UM SÁBADO QUALQUER

16/04/2022 às 3:49 | Publicado em Espaço ecumênico, Fotografias e desenhos | Deixe um comentário
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UM SÁBADO QUALQUER

09/04/2022 às 3:01 | Publicado em Espaço ecumênico, Fotografias e desenhos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Porque HOJE É SÁBADO !


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VENDILHÕES DO TEMPLO

26/03/2022 às 3:11 | Publicado em Artigos e textos, Fotografias e desenhos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Publico aqui hoje mais um bom artigo do Professor Carlos Zacarias da UFBA. Logo me lembrei de um desenho que fiz mês passado e resolvi também publicar neste post. Entre os ensinamentos do texto, dois me chamaram mais a atenção:

1 – A liberdade religiosa que hoje gozamos, algo que deve ser inamovível das leis de países democráticos, não é obra de católicos ou evangélicos, mas dos deputados comunistas que inscreveram a regra na Constituição de 1946.

2 – O Estado é ateu, porque não tem Deus e nem religião, embora deva proteger quem o tenha, ameaçados por aqueles que praticam o fundamentalismo e que querem impor a sua forma de fé a outrem.


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Qual a relação entre os recentes casos do estelionatário Osório José Lopes Jr., que prometia quintilhões às suas vítimas, e o falso médico Gerson Lavísio, que trabalhava numa UTI-Móvel e terminou por amputar a perna de uma vítima de trânsito? A relação é que ambos se declaram pastores.

Em tempos de crise, cresce a crença nas religiões, de modo que o desespero de muitos leva a que se busque consolo para os seus infortúnios nas Igrejas e na palavra líderes religiosos. É daí que nasce a fé cega, incapaz de discernir entre gente honesta e charlatães.

Esses dias tivemos acesso aos áudios do ministro da Educação, o pastor presbiteriano Milton Ribeiro, que dizia destinar recursos públicos para prefeituras através da intermediação de pastores. De acordo com Ribeiro, a ordem para que assim se procedesse partiu de Bolsonaro.

Ao longo das últimas décadas diversas igrejas cresceram nas barbas do Estado e como auspicioso apoio de políticos. Obviamente que não é a fé das pessoas que está em questão, nem o direito de as Igrejas existirem e seus líderes pregarem como bem entenderem. Entretanto, o proselitismo político que elege pastores e a charlatanice que passa todos os dias na TV aberta, constituem-se em evidente problema para a sobrevivência do Estado laico.

Tratar de questões da fé no Brasil sempre foi tabu, mas seguir fazendo de conta que curas mágicas que fazem cegos enxergarem e paraplégicos andarem é algo trivial, é erro grave. Do mesmo modo, ignorar que pessoas com quem convivemos vivem imersas num mundo paralelo recheado de assombrações e com crença cega em líderes com poder de influenciar eleições e que essas mesmas pessoas podem a qualquer momento se voltar contra os fundamentos do Estado democrático de direito, constitui-se em risco conhecido em países que sucumbiram à teocracia.

As religiões no Brasil têm se beneficiado de inúmeros favores da sociedade e do Estado, oferecidos na forma de isenção de impostos, anistia para dívidas e concessões de canais de rádio e TV. É preciso que se dê um basta ao silêncio sobre o significado disso, assim como é necessário que se enfatize que a liberdade religiosa que hoje gozamos, algo que deve ser inamovível das leis de países democráticos, não é obra de católicos ou evangélicos, mas dos deputados comunistas que inscreveram a regra na Constituição de 1946.

No Brasil, diz-se que o Estado é laico, mas não ateu. Falso! O Estado é ateu, porque não tem Deus e nem religião, embora deva proteger quem o tenha, ameaçados por aqueles que praticam o fundamentalismo e que querem impor a sua forma de fé a outrem. O escândalo envolvendo o ministro da Educação e vários pastores faz um desfavor ao país, porque macula a imagem de pessoas sérias e de mulheres e homens de boa fé. É preciso reconstruir a laicidade do Estado, em nome de todos, inclusive dos que têm religião.

(Carlos Zacarias de Sena Júnior)

FONTE: JORNAL A TARDE, SALVADOR-BA, 25.03.2022

ACEITA SER MANIPULADO: TENHA ÓDIO DE POLÍTICA!

26/01/2022 às 3:59 | Publicado em Artigos e textos, Espaço ecumênico, Zuniversitas | 1 Comentário
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Mais um ótimo artigo de Frei Betto. A descrição de quem foi Jesus Cristo bate exatamente como que eu penso.

Palmas


ACEITA SER MANIPULADO: TENHA ÓDIO DE POLÍTICA!  freibeto1_thumb1

      Há uma tradicional maneira de caçar ratos: basta colocar um pedaço de queijo dentro de uma armadilha. O roedor sente o cheiro da iguaria e, ágil, corre para devorá-la. Ao se aproximar, comete um erro involuntário que lhe custa a vida: pisa no mecanismo que fecha, automaticamente, a ratoeira, aprisionando-o.

      É o que faz o populismo de direita para neutralizar potenciais adeptos das teses progressistas. Apregoa o ódio à política. Alardeia que todos os políticos são corruptos! (Inclusive seus adeptos…). Substitui as pautas sociais pela de costumes. Reforça o moralismo farisaico. Assim, convence muitas pessoas a ter aversão à política.

      Quem tem ódio da política é governado por quem não tem. E tudo que os maus políticos querem é que tenhamos bastante nojo da política para, então, dar a eles carta branca para fazerem o que bem entenderem. O que mais temem é que participemos da política para impedir que seja manipulada por eles.

      Não existe neutralidade política. Existe a doce ilusão de que podemos ignorar a política, abdicar do voto e ficar recolhido ao nosso comodismo. Ao agir desta forma, nos tornamos o rato que come tranquilamente o saboroso queijo, sem ainda se dar conta de que perdeu a liberdade e, provavelmente, a vida.

      Ninguém escapa dos dois únicos modos de fazer política: por omissão ou participação. Ao ficar alheio à conjuntura política, ignorar o noticiário, evitar conversas sobre o tema e nos abster nas eleições, assinamos um cheque em branco à política vigente. A omissão é uma forma de adesão à política e aos políticos que, no momento, dirigem a política do país no qual vivemos.

      O outro modo é a participação, que tem duas faces: a dos que apoiam a política vigente e a dos atuam para mudá-la e implantar um novo projeto político.

      As forças políticas de direita, que naturalizam a desigualdade social, acusam muitos políticos de corruptos (às vezes, com razão!). Mas não propõem ignorarmos a política. Propõem substituir os políticos por empresários, dentro da lógica capitalista de privatização do espaço público e do Estado. Foi o caso do governo fracassado de Macri, na Argentina, e de muitos outros exemplos mundo afora.

Em tudo há política

    A política não é tudo, mas em tudo há política. Desde a qualidade do café que tomamos todas as manhãs até as condições humanas (ou desumanas) de nossas moradias. Tudo na vida de cada um de nós depende da política vigente no país: a qualidade de nossa educação escolar, o atendimento à saúde, a possibilidade de emprego, as condições de saneamento, transporte, segurança, cultura e lazer. Não há nenhuma esfera humana alheia à política. Inclusive a natureza depende dela – se as florestas são ou não preservadas, se as águas são ou não contaminadas, se os alimentos são orgânicos ou transgênicos, se os interesses do capital provocam ou não desmatamentos e desequilíbrio ambiental. A qualidade do ar que respiramos depende da política vigente.

Um dos recursos que a direita utiliza para dominar a política é a manipulação da religião, em especial no continente americano, onde a cultura está impregnada de religiosidade. A modernidade logrou estabelecer uma saudável distinção entre as esferas política e religiosa. Isso após longos séculos de dominação da política pela religião. Hoje, em princípio, o Estado é laico e, na sociedade, a diversidade religiosa é respeitada e tem seus direitos assegurados, tanto no âmbito privado (crer ou não crer), quanto no público (manifestação de culto).

        Atualmente, os religiosos fundamentalistas querem confessionalizar a política. Usar e abusar do nome de Deus para enganar os incautos. Ora, nem a política deve ser confessionalizada, pois tem que estar a serviço de crentes e não crentes, nem a religião deve ser partidarizada. A Igreja, por exemplo, deve acolher todos os fieis que comungam a mesma fé e, no entanto, votam em candidatos de diferentes partidos políticos.

      Isso não significa que a religião é apolítica. Não há nada nem ninguém apolítico. Uma religião que acata a política vigente está, de fato, legitimando-a. Toda religião tem como princípio básico defender o dom maior de Deus – a vida, tanto dos seres humanos quanto da natureza. Se um governo promove devastação ambiental ou privilegia os ricos e exclui os pobres, é dever de toda religião criticar este governo. Sem pretender ocupar o espaço dos partidos políticos, como, por exemplo, apresentar um projeto de preservação ambiental ou de reforma econômica. Em sua missão profética, cabe às confissões religiosas abrir os olhos da população para as implicações éticas da política deletéria do governo.

      No caso dos cristãos, entre os quais me incluo, é sempre bom frisar que somos discípulos de um prisioneiro político, Jesus de Nazaré. Ele não morreu de acidente nas escadarias do Templo de Jerusalém, nem de doença na cama. Foi perseguido, preso, torturado, julgado por dois poderes políticos e condenado a morrer assassinado na cruz. Foi considerado subversivo por defender os direitos dos pobres e ousar, dentro do reino de César, propor outro reino, o de Deus, que consiste em um novo projeto civilizatório baseado no amor (nas relações pessoais) e na partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano (nas relações sociais).

      Portanto, não há como alguém escapar da política. Estamos todos imersos nela. Se a política que predomina hoje em nosso país e no mundo não nos agrada, busquemos meios para alterá-la. A realidade atual de nosso país e do mundo resulta da política adotada nas décadas precedentes. Cabe a cada um de nós se decidir: acatar ou transformar?

      Um dos exemplos mais curiosos de que tudo tem a ver com a política é este: o último mês do ano é dezembro, que equivale ao numeral dez. Antes dele, novembro, nove. Atrás, outubro, oito. Precedido por setembro, sete.  E quantos meses tem o ano? Doze!

      Eis a política: na Roma antiga o ano compreendia 304 dias e tinha 10 meses: martius, aprilis, maius, junius, quintilis, sextilis, september, october, november e december. Mais tarde foram acrescidos os meses de janus e februarius.

   Para homenagear os césares, o senado romano mudou os nomes de quintilis para julho, em honra do imperador Júlio César, e sextilis para agosto, em honra de César Augusto.  Como havia a alternância de 31/30 nos dias de cada mês, não era admissível que o mês de Augusto tivesse um dia a menos que o de Júlio. Assim, arrancou-se um dia de fevereiro. Julho e agosto são os únicos dois meses do ano que se sucedem com 31 dias cada um.

      Podemos não saber que a política está em tudo, mas está. Porque o ser humano não inventou, e acredito que nem inventará, outra maneira de organizar a sua convivência social a não ser através da política.

(Frei Betto, escritor, autor de “A mosca azul” (Rocco), entre outros livros)

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