Novo supercomputador funciona com “pó mágico” composto de luz e matéria

21/10/2017 às 3:10 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Temas como esse (Física Quântica e Computação Quântica) sempre me fascinam. E me mostram, como fratura exposta, o quanto sou ignorante em ciência de ponta.


Novo supercomputador funciona com “pó mágico” composto de luz e matéria

Durante anos, os supercomputadores trouxeram a esperança de resolver alguns dos problemas mais misteriosos e aparentemente insolucionáveis da ciência. O avanço contínuo da computação quântica renovou a expectativa dos cientistas, mas um estudo recente de pesquisadores do Reino Unido e da Rússia leva esse potencial um passo adiante, combinando luz e matéria para formar o que é conhecido como “pó mágico”.

Pesquisadores de universidades em Cambridge, Southampton e Cardiff, no Reino Unido, e no Instituto Skolkovo de Ciência e Tecnologia, na Rússia, demonstraram que uma combinação mágica poderia potencialmente permitir a superação de capacidades mesmo dos supercomputadores mais avançados. As partículas quânticas conhecidas como polaridades, que são luz e matéria, foram capazes de “iluminar o caminho” para soluções simples quando havia problemas complicados. Os resultados do estudo, conforme relatado na revista Nature Materials, acabariam eventualmente levando os cientistas a resolver o que hoje ainda não tem solução.

Misturando matéria

Ao calcular uma solução matemática para um problema complexo com aplicações do mundo real, é essencial garantir o número mínimo de etapas possíveis. O caminho mais direto para uma resposta mantém um baixo risco de confusão ou erros, mas na abordagem dos problemas mais intrincados do nosso universo conhecido, isso se torna uma tarefa aparentemente impossível. “Este é exatamente o problema a enfrentar quando a função objetiva a ser minimizada representa um problema da vida real com muitas incógnitas, parâmetros e restrições”, disse uma das autoras do artigo, a professora Natalia Berloff, do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica de Cambridge e do Instituto Skolkovo de Ciência e Tecnologia.

Berloff, junto com sua equipe, projetou esse uso do “pó mágico” sob um ângulo bastante criativo. Assim como o fogo-fátuo ilumina o caminho para viajantes no folclore escocês, os polaritons atuam como marcadores facilmente detectáveis, orientando cientistas rumo a uma solução. Os átomos selecionados, como o gálio, o arsênico, o índio e o alumínio são dispostos em uma pilha e recebem o direcionamento de um laser. Os elétrons, nessa mistura de matéria leve, absorvem a luz e a emitem em cores diferentes. Dez mil vezes mais leves do que elétrons, os polaritons poderiam atingir densidades que o tornariam um condensado de Bose-Einstein, um novo estado de matéria em que as fases quânticas desses polaritons se sincronizariam e criariam um objeto quântico macroscópico detectável com fotoluminescência. Os cientistas estão, literalmente, criando faróis de luz.

O co-autor do estudo, professor Pavlos Lagoudakis, chefe do laboratório de fotônica híbrida da Universidade de Southampton e do Instituto Skolkovo de Ciência e Tecnologia (onde os experimentos foram realizados), expôs: “Estamos apenas no início da exploração do potencial dos gráficos de polaridade para resolver problemas complexos … Atualmente expandimos nosso dispositivo para centenas de nódulos, enquanto testamos o fundamento de seu poder computacional. O objetivo final é um simulador quântico de microchip que opere nas condições ambiente. ”

Não são apenas as profundidades da astrofísica que contêm problemas insolúveis. A biologia, as finanças, as viagens espaciais e outras áreas do saber têm nascentes profundas de questões não respondidas. São perguntas que um supercomputador, usando poeira mágica para iluminar o caminho até uma solução simples, pode ser capaz de responder.

FONTE: https://hypescience.com/novo-supercomputador-funciona-com-po-magico-composto-de-luz-e-materia/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+feedburner%2Fxgpv+%28HypeScience%29

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“ENXERGO A OPERAÇÃO LAVA–JATO COMO UMA ÓPERA PARA O ENTRETENIMENTO DO POVO”

20/10/2017 às 3:06 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Muito boa e oportuna essa entrevista do Professor Moniz Bandeira.


“ENXERGO A OPERAÇÃO LAVA–JATO COMO UMA ÓPERA PARA O ENTRETENIMENTO DO POVO”

Com obras traduzidas para o inglês, espanhol, alemão, russo e mandarim, publicadas em dezenas de países, o intelectual baiano Luiz Alberto Moniz Bandeira é, aos 81 anos, um dos pensadores brasileiros mais respeitados do mundo. Na semana em que a editora Civilização Brasileira relança dois clássicos do mestre em meio ao centenário da Revolução Russa, A TARDE publica entrevista concedida por e-mail da Alemanha, onde ele vive há muitos anos, sem jamais desviar o olhar lúcido do que acontece na pátria natal.

De que forma o sr. acompanha e participa do processo de tradução das suas obras para línguas tão diferentes do português, como o mandarim?

Esta não pude acompanhar, não falo esse idioma. Mas o tradutor foi um diplomata chinês, o conselheiro Shu Jianping. Ele consultava às vezes meu filho Egas, que fala, escreve e lê o mandarim. Formação do Império Americano é a minha obra traduzida para o mandarim e publicada pela Editora da Universidade de Renmin da China, uma das três maiores do país. Nos dois primeiros anos,saíram três edições. A terceira, ilustrada, é reimpressa aos milhares. Massó uma vez tive pagamento. Lá, livros são baratíssimos.

Qual o impacto na carreira de um intelectual ter obras traduzidas para tantos países?

Nenhum. Já estou a caminho de 82 anos, cheguei ao último nível da carreira, como professor titular da UnB, títulos e condecorações. As traduções e publicações nos países mostram, porém, que o Brasil não possui somente romancistas que se podem projetar internacionalmente; que possui também acadêmicos na área de ciências sociais capazes de escrever obras com interesse mundial, sobre outros países e não só sobre o próprio ou relações bilaterais. Tenho, como cientista político e historiador, obras sobre a formação do Império Americano, Oriente Médio, países do Cáucaso, reunificação alemã, Argentina e os Estados da Bacia do Prata, revolução cubana e América Latina, golpe no Chile etc. Esses temas, que desenvolvo em uma linha de pesquisa da causalidade da expansão imperial dos Estados Unidos, são de interesse universal, têm mercado, quando analisados e escritos com objetividade e baseados em pesquisas.

Toda essa expansão editorial do seu trabalho se traduz em retorno financeiro?

Apenas com a venda de livros acadêmicos, creio que ninguém poderia viver.

Entre os  livros que estão sendo traduzidos para outros idiomas destaca-se A Segunda Guerra Fria. Como o senhor avalia hoje as tensões entre EUA e Coreia do Norte, além da guerra na Síria, tendo EUA e Rússia em lados opostos?

Não creio na eclosão de uma guerra entre EUA e Coreia do Norte. Só por um acidente afigura-me possível. A Coreia do Norte tem enorme poder de retaliar, ainda que não possuísse armas atômicas. Poderia retaliar os EUA, atacando a Coreia do Sul e o norte do Japão com mísseis convencionais, além das bases americanas na região e até causar colapso na economia dos EUA pelos vínculos entre esses países, e, consequentemente, na economia mundial. Os EUA não têm condições de saber onde todos os mísseis da Coreia do Norte se ocultam. E eles só atacam, como fizeram como Iraque e a Líbia,quandoos países se desarmam e não dispõem de poder de retaliação. Essa, aliás é a razão pela qual a Coreia trata de desenvolver mísseis e ogivas nucleares, quanto mais Washington ameaça. Não me parece que Kim Jong-un pretenda iniciar uma guerra, pois sabe que o país seria devastado. O objetivo principal dele é salvar o regime e a dinastia. Quanto à Síria, o presidente Baschar al-Assad, com o apoio diplomático e militar da Rússia, já ganhou, virtualmente, a guerra contra o Exército Islâmico e outros grupos terroristas armados e treinados pelos Estados Unidos.

Qual a avaliação que o senhor faz hoje das suas duas obras sobre a Revolução Russa com cerca de 50 anos e que estão sendo reapresentadas?

Essa 4ª edição de O Ano Vermelho é um livro inteiramente novo. Tive de reescrevê-lo totalmente. A 1ª edição tornara-se impublicável ao meu ver. Fora escrita nas piores condições da clandestinidade, em que me encontrava ao regressar do exílio no Uruguai. Era uma obra pioneira. Mas, desde então e, sobretudo, a partir anos 1980, ocorreu um avanço das pesquisas, com diversas dissertações e teses, inclusive na Bahia, sobre a greve geral de 1919, quando meu tio-avô, Antônio Ferrão Moniz de Aragão, como governador do Estado, apesar das fortes pressões, se recusou a reprimir o movimento e, juntamente com o líder socialista Agripino Nazareth, negociou com os patrões a jornada de oito horas de trabalho e outras reivindicações dos operários. E a greve triunfou. O outro livro – Lenin -Vida e Obra – apenas revisei e ampliei.

A Revolução Russa deixou algum legado positivo para a humanidade?

Claro!Otemordeque elase espraiasse levou o presidente Woodrow Wilson [EUA, 1913 a 1921] a inserir no Tratado de Versailles um capítulo sobre os direitos sociais, obrigatório para todos os signatários, o que reforçou a conquista das reivindicações pelas quais o proletariado do Ocidente havia tempo lutava. No Brasil, adensou a eclosão das greves ocorridas entre 1917 e 1919 em quase todos os Estados, o que resultou na legislação trabalhista, que atualmente o empresariado industrial e banqueiros tratam de derrogar. Há a mesma tentativa nos mais diversos países, sustentada pelo avanço tecnológico, como a robotização, digitalização, fabricação offshore etc. Não obstante o regime stalinista, que se dissolvia, o fim da União Soviética representou catástrofe, não só geopolítica, mas também social, ao abrir espaço para o neoliberalismo.

Uma mensagem do senhor ao jornalista Paulo Henrique Amorim, em que apontou intervenção militar como única saída para o Brasil,causou rebuliço. O senhor ainda defende esta ideia?

Não se trata de defender a ideia de intervenção militar, mas de prever, vislumbrar a perspectiva que se desdobra, diante da radical divisão da sociedade brasileira, a efervescência do ódio e da intolerância, como nunca antes houve. E aí está a crise institucional com o conflito de poderes, como ocorre entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal, enquanto a criminalidade se expande, com a desmoralização dos poderes públicos assenhoreados por chefes e membros de organização; o apodrecimento político do país e a falta de um projeto nacional. Porém, o problema não é só a corrupção, que é inerente à república presidencialista, com o financiamento eleitoral, distribuição política de cargos etc. A Operação Lava-Jato é uma ópera para o entretenimento do povo, e na qual o juiz Sérgio Moro e diversos procuradores da república parecem esperar contrato para papel de heróis de Hollywood. Entrementes, o presidente de fato, Michel Temer, entrega o patrimônio nacional aos estrangeiros em termos de sell off, como promoção. E a situação econômica e política cada vez mais se complica. Investimentos estrangeiros não afluem para países em recessão, a não ser para comprar os ativos existentes a baixo custo. Assim, todas as condições apontam para uma intervenção militar. Mas as Forças Armadas até hoje sofrem o desgaste do golpe de 1964 e da ditadura que impôs, e o Alto Comando está dividido. E daí que não desejam entrar em uma aventura. Todos sabem como um golpe inicia, mas não como pode terminar. Sobretudo nas atuais circunstâncias em que se encontra o Brasil.

E neste momento de redefinição (ou indefinição) política e econômica no Brasil, qual a expectativa do senhor para os próximos anos no país? O senhor tem otimismo?

O Brasil chegou a um ponto que não permite qualquer previsão. A imagem no exterior é a de um país que se afunda na lama. É atualmente visto como republiqueta. Muitos estudantes brasileiros escrevem-me perguntando sobre as possibilidades de estudar na Alemanha. Querem sair do Brasil de qualquer jeito. Não veem futuro. Como pode alguém ser otimista?

O senhor está com projeto de escrever alguma nova obra?

Não. Cada obra que escrevo esgota minha saúde, preciso descansar.Querovoltar a reler romances, peças, poemas,como fazia na adolescência, na Bahia de outrora, onde nasci e me criei, antes de voar pelo mundo e estacionar na Alemanha, pátria de Goethe e de Schiller, de Marx e Engels.

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(Luiz Lassserre)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 17.10.2017

Maiakovsky, o coração exposto da Revolução

19/10/2017 às 3:25 | Publicado em Artigos e textos, Canto da poesia | Deixe um comentário
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Maiakovski, um dos maiores poetas de todos os tempos. Minha homenagem !


Maiakovsky, o coração exposto da Revolução

A foto mais conhecida de Maiakowsky, provavelmente tirada em sua excursão aos EUA.

“Nas calçadas pisadas de minha alma, passadas de loucos estalam (…)”[1]

Assim começa o poema “Eu”, composto em 1913 por um certo Vladimir Maiakovsky (1893-1930). Maiakovsky, então com 20 anos, viria a ser chamado de “o poeta da Revolução”.Mas, como todo poeta é, antes de tudo, um leitor profundo de si, Volodja[2] não seria exceção. Nascido na Georgia, Maiakovsky vinha de uma família de fidalgos, em que o salário do pai (como militar) permitia uma vida sem apertos financeiros. A situação mudou drasticamente em 1906 com a morte de seu progenitor.

“Professor,
……….jogue fora
……………..as lentes-bicicleta!
A mim cabe falar
…………….de mim
…………………..de minha era.”

(A Plenos Pulmões, Maiakovsky 1928-1930)

A partir deste momento, Maiakovsky buscou em Moscou a educação que sua região não poderia proporcionar e, ao mesmo tempo, começou a participar ativamente de discussões políticas, sendo preso algumas vezes, chegando a passar seis meses inteiros na cadeia. Maiakovsky fazia aflorar seu talento para a retórica, poesia e artes, ao mesmo tempo que conseguia sobrevivência nos bares e clubes da cidade, através de jogos de cartas ou bilhar.

Maiakovsky com cerca de 20 anos em Moscou.

Entre 1912 e 1916 sua atenção foi voltada para o movimento Futurista na Rússia. Maiakovsky junto com Burlyuk e Kruchonykh formaram a vanguarda do movimento de “estética escrita” na Rússia, que tinha como objetivos declarados a “experimentação dos sons, das palavras e dos símbolos quase como se fôssemos operários da língua”. O Futurismo russo viria rapidamente a se ligar na dialética marxista, que Maiakovsky chamava de “maior ferramenta de entendimento do mundo”.

No túmulo dos livros,
………….. versos como ossos,
se estas estrofes de aço
acaso descobrirdes,
vós as respeitareis,
……………………..como quem vê destroços
de um arsenal antigo,
…………….mas terrível.
Ei-la,
a cavalaria do sarcasmo,
minha arma favorita,
alerta para a luta.
Rimas em riste,
sofrendo o entusiasmo,
eriça
suas lanças agudas.
E todo
este exército aguerrido,
vinte anos de combates,
não batido,
eu vos dôo,
proletários do planeta,
cada folha
até a última letra.
O inimigo
da colossal
classe obreira,
é também
meu inimigo
figadal.
Anos
de servidão e de miséria
comandavam
nossa bandeira vermelha.
Nós abríamos Marx
volume após volume,
janelas
de nossa casa
abertas amplamente,
mas ainda sem ler
saberíamos o rumo!
onde combater,
de que lado,
em que frente.

(A Plenos Pulmões, Maiakovsky 1928-1930)

Foto de Maiakovsky logo após ter tirado a própria vida. O tiro no peito é visível embora alguns defendam que não foi totalmente intencional. Maiakovsky, em depressão, jogava com a vida já tendo feito algumas vezes uma espécie de “roleta russa” e puxando o gatilho. Em 1930 foi o ponto final.

O poeta era, entretanto, mais um revolucionário do que um bolchevique. Politicamente, se aproximava ora dos anarquistas, ora dos mencheviques. Pulsava com a revolução. Não a Revolução Bolchevique, mas “A” revolução. A capacidade dos tempos de se contorcionarem e produzirem novos chistes de sociedade. A isto Maiakovsky dava a sua energia. Disto Maiakovsky tirava a sua.

Esta postura colocou o artista em colisão com Lênin e também com Gorky. Lênin o acusava de produzir devaneios, sem um sentido geral de ação social. Mesmo as odes de Maiakovsky soavam caóticas demais para o líder bolchevique. Gorky criticava Maiakovsky pela falta de um rigor sobre os objetos representados. O mundo de Maiakovsky era o mundo que Maiakovsky queria ter e não a realidade que ele e a Rússia viviam. Ator, produtor, cenógrafo, poeta e um outro sem número de atuações em vários campos das artes, Maiakovsky amou as mulheres de sua vida tanto quanto a ideia de Revolução.

Apesar de ter uma vida bastante atribulada com as mulheres, Maiakovsky teve em Lilya Brik o seu verdadeiro amor. A distância dela foi também um dos motivos para o suicídio.

Homem forte e com feições bonitas (apesar de sérios problemas dentários) Maiakovsky tornou-se a voz da reorganização cultural da Rússia após a revolução. Não aceitava, contudo, a ideia de usar a cultura para conformar. Para Maiakovsky, a cultura e as artes deveriam rasgar a realidade, torturá-la e deste choque prenunciar novos mundos e novas ideias. Quanto mais o sistema soviético se tornava estável e avesso aos “rasgos revolucionários”, mais Maiakovsky ia se tornando desimportante e perigoso.

Boris Pasternak (outro poeta russo) afirmou que enquanto o poeta Maiakovsky anulou o ser humano Vladimir, alimentando-se da euforia das revoluções, Maiakovsky viveu e foi feliz. Quando o mundo revolucionário não mais aceitava o poeta, o ser humano que habitava no poeta não pode resistir à realidade. Em 1930, Maiakovsky, deprimido por estar sendo preterido culturalmente, cerceado politicamente e distante de sua amada, jogava pela terceira vez com a sorte. Colocava uma bala na arma e apontava contra o peito.

(…) Você dormia, rosto preso ao travesseiro,
Dormia, a plenas pernas, a plenos tornozelos,
Penetrando de novo, de um só golpe,
No fabulário das legendas jovens.
E penetrando da maneira mais direta
Porque nele você entrava de um salto.
Teu disparo parecia um Etna
Sobre as encostas de covardes e fracos.

(Boris Pasternak, 1930 “A morte do poeta”)

Em 14 de abril de 1930, a sorte levava Maiakovksi ao suicídio. Muito antes, segundo ele, a Revolução já tinha morrido. O poeta que Maiakovsky foi recebeu de Stalin o título de “maior poeta soviético” e até 1953 a memória de Maiakovskyfoi cultuada na URSS. Após a morte de Stalin, o processo de desestalinização da URSS atingiu em cheio a memória de Maiakovsky. A vida de Volodja seguiu de perto a própria vida da Revolução, viveram um para o outro e parecem também ter morrido juntos. Maiakovsky Revolução.

(…) Vê como tudo agora emudeceu
Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu
em horas como esta eu me ergo e converso
com os séculos, a história do universo

(Fragmentos, Maiakovsky 1928-1930)

[1] Todos os poemas de Maiakovsky aqui foram traduzidos por Haroldo de Campos, incluindo o poema de Boris Pasternak

[2] Apelido russo do nome Vladiimir (Владимир). A grafia russa é Володя

(Fernando Horta)

FONTE: https://www.sul21.com.br/jornal/maiakovsky-o-coracao-exposto-da-revolucao/

Resumo do Singularity University Global Summit 2017 em São Francisco, CA/USA

17/10/2017 às 3:46 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Novos tempos. Simplesmente assustador ! Recebi via zapzap de um amigo.

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Resumo do Singularity University Global Summit 2017 em São Francisco, CA/USA

O evento discutiu o futuro dos negócios, da tecnologia e da humanidade.

**Para profundas reflexões**

*Singularity University Global Summit 2017 – resumo do primeito dia, em 10 itens:*

1. Foram 1.600 participantes do mundo inteiro. 70% dos quais são estrangeiros. A maior delegação foi a do Brasil.

2. Em 2030, mil dólares comprarão o poder computacional equivalente ao cérebro humano. Em 2050, mil dólares comprarão o poder computacional equivalente a todos os cérebros humanos juntos.

3. Em 2010 1.8 bilhão de pessoas estavam conectadas à internet. Em 2017 são 3 bi. Entre 2022 e 2025 será o mundo inteiro. Com mais conexões, mais oportunidades, mais gênios.

4. As próximas duas décadas serão diferentes de qualquer coisa que vivemos nos últimos cem anos.

5. Podemos prever empregos que serão absorvidos pela tecnologia. Mas não podemos prever quais empregos vão surgir a partir da tecnologia. A dificuldade é a velocidade com que isso está acontecendo.

6. 130 milhões de pessoas no mundo estão satisfeitas com o seu trabalho. Parece muito, mas em termos globais, isso equivale a quase nada.

7. Veículos elétricos têm 90% menos _moving parts_ do que veículos tradicionais.

8. Na China todos os taxis serão elétricos até 2020.

9. O custo de um carro elétrico vai reduzir drasticamente nos próximos 5 anos. Razões: demanda e abundância.

10. Esqueçam os _wearables_. Estamos entrando na era dos _insideables_.

*Singularity University Global Summit 2017 – resumo do segundo dia em 10 itens:*

1. _Human life is a software engineering problem_.

2. As ferramentas do nosso tempo: _big data _e _machine learning_.

3. 3 bilhões de pessoas vivem com menos de 2,5 dólares por dia. 80% da humanidade vive com menos de 10 dólares por dia.

4. 90% das enfermeiras que usam o Watson da IBM seguem as suas recomendações.

5. Automação e inteligência artificial criarão empregos. Posso tornar qualquer coisa inteligente usando inteligência artificial e ganhar dinheiro com isso. Os Estados Unidos são o país mais automatizado do mundo e não houve perda de empregos por isso.

6. No futuro teremos muito mais máquinas do que humanos.

7. Ensinamos da mesma forma há cem anos. O sistema educacional é resistente a uma mudança disruptiva. Que tal _just in time education_?

8. Nossas premissas sobre o mundo podem limitar nosso pensamento. E isso faz toda a diferença.

9. Organizações não mudam até que todas as pessoas mudem.

10. Líderes exponenciais não tentam mudar o mundo. Eles tentam mudar a si mesmos.

*Singularity University Global Summit 2017 – resumo do terceiro e último dia.*

Desta vez não foi possível resumir em 10, mas sim em 20 itens. Estes três _posts_, um por dia, foram uma tentativa de sintetizar essa chuva de informações e a disrupção.

1. Em 2020, 85% das interações com clientes será através de máquinas. E essa será uma das formas de se diferenciar dos concorrentes.

2. 75% dos _millennials_ consideram a comunicação através de mensagens de texto uma opção de relacionamento com o cliente e têm duas vezes mais chance de se manter fiéis à empresas que oferecerem essa forma de comunicação com eles.

3. 30% dos _millennials_ não possuem o ícone do telefone na tela principal dos seus _smartphones_.

4. Empresas hoje já produzem carne de frango e gado sem matar nenhum animal. A partir da célula animal.

5. 20% de todas as buscas em dispositivos móveis já são feitas por voz.

6. Veículos e objetos autônomos vão mudar as cidades profundamente.

7. Criatividade, empatia e coragem são as habilidades do futuro.

8. As instituições de ensino que existem hoje, em sua maioria, foram criadas com pressupostos de 60 anos atrás. O ensino médio é a chave para mudar todo o sistema educacional.

9. O principal problema da educação é cultural. Há cem anos é igual. Muitos falam de customizar ensino para crianças, mas a chave é customizar ensino também para os professores. Um a um. Até a mudança ocorrer.

10. O futuro da educação é _learning by doing_.

11. Vamos mudar a lógica de “vender carros” para “vender serviços de mobilidade”.

12. O mundo hoje está fazendo a transição da era industrial para a digital da mesma forma que anos atrás fazia da era agrícola para a industrial. Mas MUITO mais rápido.

13. Existem 2.6 bilhões de _smartphones_ no mundo. E 9 vezes mais dados somente nos últimos DOIS anos.

14. As pessoas vão aprender dentro de uma lógica de “_nano-learning_”, e não de um longo investimento em educação para usar somente um percentual mínimo daquilo que se aprende. Todos terão um portfólio de trabalho, que será nano-desenvolvido.

15. Os maiores problemas do mundo são também as maiores oportunidades de negócio.

16. Robôs serão considerados uma opção de força de trabalho. Assim como hoje consideramos funcionários, terceiros, _freelances_ e a _crowd_. Simples assim.

17. Ser exponencial é atualizar e se atualizar de tudo constantemente.

18. O Vale do Silício tem uma palavra para descrever fracasso. Se chama experiência.

19. Hoje existe abundância de capital, conhecimento, habilidades e tecnologia. Não há desculpa para não fazer as coisas. Não há limites. A única limitação é a nossa convicção e comprometimento de simplesmente ir e fazer.

20. Em poucos anos todos trabalharão para aprender, ao invés de aprender para trabalhar.

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