O Software Livre e a direção perigosa

13/01/2014 às 3:21 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Excelente texto e vem ao encontro do que eu penso sobre software livre e direito autoral na era das novas TIC !

Dir


O Software Livre e a direção perigosa

O texto abaixo foi enviado há alguns anos para uma lista de discussão na internet, especializada em Direito e Internet, a Cyberlawyers do Omar Kaminski. Em razão das novas formas contratuais que vão vigorar em relação ao software e à produção intelectual nos próximos anos, e visto que os termos permanecem rigorosamente os mesmos, é interessante relembrar:

A questão de uma hora estávamos eu, o Omar, o Alexandre e o Luis, indo de Curitiba à Florianópolis, para o evento do “Software Livre”. Íamos no meu carro (observe-se que agora estou levando o que sobrou do veículo à concessionária em Curitiba, enquanto o pessoal seguiu para o evento – São 14:25 hs (dia 22/05/2003), e estou aproximadamente a 200km da Capital Paranaense. Escrevo do guincho, razão pela qual este e-mail só irá chegar na lista a noite – ou amanhã).

O fato é que quando estávamos a uns 120km de Florianópolis, o carro misteriosamente “decolou”, e voou por aproximadamente 10 metros. Até aí tudo bem, pois a decolagem foi bem sucedida. O problema foi na aterrissagem (1), pois o pneu dianteiro do lado direito literalmente explodiu ao tocar o solo, e o carro acertou violentamente a mureta de proteção entre as pistas… Após o carro girar por mais de 500 metros, acertando por diversas vezes as muretas de ambos os lados da rodovia, finalmente acabou. Parte do carro já não mais existia, mas todos ainda respiravam (de maneira mais rápida e ofegante, mas respiravam).

Ocorre que enquanto todos ainda gritavam, me xingavam ou apenas curtiam um momento de apoplexia nervosa, algo incrível aconteceu (2) : percebi que nos poucos segundos que se passaram entre o início e o fim do acidente, eu havia adquirido uma nova perspectiva em relação ao software livre, e correlacionado as implicações e fatores de sua adoção sob a égide casuística da existência humana. A direção perigosa da padronização “restritiva” das ferramentas que possibilitam (e cada vez mais possibilitarão) a interação globalizada do pensamento tornou-se clara. O “copyright” é um perigo à velocidade com que a T.I.C (Tecnologia da Informação & Comunicação) avança.

Parece-me claro que estamos atingindo a “massa crítica” para que a interação globalizada atinja um enfoque direcionado e prático à integração do “individual” ao “coletivo”. Quando isto tomar vulto, a sociedade irá “decolar” para um próximo estágio de integração intelectual.

O problema não será a decolagem, mas sim a aterrissagem. Se todo o peso do processo cognitivo estiver concentrado em um sistema conservador (de direita), que atualmente está na ´dianteira´ do desenvolvimento de soluções “fechadas” e resguardadas pelo “copyright”, ao tocarmos novamente o solo, o “pneu” irá explodir, ameaçando, limitando ou impedindo o fluxo de informações, ou ainda de maneira metafórica, tirando de rota a liberdade intelectual que forma o processo cognitivo coletivo. Neste ponto, é interessante citar as palavras de Thomas Jefferson, e que foram proferidas pelo Ministro da Cultura, Gilberto Gil, no evento da Berkley University e FAPESP, o I-Law, que ocorreu no Rio de Janeiro a em Março de 2003:

Aquele que recebe de mim uma idéia tem aumentada a sua instrução sem que eu tenha diminuída a minha. Como aquele que acende sua vela na minha recebe luz sem apagar a minha vela. Que as idéias passem livremente de uns aos outros no planeta, para a instrução moral e mútua dos homens e a melhoria de sua condição, parece ter sido algo peculiar e benevolentemente desenhado pela natureza ao criá-las, como o fogo, expansível no espaço, sem diminuir sua densidade em nenhum ponto. Como o ar que respiramos, movem-se incapazes de serem confinadas ou apropriadas com exclusividade. Invenções, portanto, não podem, na natureza, ser sujeitas à propriedade.”

Thomas Jefferson

A sociedade ensaia os primeiros passos na eterna luta para subjugar o imponderável em favor do conhecimento amplo e compartilhado, cujo objetivo é a melhoria na qualidade de vida de todo um povo e das gerações vindouras. O caminho que segue para isto é a de uma sociedade capitalista, que enfatiza o consumo como base de estrutura e subsistência. O resultado é a polarização do domínio da tecnologia às grandes empresas (Microsoft, IBM (3), Cisco etc), que tendem a manter o poder pelo controle da informação e conhecimento. Sua principal ferramenta é o “software proprietário”, que mantém o “cliente” nas mãos do detentor do “copyright”, sem a possibilidade de expandir as capacidades do produto adquirido às suas próprias necessidades. Neste modelo existe muito pouco espaço para que soluções individuais enriqueçam um modelo cooperativo, integrado e mundial. O problema é colocar tais conceitos como bases do avanço da Tecnologia da Informação. Avançamos por uma estrada perigosa, com um carro que ainda não é conhecido inteiramente, e guiado por várias motivações (motoristas). Não bastassem estes problemas, andamos em alta velocidade, a as rodas (bases) não permitem mobilidade. Certamente iremos bater mais e mais nas “muretas” de proteção da pista, a que chamamos de “copyright”.

Assim como o homem dos primórdios da civilização necessitava compreender e dialogar com a natureza, para domá-la, apaziguá-la e respeitá-la (4), a fim de tornar o destino mítico passível de mudança, o homem moderno precisa integrar-se cada vez mais na sociedade atual, cuja especialização e interdependência acentuam-se exponencialmente (5) . Parece-me claro que as ferramentas e estrutura (jurídica e social) devam permitir que o indivíduo conheça, adapte e aperfeiçoe o meio a que Bill Gates chamou de “Super Estrada da Informação”. Não falo em uma nova versão do (laisse faire, laisse passer), pois como já disse, o “copyright” é uma “mureta de proteção” a serviço da criação intelectual. A resposta não está no dualismo entre “fair use” e “fare use”, mas sim no equilíbrio dos opostos.

A dicotomia entre liberdade intelectual e “copyright” se constituem em uma discrepância de conceitos, que parecem ser herança do dualismo de nossa cultura ocidental (céu e inferno – bom e mau – certo e errado…). Talvez a resposta não esteja na tecnologia, ou sequer no direito. Parece-me que o princípio norteador mais coerente que se apresenta para o impasse tem mais de cinco mil anos, e vêm da filosofia chinesa. O TAO, e posteriormente o Tao-te ching, que são a regra e a negação da regra, o caminho do meio que norteia, mas não condena, considerando toda a estrutura como um só organismo e com um objetivo comum. Pode parecer exagero considerar o Direito e a Internet sob um prisma filosófico oriental (e por certo muitos vão achar que devo ter batido a cabeça no acidente), mas a despersonificação do indivíduo no meio digital permite, sob um prisma mais transcendental, um “encontro de almas” e conhecimento jamais visto em nossa história. É uma linda estrada na qual seguimos rapidamente… Mas talvez estejamos olhando para o “lado” errado da pista.

Notas do Texto

(1) – É interessante observar que o maior número do acidentes aéreos ocorrem nas decolagens ou nas aterrissagens. Os maiores

estragos (e mortes) são causados nas aterrissagens. Isto lembra de um de meus últimos vôos, quando derrubei um “Skylane” em Faxinal, interior do estado… Mas isto é uma outra história…

(2) – Observe-se que em situações de “stress” as pessoas reagem de formas distintas. O perigo eminente pode haver uma dissociação do processo cognitivo, que integrada ao aumento da atividade cerebral pode levar à “insights” momentâneos. A dissociação também leva a uma “desconexão temporal associativa”, razão pela qual muitas pessoas enxergam as situações de “stress” em “câmera

lenta”, ou ainda, vêem “a vida passar por seus olhos” em frações de segundo. Walter B. Cannon (1871 – 1945) têm alguns artigos bem interessantes nesta área. – Pessoalmente, acredito que estas situações podem estimular o cérebro ou o sistema digestivo… Por sorte, no caso do acidente acima, a reação psicológica estimulou apenas meu córtex.. .

(3) – Um fato interessante é a própria história dos micro-computadores, em que a IBM, nos primórdios do computador pessoal (PC), fazia máquinas limitadas e lentas, propositalmente, para que estas não ameaçassem seu principal produto, que eram os MainFrames. É significativo que ainda hoje nós utilizemos um padrão de processamento ultrapassado (os processadores x8086), quando a atual tecnologia permite dispositivos bem mais modernos e baratos… Por certo, a portatibilização e

incompatibilidade com os atuais “softwares proprietários” tornam a iniciativa pouco atrativa, do ponto de vista comercial.

(4) – As primeiras tentativas neste sentido datam de 2500 anos atrás, e surgiram no vale do ´Huang-Ho´ (Rio Amarelo). Estas iniciativas deram surgimento ao “Fung-Shui”, e visavam a elaboração de métodos de análise de alterações climáticas, composições dos solos, pesquisas minerais e previsões meteorológicas. (tais referências encontram-se em registros e documentos históricos – mas não tenho sua relação, pois ainda me encontro no “guincho”…)

(5) – Certa vez, (em u´a monografia, se não me engano) comparei a civilização moderna às colônias de insetos gregários, onde cada componente especializa-se profundamente em aspectos determinados da sociedade, aumentando a capacidade coletiva, e diminuindo a possibilidade de sobrevivência individual. Na T.I.C. (Tecnologia da Informação & Comunicação), isto é chamado de capacidade intelectual coletiva.

(6) – Não há de se determinar quais serão as ferramentas de interação, mesmo em um futuro próximo, pois além de ferir-se o pressuposto da “neutralidade tecnológica”, o perigo da capacidade criativa humana é latente. Como disse Carl Seagan, em seu livro “Bilhões e Bilhões”: As invenções mais fantásticas da humanidade são aquelas que não podemos prever… “

(7) – Existem várias iniciativas neste sentido, a exemplo das “Creative Commons”…

(por Paulinho R Silva)

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Ubuntu

20/03/2013 às 3:48 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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A origem do Ubuntu. E a pergunta para pensar é: por que com um software livre deste nível ainda nos subjugamos à neo-escravidão tecnológica do Windows ?


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UBUNTU

Um antropólogo estudava os usos e costumes de uma tribo, na África. Quando terminou seu trabalho de campo, teve de esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto, de volta para casa. Sempre cuidava para não influenciar os membros da tribo passando para eles os maus costumes dos ocidentais. Como sobrava muito tempo, propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas, na cidade. Botou tudo num cesto bem bonito, com um belo laço de fita, e colocou debaixo de uma árvore. Então, chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse “já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto. A que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse “Já!”, instantaneamente, todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e os comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou por que elas tinham ido todas juntas, se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: “Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz, se todas as outras estivessem tristes?”

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu
significa: Sou quem sou, porque somos todos nós!”

Atente para o detalhe: porque SOMOS

UBUNTU PARA VOCÊ!

Quarta revolução industrial: A Era das Máquinas Livres

01/12/2012 às 3:13 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 4 Comentários
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Esta é uma continuação do tema exposto num post de 15 de setembro do ano passado com o título “Nova Revolução Industrial“. É impressionante o poder desta nova tecnologia, aqui não mais se trata apenas de software livre, mas de hardware livre !


Quarta revolução industrial: A Era das Máquinas Livres

Faça parte da quarta revolução industrial: A Era das Máquinas Livres

Para Joshua Pearce, o “faça você mesmo científico” está dando início a uma revolução: a era das máquinas livres, com software e hardware abertos. [Imagem: Sarah Bird/Michigan Tech]

“Faça você mesmo científico”

O movimento “Faça Você Mesmo” saltou das tarefas domésticas para os laboratórios de pesquisa.

E o salto foi impulsionado pelos mesmos motivos: economizar dinheiro e obter exatamente o resultado que você deseja.

Para Joshua Pearce, o “faça você mesmo científico” está dando início a uma revolução.

Três forças convergentes, todas de código aberto (open-source), estão por trás dessa revolução, explica o pesquisador em um artigo publicado no número mais recente da revista Science: software, impressoras 3D e microcontroladores.

Com essas ferramentas, pesquisadores de todo o mundo estão reduzindo o custo de fazer ciência, construindo seus equipamentos no próprio laboratório.

Arduíno

Tudo está sendo possível graças ao microcontrolador open-source Arduíno.

“A beleza desta ferramenta é que é muito fácil de usar,” disse Pearce, que é professor da Universidade Tecnológica de Michigan. “Ela torna muito simples a tarefa de automatizar processos.”

Veja como funciona.

O Arduíno – que é vendido por menos de R$100 no varejo – pode controlar qualquer instrumento científico, seja um contador Geiger, um osciloscópio ou um sequenciador de DNA.

Mas ele realmente brilha quando controla impressoras 3D, tais como a também de hardware aberto RepRap.

Esta engenhoca do tamanho de um forno de micro-ondas pode ser construída por menos de R$1.000, e pode construir suas próprias peças – uma vez que você tenha uma RepRap, você poderá construir tantas quantas queira. O laboratório de Pearce já tem cinco.

Impressoras 3D constroem objetos lançando camadas de plástico com espessura abaixo de um milímetro, umas sobre as outras, seguindo padrões específicos. Isso permite aos usuários construir equipamentos segundo suas próprias especificações, não ficando mais dependentes do que podem comprar no mercado.

O Arduíno controla o processo, dizendo à impressora 3D para fazer qualquer coisa, de um trem de brinquedo a um macaco de laboratório – não o animal, mas aquele equipamento de levantar coisas.

Faça parte da quarta revolução industrial: A Era das Máquinas Livres

A impressora 3D RepRap está sendo usada para construir equipamentos reais para uso nos laboratórios científicos. [Imagem: Pearce/Science]

Universo das Coisas

Macacos de laboratório levantam e abaixam equipamentos ópticos, mas não são radicalmente diferentes do macaco que você usa para trocar o pneu do carro.

O professor Pearce precisou de um em seu laboratório e, ao saber que o equipamento custaria milhares de dólares, resolveu projetar o seu próprio.

Usando uma RepRap, filamentos de plástico barato e algumas porcas e parafusos, Pearce e seus alunos construíram um por uma bagatela.

Então eles postaram o código OpenSCAD, que usaram para fazer seu macaco de laboratório, no Thingiverse, um repositório de projetos de código aberto, onde os membros da “comunidade de fazedores” podem enviar seus projetos para todos os tipos de objetos, e receber feedback.

“Imediatamente, alguém que eu nunca encontrei, disse: ‘Isso não vai funcionar muito bem, você precisa fazer isso’,” conta Pearce. “Nós fizemos uma mudança simples, e agora temos um macaco de laboratório que é superior ao nosso projeto original.”

O Thingiverse – o “Universo das Coisas” (Things + Universe) – é um filho do movimento do software livre e de código aberto. Além de projetos para todos os tipos de objetos, ele pretende juntar milhares de mentes especializadas para resolver problemas. É a última palavra no trabalho em equipe, disse Pearce.

Faça parte da quarta revolução industrial: A Era das Máquinas Livres

O macaco de laboratório foi otimizado com a ajuda da comunidade de hardware aberto. [Imagem: Thingiverse]

Economia da doação

“Os movimentos do software livre e do hardware livre estão criando uma economia das doações. Nós pagamos para a comunidade submetendo nossos projetos, e recebemos pagamentos de volta na forma de um excelente feedback e acesso livre ao trabalho de outras pessoas. Quanto mais você dá, mais você recebe, e todos ganham nesse processo,” disse ele.

A comunidade Thingiverse já tem uma linha completa de projetos com código-fonte aberto para mais de 30 mil “coisas”.

E é tudo barato, o que traz em si a emergência dessa revolução.

Pearce relata que agora está ajudando seus estudantes a organizarem uma empresa cujos objetivos serão fazer projetos de código e hardware abertos para a indústria e construir instrumentos de laboratório sob medida para professores universitários, fornecendo tudo pronto por uma fração do custo dos equipamentos comerciais.

“Isso dará aos alunos as competências de que necessitam e lhes permitirá beneficiar toda a sua área de pesquisas,” disse ele.

Faça parte da quarta revolução industrial: A Era das Máquinas Livres

Este equipamento permite construir trocadores de calor fundindo camadas de sacolas plásticas. [Imagem: Thingiverse]

Revolução da fabricação própria

Se a iniciativa se disseminar, milhares ou milhões de dólares que são gastos pelos laboratórios de pesquisa em todo o mundo para comprar equipamentos, agora poderão ser usados para dar apoio aos alunos.

Mesmo escolas de ensino médio poderão ter recursos para bons laboratórios de ciências. Mais pesquisas poderão ser financiadas com menos recursos, levando a mais descobertas.

“Usando hardware livre economizamos milhares de dólares para o nosso grupo de pesquisa, e estamos apenas esquentando os motores. Isso vai mudar a maneira como as coisas são feitas,” disse Pearce. “Não há como parar essa revolução.”

O endereço do Universo das Coisas é http://www.thingiverse.com, e uma boa forma de colaborar com essa nova onda seria que um grupo brasileiro se encarregasse de começar uma versão “.com.br” dessa “revolução das coisas”.

(Baseado em artigo de Marcia Goodrich – 22/09/2012)

Bibliografia:
Building Research Equipment with Free, Open-Source Hardware
Joshua M. Pearce
Vol.: 337 – PP. 1303-1304
DOI: 10.1126/science.1228183

Apagamento seguro de dados, existe isso ?

08/11/2012 às 3:34 | Publicado em Artigos e textos | 3 Comentários
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Certa feita fiz um post em conjunto com o amigo ZéLuis sobre este tema (mas confesso que o perdi, ou pelo menos não o encontrei ainda). Ali, motivado por uma questão no trabalho, o José Luis colocou algumas notícias interessantes como por exemplo um HD que caiu do espaço, literalmente, pois estava naquela nave Challenger que explodiu em 1986, e foi recuperado, além de outro que caiu de um helicóptero, pegou fogo e foi igualmente recuperado.

Assim, a rigor muitas vezes nem mesmo uma explosão ou um incêndio, ou algum líquido corrosivo que seja, é impeditivo para se recuperar, se não o todo, mas pelo menos partes das informações armazenadas em HDs, pendrives, CDs e DVDs. Daí o perigo nos seus descartes, daí os cuidados que se deve ter !

Qual a saída então ? Entender que não basta apenas apagar um arquivo com um comando ‘delete’, pois ele vai apenas para a lixeira do seu computador (estou aqui a falar exclusivamente em sisetma operacional Windows !). Nem basta apagar tudo da lixeira. Em última instância, nem mesmo formatar o disco. Assim, pelo menos como medidas básicas aconselha-se que se use um programa minimamente seguro, como o Eraser, um software livre de boa performance. Para ter mais segurança aconselha-se a execução deste software mais de uma vez.

Para mais detalhes sugiro a leitura do artigo abaixo que não se atém apenas aos HDs, contendo informações importantes sobre smartphones.


COMO LIMPAR (DE VERDADE) DADOS DE SEU PC OU SMARTPHONE

Simplesmente apagar um arquivo não significa que ele realmente deixou de existir. Há várias maneiras de excluir pra valer dados pessoais de aparelhos antes de se livrar deles !

Se você está reciclando seu computador, smartphone ou tablet, há um problema sério que talvez você tenha ignorado: se você não limpar seus dados, você pode se tornar uma potencial vítima de roubo de identidade. A mera exclusão de arquivos usando as ferramentas normais do sistema não irá te ajudar realmente – você precisa fazer uma limpeza mais profunda.

Veja abaixo como fazer isso.

Limpeza de celulares, smartphones e tablets

Smartphones e tablets essencialmente colocam toda a sua vida em um pequeno pacote, incluindo contatos, e-mails, números de telefone, informações de mídias sociais… e muito mais. Então você quer ter certeza de que alguém não poderá ter acesso a toda essa informação.

Você poderia tentar apagar aplicativos e contatos individualmente, mas as chances de fazer isso de forma efeticaz estão perto de zero. Em vez disso, é melhor fazer uma redefinição completa do seu telefone para acabar com seus dados e restaurá-lo às configurações de fábrica. Como você faz isso varia em cada sistema operacional e, às vezes, até de dispositivo para dispositivo. Estas são instruções gerais que devem funcionar com a maioria dos dispositivos, no entanto, é melhor verificar com o manual ou o fabricante para ter certeza.

Android: Para versões anteriores ao Android 4.0, pressione Menu a partir da tela inicial e selecione Configurações > Privacidade > Restaurar configurações de fábrica. Aparecerá uma tela de aviso. Rolar até o final e toque em “Redefinir telefone”. Se você também tem um cartão SD no celular (e não quiser usar os dados em um próximo telefone), também certifique-se de marcar a caixa “Apagar cartão SD”.

Em dispositivos Android mais recentes, vá para Configurações e procurar por “Backup e reset”. Selecione, e então, na tela seguinte, escolha “redefinir dados de fábrica.” Você terá uma tela de aviso, juntamente com uma lista de todas as contas conectadas.

iOS: Vá para Configurações > Geral > Redefinir e selecione “apagar todo conteúdo e configurações” (Esta é especificamente para a versão 5, o processo pode ser ligeiramente diferente para outras versões).

Windows Phone 7: Vá ​​para a tela inicial, slecione Menu e, em seguida, Configurações de aplicativos do sistema. Escolha a opção Sobre e, depois, “Redefinir telefone”.

BlackBerry: Vá em Opções > Configurações Gerais de Segurança, e depois selecione o menu. Em seguida, selecione Limpar dispositivo portátil.

Limpando os discos rígidos do computador

A exclusão de arquivos, pastas e aplicativos – e esvaziar a Lixeira – não adianta. Qualquer pessoa pode facilmente recriar esses dados através de ferramentas comumente disponíveis. Mesmo se você reformatar seu disco rígido, se alguém realmente quiser, poderá recuperar os dados apagados.

Isto pode ser um problema sério. Em 2003, dois estudantes de pós-graduação do Laboratório para Ciência da Computação do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) compraram 158 ​​discos rígidos usados a partir de sites como o eBay.

Apenas 12 das unidades tiveram seus dados devidamente apagados. Ainda que cerca de 60% dos discos rígidos fossem reformatados e cerca de 45% não possuíssem arquivos neles (as unidades não poderiam sequer ser vistas pelo computador), os estudantes ainda foram capazes de recuperar dados a partir deles, usando uma variedade de ferramentas especiais. Eles encontraram mais de 5.000 números de cartões de crédito, registros financeiros pessoais e corporativos, registros médicos e e-mails pessoais.

O que você pode fazer para manter seus dados seguros? Obtenha um programa de limpeza de disco, de preferência um que siga as normas do Departamento de Diretrizes para Defesa do Saneamento de Mídia dos EUA. Estes programas substituirão diversas vezes todo o seu disco rígido com dados, garantindo que os originais não poderão ser recuperados. Se você usá-los, seja paciente, pois pode levar várias horas para limpar o disco rígido.

Um aplicativo bem conhecido e gratuito que atende às normas do Ministério da Defesa, de acordo com Universidade de Auburn, é o Darik’s Boot and Nuke. O software cria um disco de boot que apaga tudo no disco rígido. Ele também pode ser usado com disquetes (lembram-se deles?), Drives USB, CDs e DVDs.

Outra recurso gratuito do Windows que também atende às normas do Ministério da Defesa é o Eraser.

Se você tem um Mac, você pode usar o Utilitário de Disco (que pode ser encontrado na pasta Aplicativos > Utilitários). Você também pode fazer download de um aplicativo de terceiros, como o ShredIt X, da Mireth Technology (versão completa sai por 25 dólares, mas você pode testá-lo gratuitamente), que permite destruir arquivos (em outras palavras, substituir o conteúdo de um arquivo várias vezes), bem como limpar o disco rígido local, unidades de rede e CD-RWs. (Há uma versão para Windows também).

Se você está realmente nervoso, existem dispositivos de hardware disponíveis que lhe permitem limpar suas unidades, como o Drive eRazer Ultra. Ou você pode enviá-lo a um serviço de trituração de disco rígido que vai destruir fisicamente a unidade.

Uma vez limpo, o seu dispositivo se torna seguro para ser vendido, doado ou reciclado.


FONTE: PCWORLD

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