57 contra 6 milhões

22/02/2018 às 3:06 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Carnaval já passou, mas as pautas são as mesmas. Sobre o ENEM, todo ano recebo as já famosas “pérolas das redações do ENEM”, antigamente por email, agora por zapzap, e de tão repetitivas nem mais as publico aqui. Salve Jorge !

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No último Enem, apenas 57 redações alcançaram a nota máxima, num universo de seis milhões de concorrentes! Que fossem até mil textos com desempenho impecável, ainda seria uma tragédia. Redação (ou atualmente chamada “Produção de Textos”) pode ser a única disciplina escolar que realmente avalia a competência ou capacidade intelectual do estudante nos anos de sua juventude – dos 15 aos 25. Pede-se que ele demonstre bom conhecimento da norma culta da Língua, razoável nível de informação sobre a contemporaneidade e um certo domínio para escrever o que pensa. 57 alunos deram conta do recado, Apenas 57! O restante deve ter tido um grande contingente com bom de sempenho (850, 700, até 900 pontos), descomunal parcela com desempenho mediano ou medíocre mesmo!

Quando se trata de Enem, falamos de alunos dos colégios de elite do Brasil misturados aos piores colégios públicos da periferia brasileira. Era de se esperar um massacre dos primeiros sobre os segundos. Até que na marcação do “a, b, c, d, e” das ciências humanas, ciências da natureza e quejandos, isso acontece. Porém… a “tal” redação pede mais que um “x”, que vem, principalmente, da memó- ria. Pede organização mental para estabelecer relações entre as ideias, um texto que não tropece nas concordâncias, pontuações e ortografias na esquina de cada período e, se possível, alguma expressividade que dê brilho e luz ao texto. Aí sim, saltam as extremas diferenças entre as histórias de cada aluno. Muitos dos 6 milhões, não tiveram somente uma nota baixa na redação; vêm sendo continuamente reprovados pela vida. Desde o nascimento. Atravessaram um longo túnel de escolas “faz-de-conta” e chegaram inexplicavelmente às portas do Enem. Servem sempre de números para as estatísticas sensacionalistas.

Passou o Carnaval, e a pauta brasileira continua a ser a prisão ou não de Lula, os estertores da Lava Jato, intervenção no Rio, Reforma da Previdência. Paraíso, só da Tuiuti, que deu uma aula magna na avenida.

(Jorge Portugal)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 20.02.2018

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Realmente pagamos impostos demais no Brasil?

21/02/2018 às 3:10 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Esse artigo esclarece, de forma didática, a questão tributária em nosso país. Retirei o vídeo inicial de propósito, porque o autor diz explicitamente “Tá sem tempo? Aqui um resumo do texto em vídeo” e, obviamente, para o propósito desse blog, que é ‘provocar o pensamento’, há que se ter tempo. Nada contra vídeos e outros materiais que também aqui posto, mas não se comparam normalmente a um texto bem escrito.


Realmente pagamos impostos demais no Brasil?

Quais são, quantos são e para onde vão os tributos que pagamos ao governo brasileiro?

Seja em conversas informais com a família, com os amigos ou nos “papos de boteco” é comum ouvirmos por aí que a carga tributária no Brasil é muito grande, que pagamos impostos demais por serviços de menos, que, em um ano de trabalho, cinco meses são necessários apenas para pagarmos nossos tributos, e por aí vai. Independente da argumentação, a insatisfação com a carga tributária considerada elevada parece estar presente no discurso de muitas vozes da sociedade.

Mas, até que ponto essas informações são verídicas? Como esta questão funciona em outros países? As nações consideradas desenvolvidas possuem mais ou menos tributos que o Brasil? Este texto procurará explicar todas estas questões da maneira mais simples e didática o possível!

O que são tributos?

Tributo é tudo aquilo que o governo arrecada para si para que possa prestar aos seus cidadãos serviços públicos essenciais como educação, saúde, segurança, entre outros. Essa arrecadação ocorre por meio de alguns tipos de cobranças que o Estado tem o direito de fazer sobre seus cidadãos, como Imposto de Renda, INSS, IPTU, IPVA, entre muitos outros. Mas essas cobranças são subdivididas em três tipos: impostos, taxas e contribuições.

Não vamos aqui estudar detalhadamente estas três vertentes de tributação (você podeentender mais sobre isso aqui), mas é importante salientar que elas possuem diferenças e que, ao contrário do que o senso comum costuma pensar, nem todo tributo é um imposto.

Quais e quantos são os tributos que pagamos no Brasil?

Independente do fato de alegarmos que grande ou pequena parte de nossos salários e remunerações vai para o Estado, podemos afirmar com maior propriedade que possuímos hoje no Brasil uma grande variedade de tributos, desde os conhecidos pela população, como o IPI, IPVA, IPTU, IR, até alguns bem menos conhecidos, como o IOF, ITCMd, ITBI, etc. Mas isso quando falamos apenas de impostos.

Ainda nos podem ser cobradas aproximadamente 28 tipos de taxas – como Taxa de Coleta de Lixo, Taxa de Conservação e Limpeza Pública, Taxa de Emissão de Documentos, Taxa de Licenciamento Anual de Veículo – e 37 contribuições – como INSS, PIS, COFINS, CPMF, Contribuição Sindical Patronal, Contribuições de Melhoria – além de 4 empréstimos compulsórios – como o Empréstimo compulsório instituído por ocasião de guerra externa ou de sua iminência; Empréstimo compulsório instituído por ocasião de calamidade pública que exija auxílio federal impossível de atender com os recursos orçamentários disponíveis; entre outros.

Portanto, se fizermos um levantamento aproximado da quantidadede tributos existentes em nosso país atualmente, podendo ser cobrados licitamente pelo governo, chegamos a um número em torno de 80.

Afinal, a carga tributária brasileira é alta mesmo?

Agora que passamos a conhecer alguns dos tributos que nos são cobrados, e com uma noção mais aproximada de quantos eles são no total, é natural que nos apareça a seguinte pergunta: então a carga tributária no Brasil é maior que em outros países?

Não é bem assim.

Embora a variedade de tributos que nos são cobrados seja grande, individualmente, eles não possuem tanto volume, o que faz com que a carga tributária aqui (a soma de todos esses pequenos tributos, incidindo sobre nossos salários e nosso consumo) não se encontre tão diferente das de outros países.

Para estabelecer um parâmetro, vamos adotar os dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), um grupo internacional, formado por 35 países, em sua maioria de IDH elevado, que tem o objetivo de levantar e comparar dados entre as nações para ajudar na promoção do desenvolvimento econômico, social e sustentável das mesmas.

Segundo os dados comparativos, a carga tributária brasileira, ao contrário do que se pensa, está abaixo da média da OCDE. Enquanto a média da organização varia em torno de 34% a 35% sobre o PIB (ou sobre a renda da população), a brasileira oscila em torno de 32% a 33%. Portanto, embora a diferença seja pouca, notamos que, ao compararmos o Brasil com os países desenvolvidos, pagamos tributação menor que eles, em média.

Já em relação à carga tributária da América Latina e Caribe, aí sim possuímos uma proporção muito maior, já que a média da tributação nestes países se aproxima dos 22% de incidência sobre o PIB, 12% a menos que em terras tupiniquins, apesar de estarmos bem próximos da média da Argentina (aproximadamente 32%).

Portanto, podemos concluir que a carga tributária brasileira, em montante percentual arrecadado, não se difere muito dos países de IDH elevado, mas apresenta proporção consideravelmente maior que a dos países latino americanos e caribenhos (em sua maioria, em desenvolvimento).

Estes rankings estão contidos no estudo de receitas tributárias do Ministério da Fazenda de 2013:

Ranking de países da OCDE

Ranking de países da América Latina.

Qual a diferença entre a carga tributária brasileira e a de outros páises desenvolvidos?

Qual a diferença entre a carga tributária brasileira e a de outros páises desenvolvidos?

Sabendo-se, então, que o volume de nossa carga tributária se assemelha à de grande parte dos países desenvolvidos, sendo, por vezes, até menor, por que continuamos com a sensação de que pagamos tanto? Esta pergunta deve ser respondida através de muitos fatores, e não só um. Vamos a eles:

Corrupção

Um dos principais motivos de termos a sensação de que o dinheiro com que contribuímos para o governo não está retornando é exatamente o fato de que grande parte dele realmente não está retornando! Nos últimos anos, o Brasil tem passado por uma crise política sem precedentes, exatamente pela descoberta de uma corrupção institucionalizada por parte de nossas autoridades representativas. Cargos políticos dos mais diversos têm sido assumidos não com o propósito da geração do bem-comum, mas sim de interesses individuais para arrecadação ilícita ou privilegiada de dinheiro.

De acordo com o Procurador Federal Paulo Roberto Falcão, o Brasil perde cerca de 200 bilhões de reais anuais com a corrupção, o que corresponde a aproximadamente 3% do PIB nominal. Este montante equivale a 7 vezes o que é gasto anualmente com o Programa Bolsa Família. Outra comparação: são gastos, anualmente pela União, R$ 110,2 bilhões com saúde e R$ 62,5 bilhões com educação. Ou seja, a corrupção toma “de nossos bolsos” um valor mais alto do que a soma dos investimentos em nossas escolas, universidades e hospitais juntos!

Regressividade da tributação

Aqui sim, talvez se encontre a maior diferença entre a tributação brasileira e de países considerados desenvolvidos. Como já foi dito, são tributados aproximadamente 32% do salário dos trabalhadores. Porém, esta é apenas uma média geral. Ou seja, há famílias que pagam mais do que isso e outras que pagam menos do que isso. E quem são os que mais contribuem com impostos, taxas e tributações? Infelizmente, em nosso modelo tributário atual, os pobres acabam tendo de contribuir com uma porcentagem muito maior de seu salário do que os ricos. Isso acontece porque aqui os tributos incidem majoritariamente sobre o consumo, e não sobre a renda. Ou seja, o governo coloca tributos fixos sobre os produtos e serviços e, consumindo-os, você acaba transferindo parte de seu dinheiro para o Estado.

Desta forma, comprando um celular, por exemplo, o consumidor paga pelo seu preço de custo + impostos + a margem de lucro que o empresário decidir atribuir. Já nos países desenvolvidos, a tributação incide principalmente sobre a renda dos trabalhadores. Portanto, o preço dos produtos precisa cobrir apenas seu preço de custo e a margem de lucro. Assim, basicamente, o indivíduo, ao receber o seu salário, já tem cortados certa porcentagem, cabendo a ele usar como quiser a porcentagem restante, uma vez que os produtos possuem carga tributária muito menor do que aqui. Mas por que nosso tipo de imposto é chamado de regressivo?

Tributação regressiva é aquela que, quanto mais pobre você é, maior é a porcentagem de tributação, em relação à sua renda, com que você deve contribuir. Impostos fixos sobre bens e serviços são indubitavelmente regressivos, observe o exemplo: João recebe 1 mil reais por mês, e Maria recebe 10 mil; ambos têm a necessidade de comprar arroz, feijão e carne. Considerando-se que eles irão ao mesmo supermercado e comprarão a mesma quantidade destes produtos, no montante final o preço ficou em 60 reais, sendo destes 25 reais de tributos e 35 reais de preço de custo + lucro. Sendo assim, João acaba pagando em tributos 2,5% de seu salário, já Maria pagará apenas 0,25%. Desta forma, Maria, que ganha 10x mais que João, contribui com a mesma quantia em impostos absolutos que ele, porém, para ela, este valor é insignificante, enquanto para ele, faz uma grande diferença.

Imagine agora este mesmo exemplo na realização de uma compra do mês, na compra de eletrodomésticos ou na compra de um automóvel. No fim do mês, esta proporção acaba ficando desequilibrada, pois João gasta muito mais do que 32% de seu salário com tributos, e Maria, muito menos.

Já na maioria dos países desenvolvidos, o imposto é tributado sobre a renda e de maneira progressiva (quem é mais rico contribui com mais, e quem é mais pobre contribui com menos). Ou seja, se João e Maria se mudam para algum destes países, seriam cobrados, suponhamos, 25% de tributos diretamente do salário de João, por este necessitar de grande parte de sua renda para comprar insumos básicos, como comida, papel higiênico, água, aluguel, entre outros. Já sobre o salário de Maria, a tributação seria de 35%, pois considera-se que seu salário é suficiente não só para que ela adquira insumos básicos, como os de João, mas também lhe sobrem reservas para formar poupança e investir. Sendo assim, ela tem condições de contribuir com uma porcentagem maior que João.

Vamos supor, ainda, que neste país também viva Joana, uma empresária bem sucedida que lucra 100 mil reais ao mês. Dela seriam tributados, então, 45% de sua renda, partindo-se dos mesmos pressupostos já explicados acima. Sendo assim, a média de tributos deste país é de 35%, porém, Joana contribui com uma porcentagem muito maior que a de João, pois considera-se que ela tem plena condições de fazê-lo e que, ainda assim, lhe sobrará grande parte da renda para aplicar em locais onde João, com seu salário, nunca conseguirá.

Distribuição de recursos desigual aos entes federativos

Por fim, mas não menos importante, um outro fator de nossa carga tributária, que nos dá a impressão de pagarmos muitos tributos por poucos serviços é o fato de que o montante total arrecadado pelo Estado fica, em grande maioria, nas mãos do Governo Federal e não é repassado para os locais onde as políticas públicas efetivamente acontecem – no caso, os municípios.

O Brasil adota a forma federalista de Estado, o que quer dizer que grande parte das obrigações é descentralizada para estados e municípios. É importante ressaltar também que o nosso federalismo, em especial, é o que mais dá autonomia aos municípios no mundo todo. Sendo assim, muitas das atribuições governamentais devem ser aplicadas por nossos prefeitos e vereadores (como educação básica, transporte, assistência social, estrutura física das cidades, saúde, entre outros).

Porém, a Constituição de 1988, embora tenha dado grande autonomia legal aos municípios, não estabeleceu diretrizes para que estes pudessem ter também autonomia econômica. Para comprovar isso, podemos utilizar novamente a Tabela de Estudos Tributários de 2015 da Receita Federal e perceber que, até 2014, 68,47% de toda a arrecadação tributária do país era feita pela União, enquanto 25,35% cabia aos estados, e apenas 6,19% aos municípios:

Cabe ressaltar, é claro, que após a arrecadação total, a União repassa recursos para os demais entes federativos para que esta distribuição orçamentária fique menos desigual. Porém, mesmo assim, notamos grande poder do governo federal em relação a estados e municípios, que, mesmo com os repasses feitos, detêm uma média de 58% do montante, enquanto os estaduais ficam com 24% e os municipais, 18%.

Sendo assim, os entes federativos que possuem maior proximidade e mais deveres para com a população acabam ficando financeiramente limitados ao planejar a construção de políticas públicas estratégias para a localidade. Em consequência disso, a maior parte dos tributos acaba se concentrando nas mãos do governo federal, que não tem conhecimento pleno da situação de todos os mais de 5.570 municípios e investe grande parte de seu capital sem saber das pequenas demandas locais, como a melhoria nas pequenas escolas de bairros, a correta pavimentação de ruas, a compra de equipamentos de qualidade para o hospital da comunidade, a construção de abrigos para pessoas em situação de rua, entre outros.

Notamos então que, talvez, a grande discussão que devemos fazer não seja tão pautada no valor que pagamos em tributos, uma vez que boa parte dos países considerados desenvolvidos têm arrecadado quase a mesma média que nós com relação ao salário de seus trabalhadores, mas sim de que maneira temos coletado e distribuído à população este montante. Sem contar, é claro, com o problema enraizado da corrupção, que faz com que bilhões de reais sejam anualmente destinados ao bolso de políticos, empresários e funcionários públicos dos mais diversos, em vez de escolas, hospitais, batalhões, abrigos, habitações, etc.

(Diego Mutti Cremasco)

FONTE: https://www.papodehomem.com.br/realmente-pagamos-impostos-demais-no-brasil

Estamos viciados em ser infelizes

19/02/2018 às 3:05 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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O título desse artigo do PapoDeHomem é forte, mas verdadeiro. Estamos diante de uma epidemia ? Parece que sim. Quando vejo o que está acontecendo, me preocupo mais com os maduros/idosos como eu do que com os jovens. Um maduro/idoso cair nessa onda (ou será tsunami ?) para mim beira o ridículo. Parabéns ao autor do artigo, Vitor Hugo Felix, pela forma didática que apresentou o tema e pela pesquisa feita. Confiram !


Estamos viciados em ser infelizes

Como a economia da atenção estimulou as empresas de tecnologia a hackearem nossas mentes e o impacto disso sobre nossa qualidade de vida

A cena é rotineira.

Tinha sentado para estudar há duas horas. Livros dispostos sobre a mesa, cadernos abertos, canetas alinhadas, tela do word em branco aberta no notebook pronta para os resumos nunca iniciados quando se deu conta de que não tinha feito nada. Estava há duas horas entre vídeos de cachorros e textões no Facebook. Dessa vez se sentiu impotente. Ele precisava do relaxamento daquela distração tão facilmente obtida.

1. Eu paro quando quiser

O uso das redes sociais vêm nos tornando mais miseráveis.

A quantidade de evidências indicando isso fica cada dia maior. Elas aumentam níveis de ansiedade, depressão, stress (com impacto significante em nível sérico de cortisol, o “hormônio do stress”). Pioram a auto-estima, a qualidade do sono e erodem a capacidade de relação interpessoal, com correlação entre quantidade de uso e sensação de solidão.

Existiam dúvidas se a causa desses efeitos era devido a forma de uso das mídias sociais. Ou se pessoas mais propensas a se sentir dessa maneira, por causa disso usavam mais redes sociais. Mas os últimos estudos mostram que o mero uso já está negativamente associadas com bem-estar e satisfação de vida para qualquer um.

As razões para isso são diversas. Uma ideia que é central para o funcionamento das redes sociais é o FOMO (Fear Of Missing Out) ou medo de ser deixado de fora. É um sentimento inato ao nosso ser social que conhecemos intrinsecamente das nossas experiências. Pense quando um grupo de pessoas ficou fazendo piadas internas sem te informar, ou quando você não pode aparecer numa festa e fica pensando no que pode ter perdido.

FOMO sempre existiu, e trouxe consigo stress e ansiedade, de saber o que os outros estão fazendo, se estão se divertindo mais que você. A questão é que redes como o Facebook e o Instagram exponenciaram esse sentimento ao te permitir se comparar a cada segundo com milhões de pessoas que estão 24h por dia se divertindo nas Bahamas, enquanto você está usando o celular debaixo das cobertas. Se comparar com os outros, ainda mais num ambiente forjado e controlado como o das redes sociais, faz com que muitos pessoas criem expectativas irrealistas, diminuam sua auto-estima e desenvolvam depressão.

E além de fomentar ansiedade, outro problema do FOMO é que a retroalimentação dele é positiva. Quanto mais você acha que está de fora, e sabendo menos da vida dos outros que a aproveitam, mais você checa suas notificações e seu feed a cada minuto pra se manter “por dentro” e mais ansioso você fica.

Essa própria pressão – de se manter conectado – surge muitas vezes dos nossos próprios amigos. Toda vez que citam um vídeo, ou um meme, que você não conhece, isso te estimula a se manter mais tempo conectado e informado. E você aos outros.

E essa necessidade de saber tudo sempre o tempo todo, causa um sentimento que vem sendo nomeado de Síndrome do Pensamento Acelerado. Basicamente uma sobrecarga nos nossos circuitos devido a um excesso de informação, estímulos sonoros e visuais constantes. Causando mais ansiedade, flutuações de humor, déficits de memória e uma fadiga mental generalizada. E mesmo assim continuamos retornando.

E esse uso contínuo, até na cama antes de dormir, impacta na qualidade e quantidade de sono. A luz emitida por nossos aparelhos possui uma quantidade maior de comprimentos de onda azul que a luz natural. Esse espectro pode impactar na secreção de melatonina (o hormônio do sono) e prejudicar um período de descanso. E problemas de sono, já são sabidamente correlacionados com (novamente): depressão, cansaço, irritabilidade.

Citei apenas alguns fatores implicados na causalidade da sintomatologia de pior qualidade de vida causado pelo uso constante das redes sociais. Por que então não conseguimos parar? Será que os benefícios que esses sites trazem são tantos que relevamos tudo isso?

Minha tese é outra. Nós estamos viciados.

Nós fomos viciados. Porque mais de 40 anos de pesquisa psicológica comportamental conseguiram descobrir toda nossa irracionalidade. E como alcançar ela. E todos os engenheiros sociais do Vale do Silício passam o dia se esforçando para introduzir esses conceitos em seus produtos. Maneiras de acessar nosso cérebro inconsciente e ativar o interruptor do centro de prazer e recompensa. Só o suficiente para que continuemos voltando incessamente a uma ferramenta que nos causa mal.

E não sou eu que estou dizendo isso. Mas muita gente que está dentro do Google,Facebook, percebeu isso. E estão tentando nos salvar desse sequestro.

2. A Economia da Atenção

Para entender como chegamos até aqui, precisamos antes entender o que move esse sistema. Quem ganha o quê ao te grudar na tela.

O nascimento e crescimento da internet foi uma das maiores revoluções da história. O acesso a (qualquer) informação foi facilitado à distância (literal) de um dedo. Posso aprender mais sobre a fabricação de sapatos tailandeses no café da manhã e em seguida me aprofundar no estudo de teoria musical pelo Youtube. E isso é, sinceramente, maravilhoso.

Existe aí um único impeditivo para aproveitar todo esse conhecimento. Um único recurso escasso que estou gastando minuto a minuto ao longo do dia, a cada vez que escolho abrir o facebook, e a cada letra que coloco nesse texto. Minha atenção.

A transformação econômica das últimas décadas levou cada vez menos trabalhadores a estar envolvidos com processos produtivos de criação, transporte e distribuição de produtos, mas trabalhando com informação. O que levou muita gente a classificar o momento vivido como uma Economia da Informação. Mas frequentemente a economia de uma sociedade é definida a partir de seus recursos escassos. Pense em uma economia agricultora na escassez de terra medieval e uma economia industrial baseada na escassez de trabalho. Em um mundo baseado em informação, sobrecarregado dela, a atenção individual é a commodity que todos estão atrás. Ou como foi colocado por Matthew Crawford: “Atenção é um recurso – algumas pessoas têm apenas uma quantidade limitada dela”.

Esta é a teoria da Economia da Atenção. Termo criado na década de 1970 por Herbert Simon e popularizado depois da consolidação da web no fim dos anos 1990 pelo físicoMichael Goldhaber. Você não precisa mais gastar dinheiro para estar consumindo. Você está gastando outra moeda de troca. Sua atenção.

E essa foi a base sobre qual a internet se construiu e conseguiu se monetizar. As propagandas (ads) online que ainda movem grande parte do lucro dos sites pagam de acordo com essa lógica. Quanto mais acessos (views) um site consegue, mais ele recebe. E quais sites recebem mais visitas? Os mais eficazes em conquistar sua atenção. Isso levou a vários problemas como as manchetes enganosas, notícias escolhidas a dedo para gerar indignação, as listas do Buzzfeed. Todas estratégias buscando mais cliques. Há uma discussão em curso para mudar os problemas inerentes a esta maneira de remuneração para uma que privilegie uma métrica de tempo de permanência na página. A ideia é que isto estimularia um conteúdo de mais qualidade. Ou levaria as plataformas a ficar ainda mais eficazes em estimular o compromisso (engagement) individual com elas e reter cada vez mais pessoas.

Ou seja, as mídias sociais, os sites, estão jogando a partir das regras que estão postas. Citando Adam Alter, autor do livro Irresistible: The Rise of Addictive Technology and the Business of Keeping Us Hooked (em tradução livre algo como: “Irresistível: a ascensão da tecnologia viciante e os negócios de nos manter fisgados”, ainda sem tradução no Brasil):

Eu não creio que as empresas de mídia social estão tentando fazer plataformas ‘viciantes’ per se. Mas como todas estão competindo pelo nosso tempo e atenção (limitados) elas sempre estão focadas em criar a experiência mais cativante possível”.

O problema nasce da tendência dessas plataformas de maximizar seu lucro, da necessidade de conquistar cada vez mais sua atenção para não perder para o concorrente.

Ganha quem for capaz de criar um hábito, quem conquista o tempo do usuário. O presidente da Netflix, mais ou menos brincando, disse que seus 3 maiores concorrentes são o Youtube, o Facebook e o sono das pessoas. Afinal de contas são oito horas por dia que você não está gastando sua atenção ao ficar deitado na cama.

Ao ver um estudo americano com 205 pessoas entre 18 e 85 anos que concluiu que o desejo de estar diariamente em alguma rede social é maior que o desejo de dormir ou descansar, te faz refletir o quão assustadoramente eficiente as grandes empresas da internet estão ficando em redirecionar nossa atenção para fora do nosso controle. Tanto que nem percebemos mais.

Em 1997, Michael Goldhaber previra “a possibilidade que a demanda cada vez crescente pela nossa limitada atenção vai nos impedir de refletir ou pensar profundamente, quanto mais de aproveitar o lazer, o tempo de descanso”. Sua maior vontade num fim de semana envolve o quê? Poder usar desse tempo para saciar desenfreadamente da internet ou aproveitar o tempo com pessoas próximas? Pense bem antes de responder.

3. O casamento perfeito

Ao longo da adolescência da internet, durante os anos 2000, nos idos de ICQ, Orkut e MySpace existia uma quantidade limitada de técnicas que podiam ser usadas para agarrar sua atenção quando a relação de uso da internet dependia de se sentar em frente ao computador. Claro que já existiam estudos na área de vício na internet e oWorld of Warcraft ia deixando vítimas uma quest por vez.

Mas tudo parecia pontual e envolvendo pessoas em situação de risco. Estávamos longe da estimativa recente de dois bilhões de pessoas cadastradas em alguma rede social, gastando em média duas horas por dia nesses sites. Ou as oito horas diárias que os brasileiros passam na internet (somados computador e celular).

Quando essa é a norma, fica difícil distinguir entre hábito e abuso. O que permitiu este avanço?

Tudo mudou no eternizado dia 9 de janeiro de 2007 com o anúncio do Iphone.

O surgimento do smartphone e o impacto dele sobre a sociedade é inegável, ainda que de tão recente difícil de mensurar. Mas é só pensar na quantidade de aparelhos e itens que ele extinguiu nos últimos 10 anos. Mapas, MP3’s, câmeras, agendas, calendários. O último levantamento do IBGE mostra que o smartphone é a principal forma de acesso à internet para maioria dos brasileiros. Daqui alguns anos mais pessoas terão acesso a um smartphone do que à água corrente. Em suma, ele se tornou essencial.

Ele está conosco da hora que acordamos, no banheiro, no ônibus, no almoço e antes de dormir. Na alegria e na tristeza. Ele é uma ferramenta – não é bom ou mau – ubíqua que nos permite acessar e sermos acessados ininterruptamente. E essa é uma combinação perigosa. Ou uma oportunidade.

O smartphone foi o que permitiu a expansão da economia da atenção. Ele é a razão da existência do Instagram e do Snapchat. Da explosão do Twitter e do Facebook. Cada marcação em uma foto que precisava esperar o dia todo, até meu retorno para casa e ligar o computador para ser conferida, cada retweet, ou novo vídeo daquele canal do youtube que adoro, agora é visualizada instantaneamente ao sentir a vibração em meu bolso.

E já que puxei o celular, porque não ficar mais um tempinho e checar só esse email?

A possibilidade virtual de acessar a internet a qualquer minuto que o smartphone permite, significa que cada minuto é uma oportunidade para você se engajar na internet e gastar sua atenção. Gastar seu tempo. E fazer alguém ganhar mais dinheiro. Quanto mais você usar o celular e menos viver, mais as grandes companhias de internet estão vencendo. E a magia delas é fazer você crer que quer estar ali no celular. Porque é prazeroso. Porque elas descobriram como te manter ali.

E se a saída parece tão fácil quanto clicar no botão desligar, não esqueçamos que como comentei o celular é essencial hoje. Ser um eremita digital não parece possível e nem é desejável. Então talvez a solução seja ter um pouco de vontade e deletar o Facebook. Para citar o Tristan Harris, o grande defensor do design ético no Vale do Silício hoje:

O que o papo de ‘força de vontade’ não compreende é o fato de existirem mais de 1000 pessoas do outro lado da tela cujo trabalho é derrubar toda auto-regulação mental de escolha que você possui”.

Cada detalhe do design desses aplicativos, cada escolha de cor e musiquinha, serve ao interesse comercial de capturar quanta atenção for possível.

As grandes empresas da internet dominaram o Design Persuasivo.

4. Design Persuasivo

No seu ótimo livro de 2012 Addiction by Design: Machine Gambling in Las Vegas(Vício através do Design: Máquinas de Aposta em Las Vegas, em tradução livre), a autora Natasha Döw Schull demonstra todas as técnicas usadas pelos fabricantes de máquinas caça-níquel para manter os apostadores engajados e derradeiramente viciados. O vício em jogos de azar é um dos poucos reconhecidos pelo DSM (Manual de diagnóstico de desordens mentais). Mas enquanto a culpabilização frequentemente cai sobre as pessoas, pouco se comenta sobre o potencial aditivo intrínseco do jogo. Principalmente do caça-níquel, em que cada detalhe foi estudado e desenhado para te manter na “zona” (como os viciados em jogo se referem, ao estado de graça em que todas as preocupações desaparecem e o tempo parece voar) enquanto continua a te derrotar e retirar dinheiro.

Essas máquinas operam sobre o príncipio de uma Caixa de Skinner, nomeada em homenagem ao famoso psicólogo behaviorista B. F. Skinner que descobriu o conceito. Em seu experimento na década de 1960, um pombo era colocado em uma gaiola com uma alavanca. Toda vez que a alavanca era acionada o pombo ganhava uma comida. Entretanto Skinner percebeu que logo os pombos paravam de apertar a alavanca, tendo a certeza de que ganhariam sempre. Então ele começou a testar frequências diferentes em que cada clique recompensaria o pombo com comida. Ele descobriu que poucas recompensas frustravam o animal, mas que um número mágico e inconstante em que os pombos ganhavam a comida entre 50 a 70% dos cliques, fazia com que os pombos puxassem a alavanca duas vezes mais.

Esse é o princípio por trás do que foi chamado de Sistema de Recompensas Variáveis e Intermitentes (SRVI). É o princípio por trás da antecipação do caça-níquel cada vez que a alavanca (que coincidência) é puxada e os símbolos começam a girar.

Também é o princípio por trás do News Feed, cada vez que você abre o Facebook e atualiza o feed, há uma pequena demora (já percebeu?), que cria uma antecipação do que virá a seguir. Você pode ganhar uma notícia irrelevante, um meme engraçado, uma foto nova do crush…

Cada vez que você abre o aplicativo é uma aposta. Assim como no Instagram ou no Twitter. Quando você posta uma foto nova, um link interessante, atualiza seu status,  é uma aposta pra ver quantos likes vão te retornar.

Ou quando você puxa o celular do bolso. Será que vai ter alguma notificação no Whatsapp? Algum email novo? E como checamos o celular em média a cada 150 vez por dia, estamos estimulando esse circuito do SRVI frequentemente. Estamos girando nosso caça-níquel de bolso.

O que foi descoberto é que essa antecipação, essa expectativa positiva da recompensa, libera frações de dopamina no sistema de recompensa cerebral gerando uma pequena sensação de prazer, de quantidade suficiente para te manter fisgado e retornando.

E se ter um vício em uma atividade, como o jogo de azar, que te faz perder dinheiro já é ruim o suficiente, imagine um vício que te faz perder seu tempo, o único bem que você nunca poderá obter novamente.

E o SRVI é apenas um dos métodos cognitivos que são explorados para nos manter presos.

Outro famoso experimento é o da sopa sem fundo. O professor Wansink, tentando entender o quanto a forma que as opções nos são apresentadas influenciam nossas escolhas, selecionou dois grupos. No primeiro havia um prato fundo normal com sopa em que os participantes comiam. No segundo grupo, sem saberem, a sopa era reposta pelo fundo do prato e nunca chegava ao fim. O resultado foi que o grupo do prato infinito consumiu 73% mais sopa, apesar de não relatarem se sentir mais saciados que o primeiro grupo.

Lembre agora do feed infinito do Facebook, do Instagram, Pinterest… Você pode continuar consumindo sem sequer se sentir saciado. E o FOMO que foi mencionado no começo do texto, potencializa a necessidade de uso contínuo. Afinal de contas, talvez seja no próximo post que eu ver, após os 300 que já passaram, que estava aquela informação importante que eu queria. Ou a próxima pessoa que eu deslizar para a direita, o amor da minha vida no Tinder.

Aliás lembram do casamento perfeito? O smartphone permite esses pequenos gestos que se incrustam no subconsciente e reforçam o uso. “Pull to refresh”, “Swipe left”, “Scroll down”. O mero ato de tirar o celular do bolso é um ato que intuitivamente realizamos às vezes sem razão (consciente) para pegá-lo. Toda essa resposta tátil gera uma necessidade física semelhante a do fumante que precisa segurar algo entre os dedos, pela associação entre o prazer do ato e o movimento físico. Cria-se uma correlação na memória. Não é a toa que lançaram um celular fake de plástico, com dimensões semelhantes, para as pessoas que estão tentando reduzir seu uso de smartphone carregarem por aí e reduzirem essa ansiedade que surge da falta de ter uma paralelepípedo de metal entre as mãos.

Outro estudioso que influenciou muito os designers do Vale do Sílicio é o professor B. J. Fogg do Stanford Persuasive Tech Lab. Dentre seus alunos estão vários profissionais da Apple, Google, Facebook, inclusive um dos criadores do Instagram. E toda pesquisa dele se baseia em Design Comportamental ou como mobilizar as pessoas? Como criar hábitos?

Uma das suas descobertas é que para alguém fazer algo, é muito mais eficaz diminuir os impeditivos da realização da tarefa do que motivar a pessoa para fazer o que precisa.

Quando o Youtube instaurou o auto-play no fim dos vídeos, foi para retirar barreiras entre você e o próximo vídeo. É também a razão que explica os 5 segundos entre um episódio e outro no Netflix. Não exija nada do usuário e ele é mais capaz de permanecer no seu serviço.

Outro mecanismo recente é o “Snap Streak” do Snapchat. Cada dia que você manda uma foto para seu amigo, sua sequência aumenta. Então vários adolescentes se sentiam compelidos a continuar usar o aplicativo e mandar fotos (nem que fossem de paredes) para não perder os 100 dias conquistados. É uma ideia baseada no conceito explicitado pelo jogo do leilão de 1 real. O medo de perder seu progresso – o que você já conquistou – te faz continuar indefinidamente mesmo quando as consequências já são negativas.

As redes sociais alcançam um dos nossos mais fundos desejos individuais. É um grande motivador que explica o potencial viciante destes sites frente à outros. A motivação advinda da necessidade de aprovação social.

O like existe pra isso. Validar e presentear nossas inseguranças. Nos fazer sentir bem pela reciprocidade social. Se sentir parte de um grupo. É por isso que o algoritmo do Facebook te mostra com tanto vigor quando as pessoas (mesmo as mais distantes) mudaram a foto de perfil. É um grande momento de fragilidade pessoal, de exposição pública, que deverá ser recompensado pelo maior número de curtidas e reforçar esse prazer.

O cérebro libera neurotransmissores relacionados com prazer e formação de hábito, frente a interações sociais. E os maiores gatilhos para essa liberação são outras pessoas: você e seus amigos e seguidores, constantemente estimulando os outros a usarem o serviço por mais tempo.

O que um estudo encontrou foi que, similar a muitos vícios, a ativação do sistema de recompensa e o aumento de dopamina através desta resposta social pode gerar uma estrutura de dependência para o uso excessivo das redes sociais. Inclusive outrostrabalhos indicam que o uso prolongado de internet leva a redução de transportadores de dopamina. A autora de uma revisão sistemática argumenta que 26,3% dos jovens estadunidenses preencheriam critérios para o diagnóstico de Vício em Internet. O que representa uma fatia de pessoas maior do que do abuso de álcool e drogas para essa idade.

O problema é que todas essas técnicas priorizam aumentar o tempo que você gasta no serviço do que o prazer que você desfruta em fazer isso. Não há um respeito pelo desejo individual. Elas são todas projetadas para alcançar nosso cérebro e capitalizar em seus instintos, peculiaridades e falhas.

O comportamento humano é movido em parte por sucessivos cálculos de custo-benefício que determinarão se um ato será realizado uma, duas, cem vezes ou nunca. Quando os benefícios superam os custos, é difícil não voltar a realizar aquela ação continuamente, particularmente quando todas notas certas de recompensa cerebral são tocadas. Todas as grandes techs realizam testes com milhões de usuários para aprender quais modificações funcionam e quais não. Qual cor de fundo, fonte e frequência de som maximizam o tempo permanecido no app e quais diminuem a frustração com ele. Conforme esse experimento evolui, ele se torna irresistível, uma versão nuclear da experiência que um dia já existiu. Em 2004, o Facebook era divertido, hoje ele é viciante.

5. iGen

Estabelecido que o uso desenfreado das redes sociais e dos smartphones traz consequências para nossa qualidade de vida e de que existem diversas técnicas que são exploradas para nos manter engajados e passando cada dia mais checando a telinha, o que o futuro nos reserva? Há algum impacto social devido à forma que estamos gastando nossos dias?

Num dos melhores textos que li em 2017, a pesquisadora geracional e professora de psicologia da Universidade de San Diego, Jean Twenge apresenta diversos dados, colhidos a partir de entrevistas realizadas anualmente desde os anos 1980 nos Estados Unidos com adolescentes entre 12-18 anos, que apontam o impacto que o uso do smartphone causou sobre a geração que cresceu junto dele. A geração nascida após 98-99. A iGen.

O comportamento desses adolescentes, os primeiros que cresceram junto de smartphones e rede social, os que já possuiam uma conta no Instagram antes mesmo de estarem no ensino médio, mostra mudanças significativas na forma que eles experimentam o mundo quando comparados com a geração anterior. O que chamou a atenção da autora. Frequentemente as tendências que vêm a definir uma geração aparecem suavemente, já podendo ser sentidas na geração predecessora. Mas os comportamentos analisados para os iGen’ers criam gráficos abruptos. Esse padrão começa a mudar após 2012, coincidentemente o ano em que foi ultrapassado a porcentagem de 50% da população estadunidense que tinha um smartphone.

Essas mudanças afetam todo aspecto da vida desses adolescentes, da natureza das suas relações sociais até a saúde mental. E essas mudanças podem ser sentidas em toda esta faixa etária. Não importa a demografia, a tendência é universal, em jovens ricos ou pobres, de cidades grandes ou pequenas.

Os resultados da pesquisa revelam que eles saem menos de casa. Seja com os pais ou com os amigos. Afinal de contas podem se comunicar com quem quiserem sem sair da cama. O número de adolescentes que relatam saírem para se encontrar com os amigos caiu 40% num período de 15 anos a partir de 2000. Os dados desmistificam também a teoria de que a possibilidade de comunicação contínua fariam esses jovens estar mais integrados com seus amigos. O sentimento de solidão para essa idade atingiu um pico desde 2013 e continuam numa alta histórica desde então. Os adolescentes que responderam que usam redes sociais diariamente e visitam menos seus amigos foram os mais prováveis a concordar com as afirmações “Muitas vezes eu me sinto sozinho” e “Frequentemente me sinto deixado de fora”.

A correlação do tempo gasto no celular com infelicidade é inegável. Dentre as mais de mil perguntas do questionário, perguntando sobre diversas atividades realizadas por essa faixa etária, os jovens que em média passam mais tempo em atividades fora da tela são os mais contentes. Não há exceção em nenhum grupo. Quem relatou gastar mais de 10 horas por semana em redes sociais tinham 56% mais chance de admitir estar infeliz. E dentre 6 a 9 horas, 47% mais probabilidade de infelicidade que quem passa menos tempo curtindo e checando Instastories.

O contrário acontece com interações interpessoais. Quem estava acima da média na quantidade de tempo gasto pessoalmente com os amigos possuía 20% menos resposta de infelicidade frente aos que estavam abaixo da média nesse quesito.

Interações pessoais online não são diferentes das suas partes reais apenas pelo quesito físico. Elas são mensuravelmente piores. Humanos aprendem compreensão e empatia ao assistir o efeito de suas ações sobre outras pessoas. Não há como esses sentimentos aflorarem sem uma resposta imediata de causa e efeito. E mesmo assim é uma habilidade que leva tempo para se formar. Uma análise de estudos entre 1979 e 2009 encontrou que os níveis de empatia diminuíram entre universitários. Segundo a psicóloga Catherine Steiner-Adair:

Mensagens de texto, através de qualquer mídia, é o pior campo de treinamento possível para qualquer um aspirando à uma relação madura, sensível e amorosa”.

Na redes sociais eles são menos propensos a entender a perspectiva dos outros e se preocupar com o que outras pessoas podem estar passando. Twenge descobriu que 1 em cada 3 garotas entre 12 e 16 anos disse que as pessoas são majoritariamente desagradáveis online. E como todos adolescentes estão presos nesse ambiente, a má reciprocidade só cresce.

Os encontros românticos sofreram também de acordo com a pesquisa. Na era dos emojis, apenas 56% dos adolescentes de 17 anos relataram ter saído num encontro frente a 85% das suas contrapartes da Geração X e Baby Boomers. Eles estão fazendo menos sexo também. Os gráficos são todos decrescentes em todas faixas etárias nos últimos anos. Não à toa que 1 em 3 jovens reportou que sentiria mais falta do smartphone do que de sexo.

Essa geração parece não ter muito interesse em aprender a dirigir também. Um dos grandes paradigmas da geração retratada por John Hughes, o carro e a liberdade associada com ele não parece interessar tanto os jovens de hoje. Mais de 25% dos adolescentes terminam o ensino médio sem uma licença para dirigir (lembrando que nos EUA a idade para dirigir é de 16 anos). Quando se sai menos de casa, e existem Ubers por todo lado, porque se preocupar?

Outro parâmetro que tem sofrido nos últimos anos é a quantidade de horas de sono dos adolescentes. Dormindo com os celulares do lado da cama ou debaixo do travesseiro, 57% a mais dos jovens podem ser classificados como privados de sono (dormindo menos de 7 horas por noite) do que em 1991 mostram os dados da pesquisa. E os efeitos da falta de sono, novamente, podem ser associados com diversos problemas: pensamento acelerado, falta de atenção, comprometimento imune, ganho de peso, ansiedade.

São todos dados que explicam outro achado que explodiu nos últimos anos. Nos níveis de depressão e suicídio entre adolescentes. Dentre os jovens de 14 anos que são usuários frequentes de redes sociais, o risco de depressão aumenta 27%. Os sintomas depressivos aumentaram 21% entre meninos de 2012 até 2015 e 50% para as garotas.

Desde 2007, enquanto as taxas de homicídio entre adolescente tem diminuído, a taxa de suicídio cresceu. Como os adolescentes começaram a passar menos tempo juntos, eles possuem menos chances de matar uns aos outros e, passando mais tempo sozinho em seus quartos, mais probabilidade de cometer suicídio. Em 2011, pela primeira vez em 24 anos nos Estados Unidos, a taxa de suicídio juvenil ultrapassou a de homicídio.

Twenge, acertadamente, atenta que o objetivo de um estudo geracional não é sucumbir a uma nostalgia e a um elogio ao jeito que as coisas costumavam ser. Algumas mudanças são positivas e outras negativas. Passando mais tempo no conforto do quarto, esses jovens são menos propensos a participar de um acidente automotivo, se embebedar, e os níveis de gravidez na adolescência vêm caindo.

Psicologicamente no entanto eles estão mais vulneráveis do que nunca. A conclusão é de que esses adolescentes e os que virão, estão à beira do abismo de uma crise de grandes proporções na saúde mental.

Se os celulares e as redes sociais se fizeram indispensáveis, como escapar desta miríade de efeitos deletérios e se libertar dos grilhões do vício?

Epílogo: Um dia de cada vez

O que eu quero fazer com meu tempo?

Essa é a pergunta que venho tentando me fazer diariamente. Esse é o tipo de atenção plena que temos que ter frente nossa interação com a tecnologia.

Partindo do princípio de que desejo mudar a forma de utilização do celular, e emprestando alguns conceitos de terapia cognitivo-comportamental, é preciso entender quais os benefícios que essa interação me proporciona, quais os desejos subjacentes que ela supre e de que maneira eu gostaria de usufruir disso na minha vida. Não é problema nenhum checar o Facebook na fila de espera do ônibus, mas sabendo que ele atrapalha meu foco no trabalho é importante que eu conscientemente escolha abrir o app depois que eu terminar a tarefa que estou realizando. Retomar o controle da minha atenção para orientá-la no que me é importante.

Mesmo assim, existem os diversos truques psicológicos que são usados para desviar nosso foco. Apenas a força de vontade não é suficiente para mudar um hábito. Aprendendo a usar o design comportamental a nosso favor, existem técnicas que facilitam a reconquista da atenção.

Se essas empresas tentam várias maneiras de reduzir as barreiras entre o uso e o serviço, podemos criar nossos próprios impeditivos. A mera mudança de colocar o aplicativo do Facebook dentro de uma pasta na segunda página do celular, me obrigando a clicar duas vezes mais para abri-lo, foi o suficiente para diminuir o número de vezes por dia que eu usava o Facebook intuitivamente, gastando pelo menos uns 5 minutos fora a quebra de concentração.

Outro ato ao nosso alcance é desligar todas as notificações (no Android e iOS)que não sejam relacionadas a pessoas (Whatsapp, Messenger, SMS). Não preciso da tela do meu celular acendendo e vibrando toda vez que um vídeo novo chega no Youtube, que alguém curte uma foto minha no Instagram ou uma notícia desinteressante aparece no Flipboard. Não é necessário desativar todas, mas saber o que eu considero importante para mim e respeita meu tempo, posso tomar uma decisão mais positiva relacionado ao que eu quero saber sobre.

Outro facilitador para manter atenção ininterrupta é ativar o modo avião quando começar atividades mais longas e que demandam mais concentração. Segundo minha experiência, até agora ficar sem Wi-Fi por uma manhã não causou terremotos em nenhum lugar do mundo.

Claro que as situações diferem diariamente, e há situações que é impossível ficar incomunicável. Um truque que pode ser usado é tirar a cor da tela do celular. Sobrando só tons de cinza, o apelo visual das milhões de cores vibrantes utilizadas pelo display 1080p diminui seu apelo de nos manter hipnotizados.

Existem apps para combater apps. Por exemplo, o Moment no iOS, que revela quanto tempo é direcionado para quais aplicativos no celular. O StayFocusd no Chrome, que permite que o usuário decida quanto tempo ele pretende permitir de uso de diferentes sites. O Flux para PC e Mac, muda o tom de luz azul emitido pelos computadores para uma frequência de onda mais amarelada e natural do entardecer, melhorando a qualidade de sono. O NightShift, que a Apple estreou no iOS 11, faz a mesma coisa no iPhone. Sobre o sono aliás, coloquei um alarme analógico no quarto e passei a carregar o celular na sala, após cronometrar quanto tempo eu passava, sem perceber, no celular antes de dormir e principalmente logo ao acordar.

Por fim, a decisão mais importante que tomei, foi voltar a olhar para as pessoas em vez de olhar para o celular. Nos jantares familiares e nas rodas de conversas de amigos no bar. Claro que é mais cômodo sacar o celular do bolso e evitar ter que falar sobre frustrações profissionais com aquela tia distante, ou passear no Facebook em vez de discutir aquela situação complicada com minha parceira antes de dormir.

Mas ao final do dia, é a conexão com outras pessoas, conexões reais, que contam e nos fazem sentir completos. Nossa presença, nossa atenção completa, é o que de mais importante podemos dar para os outros.

Reconhecimentos

Grande parte do texto foi inspirada pelo ativismo que vem sendo realizado peloTristan Harris e sua empreitada Time Well Spent. Essa TED Talk dele é um ótimo ponto de partida. Em português tem essa ótima tradução no Papo de Homem.

Os diversos textos que foram publicados nos dois últimos anos apontando para as técnicas de design persuasivo. No New York Times, The Economist, The Guardian,Vice.

Ao canal de Youtube do Will Schoeder, que produz um dos melhores conteúdos que já encontrei na plataforma, e me fez conhecer mais sobre economia da atenção.

Jean Twenge e sua pesquisa fantástica na The Atlantic que me fez ter a epifania e concatenar todas essas informações que estavam dispersas na minha cabeça

Diversos livros que foram esclarecedores e permitiram me aprofundar no tema. Adam Alter traçando o panorama do Vício e Design Comportamental, Natasha Döw Schull e o agregado de décadas de pesquisa em como designers da experiência dos cassinos e caça-níqueis projetam o vício. Nancy Colier recuperando a importância do tempo desconectado. Sherry Turkle nessa linha mas sobre retomar a arte das conversaspessoais.

Obrigado a todos vocês.

(Vitor Hugo Felix)

FONTE: https://papodehomem.com.br/estamos-viciados-em-ser-infelizes?utm_content=buffer86524&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

20 sites para baixar livros legalmente e de graça

17/02/2018 às 3:36 | Publicado em Artigos e textos, Baú de livros, Zuniversitas | 1 Comentário
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Testei todos os links abaixo. Fantástico como a grande rede pode ser útil. Ser Estudante hoje em dia é até fácil, basta o querer ! No site da Bibliteca Básica Brasileira (o BBB do bem !) da Fundação Darcy Ribeiro, item 18 no artigo abaixo, baixei dois excelentes livros: “Ensaios Insólitos” e “América Latina – A gande pátria”, do saudoso Darcy. Fácil de baixar. Recomendo fortemente o ensaio “Sobre o Óbvio”, da primeira obra supracitada.

“Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo,
torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente,
ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se
a Educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela
tampouco a sociedade muda.”

(Paulo Freire)


20 sites para baixar livros legalmente e de graça

Bibliotecas Digitais

O objetivo aqui é apresentar uma seleção de sites para baixar livros digitalizados, principalmente no idioma português, de forma legal e sem risco de vírus. Obviamente a chance de encontrar os últimos lançamentos de autores contemporâneos é praticamente nula e não poderia ser de outra forma porque escritores também precisam sobreviver não é mesmo? Por outro lado, todas as obras clássicas da literatura brasileira e portuguesa estão disponíveis, assim como livros e documentos raros nas bibliotecas digitais que mantêm acervo regulamentado pela legislação do domínio público ou autorizado pelos autores e suas respectivas famílias. Cada um dos sites está relacionado com uma área de atuação própria que foi resumida na postagem com alguns exemplos entre as milhares de obras disponíveis. A iniciativa dessas organizações, governamentais ou não, representa um serviço de utilidade pública inestimável para o conhecimento e divulgação da cultura brasileira, não somente para estudantes e pesquisadores, mas para o público amante da leitura em geral, boa navegação!

(01) Portal Domínio Público

Biblioteca Digital

O Portal Domínio Público é uma biblioteca digital mantida pelo Ministério da Educação que já ultrapassou os 198 mil títulos em seu banco de dados (informação de 2014), sendo 182 mil em arquivos de texto e 15 mil em outras mídias. O acervo é constituído por obras de domínio público ou devidamente cedidas pelos titulares dos direitos autorais. Lançado em 2004, o portal oferece acesso gratuito a obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação autorizada. Segundo a legislação brasileira, os direitos autorais vigoram por setenta anos contados de 1° de janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor. Além das obras em que o prazo de proteção aos direitos excedeu, pertencem ao domínio público também: as de autores falecidos que não tenham deixado sucessores; as de autor desconhecido, ressalvada a proteção legal para os conhecimentos étnicos e tradicionais.
Exemplos de obras disponíveis: Poesia de Fernando Pessoa (21 títulos), Literatura infantil em português (22 títulos), A Divina Comédia em português, Obras de Joaquim Nabuco (42 títulos).

(02) Biblioteca Nacional Digital

Biblioteca Digital

Oficialmente lançada em 2006, a Biblioteca Nacional Digital, mantida pela Fundação Biblioteca Nacional, busca preservar a memória cultural e proporcionar o amplo acesso às informações contidas em seu acervo. Para esta finalidade, está internamente constituída por três segmentos: Captura e armazenagem de acervos digitais, Tratamento técnico e publicação de acervos digitais e Programas e Projetos de digitalização e divulgação. Conta com uma equipe interdisciplinar composta por bibliotecários, historiadores, arquivistas e digitalizadores.
Exemplos de obras disponíveis: O cemitério dos vivos de Lima Barreto, Os Sertões de Euclides da Cunha, Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos de Álvares de Azevedo.

(03) Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin

Biblioteca Digital

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin foi criada em janeiro de 2005 para abrigar e integrar a coleção brasiliana reunida ao longo de mais de oitenta anos pelo bibliófilo José Mindlin e sua esposa Guita. Atualmente, cerca de 3.000 títulos estão disponíveis para livre acesso. São diferentes tipos de materiais que abordam temas variados da história do Brasil. As coleções de livros de literatura e de história, mapas, iconografias, e uma coleção de periódicos dos séculos XIX e XX são particularmente significativos. O pesquisador pode consultar o material no próprio site ou fazer o download das obras.
Exemplos de obras disponíveis: Villa Rica, poema de Claudio Manoel da Costa, Eu (poesias completas) de Augusto dos Anjos, Auto da barca do inferno de Gil Vicente.

(04) Arquivo Público do Estado de São Paulo

Biblioteca Digital

Qualquer cidadão pode consultar gratuitamente este acervo, na sede do Arquivo Público ou pela internet. O Arquivo Público do Estado de São Paulo possui um dos mais ricos acervos do Brasil, formado por, aproximadamente, 20 milhões de documentos, 1,5 milhões de imagens, uma grande coleção de jornais com mais de 200 títulos, 32 mil exemplares de revistas, além de uma biblioteca formada por cerca de 45 mil volumes. Esse acervo, de guarda permanente em função do seu valor, é formado por documentos textuais, fotografias, mapas, ilustrações, jornais, revistas e livros. Qualquer cidadão pode consultá-lo gratuitamente, na sede do Arquivo Público ou pela Internet. Já são mais de 1 milhão de páginas de documentos digitalizados e disponíveis para consulta no site.
Exemplos de documentos disponíveis mediante autenticação de usuário: Documentos, fichas e dossiês do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (DEOPS-SP), Boletins SNI, Cartas da Revolução de 1924, Documento sobre Anistia.

(05) Biblioteca Digital Unesp

Biblioteca Digital

Criada pela Unesp – Universidade Estadual Paulista em parceria com a Biblioteca Nacional, o Arquivo Público do Estado de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade pretende dar acesso irrestrito às seguintes divisões de áreas de conhecimento: Hemeroteca, História de São Paulo, Livros, Mapas de São Paulo e Música. Ao dar acesso irrestrito a esse material, a universidade cumpre com sua responsabilidade social, democratizando o acesso à informação e contribuindo com o ensino, a pesquisa e a difusão do conhecimento.
Exemplos de obras disponíveis: Religion, philosophie, socialisme – Friedrich Engels, The sense of the past – Henry James, Pensées de Pascal – Blaise Pascal.
(06) Biblioteca Digital Unicamp

Biblioteca Digital

A Biblioteca Digital da Unicamp tem como objetivo principal disponibilizar, de maneira rápida, a produção científica gerada na Universidade, com foco principal em teses e dissertações, ofertando mais de um milhão de páginas aos pesquisadores nacionais e internacionais. Adicionalmente, podem ser consultadas as seguintes seções no site:Hemeroteca, Revistas Eletrônicas e Obras Raras.
Exemplos de obras disponíveis: Historia naturalis Brasiliae : auspicio et beneficio illustriss – Guilielmi Pisonis (1648),Chronica da Companhia de Jesu, na Provincia de Portugal – Balthazar Tellez (1645).

(07) Biblioteca Digital Camões

Biblioteca Digital

A Biblioteca Digital Camões se define como um repositório da cultura em língua portuguesa, tendo como principal critério a publicação de obras integrais, para leitura gratuita, sem necessidade de registos ou subscrição. O acervo é constituído por autores e edições no domínio público, mas também por edições atuais. Por este motivo existem níveis diferenciados de acesso para os usuários (apenas leitura, leitura e impressão, leitura, impressão e cópia). Além de língua, literatura ecrítica literária, podem ser pesquisadas outras áreas de conhecimento tais como: arquitetura, arte, cinema, geografia,história, música e outras.
Exemplos de obras disponíveis: Os Lusíadas de Camões, A Formação de Portugal de Orlando Ribeiro, Os Maias de Eça de Queirós, Dispersão de Mário de Sá-Carneiro.

(08) Biblioteca Digital Paulo Freire

Biblioteca Digital

A Biblioteca Digital Paulo Freire tem por objetivo principal “disponibilizar pressupostos filosóficos, sociológicos e pedagógicos do pensamento freireano, para suportar ações educativas coletivas facilitadoras da inclusão dos sujeitos educacionais na sociedade da informação”. Dentre as atividades desenvolvidas, diversas ações foram realizadas na digitalização do acervo de documentos em formatos multimídia como vídeos, fitas cassetes, e mídia impressa, no intuito de disponibilizar o acesso mais amplo possível a estes documentos via web. O acervo foi classificado em 7 categorias, que são: Livros (de Paulo Freire e outros autores), Artigos, Academia, Resumos, Fotos, Vídeos, Áudios e Textos.
Exemplos de obras disponíveis de Paulo Freire: Política e Educação (2001), Pedagogia da Indignação (2000), A Importância do Ato de Ler (1989), Pedagogia – Diálogo e Conflito (1995), Professora sim, tia não (1997), Conscientização (1979).

(09) Biblioteca Digital do Museu Nacional

Biblioteca Digital

O objetivo da Biblioteca Digital é digitalizar e disponibilizar via internet o acervo de obras raras da Biblioteca do Museu Nacional, UFRJ, e também as publicações editadas pelo Museu Nacional. Essas coleções formam um patrimônio de referência indiscutível nas áreas de ciências naturais e antropológicas. O Museu Nacional á mais antiga instituição científica do Brasil e o maior museu de história natural e antropológica da América Latina.
Exemplos de obras disponíveis: Apontamentos relativos a botânica aplicada no Brasil – Ladislau Netto (1871),Description des plantes de l’Amerique, avec leurs figures – Charles Plumier (1693).

(10) Biblioteca Digital da Escola de Música da UFRJ

Biblioteca Digital

O acervo, estimado em cerca de 100 mil obras, inclui: obras raras (a partir do século XVI), partituras, teses, coleções de periódicos, acervo iconográfico, arquivo de documentos históricos e fonoteca. O acervo de literatura musical, assim como parte do acervo de partituras manuscritas e impressas encontram-se disponíveis para consulta.
Exemplos de obras disponíveis: Compêndio de princípios elementares de música – Francisco Manuel da Silva.

(11) Biblioteca Nacional Digital de Portugal

Biblioteca Digital

A Biblioteca Nacional Digital de Portugal disponibiliza online e de forma gratuita cerca de 25.000 documentos, a que correspondem mais de um milhão e meio de imagens. O acesso às coleções digitais de livros, publicações periódicas, iconografia, cartografia e música, pode fazer-se mediante pesquisa no catálogo bibliográfico ou por navegação através dos índices de título, autor ou data de publicação.
Exemplos de obras disponíveis: Livros digitalizados de Fernando Pessoa, Sonetos completos de Florbela Espanca.

(12) Biblioteca Mundial Digital

Biblioteca Digital

A Biblioteca Digital Mundial disponibiliza na Internet, gratuitamente e em formato multilíngue, importantes fontes provenientes de países e culturas de todo o mundo com os principais objetivos: (1) Promover a compreensão internacional e intercultural, (2) Expandir o volume e a variedade de conteúdo cultural na Internet, (3) Fornecer recursos para educadores, acadêmicos e o público em geral, (4) Desenvolver capacidades em instituições parceiras, a fim de reduzir a lacuna digital dentro dos e entre os países.
Exemplos de obras disponíveis: Mapa do Brasil de Jacopo Gastaldi (1500-1565), Manuscrito de “As Ligações Perigosas”de Choderlos de Laclos (1741-1803).

(13) Site Machado de Assis

Biblioteca Digital

O propósito da criação deste site pelo Ministério da Cultura, mais que lembrar o centenário da morte de Machado de Assis, foi permitir que a sua obra completa chegasse a qualquer usuário da internet, em edições confiáveis e gratuitas. Resultado de uma parceria entre o Portal Domínio Público – a biblioteca digital do MEC – e o Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Linguística (NUPILL), da Universidade Federal de Santa Catarina, o projeto teve como objetivo organizar, sistematizar, complementar e revisar as edições digitais até então existentes na rede, gerando o que se pode chamar de Coleção Digital Machado de Assis.
Exemplos de obras disponíveis (todos os romances): Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876), Iaiá Garcia (1878), Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Casa Velha (1885), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904), Memorial de Aires (1908).

(14) Casa José de Alencar

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A casa de José de Alencar está situada no Sítio Alagadiço Novo, no bairro de Messejana, Fortaleza-CE e foi adquirido em 1825 pelo padre José Martiniano de Alencar, pai do escritor cearense José de Alencar. Por nove anos, este espaço foi o lar do escritor, autor dos mais renomados títulos da Literatura Nacional, com destaque para as obras “Iracema” e “O Guarani”, que foram fortemente influenciadas pelas belezas naturais do estado do Ceará. Em 1965, durante a gestão do reitor Antonio Martins Filho, a Universidade Federal do Ceará adquiriu o sítio e o mantém até hoje. Passeando pelos espaços, o visitante pode aprender sobre a obra do escritor, ver a história do livro Iracema contada por imagens e saber mais sobre escravidão e cultos afro-brasileiros.
Exemplos de obras disponíveis: Lucíola (1862), Mãe (1860), O Demônio Familiar (1857), O Garatuja (1873), O Gaúcho (1870), O Guarani (1857), O que é o Casamento? (1861), O Sertanejo (1875), Como e porque sou Romancista (1893),Senhora (1875), Sonhos D’oro (1872), Til (1872), Ubirajara (1874), Verso e Reverso (1864).

(15) Fundação Casa de Rui Barbosa

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A Fundação Casa de Rui Barbosa tem sua origem no museu-biblioteca instituído em 1928 pelo presidente Washington Luís, a Casa de Rui Barbosa. Em 1966, a instituição teve sua personalidade jurídica alterada para melhor cumprir suas finalidades de desenvolvimento da cultura, da pesquisa e do ensino, como também, a divulgação e o culto da obra e vida de Rui Barbosa. No site podem ser acessados artigos, catálogos, bibliografias e resumos e transcrições de palestras realizadas.
Exemplos de obras disponíveis: Textos com os discursos de Rui Barbosa, Textos de diversos autores sobre Rui Barbosa.

(16) Projeto Gutenberg

Biblioteca Digital

O Projeto Gutenberg é um esforço voluntário para digitalizar, arquivar e distribuir obras culturais através da digitalização de livros. Fundado em 1971, é a mais antiga biblioteca digital. Oferece mais de 50.000 livros digitalizados, sendo 500 em português.
Exemplos de obras disponíveis em inglês: Pride and Prejudice – Jane Austen, Ulysses – James Joyce, Dracula – Bram Stoker, The Count of Monte Cristo, Illustrated – Alexandre Dumas, The Adventures of Tom Sawyer – Mark Twain, The Picture of Dorian Gray – Oscar Wilde.

(17) Coleção Aplauso – Teatro, Cinema e TV

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O Objetivo do site é preservar a memória da cultura brasileira e democratizar o acesso ao conhecimento por meio dos princípios da Coleção Aplauso, lançada pela Imprensa Oficial. Estão disponíveis biografias de artistas, cineastas e dramaturgos além de roteiros de cinema, peças de teatro e a história de diversas emissoras de TV. Todo esse acervo digital pode ser acessado gratuitamente. Uma excelente dica para estudantes, pesquisadores e interessados na história da nossa cultura.
Exemplos de obras disponíveis: Cacilda Becker por Maria Thereza Vargas, Carlos Reichenbach por Marcelo Lyra,Fernanda Montenegro por Neusa Barbosa, Gianfrancesco Guarnieri por Sérgio Roveri.

(18) Fundação Darcy Ribeiro – Biblioteca Básica Brasileira (BBB)

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O projeto editorial Coleção Biblioteca Básica Brasileira (BBB) foi formulado em 1962, quando Darcy Ribeiro tornou-se o primeiro Reitor da Universidade de Brasília – UnB. Darcy reuniu um brilhante grupo de intelectuais e professores para juntos, criarem o que seria a universidade do futuro. Em 1963, quando ministro da Educação, Darcy Ribeiro viabilizou a publicação dos primeiros 10 volumes da BBB, com tiragem de 15.000 exemplares, totalizando 150 mil livros. A proposta previa a publicação de nove outras edições com 10 volumes cada, compondo, ao final, uma Coleção de 100 títulos. Com a missão de manter vivos o pensamento e a obra de seu instituidor e, sobretudo, comprometida em viabilizar os seus projetos, a Fundação Darcy Ribeiro retomou a proposta e a atualizou, configurando assim, uma nova BBB. O projeto prevê uma coleção composta de 150 títulos, dos quais 50 já foram disponibilizados no site com acesso gratuito.
Exemplos de obras disponíveis: As Religiões no Rio – João do Rio, Viagem ao Brasil – Hans Staden, Teoria do Brasil – Darcy Ribeiro, História da literatura brasileira – José Veríssimo, O descobrimento do Brasil – Capistrano de Abreu.

(19) Biblioteca Casa Fernando Pessoa

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O site da Casa Fernando Pessoa foi inaugurado em 2008 contendo as obras completas dos heterônimos Alberto Caeiro,Álvaro de Campos, Bernardo Soares e Ricardo Reis, poesias do próprio Fernando Pessoa e um banco de dados de poetas consagrados. Adicionalmente encontramos também Cronologia, Fotobiografia e Roteiro Pessoano. Agora, além de todas as preciosas informações acima, em um trabalho conjunto da Casa Fernando Pessoa, o Centro de Linguística da Universidade de Lisboa e apoio da Fundação Vodafone, o processo de catalogação e digitalização da Biblioteca particular de Fernando Pessoa está também disponível online para consulta.
Exemplos de obras disponíveis: Estudos, Livro do Desassossego, Biblioteca particular de Fernando Pessoa.

(20) Site Europeana

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O site se define como a maior coleção online de arte, cultura e ciência. Estão disponíveis para consulta online material de bibliotecas, museus, galerias e arquivos da Europa, incluindo livros e manuscritos, fotos e pinturas, esculturas e pautas musicais, vídeos e gravações, diários e mapas.

FONTE: https://mundodek.blogspot.com.br/2017/03/20-sites-para-baixar-livros-legalmente.html#.WmH-W34zbIW

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