A SUBLEVAÇÃO TOGADA

04/04/2018 às 9:33 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Um país inteiro aguarda ansiosamente a decisão de onze “semideuses”, que se reúnem hoje no “Olimpo” às 14 h. Algo está errado, profundamente errado, em terras de Pindorama. E o pior, para quem viveu ou leu a nossa História, os militares estão inquietos, dentro e agora fora dos quartéis…

Parece que o Brasil está se transformando numa imensa Bahia. Hoje Lula pode ser preso após a decisão dos “semideuses” supra. E mesmo assim vai se candidatar à Presidência da República, com amplas possibilidades de ser eleito pelo povo. E, além de tudo isso, há um movimento internacional querendo que ele finalmente ganhe o Prêmio Nobel da Paz, na cadeia…

“Pense num absurdo- nesse caso a prisão de Lula- na Bahia e no Brasil há precedente “

Olho-Brasil


A SUBLEVAÇÃO TOGADA

O “manifesto” de juízes e procuradores, disfarçado de “nota técnica”, agora encabeçado pelo indecoroso ex-procurador da República Rodrigo Janot – um homem ao qual o recato não durou seis meses e que agora se dedica a questionar sua sucessora e chefe (pois ainda está na ativa) Raquel Dodge – representa uma intolerável sublevação de parte do Ministério Público e da Magistratura contra a ordem jurídica.

Não é difícil provar que assim é, apenas substituindo os personagens e o cenário.

Alguém consegue imaginar – para ficar na Justiça que tanto idolatram – um abaixo-assinado de magistrados norte-americanos dizendo como a Suprema Corte deve julgar determinado caso?

Ou alguém consegue figurar que capitães e coronéis subscrevam advertências ao Alto Comando do Exército?

As pressões se tornaram tão intensas que a sessão do STF, na quarta-feira (amanhã), assume ares não apenas de decisão jurídica, mas também de natureza administrativa-disciplinar.

Do contrário, estabelecer-se-á a regra de que as decisões do Supremo, agora, serão tomadas pelos ativismos de juízes e promotores: eles decidem o que a corte vai, apenas, formalizar.

A monstruosidade de relativizar um princípio e, confessadamente, dizer que a falta de provas não é fator desqualificante de uma sentença condenatória, foi apenas o início: o que se tem agora é um levante de togas contra a autoridade do Supremo Tribunal Federal (STF).

E não contra ou a favor de uma tese, mas de um homem.

Afinal, a “nota técnica” surgiu apenas agora, quando é o caso do ex-presidente Lula que está em julgamento. Não houve um pio quando a questão foi discutida, despersonalizadamente, ao julgarem-se as liminares nas ações diretas de inconstitucionalidade sobre o tema, aquelas a que, cavilosamente, Cármen Lúcia tem recusado o julgamento do mérito.

Não é uma questão jurídica, é de ódio ideológico. E não decide que a Operação Lava Jato sobrevive ou não, a não ser que se admita que a Lava Jato só tivesse e tenha como objetivo prender o ex-presidente Lula. É dessa a “técnica jurídica” que os sublevados estão se servindo: a intimidação de ministros, especialmente Rosa Weber, para ditar o resultado de um julgamento.

(Roberto Fiorini, advogado)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 03.04.2018

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Ecos da Semana Santa: uma interpretação econômica

03/04/2018 às 3:20 | Publicado em Artigos e textos, Espaço ecumênico, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Interessante interpretação dos Evangelhos.


Jesus não morreu pelos “nossos pecados” e sim por enfrentar o sistema

JESUS

PRISÃO DE CRISTO 1621. OBRA DE GUERCINO

Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados. Essa é a resposta que normalmente se dá para aqueles que perguntam por que o Filho de Deus terminou seus dias na forma mais infame para um judeu, o patíbulo da cruz, a morte dos amaldiçoados por Deus (Gl 3,13).

Jesus morreu pelos nossos pecados. Não só pelos nossos, mas também por aqueles homens e mulheres que viveram antes dele e, portanto, não o conheceram e, enfim, por toda a humanidade vindoura. Sendo assim, é inevitável que olhando para o crucifixo, com aquele corpo que foi torturado, ferido, riscado de correntes e coágulos de sangue expostos, aqueles pregos que perfuram a carne, aqueles espinhos presos na cabeça de Jesus, qualquer um se sinta culpado … o Filho de Deus acabou no patíbulo pelos nossos pecados! Corre-se o risco de sentimentos de culpa infiltrarem-se como um tóxico nas profundezas da psiquê humana, tornando-se irreversíveis, a ponto de condicionar permanentemente a existência do indivíduo, como bem sabem psicólogos e psiquiatras, que não param de atender pessoas religiosas devastadas por medos e distúrbios.

No entanto, basta ler os Evangelhos para ver que as coisas são diferentes. Jesus foi assassinado pelos interesses da casta sacerdotal no poder, aterrorizada pelo medo de perder o domínio sobre o povo e, sobretudo, de ver desaparecer a riqueza acumulada às custas da fé das pessoas.

A morte de Jesus não se deve apenas a um problema teológico, mas econômico. O Cristo não era um perigo para a teologia (no judaísmo havia muitas correntes espirituais que competiam entre si, mas que eram toleradas pelas autoridades), mas para a economia. O crime pelo qual Jesus foi eliminado foi ter apresentado um Deus completamente diferente daquele imposto pelos líderes religiosos, um Pai que nunca pede a seus filhos, mas que sempre dá.

A próspera economia do templo de Jerusalém, que o tornava o banco mais forte em todo o Oriente Médio, era sustentada pelos impostos, ofertas e, acima de tudo, pelos rituais para obter, mediante pagamento, o perdão de Deus. Era todo um comércio de animais, de peles, de ofertas em dinheiro, frutos, grãos, tudo para a “honra de Deus” e os bolsos dos sacerdotes, nunca saturados: “cães vorazes: desconhecem a saciedade; são pastores sem entendimento; todos seguem seu próprio caminho, cada um procura vantagem própria”  (Is 56, 11).

Quando os escribas, a mais alta autoridade teológica no país, considerando o ensinamento infalível da Lei, veem Jesus perdoar os pecados a um paralítico, imediatamente sentenciam: “Este homem está blasfemando!” (Mt 9,3). E os blasfemos devem ser mortos imediatamente (Lv 24,11-14). A indignação dos escribas pode parecer uma defesa da ortodoxia, mas na verdade, visa salvaguardar a economia. Para receber o perdão dos pecados, de fato, o pecador tinha que ir ao templo e oferecer aquilo que o tarifário das culpas prescrevia, de acordo com a categoria do pecado, listando detalhadamente quantas cabras, galinhas, pombos ou outras coisas se deveria oferecer em reparação pela ofensa ao Senhor. E Jesus, pelo contrário, perdoa gratuitamente, sem convidar o perdoado a subir ao templo para levar a sua oferta.

“Perdoai e sereis perdoados” (Lc 6,37) é, de fato, o chocante anúncio de Jesus: apenas duas palavras que, no entanto, ameaçaram desestabilizar toda a economia de Jerusalém. Para obter o perdão de Deus, não havia mais necessidade de ir ao templo levando ofertas, nem de submeter-se a ritos de purificação, nada disso. Não, bastava perdoar para ser imediatamente perdoado…

O alarme cresceu, os sumos sacerdotes e escribas, os fariseus e saduceus ficaram todos inquietos, sentiram o chão afundar sob seus pés, até que, em uma reunião dramática do Sinédrio, o mais alto órgão jurídico do país, o sumo sacerdote Caifás tomou a decisão. “Jesus deve ser morto”, e não apenas ele, mas também todos os discípulos porque não era perigoso apenas o Nazareno, mas a sua doutrina, e enquanto houvesse apenas um seguidor capaz de propagá-la, as autoridades não dormiriam tranquilas (“Se deixarmos ele continuar, todos acreditarão nele … “, Jo 11,48). Para convencer o Sinédrio da urgência de eliminar Jesus, Caifás não se referiu a temas teológicos, espirituais; não, o sumo sacerdote conhecia bem os seus, então brutalmente pôs em jogo o que mais estava em seu coração, o interesse: “Não compreendeis que é de vosso interesse que um só homem morra pelo povo e não pereça a nação toda?” (Jo 11,50).

Jesus não morreu pelos nossos pecados, e muito menos por ser essa a vontade de Deus, mas pela ganância da instituição religiosa, capaz de eliminar qualquer um que interfira em seus interesses, até mesmo o Filho de Deus: “Este é o herdeiro: vamos! Matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança” (Mt 21,38). O verdadeiro inimigo de Deus não é o pecado, que o Senhor em sua misericórdia sempre consegue apagar, mas o interesse, a conveniência e a cobiça que tornam os homens completamente refratários à ação divina.

(Alberto Maggi. Tradução: Francisco Cornélio)

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Alberto Maggi, biblista italiano, frade da Ordem dos Servos de Maria, estudou nas Pontíficias Faculdades Teológicas Marianum e Gregoriana de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversos livros, como A loucura de Deus: o Cristo de João, Nossa Senhora dos heréticos

Francisco Cornélio, sacerdote e biblista brasileiro, é professor no curso de Teologia da Faculdade Diocesana de Mossoró (RN). Fez seu bacharelado no Ateneo Pontificio Regina Apostolorum, em Roma. Atualmente, está em Roma novamente, para o doutorado no Angelicum (Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino), onde fez seu mestrado

FONTE: http://www.redebrasilatual.com.br/entretenimento/2018/03/jesus-nao-morreu-pelos-nossos-pecados-sim-por-enfrentar-sistema

Escritor diz que IA vai forçar o surgimento de uma classe de inúteis em 2050

19/03/2018 às 3:19 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Sapiens – Uma breve História da humanidade”, de Yuval Noah Harari, é um livro imperdível. O autor lança agora esse prognóstico para o ano 2050, confiram !


Escritor diz que IA vai forçar o surgimento de uma classe de inúteis em 2050

No futuro, a crise do emprego não vai passar apenas pela economia e falta de investimento. Com a evolução da tecnologia, esse cenário pode crescer ainda mais, no momento em que muitas tarefas deixem de ser executadas por humanos.

Esse é o raciocínio do escritor Yuval Noah Harari, que escreveu um artigo para o jornal inglês The Guardiam em que lançou a seguinte ideia: até o ano de 2050, vai aparecer uma nova categoria de pessoas – a dos inúteis.

Professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e autor de dois livros que estão fazendo muito sucesso no Brasil, Sapiens — Uma Breve História da Humanidade e Homo Deus — Uma Breve História do Amanhã (ambos lançados pela Companhia das Letras), Harari define essa nova classe como “pessoas que não serão apenas desempregadas, mas que não serão empregáveis”.

O desenvolvimento da inteligência artificial terá papel fundamental nessa previsão, segundo o escritor. A tecnologia vai forçar o nascimento de novas profissões, mas o problema é que nem todos vão conseguir se reinventar e encontrar um espaço na nova ordem das coisas. Com isso, se tornarão profissionais que não conseguem se reinserir no mercado de trabalho, pois a tecnologia vai mudar a forma como tudo é produzido, gerenciado e distribuído.

Vida no mundo virtual

Entre as profissões que vão surgir baseadas no desenvolvimento da inteligência artificial está o designer do mundo virtual. Como a tecnologia se atualiza rapidamente, quem não estiver preparado para ela desde o início da carreira profissional pode não ter condições de se adaptar a essa agilidade.

Segundo Harari, um corretor de seguro pode fazer uma transição para o mundo virtual, mas o seu progresso será lento a tal ponto que, quando ele estiver apto, talvez tenha que se reinventar novamente pois a tecnologia já avançou.

Portanto, para o escritor, a questão não é criar novos empregos, mas sim criar empregos em que os humanos possam ter desempenho melhor do que algoritmos.

O escritor Yuval Noah Harari: seremos inúteis em 2050? (Reprodução: TED/Divulgação)

Possíveis soluções

Como possível solução, ele propõe um sistema de renda básica universal, mas o próprio Harari vê algumas limitações neste momento: como manter essas pessoas ocupadas e satisfeitas? “As pessoas devem se envolver em atividades com algum propósito, ou vão ficar loucas. Afinal, o que a classe inútil irá fazer o dia todo?”, questiona.

Outra solução apresentada pelo escritor são os games de realidade virtual em 3D, que poderiam proporcionar mais engajamento emocional do que a vida real. Ele compara essa tecnologia com as religões: “Se você reza todo dia, ganha pontos. Se você se esquece de rezar, perde pontos. Se no fim da vida você ganhou pontos o suficiente, depois que morrer irá ao próximo nível do jogo (também conhecido como céu)”.

A inteligência artificial está cada vez mais presente nas nossas vidas, e o que Harari aponta é que essa tecnologia deverá aumentar sua presença no cotidiano. A casa conectada, a Internet das Coisas, assistentes virtuais… tudo isso começa ser algo comum.

Se o mundo virtual ou os games em 3D serão a solução, ainda é cedo para saber. Enquanto isso, vamos acompanhando a tecnologia que a cada dia chega com novidades potencialmente capazes de transformar o mundo em que vivemos.

Fonte: The Guardian

FONTE: https://canaltech.com.br/rv-ra/escritor-diz-que-ia-vai-forcar-o-surgimento-de-uma-classe-de-inuteis-em-2050-106756/

Ficção ou Realidade ?

12/12/2017 às 3:24 | Publicado em Artigos e textos | 1 Comentário
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Muito bom esse artigo do Professor Paulo Ormindo de Azevedo. Estamos vivendo uma distopia mundial !

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O AVASSALADOR MUNDO NOVO

Roturas dos processos históricos são férteis na criação de ficções politicas. A passagem da Idade Média para a Modernidade gerou uma obra marcante da literatura, A Utopia. Nela, Thomas Morus denuncia a truculência da coroa inglesa e descreve uma sociedade ideal numa ilha, que dizem ser o Brasil, com seus índios. Vivemos hoje outra rotura com o fim da Modernidade. São muitas as ficções políticas atuais, mas de caráter anti-utópico, sob estados totalitários. Vou recordar três delas.

“O admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, de 1931, trata da manipulação genética e psicológica de um estado que tem o controle de todos os cidadãos e sofre o impacto da chegada de um “selvagem” com outros valores. Para alguns autores ela retrata o fim da utopia socializante europeia no pós-guerra de 1914. A manipulação genética em plantas e animais avança e ameaça chegar ao Homem. Inspirado em livro de Philip Dick, o filme “Blade Runner, o caçador de androides” retrata uma sociedade com “replicantes”, criados pela bioengenharia, que lutam contra “androides”, robôs com forma humana.

O romance de George Orwell “1984”, publicado em 1949 no pós-guerra mundial, retrata um estado totalitário com o chefão virtual Big Brother que nos vigia diuturnamente. Seria um alerta sobre o comunismo internacional, mas quem o implementou foi o capitalismo transnacional. Iphones, tabletes, smart TVs e câmaras monitoram nossas conversas, imagens e pensamentos. Os EUA não dão visas sem antes entrarem nas redes sociais que frequentamos. Os cartões de créditos monitoram nossos movimentos, vida econômica e preferências e nos bombardeiam com ofertas. A privacidade acabou.

Um livro de Arthur Clarke inspirou o filme “2001, uma Odisseia no Espaço”, de Kubrick em 1968. Nele vê-se a evolução do Homem e o domínio de seu destino e das relações com extraterrestres pela inteligência artificial de HAL, um supercomputador IBM surtado. Nas fabricas robôs substituem operários. Trens, metrôs e Teslas dispensam condutores. Estamos, como canta Zé Ramalho, nos transformando no Admirável gado novo. Isto é ficção ou realidade?

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 19.11.2017

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