Empate

29/04/2017 às 3:22 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Veríssimo, nos lembrando sempre coisas e detalhes que quase ninguém vê, e que a mídia nossa de cada dia passa loooooonge !

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Empate  Verissimo_sax

Nosso tamanho nos torna megalomaníacos natos. Não sabemos pensar no Brasil a não sr em superlativos. Somos amazônicos tanto nas nossas vaidades quanto nos nossos remorsos.

A ARENA, o braço desarmado do poder militar, podia dizer que era o maior partido do mundo porque, em números, era mesmo, tantos foram os políticos que a integraram naquela democracia de faz de conta.

Outra maneira de dizer a mesma coisa seria nos chamarmos de a maior sabujocracia do mundo, embora nem todos do grande partido fossem servis aos militares.

Muitos fizeram respeitáveis carreiras no partido oficial, e se foram cúmplices na farsa, o MDB, ao seu modo, também foi. Depois, com o fim do regime militar, o voto obrigatório nos autorizou a dizer que éramos, em proporção à população, a maior democracia de verdade em funcionamento no mundo.

O que sentimos ao descrever nossas mazelas gigantescas só pode ser descrito como orgulho desvairado, quase uma forma de ufanismo. As revelações da Lava-Jato nos permitem dizer que nenhum outro país é tão corrupto quanto o nosso. E estamos sempre superando nossas próprias marcas. O escândalo do mensalão era o maior de todos os tempos. Agora o escândalo do propinato é maior do que o escândalo do mensalão.

Eta nóis!

Não quero desiludir ninguém, ainda mais depois do golpe na autoestima nacional que foram os 7 a 1 na Copa, mas os americanos nos ganham em matéria de corrupção. Ou pelo menos empatam. Notícias do superfaturamento, dos custos fictícios e outras falcatruas de empresas americanas contratadas para reconstruir o Iraque — apenas um exemplo — depois da destruição que eles mesmos provocaram, fizeram murchar minha megalomania.

Não era só o volume de dinheiro desviado, maior do que qualquer concebível escândalo brasileiro. A Bechtel, a Halliburton, ligada ao então vice-presidente Dick Cheney, e outras empresas americanas ganharam, com exclusividade (“Nossa sujeira limpamos nós” é o lema implícito) e sem licitação, os contratos para reparar os estragos feitos, subsidiadas pelo Pentágono. E mesmo com os bilhões de dólares gastos e roubados depois da queda do Saddam, o Iraque continua em ruínas.

E o pior para o nosso ego é que, com tudo isso, você não ouve os americanos dizerem que são os mais corruptos do mundo.

Ainda por cima nos arrasam com sua modéstia.

(Luis Fernando Veríssimo)

FONTE: Principais jornais do país, 27.04.2017

A Evolução dos Computadores

28/04/2017 às 3:53 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Para lembrar o caminho percorrido…


Camarotização: por que o brasileiro gosta tanto de segregar o espaço?

27/04/2017 às 3:47 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Do ELPAÍS. Excelente artigo. Confiram !


Camarotização: por que o brasileiro gosta tanto de segregar o espaço?

 

Lojas em Trancoso (BA).

Lojas em Trancoso (BA). Luciano Andrade Ag. Estado

Camarotização. A gourmetização do espaço. A palavra ganhou força na última semana depois de aparecer no tema da redação do vestibular da USP, o mais concorrido do país, mas já faz tempo que o camarote faz sucesso ao prometer fazer do cidadão um ser diferenciado – para usar uma palavra cara ao público adepto.

De comícios políticos à farra do Carnaval, quem está no camarote não quer ser qualquer um. Em Salvador, no maior carnaval do mundo, participa quem paga – e caro- para ter direito a uma camiseta estampada com diversos logos dos patrocinadores. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, para ter acesso ao espaços exclusivos no Carnaval é preciso desembolsar até mais de 1.000 reais.  A promessa é viver a festa rodeado de celebridades rodeadas de jornalistas. Os famosos mais trendy, porém, ficam em um cercadinho ao qual quase ninguém tem acesso. É a camarotização do camarote.

O Carnaval foi um start, mas não está sozinho no movimento de camarotização do país. Um dos lugares que lideram o ranking dos mais camarotizados do Brasil também está na Bahia: Trancoso. Há  20 anos era uma praia de pescadores, semideserta, só alcançada por aventureiros (inclusive os endinheirados tradicionais) e hippies. Agora, nas palavras da jornalista e consultora de moda Gloria Kalil, no Réveillon, virou uma espécie de “Cannes tropical”.

“Daqui a pouco, os moradores e antigos frequentadores só vão poder entrar no pedaço se estiverem com um vestido de marca, uma maquiagem de palco e um crachá que os autoriza a circular como no melhor estilo Festival de Cannes em dia de premiação final”, disse Kalil, em sua coluna.

O Brasil sempre foi avesso e segregado. Apesar de ter a ideologia da mistura, na verdade sempre foi o pior dos apartheids

A camarotização, neste caso na política – com seus cercadinhos em cerimônias oficiais e comemorações -, também horroriza Andrea Matarazzo (PSDB), vereador que carrega o sobrenome de uma família da alta sociedade paulistana. “Getúlio Vargas fazia sucesso porque andava no meio do povo”, conta ele. “O Lula, idem”, diz. “E eu adoraria ser o Lula”.

Acesso e renda

Mas, afinal, de festas a eventos públicos, por que o Brasil gosta tanto de segregar o espaço? Para Rosana Pinheiro-Machado, antropóloga e professora da Universidade de Oxford, a aversão à mistura é o resultado de anos de desigualdade social no país. “O que está por trás [da camarotização] é o desejo de distinção em uma sociedade colonizada como a nossa e marcada por uma grande estratificação social”, diz.

“O Brasil sempre foi avesso e segregado. Apesar de ter a ideologia da mistura, na verdade sempre foi o pior dos apartheids”, diz a antropóloga brasileira. Para ela, o acesso das camadas mais pobres da população ao que antes era exclusivo dos mais ricos potencializou a camarotização. “No Brasil pós-Lula, as pessoas das camadas mais populares estão acessando o que antes era exclusivo aos brancos de elite”, conta. “Isso faz com que o racismo e a discriminação saiam do armário.” Por outro lado, “é também um fenômeno de todas as classes. O cara mais rico de uma comunidade quer camarote também. Afinal, o modelo hegemônico de distinção é pervasivo, se espalha.”

É nos aeroportos que esse desconforto com o acesso fica explícito, diz Pinheiro-Machado. Antes, andava de avião quem tinha muito dinheiro. Com a ascensão da classe média, os aeroportos estão mais cheios, e os mais ricos tiveram que se misturar aos mais pobres. As companhias aéreas logo correram para tentar reverter isso: “As companhias aéreas brasileiras, que nos últimos anos só tinham a classe econômica, agora voltam a ter assentos ‘diferenciados’, mais caros e com mais espaço”, diz a professora. “O conforto, na verdade, é apenas uma desculpa apara agradar o passageiro rico que não quer ter o desprazer de sentar ao lado de sua empregada doméstica“, explica. “É uma forma sutil de segregação.”

A fuga dessa segregação no avião se reflete em um dado econômico do país: o Brasil está em segundo no ranking das maiores frotas de jatinhos e helicópteros particulares do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Para usar um termo popular nos camarotes – se é que podemos usar as palavras popular e camarote na mesma frase -, o que “agrega valor”, além de camarotizar, é exibir o ato, com ou sem pau de selfie. Cesar Giobbi, colunista social há décadas, culpa as redes sociais pelo exibicionismo adotado pela elite.  “A indiscrição surgiu com a comunicação exacerbada”, diz.

Para Giobbi, a camarotização é o primeiro indício de que o lugar está decadente. Primeiro, um lugar como Trancoso se populariza, então é preciso camarotizá-lo para não perder o elã diferenciador, mas aí ele já perdeu a graça para a primeira elite que o frequentava como exclusivo.

“Quando chega nesse auge, em que o absurdo passa a ser incorporado, o lugar perde a graça”, diz. “Sapato de salto Louboutin no Quadrado não precisa. Tudo tem lugar e hora”, conta. Em tempo: “Quadrado” é o apelido usado pelos habitués de Trancoso, os de antes da camarotização, porque o local foi habitado inicialmente em torno de um gramado quadrado.

Mas se há um movimento que camarotiza os lugares, também há o contrário a ele: a pipocação. No Carnaval, quando você está fora do cordão ou do camarote, você está ‘na pipoca’.

E no embate camarotização x pipocação, às vezes os da pipoca parecem se divertir mais. Na corrida de São Silvestre, que ocorre há mais três décadas no último dia do ano em São Paulo, pode-se pagar pela inscrição – 135 reais – ou correr na pipoca. Os pró-segregação reclamam da “bagunça” e dizem: “paguei 135 reais e é essa zona”, irritados. Enquanto isso, a maioria – inscrita ou não – se diverte. Fantasiados, eles vão ao longo trajeto de 15 quilômetros desfrutando da sensação de correr na Avenida Paulista – e não é fugindo da polícia em alguma manifestação – e de se sentir parte da cidade.

(Marina Rossi)

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/17/politica/1421520137_687513.html?id_externo_rsoc=FB_BR_CM

O mapa da Matemática e sua epifania

26/04/2017 às 3:42 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Essa era uma questão que sempre procurava explorar com meus alunos: Matemática Pura x Matemática Aplicada. Se tivesse os recursos de hoje seria bem mais fácil ensinar…


 

Este mapa alucinante explica como tudo na matemática está conectado

 

Se você não cursou matemática na universidade, provavelmente só tem uma vaga lembrança de coisas como geometria, álgebra e um cara chamado Isósceles.

Logo, você também provavelmente tem dificuldade em entender como coisas como a teoria do caos e a geometria fractal se relacionam com aprendizagem de máquina e todos aqueles números primos loucos.

Mas pode acreditar: tudo na matemática está conectado. É o que nos mostrou Dominic Walliman, um YouTuber que manja muito de fazer mapas incríveis.

Mapa da Matemática

Para navegar no complexo Mapa da Matemática acima, o melhor lugar para se começar é no meio, onde um círculo marrom representa as origens (“Origins”) do interesse humano em como os números explicam nosso universo.

Em seguida, há duas seções principais que representam os dois principais campos da matemática hoje – Matemática Pura (uma apreciação da linguagem dos números em si) e Matemática Aplicada (como essa linguagem pode ser usada para resolver problemas do mundo real).

Você pode fazer o download de uma versão de alta resolução aqui, na qual você pode dar zoom.

Entendendo o mapa

Infelizmente, só existe a versão em inglês do mapa. Igualmente, para melhor compreendê-lo, o ideal é assistir ao vídeo feito por Walliman, também em inglês. É possível ativar a legenda, sem tradução – mas já ajuda não precisar apenas escutar, mas poder ler o que o YouTuber está dizendo.

Walliman explica cada seção que aparece no mapa. No geral, ele mostra como vários campos da matemática, incluindo topologia, análise complexa e geometria diferencial, estão descrevendo as formas de tudo em nosso universo, e como vários fenômenos no tempo e no espaço podem ser explicados por coisas como o cálculo e a teoria do caos.

Você também vai aprender que disciplinas como física, química, biologia, engenharia, economia, criptografia, ciência da computação e muitas outras simplesmente não existiriam se os nossos antepassados não lançassem os fundamentos do estudo dos números anos atrás.

Caso você seja avançado em assuntos matemáticos, não se preocupe: o mapa cobre também o maior mistério de toda a ciência, ou seja, por que ainda não conseguimos encontrar um conjunto completo de regras fundamentais, os axiomas, comprovadamente consistentes em todos os pequenos recantos do universo matemático.

FONTE: http://hypescience.com/este-mapa-alucinante-explica-como-tudo-na-matematica-esta-conectado/

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