O ódio e a ignorância triunfarão?

15/09/2018 às 17:23 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
Tags: ,

Mais um excelente artigo do Professor Carlos Zacharias de Sena Júnior. Vale muito a leitura e a reflexão !

pergunta frequente depressão.jpg.opt480x396o0,0s480x396


O ódio e a ignorância triunfarão?

Herói de Bolsonaro e do seu candidato a vice, Hamilton Mourão, Carlos Alberto Brilhante Ustra, conhecido torturador brasileiro, morto em 2015, se vivo estivesse, estaria orgulhoso dos seus discípulos. Depois de ser homenageado pelo deputado e ex-capitão na sessão da Câmara que votou o impeachment de Dilma, Ustra foi chamado de herói por Mourão em entrevista à GloboNews, diante de Fernando Gabeira e Miriam Leitão, dois ex-militantes que sofreram tortura durante a ditadura e tiveram que ouvir que “heróis matam”.

Que ninguém esperasse que as eleições pudessem transcorrer em paz depois de tudo o que o Brasil passou desde 2016, estava claro. O que poucos imaginavam é que a temperatura subisse tanto, em igual proporção ao ódio destilado dos palanques sem espaço para qualquer traço de civilidade.

Deputado há 27 anos, com apenas dois projetos aprovados, o candidato do PSL era orgulhoso do seu lugar no baixo-clero do Congresso. Sem ser capaz de influenciar ou liderar nenhuma causa importante ao longo dessas quase três décadas, o ex-capitão do exército foi catapultado ao estrelato da política nacional tanto pelo quadro de ódio que tomou o país, quanto em função da facada que sofreu. Mas também não deixa de ser pelo desespero, pelo medo e pela frustração de milhões, algo que se alia à ignorância, que Bolsonaro cresceu na cena.

É pelo fato de ignorar a forma como o mundo funciona que uma parte dos eleitores lhe declara voto. O eleitor do candidato do PSL não sabe o que foi o fascismo, não tem ideia de que faça parte da extrema-direta, desconhece nossa última ditadura, acredita que a violência no Brasil é culpa da impunidade e dos direitos humanos, acha que o armamento da “gente de bem” é a solução, crê que as cotas são um problema e promovem a preguiça, entre outros absurdos. Dos palanques, com frequência, Bolsonaro profere impropérios contra o PT e também contra negros, mulheres e LGBTs, para delírio dos seus eleitores, gente que até pouco tempo era o orgulhoso “analfabeto político” do poema de Brecht, aquele que estufava o peito e dizia odiar a política.

O problema é que esse ser rude e ignorante decidiu participar da política. Até aí nenhum problema, mas ao invés de buscar se informar por fontes seguras, o eleitor de Bolsonaro fez um curso rápido sobre o mundo na base de fake news, tornando-se visceralmente antipetista e acreditando que tudo de ruim que há no país e no mundo é por culpa do comunismo, do Foro de São Paulo e do bolivarianismo, palavras recentemente aprendidas, da qual desconhece o significado.

Esta parcela do eleitorado está prestes a pôr o candidato da extrema-direita no segundo turno, então corremos o risco de ter intensificada a polarização e o acirramento do ódio que nos ameaça, algo que, provavelmente, sobreviverá às eleições, contribuindo para confirmar a parte brasileira da infinita estupidez humana.

(Carlos Zacarias de Sena Júnior – Professor do Departamento de História da UFBA)

FONTE: Jornal A Tarde, Salvador-BA, 14/09/2018

Anúncios

O alagoano que foi o maior cientista do Império e dirigiu o Museu Nacional

11/09/2018 às 3:23 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
Tags: , , ,

Muito interessante essa história do cientista alagoano Ladislau, confesso que não conhecia.  Percebe-se pelo artigo que os problemas do Museu Nacional, como de outras instituições, é secular: carência de verbas, descaso com a cultura e com a ciência.


O alagoano que foi o maior cientista do Império e dirigiu o Museu Nacional

Domingo, dia 02 de setembro de 2018, às 19 horas e 30 minutos, o imponente prédio do Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro-RJ, é consumido pelas chamas. A instituição bicentenária, criada por Dom João VI em 1818, funciona desde 1892 no Palácio de São Cristóvão, que chegou a ser a residência da família real. O incêndio do Museu Nacional comprometeu um acervo de vinte milhões de itens.

Concebido para ser o principal museu do país, o Museu Nacional viveu seus tempos áureos durante as duas últimas décadas do reinado de Dom Pedro II, que, com uma sólida formação cultural, era um entusiasta das ciências e das artes.

Foi exatamente durante esta época que um alagoano dirigiu o Museu Nacional. Ele era o cientista Ladislau de Souza Mello Netto, nascido em Maceió em 1838, e que dedicou toda a vida à ciência: botânica, arqueologia, antropologia.

Tendo deixado Maceió em 1854 contra a vontade de sua família, Ladislau Netto seguiu o mesmo destino de inúmeros alagoanos de destaque, o Rio de Janeiro. Sobre este fato, a professora Nádia Fernandes Amorim registra que “o pai queria que ele seguisse a todo custo a carreira de comerciante na cidade, mas em 1854, ainda na adolescência e com espírito inquietante, Ladislau partiu em um navio em direção ao Rio de Janeiro para estudar”.

Na capital do Império, começa a cursar a Academia de Belas Artes. Alguns anos depois, Ladislau Netto inicia sua vida profissional como desenhista, tendo integrado a Comissão de Estudos Hidrográficos do Alto São Francisco.

Foi nesta época que começou a se interessar pela botânica. Seu prestígio na área era tamanho que passa a receber apoio financeiro do Império para estudar na França, quando estudou na Sorbonne, tendo se tornado Doutor em Ciências Naturais, e realizou suas pesquisas na Sociedade Botânica de Paris.

Em suas pesquisas relacionadas à botânica, Ladislau Netto viajou pelo mundo inteiro, deu conferências em Paris e em Berlim sobre arqueologia, escreveu centenas de obras e chegou até mesmo a descobrir novas espécies de plantas, tendo uma delas, na Nova Zelândia, sido batizada de Nettea, em homenagem ao cientista alagoano.

Dentre outras proezas do naturalista que hoje dá nome a uma rua do centro de Maceió, cabe registrar que ele foi membro das Sociedades Botânicas dos Estados Unidos, da França, de Portugal e de Luxemburgo.

Ao retornar ao Brasil, é convidado pelo Império para dirigir a Seção de Botânica do Museu Nacional em 1866. Considerado o cientista mais influente de sua época, Ladislau Netto assume o cargo de Diretor do Museu Nacional, em 1876.

Neste mesmo ano, cria a revista Archivos do Museu Nacional, de publicação trimestral. Dentre os cientistas estrangeiros que se correspondiam com Ladislau Netto e que colaboravam com a revista, destaca-se o nome do inglês Charles Darwin.

Netto passa a ser decisivo para a valorização de uma ciência nacional, colocando o Brasil no cenário internacional da época. Durante sua gestão à frente do principal museu do país, Ladislau Netto organiza a Exposição Antropológica de 1882 e chefia a delegação brasileira na Exposição Universal de Paris de 1889.

Atualmente, enquanto os brasileiros se lamentam pelo incêndio que destruiu o acervo valioso do Museu Nacional, vale lembrar que a mais de um século, Ladislau Netto “sempre aproveitava todos os espaços para reclamar das condições do edifício que sediava a Instituição, no Campo da Aclamação, todos os ensejos eram próprios para barganhar um aumento no orçamento, para requerer mais verbas para a publicação dos Archivos do Museu Nacional ou para custear mais viagens de naturalistas”, conforme registra o pesquisador Paulo Vinícius Aprígio da Silva.

Com a proclamação da República, Netto passa a ser um dos principais articuladores para a migração do Museu Nacional, antes situado no Campo da Aclamação, para o Palácio de São Cristovão, na Quinta da Boa Vista, o que aconteceu em 1892. No ano seguinte, o cientista alagoano se aposenta e deixa a instituição onde serviu durante mais de vinte e sete anos.

Em 1950, o médico alagoano Abelardo Duarte escreve a biografia de Ladislau Netto. Em 2003, o ballet Maria Emília Clarck lança em Maceió o espetáculo Nettea, em homenagem ao alagoano.

Hoje, o Brasil, os brasileiros e a memória do alagoano Ladislau Netto choram pelo descaso da instituição científica mais antiga do país.

Imagem relacionada

FONTE: https://culturaeviagem.wordpress.com/2018/09/03/o-alagoano-que-foi-o-maior-cientista-do-imperio-e-dirigiu-o-museu-nacional/

Um Chirac, rápido

30/08/2018 às 17:36 | Publicado em Artigos e textos | 1 Comentário
Tags: , ,

Veríssimo dando uma sugestão de voto. Será premonição ? Acho um bom conselho, afinal já temos o nosso Le Pen bem identificado.

 

UrnaRatoeira


Um Chirac, rápido  Verissimo_sax

Na eleição presidencial de 2002, pela primeira vez na história recente do país, um candidato da extrema-direita chegou perto do poder na França. Com a esquerda dividida, como sempre, e com a reação crescente à invasão de imigrantes, como agora, só Jacques Chirac, disputando sua reeleição, teve mais votos do que Jean-Marie le Pen, líder da Frente Nacional. Poucos votos mais. E foram os dois para um segundo turno em que uma vitória de Le Pen não parecia fora de propósito. Seu eleitorado – a França “profunda”, racista, antissemita,xenófoba, marginalizada pela globalização – continuava a mesma e não mudaria seus conceitos e preconceitos – ou seu voto.

Mas aí a França acordou. Olhou em volta, esfregou os olhos e disse a frase fatídica: “Pera aí um pouquinho”.

Como se sabe, “pera aí um pouquinho” é a frase que tradicionalmente precede tomadas de consciência e epifanias. Nosso francês exemplar – digamos que se chame Pierre, para facilitar– talvez um eleitor do Jospin, socialista, terceiro mais votado no primeiro turno, se deu conta de que antes de mais nada era preciso evitar que Le Pen se elegesse.

Pierre poderia ser comunista, anarquista, zen-budista, odiar o Chirac, não importava. Só um Chirac vencedor impediria que a França fosse governada por um fascista declarado.

Chirac cumpriu sua função histórica. Derrotou Le Pen de goleada no segundo turno e lavou a alma da França – ou, vá lá, deu uma esfregada até a eleição seguinte, do Sarkozy. Venceu porque, como o nosso Pierre, muita gente se uniu, não a favor dele, mas contra Le Pen. Simpatizei com Chirac depois que me contaram que ele teve um caso com a Claudia Cardinale. Ter um caso com a Claudia Cardinale me parece recompensa justa pelo que Chirac fez pela França. Ele mereceu.

Pensando em votar em branco, votar no Ratinho ou anular o voto? Pera aí um pouquinho. Escolha o mais Chirac dos candidatos e vote nele. O Le Pen nós já temos.

(Luis Fernando Veríssimo)

FONTE: Principais jornais do país, hoje

Refletindo sobre Marx em sala de aula

29/08/2018 às 3:25 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
Tags: , ,

Marx, o barbudo, continua mais atual que nunca. Confiram esse texto simples, claro, translúcido !

Brecht


Refletindo sobre Marx em sala de aula

“Eu, quando trabalho Marx em sala de aula, puxo para o estudo da ideologia alemã e esse ano tive uma necessidade imensa de voltar a trabalhar o Capital.

É inadmissível que tenhamos uma geração inteira que não compreende a importância da luta, que não se reconhece como proletariado, que não percebe que é explorado.

O seu diploma, a sua Pós, não te faz membro da elite. Você não é diferente do gari, da empregada doméstica, do pedreiro. Você apenas vive numa grande ilusão social.

Elite não parcela a compra de um carro em 60 meses, a casa em 20 anos.

Elite não utiliza o FGTS para se sustentar, em caso de desemprego, muito menos, precisa de seguro desemprego. Elite não conta moedas no final do mês e não briga em aniversário de mercado pelo litro de óleo.

Não importa se você tem um cargo de chefia com carteira assinada numa grande empresa ou é um micro empresário que precisa, volta e meia, de empréstimos para manter sua empresa. A diferença entre você e a auxiliar de serviços gerais, que você despreza porque limpa o banheiro da sua empresa, é que ela tem consciência da exploração em que vive.

A luta não é algo de esquerdopata, de petralha. A luta é um DIREITO legítimo do trabalhador, para manter a sua dignidade, num sistema opressor como o sistema neoliberal.

Mas, você só luta pelo lugar na pirâmide. Não tenha dúvida, você está bem na base da pirâmide.

Entenda que se você está criticando aqueles que estão lutando pela manutenção de um direito seu, só demonstra o quanto você está alienado.

Afinal de contas o capitão do mato também era explorado e escravo.”

(Fernanda Teles, Profa. de História)

FONTE: http://www.abcdaluta.com.br/post/refletindo-sobre-marx-em-sala-de-aula

Próxima Página »

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: