Campus dos Malês resiste a Bolsonaro

19/05/2022 às 3:58 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
Tags: , ,

Porque RESISTIR é preciso e porque o mote deste blog é EDUCAÇÃO “ !

Cidadaos_do_mundo_univos


Campus dos Malês resiste a Bolsonaro

E se um projeto inovador fizesse a Bahia sediar uma Universidade Federal de cooperação internacional com os países africanos lusófonos? Muita gente não sabe, mas ela já existe!

Em outubro de 2008, iniciaram os trabalhos da Comissão de Implantação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) que, ao longo de dois anos, elaborou um conjunto de atividades relacionadas ao planejamento institucional, a organização da estrutura acadêmica e curricular e o desenho administrativo para a implantação da nova universidade na perspectiva da cooperação internacional solidária com os países pertencentes à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP, e, em particular, com os países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP’s) como também com o Timor Leste.

Em 20 de julho de 2010, foi fundada a Unilab como Universidade Pública Federal sediada em Redenção no Ceará e em São Francisco do Conde (BA). A cidade cearense como a primeira no Brasil a libertar totalmente seus escravos. A cidade baiana é o município brasileiro com a maior população negra declarada no censo de 2010 (90,87%).

Nas articulações de bastidores de Brasília, a ex-prefeita Rilza Valentim (PT) foi peça fundamental no convencimento dos atores políticos do quanto uma nova universidade epistemologicamente comprometida com o combate ao racismo seria fundamental aos Territórios baianos, sendo que a Bahia teria uma inserção no Sul-Sul global sem precedentes. A batalha em Brasília foi favorável aos baianos e o Campus dos Malês passou a funcionar em fevereiro de 2013, mas foi em maio de 2014 que os cursos presenciais entraram em funcionamento do campus.

Na semana passada, o campus completou oito anos de funcionamento, contando com seis graduações – Ciências Sociais, História, Humanidades, Letras, Pedagogia e Relações Internacionais – e um mestrado. Já temos um corpo docente com produção científica nacional e internacional, 28,66% de estudantes estrangeiros matriculados (a maioria da Guiné-Bissau) e um conjunto de projetos de pesquisa e extensão que conecta a sua interiorização à missão internacional de cooperação com os países africanos.

No entanto, a sanha bolsonarista em tratar combate ao racismo como “militância” e opinião tem afetado a expansão da universidade em solo baiano. Por ser a Bahia um estado governado pelo PT, a perseguição ao crescimento do campus se traduz no abandono de uma obra de dois blocos didáticos com 24 salas de aula, laboratórios, biblioteca que depende de poucos milhões de reais para a sua conclusão. A comunidade científica e a atual bancada baiana de deputados e senadores, além dos pré-candidatos ao governo, precisam mediar uma solução emergencial ainda no tocante ao Orçamento de 2022.

(Cláudio André de Souza)

FONTE: JORNAL A TARDE, SALVADOR-BA, 16.05.2022

Karl Heinrich Marx: PARABÉNS, velho Marx!

18/05/2022 às 3:36 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
Tags: , ,

Os 200 anos de Marx obrigatoriamente teria que estar também aqui neste blog cujo “mote” é Educação e cujo desafio é “provocar o pensamento”. (como recebi o texto de um amigo via zapzap não coloquei a fonte).

Cidadaos_do_mundo_univos


Artigo: Marx, um pensador do século XIX, ainda inquieta

Fabio Sobral, professor da UFC, escreve sobre os 200 anos de Karl Marx

Karl Heinrich Marx, um pensador do século XIX, ainda nos inquieta.

As inquietações diante dele são de admiração e de horror. Há os que não suportam seu nome e suas ideias. Há os que se espantam diante da atualidade de seus pensamentos.

É extraordinário confrontar toda uma época histórica: o capitalismo. E foi isso que Marx fez. Mostrou a exploração e a violência implícitas a este sistema. Tornou-se a voz dos esmagados pelo domínio de impérios. O investigador que dissecou as entranhas do funcionamento do capital.

[SAIBAMAIS]Descobriu que a forma de roubar o excedente de riqueza produzido pelos seres humanos mudou ao longo da História. A princípio, senhores da guerra ameaçaram camponeses e artesãos e obtiveram seu sustento. Foram sucedidos por sacerdotes antigos e sua dominação mais sofisticada. Posteriormente, surgiram faraós, reis e sátrapas. Nasceram impérios que caçam seres humanos e os escravizam, tais como Roma antiga. Roma é substituída na Europa por senhores de feudos e seus soldados. Dias de trabalho e partes significativas do que era produzido sustentava dominadores cruéis.

[QUOTE1]Tudo foi substituído pelo capitalismo, sistema que engoliu o mundo inteiro e todos os povos. Eis a mais sofisticada das formas de dominação. Paguem salários. Calculem os salários pelo necessário à sobrevivência. Substituam a dominação das armas pela dominação econômica. Faça-os acreditar que suas necessidades são fruto de incompetência pessoal. Culpem-nos de não serem produtivos o suficiente, por isso ganham mal. Acusem-nos de não pouparem e por isso sofrerem com carências. Estigmatizem as suas dores, suas incapacidades e suas faltas de mérito.

Marx ouviu essas dores e demonstrou que o capital ganha o excedente calculando pagar aos trabalhadores a quantidade necessária para sobreviverem, sendo o restante da riqueza apropriado pelos capitalistas. Mostrou ainda que esse capitalismo é somente mais uma das formas de exploração de uns poucos seres humanos sobre a maioria dos outros. Pôs o capitalismo no mesmo patamar de senhores da guerra, escravocratas e senhores feudais. Chamou a isso de pré-história humana. A verdadeira humanidade ainda não surgiu. Ainda vivemos no mundo da violência e da exploração.

Marx disse que o capitalismo, apesar de avanços em relação aos demais sistemas, é mais uma forma de produção de miséria para a maioria e de riqueza para uma minoria. Fórmula que identifica todos os sistemas de exploração humana.

[QUOTE2]Eis o pecado mortal de Marx aos olhos dos asseclas deste sistema. Estes se acham superiores e sofisticados. Mas não estão muito acima de senhores romanos brutais e sanguinários.

Ao identificar que o capitalismo é somente mais uma forma violenta; ao dissecar o seu funcionamento; ao expor o sofrimento humano em diversos períodos de sua existência; ao gritar que é preciso construir uma forma de vida pacífica e colaborativa, em que a humanidade não se veja como inimiga, mas como irmã, Marx se tornou maldito aos olhos dos senhores da riqueza.

Odiado e difamado, Marx segue estudado, debatido, pensado. Suas ideias ainda acalentam o sonho da verdadeira autonomia humana. Suas palavras ecoam pelos séculos a ordem da liberdade. Liberdade contra os capitalistas e suas corporações, contra o Estado que é filho do capitalismo, apesar do que dizem os defensores da “livre iniciativa”, coisa que nunca houve. A riqueza do capital foi erguida com exércitos e seus massacres de povos dominados, por dívidas públicas, por legislações sanguinárias, pelo roubo de terras (grilagem) de camponeses em todos os países capitalistas.

Marx vive, pois vivem ainda os gemidos dos explorados!

Fabio Sobral

Professor da Universidade Federal do Ceará

A grande imprensa em busca de um autor

17/05/2022 às 3:52 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
Tags: , ,

Excelente artigo. Serve para a gente refletir sobre o papel da imprensa nisso tudo !

image


A grande imprensa em busca de um autor

Vítimas de um estado de suspensão provocado por elas mesmas, as instituições brasileiras arrastam-se pelo chão em busca de um ponto de apoio capaz de ajudá-las a erguerem-se. Entre elas, encontra-se a dita grande imprensa, também conhecida por outras nomenclaturas, dependendo de quem a designe, tanto que, não raro, é chamada de “mídia hegemônica” ou mesmo de “mídia empresarial”.

Apoiadora contumaz das rupturas institucionais no Brasil,como o fez no golpe militar de 1964, para quatro anos depois, com o AI-5, tornar-se vítima do próprio veneno que ajudou a inocular nos dutos da nação, e, mais recentemente, do golpe branco contra a presidente Dilma Rousseff (2016), que acabou se voltando contra ela mesma, na figura de Jair Bolsonaro, a grande imprensa tornou-se uma personagem à caça de um autor.

Como na famosa peça de Luigi Pirandello (1867-1936), Seis Personagens à Procura de um Autor(1921), na qual meia dúzia de personagens descartadas no processo criativo, invadem um palco na busca de alguém que as reconheça enquanto tais – trata-se de uma discussão dos limites do homem enquanto criatura e criador –, a grande imprensa, dessacralizada, tenta resgatar aquilo que imaginava ser, ainda que talvez não fosse.

Para além do que pense em conseguir na sua encenação, a cura, por assim dizer, a julgar pelos sintomas, passa por uma terapia capaz de fazê-la romper com a sua natureza primordial, algo fortemente arraigado: independentemente do tamanho de cada veículo, ela sempre foi e continua sendo um grande negócio, e aquilo que romanticamente se chama de jornalismo, ao pé da letra, mesmo,se dava ou se dá circunstancialmente.

Ao tornar-se um braço da Operação Lava Jato, hoje mundialmente conhecida como um dos mais acintosos casos de delinquência jurídica que se tenha notícia, a grande imprensa acabou dando um tiro no único pé que ainda lhe era saudável, com um agravante: apesar da ONU reconhecer, há poucas semanas, que o ex-juiz Sergio Moro foi parcial no julgamento do ex-presidente Lula,como já havia sentenciado o STF, ela ainda insiste em se fazer de rogada.

Neurótica obsessiva

Ora, quando se discute a cura, na busca da redenção, não é exagero afirmar que a grande imprensa, sob a ótica psicanalítica, é uma neurótica obsessiva. E, como é óbvio, a origem do transtorno reside justamente na sua paranoia de que o ex-presidente Lula é um inimigo, o diabo em forma de gente, sinal de que há algo de muito errado na estrutura do seu “aparelho psíquico”.

Aliás, quando se olha para trás, observa-se que, na perspectiva da grande imprensa, sempre houve o diabo da vez. Já o foram Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Miguel Arraes, entre outros, perseguidos por supostamente ameaçarem a zona de conforto do andar de cima de um Brasil disposto a se manter aonde estava. À diferença de hoje, àquela época, os donos das rotativas, quase sempre fleumáticas, a exemplo de Carlos Lacerda e Assis Chateaubriand, assumiam explicita mente suas próprias taras nos seus artigos acachapantes. Taras que muitas vezes não respeitavam o próprio princípio do corporativismo. O “Cidadão Kane” brasileiro, o paraibano Assis Chateaubriand, fundador dos Diários Associados, por exemplo,chegou a se valer de insultos raciais para combater seus desafetos, como o fez com Roberto Marinho, a quem chamou de “crioulo alugado”, “cafuzo indígena’, “africano de 300 anos de senzala”, “débil mental sem remédio”, enfim, não havia limite naquela segunda metade de século 20.

Trabalho sujo

Hoje, os métodos são mais suaves. No entanto, talvez se façam mais nocivos na sua dinâmica e alcance. Em vez de uma única pena arrasadora em cada veículo, os ataques, como se viu nos “anosdeouro” da Lava Jato, foram diluídos: repórteres e articulistas, a serviço dos editores-chefes, concatenados com os patrões, assinaram o trabalho sujo, e muitos acreditavam no que escreviam e vociferaram – um deles chegou a lançar um livro enaltecendo Moro,sua fonte –, enquanto outros o fizeram por pura desonestidade intelectual, para não usar uma designação mais pesada.

Agora, quando se fala de um golpe no golpe, a vir, o que tornou os dias atuas mais longos, tensos, cinzentos e também caricatos, por conta do embananamento dos supostos golpistas,risíveis, é curioso observar o comportamento da grande imprensa. Porque, no fundo, ela sabe que em parte é responsável pelo atual estado de coisas e, mesmo aparentemente pregando contra o recrudescimento, os seus esforços em combatê-lo ainda são tímidos.

Em tempos de fake news e de redes socais, que deram voz a uma legião de imbecis,como bem disse Umberto Eco, o bom jornalismo se faz imperioso, e a grande imprensa brasileira, chamuscada e capenga, se vê diante de um desafio que vai além da sua própria sobrevivência, seriamente ameaçada: se transformar em um novo sujeito, um sujeito que não esteja apenas à mercê de certos instintos, sob pena de continuar a vagar indefinidamente à procura de um autor.

O resto é o silêncio das madrugadas profundas.

image

(Raul Moreira)]

FONTE: JORNAL A TARDE, SALVADOR-BA, 16.05.2022

POLÍTICA COM VATAPÁ

11/05/2022 às 2:05 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
Tags: ,

Mais um bom “causo” contado na coluna POLÍTICA COM VATAPÁ do jornal A TARDE, SALVADOR-BA, por Levi Vasconcelos. Porque é preciso também sorrir.

smile-removebg-preview


JABÁ DE PRESIDENTE

Conta Antonio Barbosa no livro ‘A Lapa de Bom Jesus’ que, em meados dos anos 1930, em pleno Estado Novo, Getúlio Vargas visitou Bom Jesus da Lapa onde foi anfitrionado por Joaquim Sento Sé, o homem mais rico do lugar.

Foi visitar a famosa gruta de Bom Jesus. Os mendigos que sempre povoam os arredores do santuário atacaram a comitiva presidencial. Gregório Fortunato protegeu Getúlio e o resto, no meio muitos ministros, acabou saqueado.

Coisa de um mês depois uma comitiva baixou na porta da gruta em nome da Presidência da República. Convidou os mendigos a irem até a estrada de Paramirim onde haveria a distribuição de jabá (carne de sertão), presente de Getúlio. Todos foram alegres e contentes. Levaram uma surra tão grande que até hoje repercute. É por isso que na Lapa a expressão ‘presente de grego’, referência ao Cavalo de Tróia, nunca colou. Lá o que se diz é ‘jabá de presidente’.

(Levi Vasconcelos)

FONTE: JORNAL A TARDE, SALVADOR-BA, 08.05.2022

Próxima Página »

Blog no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: