OS ESTADOS CONFEDERADOS DO SUL

25/05/2018 às 3:30 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 3 Comentários
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Nosso “milagre particular tupiniquim” de nunca termos nos separado, mesmo sendo um país continental, muiti-racial, multi-cultural e outros multi, seria apenas mais uma falácia histórica que serviria para encobrir a verdade hoje saltada aos olhos de quem observa para além da grande mídia ? O Professor Paulo Ormindo, da UFBA, nos brinda com essa boa crônica que serve para reflexão em tempos de ódio político explícito.

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OS ESTADOS CONFEDERADOS DO SUL

francês Jacques Lambert mostrou no livro Os dois Brasis que não somos um país, senão dois: um rico e urbano e outro pobre, agrário e escravagista. Essa divisão se tornou mais gritante a partir do início do século passado com a industrialização e urbanização. A diferença está associada à tradição patriarcal e escravista do Norte e à imigração europeia e japonesa no Sul, que empreendeu uma revolução agrícola e industrial. O fato é que os índices de desenvolvimento humano dessas duas regiões são muito desiguais. Meio século depois, nada mudou.

A hegemonia econômica do Sul é também política. Na República Velha, os presidentes, seguindo a tradição do Império, eram de origem portuguesa. Com a Revolução de 30, que inaugura a República Nova, a grande maioria dos presidentes são das regiões Sul e Centro-Sul. Do Rio Grande do Sul saíram seis: Vargas (2x), Goulart, Costa e Silva, Médici e Geisel. O Rio nos deu três: Figueiredo, Collor e Fernando Henrique. De Minas vieram dois: Kubitschek e Dilma. O sobrenome de muitos deles denuncia sua origem imigratória: Vargas (espanhola), Kubitscheck (checa), Goulart (açoriana), Médici (italiana), Geisel (alemã), Rousseff (búlgara) e Temer (libanesa). As regiões Norte e Nordeste foram contempladas com apenas três nomes: Castelo Branco, imposto pela ditadura, o vice-presidente Sarney e Lula. Os orientais, negros e mestiços foram excluídos.

O regime político consolidou a hegemonia do Sul e a marginalização do Norte. Desde 1930 até hoje são 83 anos dos quais 36 foram de ditadura, 15 de Vargas e 21 dos militares. Neste período tivemos 21 presidentes, excluídos aqueles de transição e curta duração. Oito eram militares: Vargas, Dutra, Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo e Juscelino (polícia militar), ou seja, durante 39 anos fomos governados por militares (26) e vice-presidentes tampões (13), que caíram de paraquedas: Café Filho, Goulart, Sarney, Itamar e Temer.

Apenas sete presidentes foram eleitos pelo povo: Dutra (militar), Vargas (1951-54), que se suicidou, Juscelino que morreu em acidente suspeito, Jânio Quadros e Collor de Melo que renunciaram sob pressão, Lula da Silva, que está preso e Dilma que sofreu impeachment. Este é o quadro da chamada democracia brasileira. Sem o nordestino no páreo, corremos o risco de sermos governados por Bolsonaro, il dulce.

O alto escalão da Justiça é também dominado pelo Sul Maravilha. Vejamos a composição do STF atual. Dos 11 ministros, quatro são de São Paulo, quatro do Rio, dois gaúchos, um mineiro. Quatro têm sobrenomes europeus: Toffoli, Fux, Fachin e Weber. Será que precisaremos ter uma guerra civil sangrenta como nos EUA para termos de fato uma União e acabarmos com os coronéis e a servidão?

(Paulo Ormindo Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 20.05.2018

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VOCACIONADA PARA A ROBÓTICA E CAUSAS SOCIAIS

24/05/2018 às 3:10 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário

Num país de bacharéis, com ênfase nos cursos de Direito, onde a preocupação e a participação social dos universitários em geral é pequena, é muito bom conhecer os sonhos de uma jovem como Lorenna Vilas Boas que, além de não abrir mão de focar em tecnologia, se volta também para ações sociais.

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VOCACIONADA PARA A ROBÓTICA E CAUSAS SOCIAIS

A menos de um mês par a fazer 20 anos, Lorenna Vilas Boas já coleciona diversas conquistas. A jovem estudante de engenharia elétrica descobriu a paixão pelo mundo da tecnologia na terceira série, quando começou a fazer atividades de robótica usando brinquedos Lego.Desde então, não deixou mais esse mundo. No ensino médio foi uma das fundadoras do grupo de robótica do Instituto Federal da Bahia, onde participou de competições pelo país. Foi nessas viagens que Lorenna percebeu a falta de meninas e, principalmente, de meninas negras na área em que ela era tão engajada. Em busca de representatividade, decidiu que, além de liderar projetos para a difusão da robótica, lideraria projetos que fizessem com que mais meninas também se interessassem por essa área. Em junho do ano passado , ela foi a representante brasileira do G(irls)20, programa que reúne jovens garotas do s países doG2 0par a discutir pautas sociais. O encontro aconteceu na Alemanha e por lá ela conheceu a fundador a do IamtheCODE, projeto do qual Lorenna é uma das embaixadoras no Brasil e visa apoiar meninas na área de programação. Outro desafio que ela enfrenta é ter que provar aos pais que tem a mesma capacidade que um homem para estar nessa área. “O sonho da minha mãe é que eu faça medicina”, diz. Mas em seus planos estão o desejo de trabalhar com desenvolvimento de tecnologia assistiva, melhorando a qualidade de vida de pessoas com deficiência, e continuar difundindo tecnologia par a meninas.

(Victor Melo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 20.05.2018

QUE PAÍS É ESSE, PROFESSOR?

23/05/2018 às 3:35 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Considerando os dezesseis anos que passei dando aulas à noite em escola pública do DF, hoje eu estaria com uma pena de alguns séculos de cadeia só pelas camisas que eu vesti. Isso sim é patrulhamento ideológico e cassação de liberdades dos docentes. Seguem as boas reflexões e questionamentos feitos por meu irmão, Luiz Arthur Marques Soares, advogado da Caixa Econômica.

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QUE PAÍS É ESSE, PROFESSOR?

(https://www.opovo.com.br/noticias/fortaleza/2018/04/professor-que-se-posicionou-a-favor-de-lula-em-sala-de-aula-em-fortale.html)

Aconteceu em Fortaleza, um professor foi fotografado com uma camisa onde, nas costas, estava escrito: “eleição sem Lula é fraude”, bastou isso para uma vereadora, que defende um projeto denominado “escola sem partido”, replicasse a imagem do professor nas redes sociais com a seguinte indagação: “Escolas de Fortaleza usadas como palanque de militantes travestidos de professores! Qual sua opinião?”.

O professor foi massacrado nas redes sociais e recebeu até ameaças de morte. Que pais é esse? Grita a letra da música de Renato Russo.

Que país é esse, onde o professor é desrespeitado?.

Que país é esse, onde aquele que transmite conhecimento e forma o futuro do nosso país não é reconhecido e não pode expressar seus pensamentos e suas convicções?.

Que país é esse onde a Constituição Federal garante o direito à liberdade, onde reforça que é livre a manifestação do pensamento e mesmo assim aparecem projetos para restringir liberdades?.

Que país é esse onde o professor ofendido não fez nenhuma preleção defendendo seus pensamentos, até mesmo porque a matéria que ele leciona faz parte das ciências exatas, onde seu “pecado” foi ser fotografado com uma camisa?.

Que mundo é esse que passa por um período político perturbador, onde o individuo ou é de direita ou de esquerda, onde se extrema esse dualismo político, o que leva a reações violentas, comprovadas pelos ataques ao professor?.

Os professores não querem muito de nós, eles querem apenas respeito para que um dia a música do Renato Russo seja apenas e tão somente letra morta, mas enquanto isso não acontece, continuamos a perguntar: “Que país é esse?”

(Luiz Arthur Marques Soares)


A LATA DE LIXO DO PLANETA

22/05/2018 às 3:55 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Eu já havia lido algo sobre a existência de ilhas de lixo nos oceanos Pacífico e Índico, mas uma “lata de lixo planetária” como essa não imaginava.

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A LATA DE LIXO DO PLANETA

Se você respondeu Brasil, acabou de perder U$ 100 mil no nosso programa “Fique milionário ou **da-se“. A resposta certa é Nemo,nomeinventado pelo Comando de Operações Espaciais do Exército Norte-americano para uma vasta (e vaga) área do Oceano Pacífico para onde são direcionados os destroços das naves que partem das plataformas de lançamento e, depois de desligadas, saem de órbita e caem. O cemitério mais caro da História. Acredite se quiser, a grana supera até o montante do dinheiro público roubado e desviado para contas secretas. O ferro velho que jaz nas profundezas custou dinheiro suficiente para acabar de vez com a fome no mundo. Até os miseráveis venezuelanos e os todos os famélicos do mundo poderiam com essa grana degustar diariamente caviar com champanhe francesa até o final dos tempos. Supera de longe o valor somado dos passes de Neymar, Messi e todos os craques do mundo. Não esquecer de agregar o dinheiro do contribuinte ( ou seja,omeu e o teu) afanado e desviado para contas secretas. São secretas mas os titulares todos sabemos quem são.

Mas, voltando a lixeira do ponto Nemo. O nome foi dado por algum cientista com pendores literários em homenagem a Julio Verne. Colocada em órbita em 2011, a estação espacial chinesa–Tiagong (Palácio Celestial) 1 – foi desativada em 2013. Segundo o Centro de astrofísica Harvard-Smithsonian caiu a noroeste da ilha de Taití, onde morou Gauguin. Entrou na atmosfera terrestre a uma velocidade que faria Bolt se sentir uma lesma paralítica: 26 mil quilômetros por hora. Ao entrar na atmosfera terrestre desintegrou-se numa bola de fogo. Só dez por cento da estrutura teria mergulhado no Pacífico. Para variar, longe do ponto Nemo. O Nemo é, também, chamado de “polo de inacessibilidade do Pacífico”. Fica ao largo das costas da Antártica, da Nova-Zelândia, das ilhas Pitcarn e do Chile, sendo a ilha Dulcie, um atol desabitado, a mais próxima daquela área. Mas a Tiagong-1, depois que foi desligada, não pode ser controlada e caiu, digamos , muito longe do “cemitério”. Mas felizmente não caiu em cima de ninguém. Até agora não há registro de vítimas de pedaços de naves. Segundo os cientistas você pode ficar tranquilo: a possibilidade de algo vindo do espaço cair na sua cabeça é de 0,058%. Carros são muitíssimo mais perigosos e letais. E também andar na rua depois das nove horas.

De onde tirei tantas informações sobre o lixo espacial que faz da Terra um Saturno com um anel de sucata?

No voo de volta de alguns dias de férias em Portugal, a aeromoça me deu alguns exemplares de Domingo. É uma revista feita no capricho, muito gira, como lá dizem.Tem matérias sobre assuntos bizarros, como o desta crônica, e também sobre cirurgia plástica para peixes ornamentais de pálpebras caídas (eu, que sou de Peixes, também as tenho). Na última página tem sempre uma crônica sobre política brasileira. E digo mais: os portugueses entendem muito mais de Brasil do que nós.

(Jaguar)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 19.05.2018

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