Os Mundos da Liz

16/04/2018 às 3:43 | Publicado em Fotografias e desenhos | 1 Comentário
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16 de Abril. Acho que não poderia fazer maior homenagem à Dra. Mônica Soares Brandão, minha querida e saudosa irmã Momon, nesse dia de seu aniversário. Segue, assim, logo abaixo, uma tirinha feita pelo filho dela, o Professor Daniel Soares Brandão, da série “Os Mundos da Liz”, sua filha, publicada diariamente no Jornal O POVO, de Fortaleza-CE.


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STF

06/04/2018 às 18:23 | Publicado em Fotografias e desenhos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Charge do Correio Braziliense de hoje !


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O FILHO DO BOTO

06/04/2018 às 3:01 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Publico hoje mais um bom conto de Davi Romboli. A criatividade é uma constante nos escritos deste jovem escritor. Confiram !

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O FILHO DO BOTO

Dizem que um dia a cada sete anos surge uma ala sobrenatural no zoológico de São Paulo. Nela há apenas um animal: o boto-cor-de-rosa. Nesse dia o boto escolhe uma jovem donzela que visite o zoológico e a leva para a ala oculta, com malemolência e palavras macias a seduz e a engravida. Foi o que aconteceu com a graciosa Aninha no ano de 1988.

Outros dizem que, naquele ano, Ana foi excursionar na Floresta Amazônica, e ao nadar com os botos no Rio Negro engravidou sem nem perceber. Outros ainda, mais céticos e sem compaixão, dizem que seu Gervásio era muito ingênuo por acreditar que sua filha havia engravidado do boto em pleno século XX. O pai era o Paulinho da rua de cima, sujeito que não presta, sedutor barato, ou então outro alguém da viagem à Manaus, talvez um índio ou local – daí veio o tom de pele moreno e o cabelo escorrido do pequeno Betinho.

Beto cresceu e teve uma juventude que muitos diriam bem sucedida: muitos amigos, facilidade de lidar com os professores e principalmente com as garotas de sua turma. Era um sedutor nato. Para ele as coisas simplesmente aconteciam, sem esforço consciente. Aos dezoito anos lhe foi dada a revelação. Já não era mais possível lhe esconder a verdade sobre a sua origem. Era sim filho do boto e estava cada vez mais evidente que havia puxado ao pai.

Desde então Beto nunca mais foi o mesmo rapaz alegre dos seus dias de mocidade. Percebeu que embora pudesse ter qualquer mulher que quisesse, nunca as teria de verdade – pois lhe era impossível se apegar a qualquer uma delas. O mesmo podia ser dito delas – tão logo o dia seguinte amanheça, elas sempre se vão sem lembrar quem é o boto. Beto sem saber se era ele ou elas quem desapareciam já estava a ponto de desistir quando conheceu aquele rapaz misterioso que era conhecido por ninguém como o Mágico da Taberna.

Antes de tudo fiquem cientes que o Mágico da Taberna é provavelmente o melhor e pior ilusionista que este mundo já teve ou terá. Seu poder é inigualável a qualquer mágico, seja o famoso da televisão, seja o que passa a noite fazendo truques em locais públicos. Basta quinze minutos de conversa com o Mágico da Taberna para que a pessoa acredite em tudo e qualquer coisa que seja dita ou imaginada por ele. O jovem é capaz de criar mundos com suas palavras e aprisionar qualquer pessoa neles. Não há truques, nem objetos, nem ilusões de ótica – tudo é sentido como real apenas ao ouvir suas palavras. Todavia ele é completamente incapaz de manter uma conversa com alguém por mais de quinze minutos – cinco minutos provavelmente é seu recorde. Sua timidez e inaptidão social o relegam a ser um mágico com poderes somente conhecidos por si mesmo. Ao menos até aquele dia…

Sentado no mesmo bar, na mesma mesa de sempre, o Mágico da Taberna toma sozinho o mesmo drink de sempre – ou seria somente água com gás imaginada como outra coisa? – vestido com o velho sobretudo mais quente do que o clima exige.

Beto também está nesse bar.

Algo que provavelmente você não sabe, ao menos que seja algum parente distante da Mula-sem-cabeça, do Saci Pererê ou do vampiro do Jaburu, é que pessoas sobrenaturais reconhecem outros iguais a si. Bastou um rápido encontro de olhares para que o boto e o mágico se percebessem. E encontros assim não ocorrem todos os dias. Resolveram, pois, tomar um porre daqueles!

Cansados de chorar as mágoas, o Mágico e Beto resolvem unir forças. Eis o pacto: o boto usaria seus poderes para que o Mágico vencesse os quinze minutos que nunca conseguira e o Mágico criaria um mundo que neutralizasse os poderes do boto.

O Mágico aponta a jovem sentada no balcão do bar.

Qual mundo criar?

— Que tal um mundo onde você seja o filho do boto e eu alguém capaz de criar mundos e imergir as mulheres nessa fantasia?

Aproximam-se da pequena e perguntam:

— Você acredita em boto-cor-de-rosa?

No dia seguinte a jovem, meio lânguida, acorda nua sobre a cama com o lençol a cobrir suas pernas e ventre. Memórias de prazeres e fantasias. Ao seu lado está um homem: é o boto? ou é o mágico? O corpo adormecido revela o sorriso do boto e os olhos do mágico. São os dois transmutados em uma só pessoa. Súbito percebe que os dois sempre foram a mesma pessoa. Quem? Seria um boto que a seduziu por uma noite com uma estória de um mágico. Ou seria um mágico que a prendeu nas terras imaginárias do boto-cor-de-rosa?

(Davi Romboli)

SENHOR CIDADÃO

25/03/2018 às 3:10 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Em março do ano passado postei aqui essa música do genial baiano Tom Zé. Parece que de lá pra cá a situação geral do país piorou. Retorno hoje com a mesma música, mesma poesia: “Eu quero saber / eu quero saber / com quantos quilos de medo / com quantos quilos de medo/ se faz uma tradição. / Eu quero saber / eu quero saber / com quantas mortes no peito / com quantas mortes no peito / se faz a seriedade”.



Senhor Cidadão

Senhor cidadão
Senhor cidadão
Me diga, por quê
Me diga por quê
Você anda tão triste?
Tão triste
Não pode ter nenhum amigo
Senhor cidadão
Na briga eterna do teu mundo
Senhor cidadão
Tem que ferir ou ser ferido
Senhor cidadão
O cidadão, que vida amarga
Que vida amarga

Oh senhor cidadão,
Eu quero saber, eu quero saber
Com quantos quilos de medo,
Com quantos quilos de medo
Se faz uma tradição?

Oh senhor cidadão,
Eu quero saber, eu quero saber
Com quantas mortes no peito,
Com quantas mortes no peito
Se faz a seriedade?

Senhor cidadão
Senhor cidadão
Eu e você
Eu e você
Temos coisas até parecidas
Parecidas
Por exemplo, nossos dentes
Senhor cidadão
Da mesma cor, do mesmo barro
Senhor cidadão
Enquanto os meus guardam sorrisos
Senhor cidadão
Os teus não sabem senão morder
Que vida…

(Tom Zé)

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