A VERDADEIRA MISSÃO DA PETROBRÁS

15/06/2018 às 3:52 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | 2 Comentários
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Vídeo esclarecedor !


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MORO E A APOSTA DOS EUA

05/06/2018 às 3:20 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Muitos já disseram que a pior ditadura é a do Judiciário. Segue artigo de Mauro Santayana abordando os recentes acontecimentos nesta Pindorama. Como sempre digo, seus artigos são como aulas. Para quem se atreve a ler é sempre uma fonte de aprendizado. Confesso que não sabia sobre a refinaria em Abreu e Lima (PE), muito menos sobre a caravela “Ventura” de Cabral, o navegador. A primeira porque isso definitivamente não sai na mídia, e a segunda por falha dos livros de História do Brasil que li, e não foram poucos.


MORO E A APOSTA DOS EUA

(Do blog com equipe) – Da mesma forma que a História não desculpará ao Supremo, por sua leniência, a intervenção da Lava Jato no processo político e eleitoral em curso, com a surreal condenação e prisão de Lula e a  clara, direta consequência da entrega do país – se as coisas continuarem como estão – a Bolsonaro em outubro, ela não perdoará à mesma operação a destruição neutrônica do Brasil e da engenharia brasileira e o enterro judicial dos projetos estratégicos que estavam destinados a aumentar a nossa independência e soberania frente a outras nações.

Nesse sentido – como já foi lembrado – é emblemática a ainda recente imagem em que aparecem, sorridentes, cumprimentando-se, o Sr, Pedro Parente e  o Sr. Sérgio Moro e sua esposa.

Tirada há duas semanas em Nova Iorque, em jantar patrocinado por bancos no qual, apesar disso, a Petrobras pagou 26.000 dólares por uma das principais mesas – olhaí, alegre consumidor, para onde vai a grana dos sucessivos aumentos da sua gasolina – de um evento em que um convite custava 1.200 dólares (cerca de 4.000,00 reais) por cabeça, ela é um fiel e bem acabado retrato do Brasil dos dias de hoje

De um lado, vemos o homem-símbolo de uma operação que, envolvendo o Judiciário e o Ministério Público,  interrompeu dezenas de bilhões de dólares em obras, entre elas, por suspeita de superfaturamento, a expansão do projeto da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que tinha como objetivo, com uma produção planejada de 230.000 barris por dia, contribuir para que o Brasil atingisse a autosuficiência na produção interna de óleo diesel.

Um  passo imprescindível para que se impedisse situações como a que o país vive agora, quando nossa dependência externa nesse quesito ficou escancarada com a greve dos caminhoneiros e o cerco pelos grevistas a portos por onde entram, em território nacional, milhões de litros de combustível importado, todos os dias,  principalmente dos EUA.

Na outra ponta desse cordialíssimo – e sorridentíssimo – aperto de mão, que o fotógrafo registrou para a História – que sempre dá um jeito de entrar como penetra nesses regabofes – estava o homem que esteve desmontando e entregando a Petrobras aos gringos nos últimos dois anos – das reservas do pré-sal às portentosas refinarias e gasodutos construídos pelos governos de Lula e Dilma Roussef ao longo de 13 anos, enfrentando sabotagens e resistências de todo tipo.

Um gênio da raça – desembarcado da máquina do tempo vinda dos fabulosos anos de FHC – que estava fazendo da venda de petroleo bruto lá fora e do aumento da importação de combustível dos Estados Unidos, com alto valor agregado, a pedra angular de sua administração à frente da Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima.

O engenhoso condutor – não esqueçamos – da espetacular política de reajuste de preços da maior empresa do país, que, baseada justamente no atrelamento da Petrobras ao mercado externo, levou à paralisação da nação, com uma greve de caminhoneiros.
Um movimento infiltrado – e afinal sequestrado – por fascistas golpistas, que mergulhou o Brasil no maior desastre logístico de uma longa série de infortúnios, inaugurada quando a frota de Cabral – o navegante, não o governador – perdeu em um naufrágio a sua “Ventura’, uma caravela com 150 homens e muitas provisões a bordo,  aos cuidados do comandante Vasco de Ataíde, no dia 22 de março de 1500, quando ainda estava a caminho desta gloriosa terra que hoje connecemos pelo nome de Brasil.

Não estranha, diante da situação,  que os dois tenham se encontrado, por ironia. em um convescote realizado em um lugar curiosamente mais (que, talvez) apropriado a ofídeos, o Museu de História Natural de Nova Iorque – em sagrado solo norte-americano, país ao qual os dois prestam, em consequencia direta e indireta de seus ações, inúmeros e relevantíssimos serviços.

Não apenas ao “stablishment” mais poderoso do mundo, mas à nação que, em troca da fidelíssima “cooperação” na luta contra o crime e em defesa de seu trumpiniano e elasticíssimo conceito de democracia –  vide seu implacável combate à busca de autonomia por outros países, incluído o nosso – premia direta e indiretamente nosso celebrado juiz de Curitiba organizando para satisfação de seu modestíssimo ego encontros desse tipo, que incluem, ao fabuloso herói tupiniquim deste simulacro de nação em que nos transformamos, a pública outorga, regada a champanhe, de rapapés e salamaleques, espelhinhos e miçangas.

Daqui a cinquenta anos, como monumento aos sonhos naconalistas da era Lula e Dilma, o que sobrará das refinarias, gasodutos, hidrelétricas, navios, plataformas de petróleo, submarinos, erguidos ou fabricados ao longo de 15 anos, depois de décadas de estagnação e de descaso, em que neste país não se construiu nenhuma obra desse porte?

As ruínas de gigantescos projetos interrompidos judicialmente – em decisões em que a irresponsabilidade estratégica só não é maior do que a falta de bom senso e a ignorância geopolítica – e uma ou outra obra que, se miraculosamente concluída, já estará, como todas as outras em sua condição, definitivamente desnacionalizada, entregue ao controle estrangeiro por um governo patético e lastimável, que não precisava, com a desculpa de ter sido convocado para “salvar o país” ou de estar “quebrado” – com 1.2 trilhões de reais em caixa em reservas internacionais herdadas – fazer exatamente o contrário do que faziam, em termos de política industrial soberana, as administrações que o precederam.

Apresentado pelo último ganhador da mesma homenagem, um esfuziante ex-prefeito de São Paulo, para cuja empresa daria uma palestra em Nova Iorque no dia seguinte, na qual negou, entre uma brincadeira e outra, ser agente da CIA, nosso badaladíssimo juiz – que – segundo a Folha –  escutou apelos de “Moro Presidente” quando subiu ao palco, enquanto cidadãos brasileiros e norte-americanos se manifestavam gritando “Moro salafrário, juiz partidário” do lado de fora – concluiu seu discurso dizendo que por aqui não existe risco de ruptura democrática e que os EUA podem apostar no Brasil de hoje.

Ora, no Brasil não existe risco de ruptura democrática porque nossa democracia já vem sendo estilhaçada desde 2006 pelas mãos do próprio Judiciário, quando foram elevados à condição de jurisprudência, borrachudos casuísmos como a versão tupiniquim da Teoria do Domínio do Fato,  levada a extremos nunca dantes navegados, e outros como mandar condenados para a cadeia sem provas, com a permissão da “literatura jurídica” e de outros subterfúgios verbais dignos de contorcionistas javaneses do Circo de Jacarta.

Ora, se fôssemos o Tio Sam, incluindo seus grandes grupos de engenharia que não precisam mais se preocupar com a concorrência de empresas brasileiras ou com financiamentos do BNDES no exterior; suas grandes petrolíferas, como a EXXON, que acaba de botar a mão, a preço de banana, em dezenas de milhões de barris das reservas do pré-sal, com isenção de impostos por 25 anos para a importação de produtos e serviços estrangeiros; ou os “falcões” de Washington que estão adorando ver homens como o pai do programa brasileiro de enriquecimento de urânio, o Vice-Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, condenado a mais de 40 anos de prisão; e Lula, que criou o BRICS, a UNASUL, e o Conselho de Segurança da América do Sul, atrás das grades e impedido de concorrer por um processo e um julgamento espúrios, à Presidência da República; contando, no Brasil, com amigos como o Meretíssimo Magistrado e – dentro ou fora da Petrobras – Mister Pedro Parente, e considerando os resultados alcançados até agora, em tempo recorde, com esse jogo, nós também dobraríamos o cacife e apostaríamos regiamente em seu país e em festejos e jantares como esse, como os Estados Unidos estão fazendo, mister Moro!

(Mauro Santayana)

FONTE: http://www.maurosantayana.com/2018/06/moro-e-aposta-dos-eua.html

Dez dias que abalaram o Brasil

04/06/2018 às 3:13 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Um dos melhores artigos que li sobre o recente “auto-tsunami” ocorrido no país.

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Dez dias que abalaram o Brasil  foto-paulo-ormindo_thumb_thumb_thumb

A greve dos caminhoneiros demonstrou a enorme fragilidade do nosso sistema logístico, urbano e político, cativo do pneu, do petróleo e do dólar. Os caminhoneiros deram algumas lições.

A primeira, econômica. Não se botam todos os ovos num só cesto. A greve parou tudo: caminhões, ônibus, BRT, aviões, ambulâncias, táxis e lanchas, e em consequência a indústria, a exportação, o abastecimento alimentar, a saúde e o turismo. Os prejuízos são incalculáveis e as metas econômicas furadas. Embora a crise seja estrutural, foi deflagrada por Parente ao alinhar o diesel ao aumento diário e cumulativo do petróleo e do dólar. Como o combustível entra no preço de tudo, com essa lógica todos os preços e salários deveriam ser indexados pelo dólar. Atitude burra, porque um menor preço do diesel, que serve ao transporte público e de cargas, poderia ser compensado por uns centavos a mais na gasolina do carro individual, sem necessidade de voltar a tabelar preços, cortar os programas sociais, provocar a queda das ações da Petrobras e renunciar.

A segunda lição é política. O governo arrogante não ouviu, nem dialogou. Ignorou as advertências e a força das redes sociais. O movimento foi liderado por caminhoneiros autônomos terceirizados. A terceirização tirou dos sindicatos a representatividade e o governo não teve com quem negociar. Passou-se da guerra tradicional para a guerrilha. A solidariedade da população aos caminhoneiros revela a revolta da sociedade contra um estado corrupto, incompetente e sem políticas públicas. O governo se ajoelhou diante dos caminhoneiros, dando os anéis para não perder os dedos ou a cabeça.

A última lição é social. O patrão não pode mais viver tranquilo no condomínio fechado e no carro blindado, num país desigual e conflagrado. Os mauricinhos tiveram que empurrar o carro até o posto, andar de ônibus lotados ou a pé no escuro. O establishment descobriu que trabalhadores como caminhoneiros, que produzem e transportam seus bens, guardam um segredo: sabem usar o celular como uma arma e se articular silenciosamente.

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 03.06.2018

Gostos

03/06/2018 às 18:02 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Encerrando o dia com a crônica do Veríssimo. Tomara que essa ‘profecia futebolística” se repita esse ano !

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Uma questão antiga é o da manifestação política dos chamados “formadores de opinião”. Duvido que eu tenha formado a opinião de um filho, o que dirá de um dos meus dezessete leitores, mas o nome existe, e sempre achei que uma medida da naturalidade da política nas nossas vidas seria a naturalidade com que se pudesse falar dela como fala de um sabor de sorvete ou de qualquer outra preferência, sem fazer proselitismo aberto mas sem esconder seu gosto. Esse dia parece estar ficando cada vez mais distante com a radicalização de opiniões opostas que está acabando até com amizades antigas.

Estive não faz muito numa Bienal Internacional do Livro em Fortaleza, onde me cobriram de gentilezas – sem falar na gentileza com olhos e paladar que é o próprio Ceará –, e quando me perguntaram, da plateia, em quem eu votaria nas eleições que se aproximavam, respondi que já tinha votado tantas vezes no Lula que me acostumara e votaria nele outra vez por hábito. A resposta recebeu aplausos e bus em doses iguais, mas principalmente risos–outra gentileza – e não se falou mais em política. Se tivessem me perguntado sobre que fruta faz o melhor sorvete local, na minha opinião, eu teria respondido “cupuaçu”, igualmente sem medo de estar sendo injusto.

A reação da plateia à minha resposta não seria igual, hoje. O sorvete de cupuaçu continua o mesmo, eu sei, mas o clima no país mudou tanto nos últimos anos – e aquela Bienal do Ceará não faz tanto tempo assim – que as vaias e os aplausos abafariam os risos, e não se falaria mais em política para ninguém sair no sopapo. Outros tempos, outro Brasil.

Esperança

Nossa resignação aos políticos na sua pior hora e a confiança no processo democrático apesar e tudo é o que nos dá uma certa esperança. No futebol a esperança vem da confiança no Tite e da crença numa constante que adquiriu um ar de superstição entre nós, tratando-se da Copa. O torcedor brasileiro sabe que foi sempre dos seus piores momentos que a nossa seleção saiu para a glória. Depois do desastre na Copa de 66, a consagração em 70. Depois da frustração com Dunga em 90, o triunfo com Dunga em 94. Depois do inexplicável com Ronaldo em 98, a apoteose com Ronaldo em 02.

Depois do vexame dos 7 x 1 de 2014… o quê? Vexame por vexame, nenhum foi maior do que a Alemanha nos causou. É a vez da nossa glória.

(Luis Fernando Veríssimo)

FONTE: Principais jornais do país, hoje.

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