2 de julho

2, Julho, 2009 at 5:02 am | In Artigos e textos, Zuniversitas | 4 Comments

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Esta é uma das datas mais importantes para o povo da Bahia. Foi nela, em 1823, que os baianos heroicamente expulsaram de vez os portugueses desta bela terra. 2deJULHO5

Este trecho da nossa história é riquíssimo e cheio de 2deJULHO4personagens e mártires interessantes como o Brigadeiro Madeira de Melo e Joana Angélica, Miguel Calmon e Frei Brayner, Maria Quitéria e o General Pedro Labatut, além dos “Encourados de Pedrão”, com destaque especial para a então vila, hoje cidade, de Cachoeira, ponto focal do conflito. Mais detalhes da história podem ser vistos na wikipedia ou no link 2 DE JULHO .

Para homenagear o povo baiano faço agora este post triplo com matérias de dois baianos natos e de um baiano ‘importado’ de São Paulo. Os dois primeiros são Aninha Franco com o seu “NASCE O SOL A 2 DE JULHO ” publicado no suplemento MUITO do jornal ATARDE do dia 28 último, Milton Santos retratado em entrevista à professora Maria Auxiliadora da Silva no mesmo suplemento e por último Ricardo Chemas, em entrevista também do mesmo suplemento mas de uma semana antes (21/junho), todos três já frequentadores deste espaço em outras oportunidades, algumas recentes, outras mais antigas.

O objetivo deste post é este mesmo: o de misturar três ingredientes intelectuais da melhor qualidade da terra brasilis: a história da Bahia (e do Brasil), com Aninha Franco; a Educação, a Geografia e a Sociologia, com Milton Santos; e a Educação, a Medicina e a Psicanálise, com Ricardo Chemas.

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“PELA DIFICULDADE EU VENÇO”

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A Fundação Gregório de Mattos promete apresentar o desfile de hoje no seu site: http://www.cultura.salvador.ba.gov.br/index2.php
 
Clique a seguir para ler os três artigos/entrevistas que menciono acima.

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Matéria programável (!?)

30, Junho, 2009 at 3:11 pm | In Zuniversitas | Leave a Comment

A ficção científica de “O Exterminador do Futuro” chegou, ou está chegando. Ainda quando estudava Engenharia (a Mecânica), e isso já faz um tempão – pelo menos três décadas – a ciência dos materiais já era um campo promissor, o estudo dos semicondutores nascendo em terras de Pindorama, uma tendência anunciada por alguns cientistas.

Pois vejam o que eu li na imprensa e na Internet (OGLOBO) sobre o assunto:

  • Primeiro ponto interessantíssimo é a transmissão de energia sem fio e nesse sentido a experiência da Intel é algo notável;
  • Segundo a questão da modificação da matéria com experiências e pesquisas no MIT e em Harvard;
  • Componentes de hardware dos catoms, os nanorrobôs formam a base da matéria programável, o futuro chegando !

nanorobos

 

 

PROGRAMAR UM MATERIAL NÃO SIGNIFICA APENAS MONTAR UM OBJETO REPLICÁVEL. PODE-SE, POR EXEMPLO, MUDAR SUA COR. EM VEZ DE PINTAR OS CABELOS, NANOPARTÍCULAS REAGIRIAM À LUZ E DARIAM A IMPRESSÃO DA COR

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Ìntegra da matéria da Internet:

PESQUISADORES ESTUDAM MATERIAIS CAPAZES DE ASSUMIR QUALQUER FORMA

RIO – Pense no Exterminador do Futuro dos filmes: um ciborgue capaz de mimetizar qualquer coisa ou pessoa, inclusive o assoalho de um aposento. Pura ficção científica, dirá você. Nem tanto: pesquisas envolvendo instituições e empresas de peso nos EUA – a mais poderosa delas, a DARPA, braço de pesquisa dos militares e berço da internet – já proclamam o futuro da chamada “matéria programável” (programmable matter, em inglês). A ideia é criar objetos especiais capazes de mudar de forma sob instruções (ou mesmo automaticamente, se autorreprogramando), para executar funções específicas. Seriam, ao mesmo tempo, computadores (em escala nano ou maior) e programas, com um grau de sofisticação ímpar.

As aplicações seriam muitas, da defesa à medicina. O químico Mitchell Zakin, diretor da divisão de materiais programáveis da DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency), explicou o conceito numa conferência interna para os cientistas da própria agência:

- Com a matéria programável, poderíamos construir materiais e máquinas inteligentes que se adaptariam ao ambiente que as cerca – disse. – Como uma asa de avião capaz de ajustar as características de sua superfície em resposta às mudanças climáticas. Poderíamos fazer uma chave de fenda acoplável a qualquer tamanho de parafuso em tempo real. Ou uma peça sobressalente que poderia assumir a forma, o tamanho e as especificações para substituir qualquer coisa. E imagine uma roupa que mantivesse nossa temperatura normal no Ártico ou no Saara.

Zakin especula que, no futuro, soldados poderiam carregar em seus veículos de combate uma espécie de lata cheia de partículas de várias formas, tamanhos e funções. Precisando de um martelo, ele enviaria uma mensagem à lata, cujas partículas se rearrumariam para criar a ferramenta. Depois de usá-la, o mesmo soldado precisaria de um alicate. Bastaria depositar o martelo na lata, enviar o comando e voilà, as partículas se rearranjariam, formando o alicate.

Outro centro em que se pesquisa a matéria programável é a Universidade de Carnegie-Mellon. Lá a disciplina é batizada de “claytronics” (algo como “eletrônica da argila”). Partindo do mesmo conceito, a equipe que trabalha na área a define como uma mídia eletrônica capaz de oferecer aos usuários um jeito original de passar informação, integrando tato, visão e audição, numa experiência inédita. “Suponha que a pessoa usando a informação possa interagir fisicamente com ela. Esse é o conceito da barrotrônica, também conhecida como matéria programável”.

A universidade trabalha em parceria com a Intel, pesquisando substâncias e possibilidades de programação para criar objetos – e quiçá réplicas de organismos vivos – com tais propriedades. A Intel batizou sua pesquisa como Dynamic Physical Rendering (DPR) – renderização física dinâmica – e, nos documentos referentes a ela, aponta para um futuro não muito diferente do que vemos nos filmes do Exterminador, só que para o lado do bem. “Num hospital em Houston, dois cirurgiões parecem realizar uma difícil operação cardíaca num paciente. Mas só um dos médicos é real: o outro é uma réplica em tamanho real do cirurgião de verdade, que está ajudando o colega… de Tóquio. Essa réplica tem a mesma aparência e movimentos do cirurgião japonês, imitando seus procedimentos à perfeição”. O objetivo da divisão é criar réplicas tão precisas de objetos e seres que todos as tomariam por reais.

É claro que a pesquisa ainda está bem no início, mas a meta da Intel é nos livrar dos equipamentos pesadões de visualização virtual em 3D e ir muitísismo além dos hologramas. “As réplicas imitariam as formas e a aparência de uma pessoa, sendo geradas em renderização física em tempo real, e se moveriam exatamente como suas matrizes. Não seriam hologramas – você poderia interagir com eles e tocá-los, como se as pessoas estivessem na sala.” Não lhes parece uma turbinagem do conceito do Holodeck na nave “Enterprise” do seriado “Jornada nas Estrelas: a nova geração”?

O princípio da matéria programável são os chamados “catoms” (claytronic atoms), que seriam nanorrobôs ou nanocomputadores reconfiguráveis e capazes de se reorganizar, trocar de forma e se comunicar com seus “colegas”.

Por trás desses catoms estão dois conceitos muito loucos. Um é a chamada “infoquímica” – mistura de computação com as propriedades de determinadas substâncias, que visa a construir materiais já com a informação embutida em sua estrutura. Outro é a “mesomatéria” (mesomatter). Para entender melhor esse último conceito, é preciso lembrar que, segundo Zakin, a maioria dos materiais quase não muda suas características. Já a mesomatéria é construída em pequenos blocos especiais, capazes de mudar de forma, tamanho, composição e funções. Já dá para imaginar o que ela faria junto com a programação embutida em sua estrutura química, não?

No Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a linha de pesquisa mostra justamente como funcionam essas duas premissas: eles criaram um material autodobrável através de programação, como se fosse um origami (a tradicional arte japonesa de dobrar papel) de última geração. Já a Universidade de Harvard se baseou no nosso conhecido “cubo mágico” (daí nossa ilustração da capa) para criar um material programável capaz de assumir as mais variadas formas.

Outra turma de Harvard levou os estudos ainda mais além, manipulando faixas de DNA através de uma nova linguagem de programação criada especialmente para isso. Com as instruções enviadas ao DNA, os cientistas de Massachusetts estão tentando criar uma espécie de “velcro” no nível molecular, fazendo as sequências da substância aderirem a certas superfícies. Mais um passo em direção a um material extremamente flexível.

- Desde sempre há a ideia de criar uma máquina que seja autoprogramável, replicando um carro, uma impressora e assim por diante. Se isso for possível, do ponto de vista técnico, essa máquina conseguiria replicar, inclusive, a si mesma – diz Tatiana Rappoport, professora adjunta do Departamento de Física dos Sólidos, no Instituto de Física da UFRJ. – A outra vertente nessa história é a combinação de física e química com biologia, buscando usar o próprio DNA para montar estruturas simples. Mas isso ainda está no começo, é bastante rudimentar.

Ela lembra que há materiais novos, não presentes na natureza, que podem ser moldados segundo o objetivo dos pesquisadores. O cristal líquido é um deles, bem como os metamateriais, cuja relação com a luz pode ser modificada.

Esses metamateriais, inclusive, são usados em estudos sobre invisibilidade, já que alguns deles permitiriam ocultar um objeto desviando dele a luz de determinada maneira.

- Programar um material não significa apenas montar um objeto replicável. Pode significar, por exemplo, mudar sua cor – explica Tatiana. – Certa vez houve uma palestra aqui na UFRJ de uma indústria cosmética. Eles fazem pesquisas com nanopartículas de modo que elas interajam com a luz e modifiquem sua cor. Então, em vez de pintarmos os cabelos de preto ou vermelho, usaríamos substâncias com essas nanopartículas que, programadas para reagir à luz assim ou assado, dariam a impressão de que o cabelo é preto ou vermelho. Trocando em miúdos: vem aí o cabelo “programável”.

Na Intel, a pesquisa sobre os materiais já foi abordada nos Intel Developer Foruns (IDFs). O CTO (diretor de tecnologia) da gigante dos processadores, Justin Rattner, classificou a tecnologia num IDF como a forma definitiva de impressão digital de objetos de qualquer forma imaginável. A estimativa de Rattner é que, se por enquanto a maioria dos protótipos de catoms tem quatro centímetros de diâmetro (como os protótipos mostrados nas páginas anteriores) o desafio de tornar programável o coração da matéria deve levar de uns cinco a dez anos.

E o futuro dos materiais programáveis também depende da transmissão de energia sem fio. Eu disse “de energia”, porque a transmissão de informações já acontece comumente, haja vista a profusão de celulares, smartphones e pontos de acesso WiFi mundo afora. Os materiais autônomos conseguiriam gerar energia suficiente para o processamento em seus circuitos, mas ainda se questiona de quanta energia precisariam para se aproximarem uns dos outros e constituírem as novas formas solicitadas pelas instruções da programação.

Não por acaso, a Intel também está de olho nessa área e criou um protótipo com duas espirais de cobre distantes aproximadamente 60 centímetros uma da outra. Através de um campo eletromagnético, uma espiral transmite de forma wireless a energia elétrica para a outra, em cujo topo há uma lâmpada que se acende. O campo gerado poderia ser usado não só nas pesquisas, mas para carregar notebooks, netbooks, celulares e smartphones. Haja espírito inventivo.

Leia também:

Na ficção, ciborgues turbinados e um e-convés

Vídeo simula o potencial da matéria programável

Educar, verbo transitivo – DIRETO !

22, Junho, 2009 at 5:19 am | In Zuniversitas | 3 Comments

Funil_Panelinha

Indago aos leitores deste espaço: qual a ligação entre as duas notícias abaixo ?

(1) A TARDE, Salvador, de 10/06/2009: APENAS 17% DOS BAIANOS CONCLUEM O ENSINO MÉDIO

(2) CORREIO BRAZILIENSE, Brasília, de 19/06/2009: CONCURSO DO TCU OFERECE SALÁRIO DE ATÉ R$ 19,8 MIL

Ainda cito outra, do mesmo Correio Braziliense, do mesmo dia, danto conta de Concurso para Professor da UnB, uma das maiores Universidades deste país, oferecendo salários cujo maior valor não chega a R$ 7.000,00 (e a não ser que muito tenha sido mudado naquela Universidade, onde tive a honra de concluir meu curso de Direito, só se entra como professor se possuir título de Mestre e/ou de Doutor).

“Especialistas” apontam como causas do caos na educação em nosso país as seguintes (e a consequente ‘funilinha’ representada por mim na figura acima = funil + panelinha, a panelinha, claro, fica por conta do acesso aos cursos de Mestrado e Doutorado, aqui, infelizmente, característica não apenas dos cursos particulares, mas também dos oferecidos por nossas Universidades):

  • deficiência do transporte escolar;
  • conteúdo estudado descontextualizado da realidade do estudante;
  • trabalho infantil;
  • gravidez na adolescência;
  • necessidade de ajudar na renda familiar;
  • greve de professores

Entretanto eu tenho mais uma vez que lembrar a questão econômica fundamental: o aporte financeiro destinado à Educação, mais especificamente e de forma mais clara: a remuneração dos professores, para mim a causa primeira de tudo isso ! Enquanto estivermos valorizando mais carreiras como as do TCU, Receita Federal, Polícia Federal, MP, além daquelas do Legislativo e do Judiciário que as do Magistério (em todos os níveis), não há saída para o país.

Quem quiser ler a íntegra dos dois artigos citados, clique abaixo na continuação deste post.

Recomendo ainda a leitura dos seguintes posts, diretamente ligados a esta matéria, colocados no Zeducando respectivamente em 18 de outubro do ano passado, em homenagem ao dia do professor e em 11 de novembro de 2007 lembrando quem foi o maior educador deste país, Darcy Ribeiro.

EM HOMENAGEM AO DIA DO PROFESSOR: http://joserosafilho.wordpress.com/2008/10/18/em-homenagem-ao-dia-do-professor/

SOBRE O ÓBVIO: http://joserosafilho.wordpress.com/2007/11/18/sobre-o-obvio-de-darcy-ribeiro/

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Profissão do futuro ?

21, Junho, 2009 at 9:45 am | In Zuniversitas | 2 Comments

Talvez seja o “Engenheiro Eletricista Espacial“. Vejam esta notícia veiculada na seção Mashup da InfoExame de maio deste ano: a Usina Espacial deverá funcionar em 2016 !

Mashup01

O fator “uaauu” para a Educação

9, Junho, 2009 at 8:20 am | In Artigos e textos, Zuniversitas | Leave a Comment

Nesse artigo, publicado no jornal A TARDE de ontem, Nelson Pretto, que já foi publicado neste espaço algumas vezes, nos faz refletir sobre o tema da Educação, em destaque o papel do professor:

 

Necessário se faz retomar a minha preferida questão: o fortalecimento do fundamental papel dos professores nas escolas, este sim, seguramente, o verdadeiro “fator uaauu” da educação.

NelsonPretto

FATOR “UAAUU” PARA A EDUCAÇÃO (Nelson Pretto)

A crise da educação é tema constante em todos os países. Todos reclamam dos baixos índices de aprovação, da violência nas escolas, dos sistemas de avaliação que não dão conta dos desafios contemporâneos, da universidade que não prepara para o mundo profissional tampouco para a vida. Mas essa é uma crise anunciada, uma vez que pesquisas realizadas há muito já a vislumbravam.

Na Inglaterra, a situação é dramática neste final de ano letivo (o verão começa agora em junho). Os dados apontam uma crise sem precedentes no que diz respeito à empregabilidade dos alunos que agora estão se formando. Recente pesquisa realizada pela “Chartered Institute of Personnel and Development” anunciou que 50% dos empregadores entrevistados não estão pensando em contratar recem graduados. Em função da gravidade da situação, o professor David Blachflower, até recentemente membro do comitê monetário do Banco da Inglaterra, alertou o governo para o que considera o maior desafio atual do país, o “desemprego da juventude”.

No âmbito do ensino básico inglês, o que aqui e acolá se vê são projetos e políticas públicas que buscam – sem sucesso, com os números indicam – transformar a educação e criar algum tipo de motivação (não gosto dessa palavra, mas ela costumeiramente é usada nesse contexto) para que a juventude permaneça na escola. Foi proposta recentemente a redução do número de áreas de aprendizagem de 13 – as áreas mais tradicionais, tais como ciências, biologia, história, etc. – para seis áreas de maior abrangência.

O interessante dessa proposta é a introdução, de forma explicita, do uso das tecnologias de comunicação, a exemplo dos blogs, twitter, orkut e todos os demais elementos da chamada mídia contemporânea. A proposta, a ser implementada até 2011, propõe áreas de aprendizagem mais amplas, tais como compreensão do Inglês, comunicação e linguagens, compreensão científica e tecnológica, compreensão do humano, social e ambiental, entre outras. A confusão já está estabelecida, com reclamações de todos os lados, pois, como já estamos lamentavelmente acostumados na educação, tal proposta foi pouco discutida, segundo os sindicatos docentes. A própria mídia, que tem tratado muito da educação, termina polarizando o debate entre, por exemplo, se é importante ensinar Twitter ou Segunda Guerra Mundial e, claro, isso tem um grande efeito sobre os pais e a população. Evidentemente esse não é o ponto central e, como de costume, uma cortina de fumaça cai sobre a importância de discussões mais profundas sobre a educação.

Por outro lado, a proposta inglesa se reporta à necessidade de um “currículo criativo”, o que para mim é uma redundância, uma vez que tanto currículo como escola têm na criatividade e na criação seus elementos mais fundamentais. Chegam a cogitar de inserir um “fator uaauu” (wow factor) no currículo, como elemento de impacto nas escolas, para “prender” a atenção das crianças e jovens. Também essa é uma antiga discussão, pois não estamos aqui a falar de espetáculos, onde os estudantes precisam ser “motivados” e o professor tem que ser um ator – de preferência cômico, como em muitos dos nossos cursinhos de vestibular – para que os alunos possam “apreender” os assuntos.

Educação é muito mais do que isso. Educação é diálogo permanente e aqui, quando falamos em diálogo, tratamos deste em pelo menos dois níveis. Um no âmbito das escolas e outro no âmbito das famílias. Nestas, essa prática, que deveria ser constante, em muitos casos praticamente deixou de existir, seja pela enfraquecimento da família enquanto espaço de diálogo, seja pela própria inexistência desta.

Um intenso e permanente diálogo é conversa que flui, é um verdadeiro jogo de ir e vir, de ouvir e falar, de ceder e conceder. Mas é também o exercício da autoridade – não do autoritarismo – nos momentos necessários.

Um outro diálogo é aquele entre o conhecimento que cada um traz de sua realidade e experiência de vida com a Ciência e a Cultura, estas com “c” maiúsculo mesmo. Mas não como uma imposição destas sobre as demais ciências, saberes, conhecimentos e culturas, aqui todas em minusculo e no plural. A busca por essa convivência permanente entre diferenças, conhecimentos e saberes constitui-se no movimento central para a preparação dos jovens para o mundo. E quando falamos em mundo estamos a nos referir também ao mundo do trabalho, mas não só a este. Falamos de um mundo que ainda nem sabemos como vai se configurar no futuro.

Necessário se faz retomar a minha preferida questão: o fortalecimento do fundamental papel dos professores nas escolas, este sim, seguramente, o verdadeiro “fator uaauu” da educação.

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