Bolsonaro e o Multiverso

16/09/2019 às 3:38 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Excelente artigo !


 

 

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É guerra !

09/09/2019 às 3:24 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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O ataque desde janeiro, como bem diz Veríssimo nessa ótima crônica, é do governo contra uma Nação, algo pelo menos por mim nunca visto nesta bela, inculta e incauta Pindorama !

Isto não é um país, isto é uma zona de guerra

 

 

 

 

 


É guerra !   

Nós estamos sendo atacados. Quem somos nós? É difícil nos definir. Temos tipos diferentes. Somos de raças e idades diferentes. Nossos cortes de cabelo, formatos do nariz, formatos de orelhas, gostos musicais, manias, interesses, preocupações, alergias, saldos bancários e cheiros corporais são variados, e torcemos por times diferentes.

Mas, no momento, o que deve nos unir é o fato, agora inegável, de que estamos sendo violentamente ataca- dos pelo nosso próprio governo. Temos que esquecer nossas diferenças e nos concentrar nesta verdade nua e crua: que isto não é um pais, isto é uma zona de guerra. E eles atiraram primeiro.

Cada novo pronunciamento do Bolsonaro é um morteiro que nos atinge. Cada nomeação esdruxula para o governo mais estranho da nossa História parece ter sido feita especificamente para nos obrigar a usar a palavra “esdrúxula”, o que inibe qualquer reação mais séria.

Temos o governo civil mais militar que o Pais já conheceu, para nos confundir. Aguarda-se a explicação que nosso futuro embaixador em Washington dará para isso, e em que língua.

A campanha mais intensa deles contra nós é a que está começando agora, com um ataque frontal à inteligência brasileira. Verbas para a  pesquisa estão sendo cortadas – as gargalhadas, não duvido- e isso é só o começo de cortes que virão em todo o sistema educacional, o primeiro sacrificado onde quer que “o mercado” derrote o bom senso. Para ganhar esta guerra pelos cérebros da nação, um lado tem a força e a tesoura e o outro tem a indignação estéril – mas que pode surpreender. Estudantes estão voltando às ruas.

Pelas pesquisas de avaliação, a popularidade do Bolsonaro e a aprovação do governo estão caindo. Pesquisas de opinião são enganosas, podem refletir o entusiasmo de um momento e nada mais. De qualquer maneira, nós, mesmo desorganizados, estamos começando a nos mobilizar.

(Luis Fernando Veríssimo)

FONTE: principais jornais do país, 05.09.2019

 

A web de ontem, a web de amanhã

03/09/2019 às 3:01 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Esse veio do blog “O Bem Viver“. Quando me aventurei no Mestrado em Educação pela Universidade do Estado da Bahia há alguns anos, tive oportunidade de ler alguns livros de Pierre Lévy, todos muito bons. Das questões tratadas por ele, a da autoria com as novas TIC sempre foram uma preocupação minha expressa em vários posts neste espaço. No link da notícia original há vídeos dele (https://www.fronteiras.com/artigos/a-web-de-ontem-a-web-de-amanha).

Portanto, é algo muito, muito aberto, no qual a distinção entre proprietários de mídias, produtores, autores, consumidores, autores e leitores, está em via de se apagar progressivamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


A web de ontem, a web de amanhã

A noção de democratização é sempre importante na história dos instrumentos simbólicos. A escrita, no começo, era o privilégio dos escribas; depois, numa evolução gradativa, todo o mundo aprendeu a ler e a escrever.

No início, os computadores só podiam ser manipulados por especialistas, em pequeno número, porque era muito difícil fazer computadores funcionarem. Depois, a evolução técnica, a evolução da programação, levou à essência do computador pessoal, isto é, um computador que se pode utilizar sem ser especialista e cujo preço é relativamente acessível.

Então, por um lado, a informática pessoal se difunde e, por outro, uma rede de computadores começa a se constituir. A grande invenção, a grande ideia da Internet é simplesmente dar a cada computador da rede um endereço, de modo que todos os computadores possam se comunicar entre si. No fundo, a Internet é um sistema de endereçamento dos computadores interconectados.

A partir dos anos 1980, fala-se de convergência e de digitalização das mídias. Começa-se a produzir material sonoro digitalizado, material visual digitalizado, material textual digitalizado. E disseram: “Mas se tudo afinal pode ser codificado com zero e um e se é possível transformar, criar, intercambiar as imagens, os sons, os textos e tudo o que se quiser com computadores, então vai haver uma espécie de convergência de todas as mídias nesse novo meio de comunicação digital.”

Era um pequeno número de pessoas que pensava assim nos anos 1980. Mas isso começou a ficar evidente por volta da metade dos anos 1990 com o aparecimento da World Wide Web.

E o que é a World Wide Web? Bem, é um sistema de endereçamento. Mas, em vez de ser um sistema de endereçamento dos computadores, como na Internet, é um sistema de endereçamento de páginas.

Assim, cada página na Web terá um endereço particular. E, como cada página tem um endereço, pode-se fazer a ligação de uma página a uma outra. São os famosos hiperlinks. É assim que a Web constitui um imenso hipertexto ou hiperdocumento que reúne todos os documentos que se encontram dentro.

Será que a coisa se detém aí? Acredito que não. Acredito que estamos só no começo da construção do ciberespaço e que, provavelmente, haverá outras evoluções. A Internet é o início das comunidades virtuais, o início da convergência das mídias, a apropriação pessoal do poder da informática.

A Web, porém, trata-se de uma imensa transformação cultural, porque é a primeira vez que se tem uma esfera pública mundial.

Antes, a esfera pública era essencialmente nacional, ela se baseava na imprensa, no rádio, na televisão e, hoje, a comunicação se dá diretamente de forma mundial.

Ela é multimídia e, além disso, em vez de ser controlada principalmente pelos que possuem grandes empresas de comunicação, é apropriada e distribuída de forma cada vez mais democrática por todo o mundo.

Todo o mundo pode ter seu site, seu blog. Todo o mundo pode contribuir, digamos, para a acumulação do conhecimento, por exemplo, que se faz nas grandes enciclopédias como a Wikipédia.

Portanto, é algo muito, muito aberto, no qual a distinção entre proprietários de mídias, produtores, autores, consumidores, autores e leitores, está em via de se apagar progressivamente.

Assim, essa nova esfera pública é não apenas mundial, ela possui igualmente características muito particulares nas quais cada ator vai interagir com os outros. Desta forma, já há uma grande revolução na comunicação. Mas, em minha opinião, ainda é só o começo.

A direção em que trabalho é uma direção na qual uma nova camada virá se acrescentar a todas as camadas precedentes. Camadas que seriam baseadas no endereçamento não mais de páginas, mas no endereçamento de conceitos, no endereçamento das ideias.

O que tenho em mente é um espaço infinito, absolutamente aberto, que contenha todas as ideias, todos os conceitos possíveis e imagináveis.

Mas, embora esse espaço seja infinito, mesmo assim podemos coordená-lo de uma maneira precisa. É um pouco como o espaço físico. O espaço físico é infinito, mas um ponto nesse espaço pode ter coordenadas bem definidas num plano matemático.

No mundo das ciências da informação, geralmente se distinguem os chamados dados e os metadados. Os dados são os documentos mesmos; por exemplo, numa biblioteca, um livro. E os metadados sobre esse livro é o que está escrito na pequena ficha que há nos fichários das bibliotecas.

É a informação sobre o dado. E é esse metadado que permite classificar os dados e fazer pesquisas nos dados, reencontrá-los mais facilmente. Então, esses endereços de conceitos fariam parte de um sistema de metadados.

Assim, o que imagino é um sistema universal de endereçamento de conceitos que poderiam servir de camadas de metadados sobre todos os dados existentes na Web, e que nos permitiriam explorar muito mais aquilo que hoje a memória universal está esboçando no horizonte dessa civilização do saber.

Embora todos os dados estejam reunidos no mesmo lugar, embora todos estejam interconectados tecnicamente, eles permanecem separados no plano semântico.

Por quê? Porque falamos línguas diferentes no planeta. E não apenas falamos línguas diferentes, mas, quando trabalhamos num domínio de conhecimentos particular, temos disciplinas. E cada disciplina tem seus próprios conceitos, sua própria maneira de organizar as coisas.

Temos sistemas de documentos diferentes, temos sistemas de organização de conhecimentos ligados a disciplinas diferentes e, em geral, incompatíveis.

A inteligência coletiva, a exploração da memória coletiva em via de se construir, ainda está muito abaixo do que poderia ser. Seria preciso realizar uma espécie de interconexão semântica, além da interconexão material que existe entre páginas e computadores.

Se conseguirmos fazer isso, as consequências positivas serão muito importantes no sentido de um aumento da inteligência coletiva global, aumento não só do raciocínio lógico, mas também do processo de interpretação, dos processos hermenêuticos, de tudo que nos permite dar sentido à informação ou ao dado bruto.

Importantes, é claro, no sentido de um aumento das interpretações possíveis, não no sentido de um fechamento das interpretações possíveis. Trata-se de aumentar a capacidade da interpretação, não de reduzi-la.

(Pierre Lévy)

FONTE: https://www.fronteiras.com/artigos/a-web-de-ontem-a-web-de-amanha

 

 

Apocalipse now ?

26/08/2019 às 3:53 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Após ler esse artigo da Professora Yvette Amaral, a pergunta que veio imediatamente a minha mente foi essa: será o apocalipse ? A pergunta que ela faz ao final do texto é para toda a humanidade:

Será que estamos cegos ? Será que podemos dormir tranquilos sem questionar: qual a minha missão em relação à história nesse momento derradeiro de salvação ou perdição?

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NA PONTE RIO-NITEROI

Conhecer o Rio de Janeiro foi um dos primeiros sonhos da minha adolescência. Quando realizado, o coração embevecido exclamou: que cidade linda! Hoje, depois de conhecer vários continentes e tantas metrópoles diferentes, confesso ter tido poucos deslumbramentos como o de sentir-me abençoada pelo Cristo Redentor. no alto do Corcovado, contemplando a então capital do Brasil.

Na terça passada, 20 de agosto, vi pela TV o sequestro de um ônibus com 38 reféns na ponte Rio-Niteroi. Exclamei com muita tristeza: pobre Rio! Deus a fez uma cidade maravilhosa; os homens a tornaram uma metrópole de grande risco. Não comento detalhes porque foram bastante divulgados pela mídia. Apenas destaco uma cena para mim desconcertante: o governador da cidade, num gesto de euforia, desce de um helicóptero, aplaudindo a morte do criminoso, como uma grandiosa ação do policial. Que insensata atitude de quem administra uma comunidade! Fez-me lembrar a chegada de jogadores de futebol quando o seu time vence.

A análise do fato exige cautela para não parecer louvor a um e reprovação ao outro. Uma morte pede respeito qualquer que tenha sido a sua causa. Se o policial tem uma consciência madura, nem ele se aplaudiu. Julgou-se, sim, cumpridor do dever, preservando vidas naquele instante sob sua tutela. A sua habilidade foi ímpar, merecedora até de promoção dentro da incorporação. Agiu com tamanha destreza que não feriu ninguém. Este ato de compromisso com a segurança pública foi prestado e com toda a competência, e infelizmente ele não conseguiria sucesso pleno sem abater o marginal. Foi “um mal necessário”, mas nem por isso deixa de ser uma ação nefasta.

A ocorrência mostra bem a que ponto chegamos no confronto do bem contra o mal? Um cidadão precisando matar um irmão para salvar outros.

Como sairemos desse pântano que nos prende, se a lama nos nega o necessário oxigénio para sobreviver? Evidente que nenhuma proposta objetiva e completa consegue ser feita num artigo de jornal. Registro, porém, algo que refleti durante essa semana e que me faz prosseguir convicta da necessidade de reconstruir o mundo sobre novos alicerces. Num documento conhecido como “Agenda 2030” da ONU se lê: “Podemos ser a primeira geração a ter sucesso em acabar a pobreza; assim como também pode ser a última a ter uma chance de salvar o planeta”. A profecia é terrível, e a ameaça apavorante. Não se trata da dimensão do fato em si, mas da sucessão de ocorrências apocalípticas simultâneas. O mundo inteiro está em convulsão. Será que estamos cegos? Será que podemos dormir tranquilos sem questionar: qual a minha missão em relação à história nesse momento derradeiro de salvação ou perdição?

(Yvette Amaral)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 25.08.2019

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