de elite”, conta. “Isso faz com que o racismo e a discriminação saiam do armário.” Por outro lado, “é também um fenômeno de todas as classes. O cara mais rico de uma comunidade quer camarote também. Afinal, o modelo hegemônico de distinção é pervasivo, se espalha.”

É nos aeroportos que esse desconforto com o acesso fica explícito, diz Pinheiro-Machado. Antes, andava de avião quem tinha muito dinheiro. Com a ascensão da classe média, os aeroportos estão mais cheios, e os mais ricos tiveram que se misturar aos mais pobres. As companhias aéreas logo correram para tentar reverter isso: “As companhias aéreas brasileiras, que nos últimos anos só tinham a classe econômica, agora voltam a ter assentos ‘diferenciados’, mais caros e com mais espaço”, diz a professora. “O conforto, na verdade, é apenas uma desculpa apara agradar o passageiro rico que não quer ter o desprazer de sentar ao lado de sua empregada doméstica“, explica. “É uma forma sutil de segregação.”

A fuga dessa segregação no avião se reflete em um dado econômico do país: o Brasil está em segundo no ranking das maiores frotas de jatinhos e helicópteros particulares do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Para usar um termo popular nos camarotes – se é que podemos usar as palavras popular e camarote na mesma frase -, o que “agrega valor”, além de camarotizar, é exibir o ato, com ou sem pau de selfie. Cesar Giobbi, colunista social há décadas, culpa as redes sociais pelo exibicionismo adotado pela elite.  “A indiscrição surgiu com a comunicação exacerbada”, diz.

Para Giobbi, a camarotização é o primeiro indício de que o lugar está decadente. Primeiro, um lugar como Trancoso se populariza, então é preciso camarotizá-lo para não perder o elã diferenciador, mas aí ele já perdeu a graça para a primeira elite que o frequentava como exclusivo.

“Quando chega nesse auge, em que o absurdo passa a ser incorporado, o lugar perde a graça”, diz. “Sapato de salto Louboutin no Quadrado não precisa. Tudo tem lugar e hora”, conta. Em tempo: “Quadrado” é o apelido usado pelos habitués de Trancoso, os de antes da camarotização, porque o local foi habitado inicialmente em torno de um gramado quadrado.

Mas se há um movimento que camarotiza os lugares, também há o contrário a ele: a pipocação. No Carnaval, quando você está fora do cordão ou do camarote, você está ‘na pipoca’.

E no embate camarotização x pipocação, às vezes os da pipoca parecem se divertir mais. Na corrida de São Silvestre, que ocorre há mais três décadas no último dia do ano em São Paulo, pode-se pagar pela inscrição – 135 reais – ou correr na pipoca. Os pró-segregação reclamam da “bagunça” e dizem: “paguei 135 reais e é essa zona”, irritados. Enquanto isso, a maioria – inscrita ou não – se diverte. Fantasiados, eles vão ao longo trajeto de 15 quilômetros desfrutando da sensação de correr na Avenida Paulista – e não é fugindo da polícia em alguma manifestação – e de se sentir parte da cidade.

(Marina Rossi)

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/17/politica/1421520137_687513.html?id_externo_rsoc=FB_BR_CM

É normal ?

13/04/2017 às 11:01 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Excelente artigo ! NÃO, não é normal o que estamos presenciando neste país nos últimos tempos !

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Está tudo normal. Né?

O mais desesperador não é assistir a isso tudo: é o fato de que a vida segue em frente, como se só pudesse ser assim mesmo

 

O mais desesperador não é assistir a isso tudo: é o fato de que a vida segue em frente, como se só pudesse ser assim mesmo Era para ser o ponto culminante do drama que conflagrou o Brasil inteiro ao longo dos últimos dois anos, rompendo famílias, exterminando relações, espalhando ódio, depressão e ansiedade por toda a nação. Finalmente, esta semana, chegou a hora do Tribunal Superior Eleitoral julgar se a chapa Dilma-Temer conquistou o poder de maneira criminosa, e portanto merece ter a eleição anulada.

Mas não saiu como se esperava. O anticlímax dos últimos dias foi aterrador.

De um lado, o PSDB, que se posicionou ao longo da crise toda como inimigo da corrupção e defensor de princípios, autor da ação que estava sendo julgada, perdeu totalmente o interesse no assunto. Seu líder histórico, FHC, defendeu o deixa-disso numa declaração na qual afirmou que a cassação seria muita “confusão”.

Já o PT, que há quase um ano vem gritando “golpe”, está nitidamente trabalhando para salvar Michel “Fora” Temer da cassação (de maneira a salvar Dilma também). Seus advogados estão enrolando, ao pedir prazo com a intenção óbvia de ganhar tempo, de maneira a permitir que o presidente, seu inimigo declarado, indique juízes mais simpáticos à sua causa.

Ok, é assim a vida real. Os partidos estão fazendo cálculos políticos e nenhum deles parece muito interessado em derrubar Temer agora – preferem deixá-lo arcando sozinho com sua impopularidade abismal, enquanto se preparam para lançar candidatos à sua sucessão, em 2018. Não importa que Temer tenha se revelado corrupto e incompetente – melhor assim, até, não terão que disputar contra um candidato popular tentando reeleição.

Não importa que agir dessa maneira destrua as narrativas que os dois lados vêm construindo há meses: então o PT apoia o golpe e o PSDB nem liga tanto assim para a corrupção? Não importa que 90% do Brasil ache que o país esteja no rumo errado, que a aprovação de Temer se aproxime do nível mais baixo da história desta nação, que a maior parte da população ache que ele é pior que Dilma. Não importa que Temer, enquanto não cai, siga tomando decisões cujas consequências impactarão nossas vidas por décadas. Não importa sequer que as provas para cassá-lo sejam abundantes e muito difíceis de contestar. É assim que é porque é assim que é porque é assim que é.

Para mim, o mais desesperador não é assistir a isso tudo: é perceber como a vida segue impávida seu rumo, como se não fosse nada demais. Perceber como tanta gente que se envolveu em brigas apaixonadas por causa de política, apontando dedos acusatórios contra os adversários, está disposta a tolerar a incoerência de seu próprio grupo político, como se nada de estranho estivesse acontecendo. O pior não é a loucura desvairada que estamos vivendo: é a sensação de normalidade que a acompanha. O rei está completamente nu e seguimos elogiando o bom gosto de seu alfaiate.

Aí eu me lembro que, nesta mesma semana, uma menina de 13 anos, cheia de potencial, morreu atravessada por três balas, na quadra esportiva de sua escola, num subúrbio do Rio, e que os tiros foram disparados por policiais, que se “defenderam” dizendo que só estavam executando uns traficantes. E que, ainda assim, a vida seguiu, normal. E me ocorre que algo muito mais sério e profundo e difundido e doentio está acontecendo com todos nós.

No final do ano passado, dois pesquisadores do departamento de psicologia da Universidade Yale publicaram um estudo que ajuda a entender o fenômeno. Os cientistas estudaram como ocorre o processo de “normalização” de algo. O que eles descobriram é ao mesmo tempo surpreendente e assustador: eles perceberam que nosso cérebro tem uma espécie de bug. Tendemos a confundir o que é “normal” com o que é “certo”, ou mesmo “ideal”. Se vemos algo acontecer com muita frequência, acabamos acreditando que esse comportamento é aceitável.

Então, não surpreende que num país como o nosso, onde histórias de corrupção política e violência policial são corriqueiras, a população acabe acreditando que essas coisas são ok, positivas até. E que veja com desconfiança pessoas que escapam dessa narrativa. Políticos que defendem mudanças profundas no sistema político ou que denunciam os ataques aos direitos humanos acabam sofrendo enorme rejeição, porque são vistos como “anormais”. Marcelo Freixo, um dos únicos capazes de enfrentar a máfia que dominou o Estado brasileiro, arriscando sua vida por isso, acaba ganhando fama de proteger bandidos: o exato oposto do que ele faz. Tampouco surpreende que esta nossa época turbulenta, dominada pelo ritmo de escândalos diários imposto pelas redes sociais, acabe deturpando a democracia a favor de políticos capazes de atos ultrajantes. Beócios como Trump ou Bolsonaro, obviamente incapazes de assumir qualquer responsabilidade séria, acabam se viabilizando pela “normalização” da ideia de que um político é um canalha truculento.

Aliás, vale a pena assistir ao terrível (e longo) documentário “HyperNormalisation”, produzido pela BBC, que conta a história de como, ao longo das últimas quatro décadas, a humanidade normalizou a ideia de que a política é incapaz de mudar o mundo, acostumando todos nós a todo tipo de atrocidade. O filme define assim a hipernormalização: “você é tão parte do sistema que se torna impossível enxergar além dele”. Todos sabemos que os políticos estão mentindo, mas aceitamos acreditar neles porque não conseguimos ver nenhuma alternativa.

Fácil ficar pessimista diante desse quadro. Mas há também sinais que trazem algum alento. Veja por exemplo o desfecho da outra história que dominou as conversas desta semana: o abuso sexual cometido pelo ator José Mayer contra a figurinista Susllen Tonani, durante a gravação de uma novela da Globo. Após uma tentativa inicial de Mayer e da Globo de normalizar o fato, o galã sofreu tanta pressão que acabou se confessando culpado. Escreveu uma carta na qual assumia que “brincadeiras” ofensivas de cunho sexual não são normais: “espero que este meu reconhecimento público sirva para alertar a tantas pessoas da mesma geração que eu, aos que pensavam da mesma forma que eu, aos que agiam da mesma forma que eu, que os leve a refletir e os incentive também a mudar”.

Muita gente se incomodou com a tentativa de Mayer de compartilhar a culpa da violência que cometia rotineiramente com sua geração inteira. É injusto, claro: muita gente da idade dele, provavelmente a maioria, jamais abusou de ninguém. Mas é verdade sim que Mayer cresceu num mundo que se acostumou a achar normal que um galã global rico e poderoso imponha sua vontade a uma moça jovem e desconhecida. Aliás, não é só a geração dele: isso era normal até anteontem. Eu, que sou um quarto de século mais novo que ele, ouvi muitas histórias de violência sexual – às vezes contadas às gargalhadas em rodinhas em festas corporativas (ambientes de poder são especialmente propícios a abusos). Era tão normal que eu ria amarelo e mudava de rodinha, em vez de fazer o que eu deveria ter feito, que é chamar a polícia.

Mas, para a desgraça de Mayer, isso mudou de repente – nos últimos três ou quatro anos. As mesmas redes sociais usadas para normalizar canalhices e violências têm sido veículo para vítimas contarem histórias que até então eram silenciadas. Os pesquisadores de Yale falam sobre isso em sua pesquisa: não é tão difícil assim desnormalizar o que antes era normal. Às vezes basta ouvir uma história para que algo que nos parecia perfeitamente aceitável revele-se uma atrocidade.

Por isso, é importante sempre se lembrar que essas coisas não são normais. Não é normal que um figurão rico abuse sexualmente de jovens iniciantes. Não é normal que políticos moldem seus discursos ao sabor das conveniências. Não é normal que policiais executem sumariamente pessoas – sejam elas adolescentes talentosas ou traficantes do morro. Não é normal que um tribunal pago para fazer cumprir as regras eleitorais feche os olhos para trapaceiros. Não é normal que um desses trapaceiros se aproveite da podridão dos partidos e da omissão da Justiça para impor sua vontade a gerações de brasileiros. Não podemos parar de repetir: não é normal. Porque, se pararmos, corremos o risco de acordar de manhã achando tudo isso não apenas normal, mas inevitável.

(Denis R. Burgierman  é jornalista e escreveu livros como “O Fim da Guerra”, sobre políticas de drogas, e “Piratas no Fim do Mundo”, sobre a caça às baleias na Antártica. Foi diretor de redação de revistas como “Superinteressante” e “Vida Simples”, e comandou a curadoria do TEDxAmazônia, em 2010. Escreve semanalmente, às sextas-feiras, sobre a vida e suas complexidades.)

FONTE: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2017/Est%C3%A1-tudo-normal.-N%C3%A9

Reforma da Previdência: porque participar é preciso !

04/04/2017 às 3:38 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Raramente faço isso neste espaço. Mas urge que todos tomem as atitudes que puderem em prol do povo desta Nação.

ReformaPrevidencia

Se a reforma como está sendo proposta for aprovada, ela poderá condenar milhões a praticamente nunca receber todo o seu benefício de aposentadoria.
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