Flávia, Pedro e a bala de hortelã

21/04/2018 às 3:58 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Esse não é apenas mais um conto do amigo Fabrício Junqueira. Esse é o melhor deles, pelo menos dos que tive o prazer e a honra de ler e publicar aqui. Literatura da boa, com o fundo histórico propício para um dia como hoje: DIA DE TIRADENTES.

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Flávia, Pedro e a bala de hortelã

Um amor sem tamanho e juízo, nasceu sem planos e motivos, bastou um sorriso em uma tarde de domingo na praça.
Pedro jogava conversa fora com amigos, lembrava de passagens divertidas, dos dias de calor no ribeirão, as peladas no campinho, pipas, jogo de taco e até dos primeiros porres em um carnaval qualquer no clube. Apenas de bermuda, sandálias e peito aberto… Um dos sujeitos mais queridos e divertidos da cidade. Um coração do tamanho da alegria daqueles que o cercavam na mesa do boteco da praça.
Flávia era moça de cidade grande, mas tinha sangue dali, estudada, falava diferentes idiomas e conhecia tantos mundos… Uma voz encantadora, uma artista nata, com paixão por artes plásticas e poesia. Naquele domingo, ao passar pelo boteco, sentir-se flutuar e sorriu instantaneamente. Um calor, uma aperto no peito, e a uma música ao fundo que jamais sairia de seu coração.
Demorou mais alguns dias até um reencontro. Pedro também vivia em cidade grande, já era quase doutor advogado. Flávia estudava para ser professora, cantava no coral, ajudava em projetos sociais dentro da pastoral de sua igreja. Era fã enlouquecida dos “Rolling Stones”. Pedro praticava basquetebol e fazia discursos onde pedia além de justiça, igualdade, liberdade e mais humanidade das pessoas do poder. Era fã do Belchior e da Alcione, e torcia para o Botafogo. O reencontro foi sem querer, no ônibus para a “terrinha”, ela sentou em uma poltrona ao lado da dele, entre eles um corredor e a ressaca de Pedro. Quando despertou quase chegando, ela ofereceu uma bala de hortelã, ele aceitou e conversaram…

Finais de semanas mágicos

Flávia aceitou a companhia até o portão da casa dos avós. Ele caminhou até sua casa, do outro lado da cidade. Até chegar em casa, fumou um “careta” e no caminho estava em outro mundo, com apenas a voz e o sorriso dela. No fim da tarde, foram ver um show de um conjunto de samba no mesmo boteco de sempre. Não dançaram, mas parecia que sim, de mãos dadas saíram para dar uma volta e trocaram o primeiro beijo…
E foram tantos beijos e abraços, muitos finais de semana, dias de sol, novos amigos, conversas longas, experiências, diferenças, queijo e goiabada, risadas soltas, café na avó da Flávia, causos do tio do Pedro, macarronada, banho no ribeirão, cervejas, “Cuba Libre”, e nos finais da tarde daqueles domingos, antes de voltar para cidade grande, ele quase sempre festeja uma vitória do seu Alvinegro. E quando Flávia disse que não ligava muito para futebol, mas gostava do Fluminense, ele achou divertido.

Foram dias de desafios

A vida era distante e fria na cidade grande. Não podiam se ver, estavam em momentos decisivos, compromissos não só estudantis, eram cidadãos na acepção da palavra. E nesses momentos não existiam domingos de sol, mas de cobranças e censura. De coragem e medo, que andavam lado a lado, de certezas que eram diluídas em perseguições e prisões. Não eram apenas dias de chumbo, eram nomes trocados, receita de bolo em jornal, de torturas, e vozes que mesmo no sufoco não se calaram.
Pedro escrevia, sua arma era uma velha máquina de escrever, os fatos apurados com cuidado
e certeza que faria o registro de sua época. Não deitava seu olhos. Era o coração imenso do interior, mas rasgava em palavras, verbos e alguns adjetivos aqueles que inventaram e bancaram a tristeza. Flávia multiplicava o conhecimento, fazia de sua voz uma canção libertária de luz, baseada em fé e educação. Contestava com conteúdo, incomodava com ternura, suas aulas eram marcantes e reais.
Os finais de semana na “terrinha” ficaram raros. A vida e os dias passam rápidos demais. E mesmo vivendo a mesma realidade, diante do inimigo comum, acabaram distanciando. A luta fez sua parte, enquanto Pedro buscava um utópico diálogo, tentava ser legalista, dando murro em ponta de faca, Flávia era a ponta da lança, o dedo no gatilho, o olhar acuado do oprimido, a reação da ação desproporcional dos opressores, sua arte agora era não morrer.

E tudo ficou ainda mais difícil

Pedro perdia suas batalhas e espaços, não existia mais trabalho, tentou mergulhar na “terrinha” por alguns dias, mas não tinha sentido sem Flávia. O mundo estava estranho, até mesmo sua Estrela Solitária não brilhava. Pouco ficou por lá, já não recebia tantos sorrisos, o garoto que foi criado naquelas ruas, o coroinha mais desastrado da Matriz, era visto com desconfiança e até temor em seu próprio quintal. Em um canto qualquer, Flávia sofria em dor. Alvejada em uma ação, lágrimas silenciosas, faltava Pedro ao seu lado, faltavam sonhos e até mesmo as lembranças eram escassas. Sua única ideia era permanecer viva.
Em uma tarde de muito frio, com pouco dinheiro, um microfone mudou a vida de Pedro. Com palavras incisivas e diretas, foi cirúrgico em suas críticas, em seu coração buscou inspiração em seu amor, em suas crenças, em seu caráter, naquela tarde a voz de Pedro foi a canção de Flávia, foi coração e lança, sentiu uma emoção semelhante ao olhar trocado na praça, sentiu Flávia ao seu lado, sua energia, seu amor.

E veio a distância…

No rabo de um foguete deixou a pátria amada. Pedro não tinha mais o macarrão na casa dois pais, não podia usar sandália e ficar sem camisa no banco da praça. Agora a realidade era fria, outro idioma, uma dor constante no peito, perdido de razão, odiando cada detalhe, vivendo um dia de cada vez, um exilado que só havia escancarado amargas verdades. E fez disso sua sobrevivência, fez a única coisa que poderia fazer, além de sentir saudades de Flávia, escrever.
Flávia foi vivendo como podia, clandestina, perdeu a identidade, família, amigos, menos sua fé e amor. Ainda tinha a música, mas não conseguia sorrir, assim um dia acabou caindo. Não tinha energia para resistir, seguiu toda cartilha odiosa da tortura, dor e humilhação. Conviveu diariamente, com longas conversas com a morte. Aliás, flertou com o fim, quase perdeu sua vida.

Palavras e canções que salvam

As verdades antes amargas, ajudaram a libertar vidas. Eram muitos “Pedros” nas feridas abertas, o sangue de tantas “Flávias” era uma nódoa do horror, a vida precisava florescer e o sol voltou a brilhar. Voltaram muitos irmãos e irmãs do Henfil. O verde-oliva das fardas precisava se livrar da podridão e apesar de tantos “vocês” o amanhã já era um novo dia.
Pedro voltou sem alardes, ninguém o esperava na cidade grande. Quando chegou, respirou o máximo que podia. Sentiu o calor que tanto lhe fez falta, tomou sozinho um copo de garapa, pisou em um jardim e foi direto para a rodoviária, precisava de sua “terrinha”. Flávia já estava nas ruas há algum tempo, não cantava e perderá parte da visão, não tinha mais familiares vivos na “terrinha”, abdicou da fé, pois fora obrigada a perder um fruto dos seus dias de horror.

E o tempo fez sua parte

Cicatrizou algumas feridas, outras eram impossíveis. Apresentou terríveis vilões, a realidade ainda era difícil, a dor recente e a liberdade engatinhava. Na “terrinha” o ribeirão continuava límpido, o boteco estava um pouco mais “chique”, a missa das crianças ainda eram aos domingos pela manhã e o Botafogo de Pedro nunca mais havia conquistado um campeonato. Pedro não refez totalmente sua vida, tinha um pequeno jornal, advogava, reencontrou amigos, não gostava da cidade grande e convivia com a ausência do amor. Flávia sumiu no ar, ninguém sabia por onde andava ou vivia. Ela escolheu a solidão, suas dores eram muito mais profundas, sentira a guerra na pele, nos ossos e na alma.
Um dia Flávia comprou balas de hortelã, viajou até a “terrinha”, era uma mulher muito diferente, discretamente assistiu de longe Pedro proseando no boteco, sozinha caminhou até o ribeirão, passou pela porta da casa que vivera seus avós, andou por outros pedaços da cidade, e antes de partir no fim da tarde, sentou em dos bancos da praça, que estava quase vazia e sentiu uma emoção muito forte… Pedro estava lá, ele sentiu o mesmo. Olharam-se, não trocaram palavras, ela ofereceu uma bala de hortelã, ele aceitou…

(Fabrício Junqueira)

FONTE: http://fabriciojunqueira.blogspot.com.br/2018/04/flavia-pedro-e-bala-de-hortela.html?m=1

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5 inovações que mudarão o mundo nos próximos 5 anos, segundo a IBM

20/04/2018 às 3:03 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário

Há que se dar um desconto em tudo que está nesse artigo, afinal o autor diz no final que viajou a Las Vegas a convite da IBM. Porém a leitura é válida para se ver as tendências dos próximos anos aos olhos dessa gigante da área de TI.


5 inovações que mudarão o mundo nos próximos 5 anos, segundo a IBM

Inteligência artificial, blockchain e computação quântica estão na rota das tendências estudadas pela companhia

A IBM deu o pontapé inicial do seu principal evento anual, o Think, realizado nesta semana, em Las Vegas (EUA), mostrando sua visão de futuro. Pesquisadores do IBM Research, unidade de pesquisas da companhia, apresentaram cinco inovações que, para a empresa, vão moldar o mundo nos próximos cinco anos.

O “5 em 5” traz previsões baseadas em três fortes áreas de atuação da Big Blue –inteligência artificial (AI, na sigla em inglês), blockchain e computação quântica. Para cada tendência, um pesquisador do IBM Research foi chamado ao palco para dar breve descrição.

“As tendências refletem as pesquisas que temos feito. A IBM está investindo nas tecnologias que prometem mudar o mundo”, destacou Arvind Krishna, diretor de pesquisas da Big Blue, que abriu a apresentação.

‘Cripto-âncoras’ e blockchain contra fraudes

O primeiro encarregado de explicar a visão da IBM foi Andreas Kind, gerente da indústria de plataformas e blockchain, que defendeu a necessidade de autenticidade para produtos, o que a plataforma de blockchain pode resolver.

O executivo citou o exemplo de um carro com defeito, que, quando necessita de peça de reposição, sempre deixa a dúvida para os consumidores: a peça de fato é real ou estamos sendo enganados pelo “mercado paralelo”?

Por isso, o executivo afirmou que a confiança precisa chegar ao mundo real e deixar de ser algo apenas digital. O blockchain, no caso, consegue rastrear com segurança e confiabilidade toda a cadeia de produção.

Para a IBM, nos próximos cinco anos, as tecnologias de “cripto-âncoras” e de blockchain garantirão a autenticidade de um produto – desde o ponto de origem até as mãos do cliente.

Outro exemplo citado pelo executivo é da área de saúde/farmacêutica. Em alguns países, quase 70% dos medicamentos que salvam vidas são falsificados, e as cadeias de abastecimento complexas – compostas por dezenas de fornecedores em vários países – dificultam a prevenção de adulteração.

“A tecnologia blockchain é considerada o futuro das transações digitais, infundindo confiança, eficiência e transparência nas cadeias de suprimentos. Mas o blockchain sozinho não pode garantir a autenticidade dos bens físicos”, diz.

Por isso, os pesquisadores da IBM estão desenvolvendo cripto-âncoras, impressões digitais invioláveis, para incorporar produtos ligados ao blockchain. Essas impressões digitais podem assumir várias formas, como pequenos computadores ou códigos ópticos, mas quando estão ligados a um blockchain, representam um poderoso meio de provar a autenticidade.

Criptografia lattice

Hackers seguirão atuando, mas até encontrarem a criptografia em rede, ou criptografia lattice, como a empresa define.

A escala e a sofisticação dos ataques cibernéticos avançam todos os anos, assim como as defesas. Em cinco anos, novos métodos de ataque farão com que as medidas de segurança de hoje sejam inadequadas, prevê a companhia.

A pesquisadora Cecilia Boschini comentou que a IBM está desenvolvendo sistemas baseados em modelos matemáticos para resolver problemas de segurança da próxima geração.

A empresa destaca que quase 4 bilhões de registros de dados foram roubados em 2016 – cada um custou ao detentor de registro cerca de US$ 158. Hoje, os arquivos são criptografados enquanto estão em trânsito e em repouso, mas descriptografados durante o uso. Isso permite que os hackers vejam ou roubem arquivos não criptografados.

Por exemplo, daqui a muitos anos um computador quântico tolerante a falhas com milhões de qubits poderia detectar rapidamente as probabilidades e decifrar até mesmo a criptografia comum mais forte, tornando obsoleta essa metodologia de segurança.

Os pesquisadores da IBM estão desenvolvendo um novo método de segurança construído em uma arquitetura conhecida como criptografia de rede, ou lattice, que esconde dados dentro de modelos de matemática complexos (estruturas algébricas). A dificuldade em resolver esses problemas de matemática é útil para os criptógrafos, porque eles podem aplicar essa dificuldade para proteger a informação, mesmo quando os computadores quânticos são suficientemente fortes para quebrar as técnicas de criptografia atuais.

Microscópios com AI para salvar os oceanos

Microscópios com robôs empoderados por AI podem salvar os oceanos. É o que acredita o pesquisador Tom Zimmerman, que afirma que, em cinco anos, pequenos microscópios autônomos de AI, conectados em rede e implantados em todo o mundo, vão monitorar continuamente a condição do recurso natural mais crítico para nossa sobrevivência: a água. Veja também: Saiba com a IBM como a inteligência artificial projetada para negócios está revolucionando o mercado Patrocinado

Zimmerman fez questão de destacar seu histórico de curiosidade e invenções para explicar o projeto que lidera no IBM Research. Ele lembra que, na sua infância, gostava de desmontar equipamentos – como TVs – para usar para outras aplicações. É o mesmo conceito que tem feito em seu projeto, mas agora com muito mais impacto e não apenas diversão.

Ele destaca que cientistas lutam para coletar e analisar até mesmo os dados mais fundamentais sobre as condições em tempo real dos oceanos, lagos e rios. Existem sensores especializados que podem ser implantados para detectar substâncias químicas e condições específicas na água, mas faltam nocivos, como espécies invasoras ou a introdução de novos produtos químicos.

O plâncton, conjunto de organismos que não tem movimentos suficientes para contrariar as correntes, no entanto, é natural, e, mesmo pequenas mudanças na qualidade da água afetam seu comportamento. Eles também formam a base da cadeia alimentar oceânica, que serve como a principal fonte de proteína para mais de um bilhão de pessoas. No entanto, sabe-se muito pouco como o plâncton se comporta em seu habitat natural, porque estudá-los normalmente requer colecionar amostras e enviá-las para um laboratório.

A IBM está construindo pequenos microscópios autônomos que podem ser colocados em corpos de água para monitorar plânctons, identificando diferentes espécies e rastreando seus movimentos em três dimensões.

No futuro, segundo Zimmerman, microscópios serão equipados com tecnologias de AI para analisar e interpretar os dados localmente, reportando quaisquer anormalidades em tempo real para que possam ser atuadas imediatamente.

Segundo o pesquisador, é possível usar tecnologias como de reconhecimento facial para reconhecer comportamento das espécies. É de fato desmontar uma tecnologia e usar para outro propósito, como Zimmerman fazia em sua infância.

Ética em AI

Como lidar com sistemas e algoritmos de AI tendenciosos? É o que Francesca Rossi, líder global de ética em AI, busca entender.

A empresa acredita que, dentro de cinco anos, o número de sistemas e algoritmos de AI tendenciosos aumentará. Mas é preciso lidar com eles em conformidade – com novas soluções para controlar o viés na AI e defender os sistemas.

Ela destacou que, em seus longos 30 anos de trabalho com inteligência artificial, ficou por muito tempo sem assistir conferências com esse tipo de discussão. “O foco era apenas em fazer máquinas mais inteligentes, mas sem discussões sobre os impactos nas pessoas, cultura e sociedade”, lembrou.

Agora, segundo ela, a discussão é multidisciplinar, envolvendo profissionais como sociólogos, economistas, educadores etc, o que ajuda de fato a avançar em tecnologias de AI.

Para Francesca, um princípio crucial, tanto para humanos como para máquinas, é evitar o viés e, portanto, é preciso evitar a discriminação. Identificar e mitigar o viés em sistemas AI é essencial para criar confiança entre humanos e máquinas que aprendem.

Computação quântica

Para a IBM, computação quântica será uma grande tendência daqui a cinco anos. Neste período, os efeitos desta tecnologia irão além do laboratório de pesquisa e ela será amplamente utilizada por novas categorias de profissionais e desenvolvedores que procuram esse método emergente de computação para resolver problemas até então considerados insolúveis.

A pesquisadora Talita Gershon destaca que não somente cursos de física – como ocorre atualmente em alguns casos – terão aulas baseadas em computação quântica, mas também outras áreas, como ciência da computação e química. A tecnologia estará profundamente inserida em uma variedade de currículos, e aprender sobre isso será um pré-requisito para diversos profissionais.

Para ela, no futuro, os computadores quantum não serão mais vistos como misteriosos. O público em geral adotará essa nova era, já que nossa compreensão coletiva da computação quântica continua a crescer e a tocar todas as indústrias e todas as instituições educacionais. Essa explosão no conhecimento público geral ajudará a iniciar o início da era quântica comercial.

Em cinco anos, a indústria descobrirá as primeiras aplicações em que um computador quântico oferecerá de benefício para resolver problemas específicos. Uma vantagem clara será concedida aos primeiros usuários dessa nova era.

O projeto da IBM para inclusão de computação quântica em universidades já conta com 150 instituições e é uma das apostas da companhia para popularizar a tecnologia.

(Guilherme Borini)

*O jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da IBM

FONTE: http://computerworld.com.br/5-inovacoes-que-mudarao-o-mundo-nos-proximos-5-anos-segundo-ibm

PRIMEIRA USINA FLUTUANTE DE ENERGIA SOLAR COMEÇA A SER CONSTRUÍDA NA HOLANDA

18/04/2018 às 3:41 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Duas observações importantes sobre este post. Primeiro notem que na Holanda eles precisam fazer isso no mar. Suponho que seja porque o território deles é muito pequeno. Agora imaginem isso massificado aqui no Brasil ! Segundo, e não menos importante, observem o que coloco no final do post (não é propaganda !!!) e verifiquem os preços das soluções de uso de paineis solares. Para mim ainda estão muito altos. Sei que há outras empresas, essa é apenas uma amostragem. E a velha pergunta: por que, num “país solar” como o nosso, não desenvolvemos o uso desse tipo de energia alternativa maciçamente, inclusive com incentivos fiscais do governo brasileiro ?


PRIMEIRA USINA FLUTUANTE DE ENERGIA SOLAR COMEÇA A SER CONSTRUÍDA NA HOLANDA

Um consórcio de seis empresas holandesas começou a construir a primeira usina flutuante localizada em mar aberto para a produção de energia solar. De acordo com informações dadas por Ariane van Hoeken, à Agência Efe. As instalações ficarão a cerca de 15 quilômetros do litoral de Scheveningen, em Haia.

Primeira usina flutuante de energia solar começa a ser construída na Holanda.

Allard van Hoeken, fundador do grupo Oceans of Energy, premiado como engenheiro do ano em 2015, afirmou que o projeto é desafiador, pois terão alguns desafios pela frente, como por exemplo, enfrentar ondas enormes e outras forças destrutivas da natureza. O projeto é inédito e especial, algo parecido nunca foi apresentado antes. A usina tem o apoio e financiamento do governo holandês e a expectativa é que a inauguração da mesma seja em, no máximo, três anos.
A ideia do projeto da usina flutuante surgiu pela falta de terra na Holanda, que não permitia que grandes projetos saíssem do papel no território nacional. Instalar os painéis solares para gerar energia limpa em uma plataforma no meio do mar foi uma solução inovadora! Se o projeto atingir um bom desempenho, é estimado que a produção de energia no mar seja 15% mais alta que a produzida por painéis instalados em terra.
O Relatório Nacional de Tendências Solares em 2018 mostra que a energia solar pode cobrir até 75% do fornecimento total de energia na Holanda. O governo do país espera que até 2050 todas as residências tenham adotado algum tipo de energia limpa. Isso serve de incentivo para muitos países!
Uma grande vantagem é que há muito sol no mar, além disso, outro benefício para o projeto é o sistema de resfriamento para os painéis, que aumenta a produção em até 15%. A Universidade de Utrecht também está contribuindo com o projeto, irão analisar a produção de energia no protótipo em alto-mar. Os painéis serão ancorados entre turbinas eólicas já existentes e conectados aos mesmos cabos, transportando energia eficientemente para os consumidores finais.
Além desse projeto Allard van Hoeken, fundador da Oceans of Energy, contou que um consórcio composto por produtores de energia, cientistas e pesquisadores planejam operar 2.500 metros quadrados de painéis solares flutuantes em 2021. Outros projetos de usinas flutuantes já ocorrem em outras regiões do mundo, como por exemplo, em nosso próprio país, na região do Amazonas, onde outra usina solar fotovoltaica começou a ser produzida.

Primeira usina flutuante de energia solar começa a ser construída na Holanda.

Ainda existe muito mais para ser aproveitado no que diz respeito a energia solar, e você pode conferir mais notícias e informações sobre a energia solar aqui no Blog do Portal Solar, como curiosidades sobre os países que mais consomem energia no mundo.
O Portal Solar é um site que auxilia os interessados em energia solar fotovoltaica, painel solar, painel solar fotovoltaico e gerador de energia solar a encontrar a melhor empresa para instalação em sua casa ou residência. Somos o maior portal de energia solar do Brasil e apoiamos todas as ações que promovem o uso da energia solar.  Entre em contato conosco e solicite um orçamento, contamos com o maior banco de dados de empresas qualificadas no país para instalar sistemas solares.

FONTE: https://www.portalsolar.com.br/blog-solar/energia-solar/primeira-usina-flutuante-de-energia-solar-comeca-a-ser-construida-na-holanda.html

PREÇOS: https://www.portalsolar.com.br/painel-solar-fotovoltaico.html

PAINEL SOLAR

Antiginástica

17/04/2018 às 3:27 | Publicado em Artigos e textos, Piadas e causos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Antiginástica e antipsiquiatria. Interessante. Quem sabe isso não é apenas um começo para outros “anti” ? Antipoliticamentecorreto !? Assim que vi esse post no blog-irmão “O Bem Viver”, logo quis reproduzi-lo aqui. E, no mesmo momento, me lembrei de um médico (pediatra muito competente), hoje beirando os 90 anos, ativo, com saúde, bebendo menos mas com a mesma alegria de viver de sempre, irmão de um grande amigo do Rio, que dizia do alto de sua sabedoria: “– Sabe o que eu faço quando vem a vontade de praticar qualquer tipo de ginástica ? – Me deito no sofá e deixo a vontade passar !”.


O que é a antiginástica e o que ela pode fazer por você e seu corpo

Sessão de antiginástica

Image captionA antiginástica é realizada em grupos – às vezes são usados acessórios, como bolas ou almofadas, para facilitar algum movimento | Foto: KH Photography

A jornalista Carolina Robino, repórter da BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, conta abaixo sua experiência com a antiginástica:

Cada vez que conto a alguém que estou fazendo antiginástica sou bombardeada por risadas e piadas:

– Como é? Você não faz nada? É perfeito para mim.

– Você senta no sofá e assiste à televisão? Que legal!

– Perder peso sem sair de casa? Maravilhoso!

Sim, o nome pode gerar mal entendidos, mas os piadistas estão muito longe da realidade.

A antiginástica é uma prática corporal que busca autoconhecimento do corpo e o entendimento de que várias partes diferentes se conectam. O método também busca reconhecer e despertar áreas que estão adormecidas, que perderam mobilidade ou sensibilidade, com o objetivo final de aumentar o bem-estar.

Por exemplo:

Em minha primeira sessão – que, diferentemente das outras, foi individual -, passei muito tempo deitada no chão apenas mexendo a língua e a mandíbula para todos os ângulos imagináveis e possíveis, tentei com relativo sucesso mover meu dedinho sem mexer os outros dedos e sem tirar o pé do chão, e mantive uma perna levantada para o teto por vários minutos.

Antiginástica com a língua

Image captionMover a língua pode beneficiar outras partes do corpo | Foto: KH Photography

E isso foi tudo.

Para minha surpresa, quando cheguei em casa, deitei no sofá e dormi profundamente durante pelo menos três horas. Estava esgotada. Algo raro? Nem tanto. O esforço para mexer algo há muito tempo parado pode ser extenuante, mas tem sua recompensa.

Rompendo padrões

A antiginástica foi criada na década de 1970 pela fisioterapeuta francesa Thérèse Bertherat, que dedicou boa parte da sua vida a observar o corpo e entender tanto o potencial que ele tem, quanto os obstáculos que criamos.

Seu trabalho foi inspirado principalmente nas pesquisas de sua colega e compatriota Françoise Mézières, que analisou com profundidade a poderosa cadeia de músculos entrelaçados na parte de trás do corpo, desde a base do crânio até debaixo dos pés.

Bertherat acredita que muitos dos males que nos assolam vêm do excesso de tensão, encurtamentos e contrações dessa cadeia de músculos. Ela apostou que exercícios de alongamento ajudariam a relaxar o corpo para que, eventualmente, todos os ossos, músculos, tendões e ligamentos voltassem ao lugar, naturalmente.

A criadora da antiginástica, Therese Bertherat

Image captionA criadora da antiginástica, Thérèse Bertherat | Foto: Isabelle Levy/Lehmann

“Minha mãe era uma mulher muito pragmática, estudiosa e observadora”, explica Marie, filha de Bertherat, que desde a morte da mãe, em 2014, administra o principal centro de antiginástica do mundo, em Paris.

Seu método se desenvolveu a partir de diversas disciplinas que ela investigou e praticou – psicanálise, acupuntura e rolfing (espécie de medicina alternativa), entre outros – mas, acima de tudo , da extrema observação de como nos movimentamos, paramos, caminhamos e nos sentamos.

Ela chamou de “antiginástica” um pouco por acaso, porque queria escrever sobre o tema e precisava de um nome. Nos anos 1970, era moda romper com modelos e padrões.

Seu próprio marido se ocupava com a antipsiquiatria, que defendia tratamentos mais brandos para pessoas com doenças mentais. Ironicamente, ele foi morto por um de seus pacientes.

Antiginástica nos pés

Image captionOs pés, a base do corpo, são fundamentais para os exercícios de antiginástica | Foto: KH Photography

O corpo e suas razões

Em 1976, Thérèse Bertherat publicou O corpo e suas razões, livro que virou best-seller instantâneo e expôs suas ideias a milhões de leitores em todo o mundo.

Depois de lê-lo, milhares de pessoas escreveram para ela pedindo ajuda para salvá-los e curá-los.

Isso a desconcertou. Inicialmente, ela pensou que esses leitores não tinham entendido a proposta. Se tornar uma espécie de guru era algo que estava bem longe de suas intenções.

“É uma pedagogia no sentido de que dá informações sobre si mesmo”, explicou ela.

“Mas não existe magia.”

Na antiginástica, tudo tem uma razão anatômica. Ela é direcionada a cada parte do corpo: pés, ombros, olhos, mandíbulas, costas, abdômen, períneo, diafragma, espinha, ombros, clavículas. Ao mesmo tempo, ela também se volta para as conexões entre essas partes.

Quando se esfrega repetidamente a palma de uma mão, pode-se estar, sem saber, ajudando de alguma maneira a alongar o músculo do trapézio. E, ao movimentar a língua repetidamente, estamos fortalecendo ou soltando a traqueia – ou, ainda que seja difícil notar, fortalecendo também as pernas.

Mariela Panero

Image captionA argentina Mariela Panero descobriu a antiginástica depois de ler um livro sobre o assunto | Foto: Santiago Ginzburg

Todos os exercícios são ferramentas para tomar consciência do próprio corpo e de como ele pode contar nossa história e emoções.

Bertherat descreveu essa ideia muito bem, usando uma metáfora:

“Há uma casa que tem seu nome, você é o único proprietário, mas você não pode entrar. Você fica afastado, na frente da fachada, porque você perdeu a chave (…) Mas as paredes sabem tudo, elas não se esquecem de nada.”

Dor crônica

Mariela Panero tem 47 anos e há dez descobriu a antiginástica. Ela é argentina e vive em Londres desde 1998. Sempre trabalhou com o corpo – primeiramente como bailarina e, em seguida, como professora de pilates.

“Eu acreditava que conhecia meu corpo, mas tudo que tinha feito era treiná-lo, forçá-lo e domesticá-lo”, conta.

“Como tanta gente, exigia muito (do corpo) e comecei a ter dores crônicas nas costas e na cabeça. Eu não queria passar pela rotina médica de injeções, remédios, exames. Então comecei a investigar, a ler”, diz.

Ela descobriu o livro O corpo e suas razões – e leu em dois dias.

“Vi que era o caminho que eu queria seguir”, afirma.

Panero estudou a técnica na Espanha, um dos países onde há praticantes e entusiastas do método criado por Bertherat. Há também cursos de formação em outros 32 países, como Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru, Uruguai e Venezuela.

Cada um por si

A antiginástica se desenvolve em ciclos de 11 ou 12 sessões. Ao fim de uma, começa outra totalmente diferente.

Ao contrário de outras técnicas de trabalho corporal, você nem sempre sabe a razão de estar fazendo aquele movimento. O instrutor dá apenas dicas, sem nunca mostrar como fazer exatamente. Também não há espelhos, para que o participante não copie o jeito de se movimentar do colega. Cada um trabalha com seu próprio corpo.

Antiginástica

Image captionA antiginástica não usa espelhos: cada um descobre como fazer os movimentos | Foto: KH Photography

Não é necessário ter experiência ou qualquer doença, embora muitos que começam a praticar o exercício sofram de dores físicas. A antiginástica pode ser praticada por qualquer pessoa.

“Você só precisa ter um corpo”, brincou Bertherat.

“Eu vi atletas que tentaram fisioterapia ou reabilitação, e que apenas com a antiginástica conseguiram competir novamente”, diz Panero. “Mas também há pessoas que não têm nada, que ouviram falar sobre o método e ficaram curiosas” .

“Talvez uma pessoa com excesso de peso, à medida que se conhece, acaba perdendo peso, mas não é cardiovascular”, ela esclarece.

“O corpo é maleável e, até morrer, há sempre a possibilidade de ser melhor”, diz ela. “O que estamos procurando nos exercícios é ser um pouco mais felizes, mais livres e mais autônomos”.

Ela acrescenta: “O corpo gosta de bem-estar e, uma vez que o encontra, vai querer mais”.

Talvez seja por isso que as pessoas resistem e insistem nas sessões, mesmo que algumas delas sejam francamente estranhas e até mesmo desconfortáveis.

Foi o que aconteceu com Peter, um londrino de 56 anos que pratica antiginástica há cinco anos:

“Algumas das aulas podem ser exigentes, mas quando terminam sempre me sinto mais confortável com meu corpo. É algo sutil e efetivo.”

“As lições se tornaram um oásis semanal em que descubro meu corpo, com tempo e paciência. Experimentei mudanças profundas não só nele, mas também na alma”, conclui.

Voltando às piadas, encontrei uma boa metáfora para explicar o que faço: é como ir ao psicólogo, mas quem fala é o corpo. Ouvir isso é surpreendente. Você pode nos contar as coisas mais interessantes sobre a autocobrança, a importância de reconhecer nossos limites e a felicidade.

Um dia, um tempo atrás, enquanto esperava o ônibus, comecei a sorrir. Se alguém tivesse me perguntado a causa, minha resposta teria sido: “Eu apenas senti como o fêmur se move na articulação do quadril”.

Pode não parecer grande coisa, mas eu garanto que a antiginástica provoca alegria.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-42574030

Veja o vídeo abaixo (há legenda disponível, em português):

 

FONTE: https://obemviver.blog.br/2018/01/15/o-que-e-a-antiginastica-e-o-que-ela-pode-fazer-por-voce-e-seu-corpo/

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