VICE-PRESIDENTE GOLPISTA!

07/12/2017 às 3:37 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Muito bom esse canal de Eduardo Bueno. Bons vídeos como os livros dele !


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Hans Langsdorff, o nazista a quem eu pagaria um chopp

05/12/2017 às 3:08 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Muito interessante essa história. A esse eu também pagaria um chope.


Hans Langsdorff, o nazista a quem eu pagaria um chopp

No final de Setembro de 1939 vários botes salva-vidas chegaram no litoral brasileiro. Eles traziam a tripulação abalada, molhada mas intacta do cargueiro inglês de 5000 toneladas Clemence.

Ele havia sido afundado por um navio alemão, que mais tarde descobriu-se ser o Graf Spee, um dos chamados “Encouraçados de Bolso” de Hitler.

O Tratado de Versalhes, assinado depois da Primeira Guerra Mundial proibia a Alemanha de ter navios com mais de 10 mil toneladas. Seguindo a restrição à risca, o governo alemão (pré-Hitler) ordenou a criação de uma classe de mini-cruzadores, a Deutschland. Eles terminaram com 12630 toneladas, mas entre toneladas métricas, imperiais e outras variações, o que são 2000 toneladas entre amigos?

Os navios acabaram classificados como de 10 mil toneladas, mas sem armamento extra, munição, tripulação, suprimentos, etc. Quando totalmente carregados chegavam a 15 mil toneladas.

O navio que afundou o Clemence foi o Almirante Graf Spee, sob o comando de Hans Langsdorff, e se você acha que foi um massacre, um cargueiro desarmado de 5000 toneladas versus um cruzador pesado de 186 metros, 16 mil toneladas, 6 canhões de 28cm, oito de 15 cm e 8 lançadores de torpedos de 53.3cm, acredite: Não foi.

Quando avistou o Graf Spee o Clemence emitiu um pedido de socorro, mas mesmo assim teve que obedecer as ordens e parar. O Capitão, o Engenheiro-Chefe e um marinheiro feirod foram feitos prisioneiros. Langsdorff mandou a tripulação embarcar nos botes salva-vidas, indicou o rumo de Maceió e só depois que se afastaram afundou o Clemence.

Antes de ir embora o Graf Spee enviou uma mensagem para a Estação Naval em Pernambuco, indicando a posição dos marinheiros inimigos.

Esse foi o primeiro dos nove afundamentos feitos pelo Graf Spee, totalizando 50 mil toneladas enviadas para o fundo do mar.

Sua próxima vítima foi o cargueiro Newton Beech, que foi capturado mas não afundado no dia 5 de Outubro. No dia 7 ele afundou o cargueiro Ashlea, não sem antes transferir para o Newton Beech a tripulação.

Como o Newton era um vapor, muito lento para acompanhar o Graf Spee, ele transferiu os prisioneiros para seu cruzador e afundou o navio inglês.

No dia 10 de Outubro ele encontrou o cargueiro Huntsman, que virou a caça se rendeu quando percebeu, tarde demais que o Graf Spee não era um navio francês.

Langsdorff não tinha como acomodar mais prisioneiros, então só havia uma coisa a fazer com a tripulação do Hunstman. Colocou a bordo vários de seus marinheiros e marcou um encontro com o Altmark, seu navio de suprimentos.

Dois dias depois os três navios se encontravam. O Graf Spee era reabastecido, mais de 150 prisioneiros eram transferidos para o Altmark e o Hunstman então foi afundado.

Hans Langsdorff continuou com sua missão de corsário elegante, encontrando navios mercantes inimigos e dando a eles a chance de se render, cuidando dos prisioneiros e só afundando-os depois que todos estivessem em segurança.

Quando era viável Langsdorff deixava os marinheiros inimigos seguirem para terra em seus botes. Durante uma estada no Oceano Índico ele abordou um cargueiro holandês que, embora neutro, com certeza iria delatar sua posição. Mesmo assim ele foi deixado em paz.

Depois de mais de 50 mil km navegados, o Graf Spee precisava de reparos urgentes, mas mesmo assim Langsdorff resolveu fazer uma última patrulha, pois havia conseguido livros de código com um dos navios atacados, e assim teve conhecimento das rotas mercantes inimigas.

Dirigindo-se de novo ao Atlântico Sul, sua sorte acabou. O hidroavião que ele usava para reconhecimento quebrou de vez, e ele foi descoberto pelas patrulhas inglesas, que o caçavam incessantemente.

Na costa do Uruguay ele encontrou o cruzador HMS Exeter e dois cruzadores menores, o Ajax e o Achilles. Sem condições de fugir, Langsdorff concentrou fogo no Exeter, destruindo as duas torres de canhões dianteiras, a ponto de comando e iniciando vários incêndios. Ele então concentrou fogo nos navios menores, mas falhas de projeto tornaram o Graf Spee vulnerável, e tiros destruíram seu sistema de filtros de combustível.

A cozinha principal e usina de dessalinização também foram atingidas. Com 36 mortos e 60 feridos, Langsdorff preferiu parar com o massacre, e deixou os navios ingleses bem danificados mas flutuando, enquanto o Graff Spee se dirigia para Montevidéu.

A caminho do Uruguay, Langsdorff localizou o SS Shakespeare, cargueiro inglês com o mesmo destino. Ele ordenou que abandonassem o navio, e que esperassem os salva-vidas dos navios de guerra que vinham logo atrás.

O Capitão do Shakespeare aplicou parada total, mas não abandonou o navio. Langsdorff, que havia matado vários inimigos em combate algumas horas antes, sabia que uma linha que nunca cruzaria era a de atirar em um navio desarmado com gente a bordo.

Abandonando o SS Shakespeare, o Graf Spee rumou, capengando para Montevidéu, um porto tecnicamente neutro.

Chegando no Uruguay uma das primeiras providências foi libertar os 65 prisioneiros ingleses, seguros e alimentados no interior do navio. Eles tiveram mais sorte que os 36 marinheiros alemães mortos.

As discussões políticas foram imensas. Teoricamente o Graf Spee não poderia ficar mais de 24h em portos neutros, mas ele precisava de reparos, mas nenhum estaleiro local aceitou fazer o trabalho, mas isso implicaria em condição de Santuário, aumentando o prazo, mas havia conversa de interditarem o navio, o que não seria interessante para Berlin.

O enterro dos marinheiros mortos foi acompanhado pela imprensa, alguns oficiais que não estavam trabalhando nos reparos e pelos ex-prisioneiros de Langsdorff. A máquina de propaganda da mídia disse que os ingleses cuspiram nos caixões, coisa que todos os alemães e ingleses depois interrogados negam veementemente.

O Capitão Dove, um dos prisioneiros capturados honrou os marinheiros alemães com uma coroa de flores, com a inscrição “À Brava Memória dos homens do mar, de seus camaradas da marinha mercante britânica”.

Os marinheiros alemães saudaram os companheiros mortos com a saudação nazista. Langsdorff prestou a tradicional continência da marinha alemã.

Informações que mais tarde se mostraram ser falsas convenceram Langsdorff de que uma frota inglesa estaria a caminho, e que o único jeito seria abrir caminho atirando.

Ele sabia que o Graf Spee não tinha condições de combater. Sua velocidade original de 28 nós estava reduzida a 22, sua munição estava quase no fim e ele jamais conseguiria chegar a um porto aliado.

Não vendo sentido em mortes desnecessárias, Langsdorff mandou sua tripulação descer para terra. Dos 586 marinheiros e 33 oficiais, só permaneceram 40 a bordo.

Eles espalharam a munição remanescente do navio em pontos estratégicos, armaram detonares e timers, e o Graf Spee se preparou para zarpar para o estuário do Rio da Prata.

Rádios, máquinas Enigma, computadores de tiro, livros de código, tudo foi destruído com explosivos fogo ou martelos. Até as culatras dos canhões foram removidas e jogadas no mar. Os ingleses não achariam nada de valor.

Depois que o último marinheiro foi transferido em segurança para um rebocador, o Capitão Langsdorff e cinco oficiais finalizaram a montagem dos explosivos. O Capitão queria que os detonadores ficassem na ponte de comando, de onde ele acionaria as bombas e afundaria com o navio. Os oficiais se rebelaram e o proibiram. Um timer de 20 minutos foi ativado, o capitão abandonou o navio e 250 mil pessoas viram da costa o Graf Spee irromper em chamas.

Isso foi no dia 17 de Dezembro de 1939. No dia 20, em um hotel de Buenos Aires o Capitão Langsdorff escreveu uma carta para sua esposa, uma para seus pais e uma para o embaixador alemão. Tomou uma dose de uisque, estendeu a bandeira de batalha do Graf Spee e com sua Mauser, tirou a própria vida.

Hans Langsdorff tinha 45 anos. Era um oficial de carreira, um lobo do mar, um nazista fervoroso e discípulo de Hitler. Também era um guerreiro honrado, amado como um pai por seus marinheiros, respeitado e admirado por seus inimigos. Não por seus feitos em batalha, mas por demonstrar compaixão.

Langsdorff conseguiu afundar 9 navios sem que nenhum marinheiro inimigo fosse morto. Quando teve a chance de dizimar os navios de combate menores, deixou-os fugir ao invés de persegui-los.

A cidade de Ajax no Canadá foi batizada em homenagem a um desses navios. Os nomes de suas ruas fazem referência aos oficiais e marinheiros envolvidos na batalha.

Uma delas é a Langsdorff Road.

O Graff Spee sempre foi popular entre mergulhadores, muitas peças estão expostas em Montevidéu, um passeio que aliás recomendo muito. É baratíssimo.

Entre as várias peças resgatadas do Graf Spee está um emblema de bronze, uma Águia do Reich, com 450Kg, trazida à tona em 2006 por uma equipe comandada pelo mergulhador Héctor Bado.

Ela tem sido uma dor de cabeça. uma longa disputa judicial concluiu que como toda peça de navios afundados ela pertence ao governo uruguaio, mas o descobridor tem direito a 50%.

Só que gente de fora não está gostando. O Governo Alemão diz que ela não deve ser nem exibida. Entidades judaicas acham que ela pode atrair nazistas.

A proposta atual, do deputado Jorge Gandini é que ela seja vendida e que o dinheiro seja dividido entre o descobridor e o governo. Já teve quem oferecesse US$52 milhões pela águia, e para o Uruguay isso é dinheiro a rodo.

Para aplacar as preocupações o deputado diz que o comprador seria devidamente avaliado, e a águia não seria vendida a grupos neonazistas.

Hans Langsdorff não é um dos mocinhos. Em última análise ele defendia o regime que nos deu a Blitzkrieg, o Holocausto e o Fusca, mas mesmo diante desses crimes imperdoáveis, ele tinha honra. Respeitava seus inimigos, mesmo depois de derrotados. Langsdorff era um marinheiro e um guerreiro, que lutava devido às circunstâncias mas nunca odiou seus inimigos. Ele teria umas boas lições a dar aos idiotas de hoje em dia que se dizem nazistas.

Também há uma boa lição aqui para todo mundo que adora viver num delírio maniqueísta dividindo pessoas entre boas e más, sem nuances, sem perdão, sem redenção. A vida é muito mais que um textão de Facebook, pessoas são muito mais complexas do que istas e ismos.

Portanto, se um nazista juramentado de carteirinha consegue agir com honra e decência, talvez seja hora de pegar mais leve com o amiguinho, só porque ele não defende o seu político de estimação.

FONTE: https://contraditorium.com/2017/08/16/hans-langsdorff-nazista-quem-eu-pagaria-um-chopp/

As invenções geniais do Século XIX

02/12/2017 às 3:29 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Boas lembranças, principalmente para os mais novos que já nasceram na nova era das TIC.

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As invenções geniais do Século XIX

Numa discussão sobre ensino de arquitetura na UFRJ, um estudante disse que não concordava com Lucio Costa porque ele era um arquiteto do século XIX. O mestre agradeceu e disse que no século XIX ele estava em boa companhia. Senão vejamos. Em 1804, Richard Trevithck faz correr a 8 km/h um trem a vapor com cinco vagões carregando 70 passageiros e 18 toneladas de carga. As marias-fumaças, queimando lenha e depois carvão de pedra, funcionaram em muitos países até a década de 1960, apesar de em 1879 o alemão Siemens ter criado a locomotiva elétrica, com uma eficiência energética de 85%, porque elas exigiam a eletrificação das linhas. Sem fumaça elas permitiram instalar os primeiros metrôs urbanos. Hoje na Europa os TGVs, aperfeiçoados pelos franceses em 1980, correm a 350 km/h. E os orientais estão instalando os primeiros trens de levitação magnética, os Maglev, capazes de atingir velocidades ainda maiores.

A lâmpada elétrica é outra dessas invenções. A primeira a funcionar foi a de filamento de carvão de Thomas Edson, de 1879. Depois, o carvão foi substituído pelo tungstênio. Lâmpadas florescentes, mais econômicas, inventadas por Tesla em 1938, iriam competir com as de filamento. Mas a grande revolução teria origem em 1961, com a descoberta do LED, por Biard e Pittman. Lâmpadas de LED chegariam ao mercado em 1989 e entre nós só recentemente.

O telefone, inventado por Bell e Watson, em 1875, teve uma evolução notável. As primeiras ligações sem fio ocorrem 18 anos depois. Ainda alcancei no interior da Bahia os telefones com manivela que levavam horas para completar uma ligação. A substituição de telefonistas com dezenas de “bananas” nas mãos por seletores automáticos permitiu evitar milhares de viagens urbanas e interurbanas. Em 1978, os japoneses fizeram o primeiro telefone móvel. Hoje o celular substitui a lanterna, a Kodak, a filmadora e o computador.

Também do XIX é o automóvel. O primeiro a gasolina data de 1885, do alemão Karl Benz, mas sua evolução é pequena. Os primeiros eram carruagens em que os cavalos foram substituídos por um motor, cuja potência ainda é medida em horse power. Sua produção em massa com o Ford T gerou uma urbanização esgarçada nos EUA, que destruiu lavouras e engarrafou nossas cidades. Seus avanços mecânicos, como o motor V-8, a tração dianteira e a marcha automática, são do final da década de 1930. Mas ainda hoje seu motor transforma 75% da energia da gasolina em calor e seus escapes são dos maiores poluidores da atmosférica. O carro elétrico só surgiu 100 anos depois do trem e é híbrido, com motor a gasolina. Sua primeira grande revolução são os carros inteligentes, que vão aposentar o chauffer, ou foguistas. Pobre de quem acredita que o Tesla vai descongestionar as nossas cidades.

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 05.11.2017

Culpa

01/12/2017 às 11:01 | Publicado em Artigos e textos | 2 Comentários
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Como Veríssimo fez em sua crônica de ontem, reproduzida abaixo, expio também minha culpa afirmando que votei em Cristovam Buarque para Governador do DF.


Culpa  Verissimo_sax

O Günter Grass revelou que durante a Segunda Guerra Mundial foi da SS nazista, o José Saramago contou que foi da juventude salazarista — e eu também quero me confessar. Votei no Jânio Quadros! Pronto, está dito.

É verdade que eu era jovem, foi minha primeira eleição, e o Jânio Quadros podia ser maluco, mas não era fascista. De qualquer maneira, tenho esta mancha no meu passado. Expiaria minha culpa regularmente com autoflagelação se cada vez que pegasse um jornal enrolado para bater na minha cabeça não me lembrasse de todos os que andam por aí, com passados muitos piores do que o meu, e não apenas não se arrependem nem se punem, como são figuras respeitadas nas suas profissões e, em alguns casos, grão-senhores da República. Não vou ficar me martirizando sozinho.

Hoje, poucos se lembram de que a ditadura militar teve o respaldo civil do que era chamado, com razão, de o maior partido do Ocidente. A Arena era mesmo enorme, e abrigou quem quisesse fazer carreira política mandando os escrúpulos às favas e apoiando o regime ditatorial — e que revelou-se ser uma multidão. O outro partido da época, o MDB, fazia oposição consentida, mas oposição. Depois, transformou-se no PMDB de hoje, cujo lema implícito é “Hay gobierno? Soy a favor”.

Pensando bem, é bom viver num país em que o remorso não seja obrigatório, a coerência não seja supervalorizada, e as pessoas não sejam escravas do seu próprio passado. Nenhuma confissão de pecados antigos terá aqui a mesma repercussão, ou a mesma dramaticidade, ou até os mesmos desenlaces trágicos que têm em outros lugares.

Não temos o hábito de nos matarmos de vergonha, como no Japão, o que é saudável.

O lado ruim disso é que nos são negados os prazeres da contrição.

Andorinhas

Nunca entendi bem o significado da frase “Uma andorinha não faz verão”. Como as andorinhas costumam aparecer em bando no verão, uma andorinha sozinha não significa que chegou o verão, é isso?

Agora o novo chefe da Polícia Federal, ao tomar posse no cargo, parafraseou a máxima, alegando que uma mala cheia de dinheiro carregada por um amigo íntimo e colaborador do presidente Temer, justamente depois de uma delação que envolvia o presidente num esquema de propinas, significa menos do que uma andorinha na hora errada.

De qualquer maneira, tem muita gente olhando para o céu, na expectativa de que cheguem mais andorinhas. Se aparecer um bando, é sinal de que vai esquentar.

(Luis Fernando Veríssimo)

FONTE: Principais jornais do país, ontem.

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