Como realmente era a América antes da chegada de Colombo?

28/03/2022 às 3:16 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | 2 Comentários
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Esse video me lembrou Darcy Ribeiro, entre outros grandes !


Uma análise sociológica da política atual do Brasil

24/01/2022 às 2:07 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Publico hoje uma boa análise sociológica do que ocorre na política do Brasil nos dias de hoje. Um texto de Ivann Lago, Professor e Doutor em Sociologia Política.

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O Brasil levará décadas para compreender o que aconteceu naquele nebuloso ano de 2018, quando seus eleitores escolheram, para presidir o país, Jair Bolsonaro. Capitão do Exército expulso da corporação por organização de ato terrorista; deputado de sete mandatos conhecido não pelos dois projetos de lei que conseguiu aprovar em 28 anos, mas pelas maquinações do submundo que incluem denúncias de “rachadinha”, contratação de parentes e envolvimento com milícias; ganhador do troféu de campeão nacional da escatologia, da falta de educação e das ofensas de todos os matizes de preconceito que se pode listar.

Embora seu discurso seja de negação da “velha política”, Bolsonaro, na verdade, representa não sua negação, mas o que há de pior nela. Ele é a materialização do lado mais nefasto, mais autoritário e mais inescrupuloso do sistema político brasileiro. Mas – e esse é o ponto que quero discutir hoje – ele está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições.

Pelo contrário, como pesquisador das relações entre cultura e comportamento político, estou cada vez mais convencido de que Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país.

Quando me refiro ao “brasileiro médio”, obviamente não estou tratando da imagem romantizada pela mídia e pelo imaginário popular, do brasileiro receptivo, criativo, solidário, divertido e “malandro”. Refiro-me à sua versão mais obscura e, infelizmente, mais realista segundo o que minhas pesquisas e minha experiência têm demonstrado.

No “mundo real” o brasileiro é preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência… em quase tudo). É racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto.

Os avanços civilizatórios que o mundo viveu, especialmente a partir da segunda metade do século XX, inevitavelmente chegaram ao país. Se materializaram em legislações, em políticas públicas (de inclusão, de combate ao racismo e ao machismo, de criminalização do preconceito), em diretrizes educacionais para escolas e universidades. Mas, quando se trata de valores arraigados, é preciso muito mais para mudar padrões culturais de comportamento.

O machismo foi tornado crime, o que lhe reduz as manifestações públicas e abertas. Mas ele sobrevive no imaginário da população, no cotidiano da vida privada, nas relações afetivas e nos ambientes de trabalho, nas redes sociais, nos grupos de whatsapp, nas piadas diárias, nos comentários entre os amigos “de confiança”, nos pequenos grupos onde há certa garantia de que ninguém irá denunciá-lo.

O mesmo ocorre com o racismo, com o preconceito em relação aos pobres, aos nordestinos, aos homossexuais. Proibido de se manifestar, ele sobrevive internalizado, reprimido não por convicção decorrente de mudança cultural, mas por medo do flagrante que pode levar a punição. É por isso que o politicamente correto, por aqui, nunca foi expressão de conscientização, mas algo mal visto por “tolher a naturalidade do cotidiano”.

Se houve avanços – e eles são, sim, reais – nas relações de gênero, na inclusão de negros e homossexuais, foi menos por superação cultural do preconceito do que pela pressão exercida pelos instrumentos jurídicos e policiais.

Mas, como sempre ocorre quando um sentimento humano é reprimido, ele é armazenado de algum modo. Ele se acumula, infla e, um dia, encontrará um modo de extravasar. (…)

Foi algo parecido que aconteceu com o “brasileiro médio”, com todos os seus preconceitos reprimidos e, a duras penas, escondidos, que viu em um candidato a Presidência da República essa possibilidade de extravasamento. Eis que ele tinha a possibilidade de escolher, como seu representante e líder máximo do país, alguém que podia ser e dizer tudo o que ele também pensa, mas que não pode expressar por ser um “cidadão comum”.

Agora esse “cidadão comum” tem voz. Ele de fato se sente representado pelo Presidente que ofende as mulheres, os homossexuais, os índios, os nordestinos. Ele tem a sensação de estar pessoalmente no poder quando vê o líder máximo da nação usar palavreado vulgar, frases mal formuladas, palavrões e ofensas para atacar quem pensa diferente. Ele se sente importante quando seu “mito” enaltece a ignorância, a falta de conhecimento, o senso comum e a violência verbal para difamar os cientistas, os professores, os artistas, os intelectuais, pois eles representam uma forma de ver o mundo que sua própria ignorância não permite compreender.

Esse cidadão se vê empoderado quando as lideranças políticas que ele elegeu negam os problemas ambientais, pois eles são anunciados por cientistas que ele próprio vê como inúteis e contrários às suas crenças religiosas. Sente um prazer profundo quando seu governante maior faz acusações moralistas contra desafetos, e quando prega a morte de “bandidos” e a destruição de todos os opositores.

Ao assistir o show de horrores diário produzido pelo “mito”, esse cidadão não é tocado pela aversão, pela vergonha alheia ou pela rejeição do que vê. Ao contrário, ele sente aflorar em si mesmo o Jair que vive dentro de cada um, que fala exatamente aquilo que ele próprio gostaria de dizer, que extravasa sua versão reprimida e escondida no submundo do seu eu mais profundo e mais verdadeiro.

O “brasileiro médio” não entende patavinas do sistema democrático e de como ele funciona, da independência e autonomia entre os poderes, da necessidade de isonomia do judiciário, da importância dos partidos políticos e do debate de ideias e projetos que é responsabilidade do Congresso Nacional. É essa ignorância política que lhe faz ter orgasmos quando o Presidente incentiva ataques ao Parlamento e ao STF, instâncias vistas pelo “cidadão comum” como lentas, burocráticas, corrompidas e desnecessárias. Destruí-las, portanto, em sua visão, não é ameaçar todo o sistema democrático, mas condição necessária para fazê-lo funcionar.

Esse brasileiro não vai pra rua para defender um governante lunático e medíocre; ele vai gritar para que sua própria mediocridade seja reconhecida e valorizada, e para sentir-se acolhido por outros lunáticos e medíocres que formam um exército de fantoches cuja força dá sustentação ao governo que o representa.

O “brasileiro médio” gosta de hierarquia, ama a autoridade e a família patriarcal, condena a homossexualidade, vê mulheres, negros e índios como inferiores e menos capazes, tem nojo de pobre, embora seja incapaz de perceber que é tão pobre quanto os que condena. Vê a pobreza e o desemprego dos outros como falta de fibra moral, mas percebe a própria miséria e falta de dinheiro como culpa dos outros e falta de oportunidade. Exige do governo benefícios de toda ordem que a lei lhe assegura, mas acha absurdo quando outros, principalmente mais pobres, têm o mesmo benefício.

Poucas vezes na nossa história o povo brasileiro esteve tão bem representado por seus governantes. Por isso não basta perguntar como é possível que um Presidente da República consiga ser tão indigno do cargo e ainda assim manter o apoio incondicional de um terço da população. A questão a ser respondida é: como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados por tal governo?

20 DE NOVEMBRO: Dia Consciência Negra e de Zumbi

20/11/2021 às 2:36 | Publicado em Fotografias e desenhos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Hoje é o DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA ! Em homenagem a essa etnia presente, se não explicitamente no fenótipo de todo brasileiro, certamente no genótipo de todos nós, posto hoje esse desenho que fiz ano passado durante o primeiro Curso de Desenho que fiz no Estúdio Daniel Brandão.

E, aproveitando a ocasião, pergunto junto com milhões de brasileiros: QUEM MATOU E QUEM MANDOU MATAR MARIELLE ?


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Abraço de afogado

08/06/2021 às 3:11 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Mais um bom artigo do Professor Carlos Zacarias de Sena Júnior da UFBA. Nesse ele explica de forma clara as diferenças entre as manifestações recentemente ocorridas no país, algumas pró e outras contra o DESgoverno protofascista instalado neta bela, incauta e inculta Pindorama.

exclamacao


ABRAÇO DE AFOGADO CarlosZacarias

Falando a apoiadores no cercadinho do Alvorada após as manifestações da oposição realizadas no sábado, 29, Bolsonaro tentou minimizar o acontecimento dizendo que tinha “faltado erva”. O ex-capitão, que senta na cadeira de presidente quando não está espalhando o vírus por aí, desdenhou do imenso sucesso dos atos que pediram o seu impeachment, tentando associar a imagem dos manifestantes a consumidores de maconha, mas só demonstrou desespero.

Acuado pela CPI da Covid-19 que acaba de completar um mês, Bolsonaro cada dia teme mais pelas digitais que deixou no desastre que é a gestão da pandemia no Brasil. Por isso tenta sair das cordas, dirigindo vitupérios aos opositores e espalhando mentiras, porque sabe que se sobreviver até 2022, chegará bastante debilitado. Também escalou seus filhos e principais aliados para atacar os atos da oposição, que foi apontado pelos bolsonaristas como causadores de aglomeração, o que retiraria a moral dos críticos da conduta do presidente.

É claro que houve aglomeração. Milhares de pessoas nas ruas não podem se reunir mantendo o distanciamento. Entretanto, diferentemente das manifestações dos bolsonaristas, os atos realizados pela oposição primaram pelas regras sanitárias, com distribuição de máscaras PFF4, recomendação de distanciamento e orientação para o uso de álcool em gel. Foi, portanto, defendendo o cuidado e exigindo a vacina que milhares de pessoas saíram às ruas e outras tantas permaneceram em casa, resguardando-se ou sentindo-se pouco seguras e esperando outras oportunidades para gritarem sua indignação. Sobre o assunto, as entidades do campo da esquerda já começam a se reunir para pensar os próximos movimentos, entendendo que tão ou mais letal que o vírus é a necropolítica encastelada no Palácio do Planalto, o que deve fazer com que ainda mais gente se junte aos protestos.

Obviamente que Bolsonaro vai fazer o que lhe cabe, inclusive vai tentar posar de estadista, como fez no pronunciamento em rede nacional desta quinta, quando distorceu dados e contou inúmeras mentiras, sendo, contudo, abafado pelos panelaços por todo o país.

O presidente continua negando para a sua base aquilo que salta aos olhos: que está se enfraquecendo, que as milhares de pessoas que saíram às ruas em plena pandemia não suportam mais o seu governo, que há muito mais legitimidade e força da parte dos seus opositores do que dos aliados e que o quadro do país sugere que seu governo tende a afundar. Isso será o suficiente para sua base fanatizada seguir o berrante, mas será cada vez menos eficiente para quem planeja reeleição em 2022, principalmente para a sua instável base aliada, atraída a peso de ouro para a fileira do bolsonarismo, mas prestes a descobrir que o governo é como o Titanic, cujo capitão segura o leme navegando firme rumo ao iceberg.

(Carlos Zacarias de Sena Júnior)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 04.06.2021

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