Quatro em um, made in A TARDE de 23.10.2011

23/10/2011 às 17:41 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Esse é para quem se atrever a clicar na continuação deste post.

São quatro artigos de escritores que sempre coloco aqui neste ZEducando. Tostão, que alguns desavisados pensam que escreve sobre futebol, quando ele escreve sobre a vida, filosoficamente. Ubaldo, um dos maiores escritores da língua portuguesa vivos, mesmo tendo cometido o pecado quase mortal de ter entrado na ABL (Joel Santana, hoje treinador do Bahia, se diz também imortal porque recebeu, não sei a título de que – mas desconfio -, uma medalha daquela ‘desonrada’ academia. Malu Fontes, com sua pena ácida sobre (contra ?) a mídia anacrônica em tempos internéticos das redes sociais reinventando tudo, até a segurança pessoal. E Aninha Franco, no mesmo nível dos quatro tratando dos recentes movimentos mundiais.

É o ZEducando brindando quem não tem oportunidade de ler o A TARDE, de Savador/BA, em papel ou via grande rede:

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Cinco artigos (3 – Nerds refinados)

09/03/2011 às 11:59 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Essa é a primeira vez, se não me falha a memória, que Caetano ‘visita’ este espaço. Claro que ele é também genial na prosa, não só na poesia de sua belas canções. Mas um dos motivos para este post, no rol dos ‘cinco artigos’ desta semana, é a questão da autoria que ele coloca no texto e que eu me bato desde antes de me iniciar nesta lide de blogueiro. Fiz um post em outubro de 2009 sob o título “A REVOLUÇÃO DAS TIC E A QUESTÃO DA AUTORIA”, quem dera se Caetano um dia pudesse ver isso e refletir, afinal como disse no post “A questão da autoria, num mundo cada vez mais hipertextual, tem que ser necessariamente revista.“

caetanoQuando escrevi que a internet e seu exército de internautas e blogueiros que se virem para introjetar as nossas leis, as leis que vigem off-line, me alegrei por fazer tão simplista exortação: os amantes da web, os jovens que querem divulgar suas criações sem pensar em organizações intermediárias, os neo-rousseauístas cibernéticos que veem essas hordas como bons selvagens, os que se fascinam com a criação coletiva e a “morte do autor” devem se esforçar para acolher os direitos humanos (sim, os direitos dos indivíduos humanos e dos grupos humanos) nos seus planos. Haverá quem me diga que iniciativas como o Creative Commons são justamente isso.

 


 

NERDS REFINADOS (Caetano Veloso)

Quando eu escrevia posts para o blog Obra em Progresso (essa tradução-piada para “trabalho em andamento” ou simplesmente “homens trabalhando”), sentia a intensidade da reação dos internautas que o visitavam e as repercussões de ira ou interesse em outros blogs e sites, mas pouca ou nenhuma reação das pessoas nas ruas. Muitos dos que enviavam comments para o blog se tornaram meus amigos aqui fora. Troco e-mails com eles e eventualmente os encontro em carne e osso. Muito bom. Mas é diferente escrever no GLOBO. Vou estacionar no Leblon para ir ao analista e uma senhora comenta que não imaginava que eu fosse capaz de escrever prosa com tanta desenvoltura. A avaliação me parece otimista demais e, se por um lado me faz pensar em quão alheia essa senhora esteve à existência do blog, por outro me impõe a evidência de que ela nem sabe que escrevi o livro “Verdade tropical”.
Parece que a leitura de jornais é hábito de uma tribo que conversa nas ruas — e não necessariamente lê livros que alguém como eu porventura escreva. Já a tribo que acompanha blogs não parece estar nas ruas dando sopa para conversar. O exemplo da senhora no Leblon é um entre mil. Nos aeroportos, nas salas de espera de consultórios médicos, na fila do cinema, sempre há alguém para comentar comigo, seja o artigo do último domingo, seja a série de artigos que venho publicando aqui. Como tenho tentado mediar a discussão sobre a questão dos direitos na era da internet, abordamme para falar do assunto. O gozado é que quando eu escrevia na internet ninguém aparecia para dizer que tinha lido, ou ao menos para demonstrar que sabia que eu mantinha um blog. Os que me leem no jornal falam até de suas relações com a web. Os que me liam na web nunca estavam nesses estaciona -mentos, salas ou filas. Isso me leva a considerar o fato de que Julian Assange passou a ser assunto de discussão em ônibus, esquinas e mesas de bar só depois que a imprensa divulgou os vazamentos que seu WikiLeaks vinha derramando na rede.
Sou um velho que tem dificuldade de reter o que lê na tela do computador. E uma muito menor propensão a crer no que lê ali do que no que lê impresso em papel. Talvez essas pessoas que comentam meus textos do GLOBO sejam, como eu, membros de uma espécie em extinção. Mas também é possível que os fatos que se passam na internet tenham uma vida restrita ao mundo de nossa relação com essa ferramenta. As interações entre os cidadãos que, na rua, trocam comentários sobre notícias de jornal e aqueles que vivem no mundo virtual a maior parte do tempo (ou os mais intensos dos seus momentos) talvez estejam mais bem traduzidas na Praça Tahrir. Mas o hábito de promover encontros socialmente relevantes através dos twitters e facebooks não se restringe aos últimos acontecimentos no mundo muçulmano. Da eleição de Barack Obama às promoções do grupo Queremos, que trouxe o Vampire Weekend para o Circo Voador, o papel da internet na organização de movimentações off-line tem se mostrado notável. Ainda assim, as relações do mundo aqui de fora com o de lá de dentro da rede estão por ser entendidas de modo satisfatório. Na verdade, parecem longe de sê-lo.
Já tivemos várias mortes do livro, do disco, do cinema. Este ia matar o teatro e ser assassinado pela TV. A internet criou a “nova economia” que se provou, depois do primeiro surto de euforia, uma bolha dessas que, quando explodem, levam alguns para perto do suicídio. Mas essa malha aparentemente incontrolável de comunicação entre computadores individuais que nasceu no Pentágono (não deveríamos manter tão tenazmente no esquecimento o fato de que a internet nasceu no Pentágono) não poderia simplesmente ter sua importância abalada por um primeiro erro de cálculo. Na sua segunda onda, a internet (que em inglês sempre se escreve com a inicial maiúscula) diz como veio para ficar e sugere admiráveis mundos novos. São mundos que fascinam e assombram.
Em meio a essas desorganizadas reflexões é que procuro pensar a questão dos direitos autorais no mundo virtual, c o m a i l u s ã o (também no sentido espanhol de desejo, anelo) de mediar a discussão que envolve tantos colegas e amigos. Quando escrevi que a internet e seu exército de internautas e blogueiros que se virem para introjetar as nossas leis, as leis que vigem off-line, me alegrei por fazer tão simplista exortação: os amantes da web, os jovens que querem divulgar suas criações sem pensar em organizações intermediárias, os neo-rousseauístas cibernéticos que veem essas hordas como bons selvagens, os que se fascinam com a criação coletiva e a “morte do autor” devem se esforçar para acolher os direitos humanos (sim, os direitos dos indivíduos humanos e dos grupos humanos) nos seus planos. Haverá quem me diga que iniciativas como o Creative Commons são justamente isso. Vamos ver. Até aqui, elas têm se esforçado mais para insinuar aos membros das espécies em extinção, aqueles que leem jornal de papel e falam sobre isso nas ruas, que seus direitos são suspeitos. Bem, talvez sejam (e quem comenta artigos de jornal nas ruas muitas vezes os lê na tela do laptop: para muitos já não faz falta o papel, o importante é o status do jornal e a assinatura do articulista). Cada um de nós deve encarar as dificuldades dessa transição com realismo. Espero que pessoas qualificadas — e não apenas ignorantes como eu — se disponham a enfrentar o desafio. Nerds refinados contribuirão.

Cinco artigos (2- Sem muita novidade)

08/03/2011 às 11:59 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Esse é de João Ubaldo, sempre com o humor afiado. Novidade ? Toda crônica dele é uma novidade. Esta bem que poderia se chamar “Cuidado com o viagra!”.


SEM MUITA NOVIDADE (João Ubaldo Ribeiro)

UbaldoAlbatrozAzul

Já faz alguns dias que cheguei de volta das férias, mas ainda estou encontrando dificuldade em recuperar meu ritmo de jogo. Saí à rua para preparar o retorno a minhas habituais condições de temperatura e pressão e, ao ver os carros ziguezagueando pela avenida, entre ônibus desatinados e pedestres aos pulos e às carreiras, voltei para casa. Reflexos rateantes, juntas requerendo aposentadoria, não me senti à vontade para encarar a travessia de uma rua, assim logo no primeiro dia. Além disso, aonde ia aquele povo todo, com tanta pressa? A vidinha na ilha é insidiosa, vicia logo o indivíduo, ainda mais quando ele nasceu lá.

Consegui, em desempenho razoável, não fazer nada a maior parte do tempo em que permaneci na ilha, apesar de estar muito longe do virtuosismo de meu amigo Vavá Major. Não chegamos a nos ver pessoalmente desta vez, embora tivéssemos planos para isso. Desafortunadamente, ele não conseguiu abrir espaço em sua agenda de não fazer nada. É sutil, mas dá para compreender: tem uma hora de não jogar dominó, uma hora de não ir buscar água na Fonte da Bica, uma hora de não pintar a porta que ainda está na madeira crua e assim por diante, são inatividades diversas entre si. Uma coisa é não estar jogando dominó, outra coisa é não estar pintando a porta – afinem a filosofia e vocês perceberão o raciocínio de Vavá. E eu, ciente do muito que tenho a aprender com ele, segui seu exemplo. Não sei se ainda chego lá, duvido muito, ele é craque. Pouco antes de minha volta, um vizinho seu me disse que ultimamente ele tem tido preguiça de dormir e está até pensando em se consultar no posto de saúde, ou então, quem sabe, arrumar alguma alma caridosa que durma por ele.

De qualquer forma, não houve grandes acontecimentos durante minha estada, exceção feita à discutida operação de safena a que se submeteu Zecamunista, ora já em fim de convalescença e fazendo planos subversivos que esconde de mim, ao tempo em que me chama de porta-voz e marionete da imprensa burguesa, a soldo de Wall Street. A operação não afetou muito sua rotina. O pôquer, por enquanto, está proibido, mas não a Oficina Lenine de Carteado Dialético, que ele organizou e que já está recusando matrículas, apesar do alto preço das aulas. E, no carnaval, deverá estar de regresso à ilha, ainda a tempo de ajudar na saída do bloco Acumulação Primitiva, que ele garante ser de inspiração marxista, mas que umas popozudas que posaram com tudo de fora para o jornal de Roberto Gaguinho afirmaram entre risadinhas que é muitíssimo outra coisa.

Na área política, nada de grande impacto. Com a ausência de Zecamunista, o debate político no bar de Espanha se arrefece bastante. Mas creio que o exemplo de Marvadinho reflete a posição de parcela considerável da população da ilha.

– Eu soube que você está tirando voto pra saber quem é que está com ela – me disse ele, junto ao balcão do mesmo bar de Espanha. – Eu quero votar também, tire aqui meu voto.

– Você está enganado, Marvadinho, eu não estou tirando voto.

– Está, sim. Conversa com um, conversa com outro, depois bota no jornal o que quiser e não bota a voz de todos. Eu faço questão de botar a minha voz. É o seguinte: eu estou com ela e não abro.

– Com ela quem?

– Com d. Dilma, bote no jornal. E na popularidade também, eu voto na popularidade dela aí, bote meu nome aí. Ela vai saber logo?

No setor pesqueiro, tampouco há grandes novidades. Xepa continua a sustentar haver testemunhado dois tatus sendo fisgados, mas não há novos registros desse tipo de pesca, não sei se por falta de tatus aquáticos ou por medo do Ibama. O pessoal da ilha tem muito medo do Ibama e de vez em quando alguém diz a um desafeto “eu só não lhe dou um tiro, desgraçado, porque não quero que o Ibama me prenda”. Várias árvores na ilha estão precisando de podas radicais ou estão condenadas, mas dizem que o Ibama não deixa tocar nelas – e aí acontece o que aconteceu com Garrido, bem no largo da Glória, pertinho lá de casa. Um oitizeiro gigantesco e meio podre partiu-se em dois e a metade que caiu achatou o carro de Garrido. A voz corrente é que é bem pior negócio matar árvore ou tatu do que do que gente, o que, na opinião geral, torna a profissão de fiscal do Ibama muito perigosa. Matar bicho é crime inafiançável. Matar o fiscal, não. É inegável que nós temos leis interessantes.

Finalmente, o movimento do Mercado tem sido meio fraco, de modo que o que resta, para quem chega às cinco horas da manhã, é comentar passarinhos, recordar peixes famosos, exaltar craques do passado e saber a quantas anda o boroeste, palavra inventada para dar explicações meteorológicas a turistas, como, por exemplo, “se o boroeste arriar, vai chover”. E, claro, há o problema de Radiola, tradicional comerciante de mariscos e grande falador, renomado em toda a ilha. Radiola continua tão falador quanto antes, só que agora com a língua estranhamente presa ou quase imóvel, o que torna ininteligível o que ele diz.

– Foi um Viagra que ele tomou de mau jeito – me explicou Totó Vereador, quando procurei saber o que estava acontecendo.

– Foi um Viagra que fez isso nele?

– Ele pensou que era pra deixar derreter embaixo da língua e aí deu nisso, a língua empedrou que ele quase nem consegue mais comer. Agora está de língua dura aí tem mais de mês, quem quiser que facilite com Viagra.

2010

31/12/2010 às 5:50 | Publicado em Artigos e textos, Piadas e causos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Encerrando mais um ano posto aqui um excelente texto de Veríssimo (é dele mesmo, saiu nos jornais do país no dia 17 deste mês). Assuntos do ano e “Inês está ai e eu é que morri… “, poesia numa hora dessa.


2010, ADEUS

PERSONALIDADE DO ANO – Paul, o polvo alemão que previu todos os resultados da Copa.

TROFÉU “VAMOS VER NO QUE VAI DAR” DO ANO – Empate: Dilma Rousseff e Tiririca.

LÁZAROS DO ANO (OU “EU TAMBÉM ESTOU LOUCA DE SAUDADE, QUERIDO, MAS ANTES VÁ TIRAR ESSA ROUPA E TOMAR UM BANHO”) – Os mineiros soterrados do Chile.

TROFÉU “OVO NO FIOFÓ DA GALINHA” DO ANO – A discussão sobre o que fazer com os royalties do pré-sal antes que uma gota do petróleo tenha sido extraída.

ANTI-CLIMAXES DO ANO – A revelação de que o que diplomatas dizem e fazem em segredo não se parece nada com o que eles dizem e fazem em público e a revelação de que o Ricky Martin é gay.

FILME DO ANO – A tomada do Complexo do Alemão.

ARGENTINOS DO ANO – Messi, Conca e Cristina Kirchner, que também concorreu ao prêmio de melhor viúva.

MARADONA DO ANO – Maradona.

MELHOR JOGO QUE NÃO HOUVE DO ANO – Inter de Porto Alegre x Inter de Milão.

“OLÉ” DO ANO – Espanha campeã do mundo.

“O QUÊ?!” DO ANO – O papa admite o uso de camisinha em ocasiões especiais.

FIGURA EMBLEMÁTICA DO ANO, TALVEZ DO SÉCULO – Lady Gaga.

E QUANDO VOCÊ PENSAVA QUE O ANO TERMINARIA SEM QUE A JUSTIÇA BRASILEIRA FIZESSE MAIS UMA DAS SUAS… – Ficha limpa para o Maluf.

INÊS
(Da série “Poesia numa hora destas?!”)
Ela tinha as unhas do pé
pintadas de dourado
– eu deveria ter me flagrado.
Ela tinha uma flor de Lys tatuada
nas costas apontando para o rego
– pra onde iria meu sossego?
Ela gostava da Camille Paglia
e de esportes radicais
– como eu não vi os sinais?
Agora é tarde, Inês está aí
e eu é que morri.

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