Não consigo respirar neste Brasil (des)governado

05/06/2020 às 8:21 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Nem eu ! Mas fica a pergunta que não quer calar: quem consegue respirar, os 30 % ?

Ao final estou com Cora Coralina:quero mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros” !

Exclamacao


Não consigo respirar neste Brasil (des)governado  Frei Betto

Últimas palavras de George Floyd também se aplicam ao Brasil, escreve Frei Betto

Foram as últimas palavras de George Floyd: “Não posso respirar”. Eu também.

Não consigo respirar neste Brasil (des)governado por militares que ameaçam as instituições democráticas e exaltam o golpe de Estado de 1964, que implantou 21 anos de ditadura; elogiam torturadores e milicianos; acertam o “toma lá, dá cá” com notórios corruptos do Centrão; plagiam ostensivamente os nazistas; manipulam símbolos judaicos; tramam, em reuniões ministeriais, agir ao arrepio da lei; proferem palavrões em reuniões oficiais, como se estivessem num antro de facínoras; debocham de quem observa os protocolos de prevenção à pandemia e saem às ruas, indiferentes aos mais de 31 mil mortos e suas famílias, como a celebrar tamanha letalidade.

“Não posso respirar” quando vejo a democracia asfixiada; a Polícia Militar proteger neofascistas e atacar quem defende a democracia; o presidente mais interessado em liberar armas e munições que recursos para combater a pandemia; o Ministério da Educação dirigido por um semianalfabeto que ameaça reprisar a Noite dos Cristais dos nazistas, proclama odiar povos indígenas e propõe prender os “vagabundos” do Supremo Tribunal Federal.

“Não posso respirar” ao ver os comandantes das Forças Armadas calados diante de um presidente destemperado que não esconde ter como prioridade de governo a sua proteção e a de seus filhos, todos suspeitos de graves crimes e cumplicidade com assassinos profissionais.

“Não posso respirar” diante da inércia dos partidos ditos progressistas, enquanto a sociedade civil se mobiliza em contundentes manifestos de indignação e pela defesa da democracia.

“Não posso respirar” diante desse empresariado que, de olho nos lucros e indiferente às vítimas da pandemia, pressiona para a abertura imediata de seus negócios, enquanto os leitos hospitalares estão lotados, e covas rasas se multiplicam nos cemitérios quais gengivas desdentadas de Tânatos.

“Não posso respirar” quando, no Brasil e nos EUA, cidadãos são agredidos, presos, torturados e assassinados pelo “crime” de serem negros e, portanto, “suspeitos”.

Falta-me ar ao ver João Pedro, um garoto de 14 anos, perder a vida dentro de casa ao levar um tiro de fuzil pelas costas, enquanto brincava com amigos. Ou entregadores de encomendas serem assassinados por policiais que nos consideram imbecis ao tentar justificar a morte de tantos civis desarmados.

“Não posso respirar” ao pensar que o bárbaro crime cometido contra George Floyd se repete todos os dias e permanecem impunes por não haver ali uma câmera capaz de flagrar assassinatos semelhantes.

Ou ao ver Trump, do alto de sua arrogância, reagir aos protestos antirracistas ameaçando calar os manifestantes com o indiciamento deles como terroristas e a intervenção de tropas do Exército.

Como oxigenar minha cidadania, meu espírito democrático, minha tolerância, ao me ver cercado por mimólogos da Ku Klux Klan; generais improvisados em ministros da Saúde em plena tragédia sanitária; manifestantes infringirem, impunes, a lei de segurança nacional; e a Bolsa de Valores subir, enquanto milhares de caixões baixam nas tumbas que recebem as vítimas da pandemia?

Preciso respirar! Não deixar que sufoquem a sociedade civil, a mídia, a liberdade de expressão, a arte, os direitos civis, o futuro dessa geração condenada a viver esse presente nefasto.

Respiro, apesar de tudo, quando leio o que o estilista Marc Jacobs postou no Instagram depois de ter uma de suas lojas destruída pelos protestos em Los Angeles: “Nunca deixe que eles te convençam que vidro quebrado ou saque é violência. Fome é violência. Morar na rua é violência. Guerra é violência. Jogar bomba nas pessoas é violência. Racismo é violência. Supremacia branca é violência. Nenhum cuidado de saúde é violência. Pobreza é violência. Contaminar fontes de água para obter lucro é violência. Uma propriedade pode ser recuperada, vidas não”.

Faço meus os versos de Cora Coralina: quero “mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros”.

(Frei Betto)

FONTE: http://cartunistasolda.com.br/nao-consigo-respirar-neste-brasil-desgovernado/

A BRANQUITUDE INVIABILIZA A HUMANIDADE

30/05/2020 às 18:35 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Muito bom esse artigo do Professor Marlon Marcos.

Stop


A BRANQUITUDE INVIABILIZA A HUMANIDADE

É doído se enxergar como branco, porque vergonhoso, em um país como o Brasil ou os Estados Unidos. A herança da expansão econômica europeia, ao longo da chamada modernidade, nos trouxe ao mais terrível holocausto da humanidade: a escravidão em cima dos humanos negros africanos. Como a raça branca se efetivou como a mais privilegiada e auto assistida no planeta? Através da mecânica social do racismo estrutural que se vigora em um modus vivendi que podemos chamar, em referência a Achille Mbembe, de necropolítica.

A branquitude como projeto de manutenção de poder produz a morte no mundo. É um lugar a ser problematizado e desconstruído se desejamos a saúde das relações sociais, raciais, humanas se assim preferirem. Mas é duro existir como gente sob o peso do racismo vigente emporcalhando o nosso lugar de humanos. É duro ser ético, consciente, antirracista e branco. Mas precisamos violentar a lógica desse sistema racista que se fortalece no capitalismo e nas relações hierarquizadas das classes e dos gêneros. Precisamos de uma reeducação socioexistencial. Compreender que esse “projeto de branco” agencia a exclusão de milhões de pessoas no mundo e mata. Mata cruelmente. Despedaça sonhos e arranca muitos da sua integridade como pessoa vivente no mundo.

Os indígenas e os negros são as maiores vítimas. No Brasil, eles são aviltados por nosso Estado e governos. Atualmente, o risco perverso da morte tira a mínima tranquilidade desses grupos humanos. O presidente da República e seu ministério esparramam seu ódio, frente à imprensa internacional, dirigido aos povos majoritários no processo civilizatório deste país.

A gente dorme e acorda com a morte de crianças negras, assassinadas nas ruas e dentro de suas casas por esse país afora. Para me rasgar de indignidade bastaria citar Davi Fiúza, na Bahia, e no Rio de Janeiro, Ágata, Marcus Vinícius (alvejado pelas costas indo para a escola), João Pedro, morto na insegurança do seu lar de família preta e pobre das favelas. Com o fascismo atual, virou heroísmo de branco praticar o genocídio contra negros e indígenas no Brasil.

Vivemos assim: Salvador, cidade túmulo, como escreve Hamilton Borges, ou Salvador, negro rancor, como expressa Fábio Mandingo. Em Belo Horizonte: Rondó da ronda noturna, grito de Ricardo Aleixo. Davi Copenawa avisa que o céu vai cair. Krenak canta para adiar a queda.

Não me sai da cabeça: um homem negro sendo morto pelo joelho de um homem policial branco sobre o seu pescoço, nos Estados Unidos de Trump.

Aqui a branquitude finge dormir sabendo do preço que terá que pagar, mesmo aqueles que estão em reconstrução. E o poeta baiano Lande Onawale ginga: dá!?/ dá!? /dá no nêgo!?/ no nêgo você não dá. E continua: “vou pingando a alma e o mar vem”.

(Marlon Marcos)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, hoje

Sebastião Salgado, a pandemia e os índios

06/05/2020 às 2:23 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Que belo vídeo esse do brilhante Sebastião Salgado !


METAFÍSICA CANINA

25/04/2020 às 2:48 | Publicado em Fotografias e desenhos | Deixe um comentário
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Esse vem do blog jlcarneiro.com . Excelente !


willtirando_planckdog

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