Suassuna: eu gosto é de gente doida !

22/08/2019 às 3:51 | Publicado em Midiateca | 1 Comentário
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Eu também !


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Saló e a “revolução conservadora” de Bolsonaro 

19/08/2019 às 2:07 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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A que ponto chegamos…em tão pouco tempo !

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Saló e a “revolução conservadora” de Bolsonaro  carelos-zacarias_thumb

Ironias mal feitas e escatologias à parte, sete meses de bolsonarismo no governo parecem ser suficientes para qualquer pessoa ter uma avaliação mais ou menos precisa do que é a atual governança. Tudo bem que ninguém devia alegar o direito de dizer-se ignorante sobre quem era Bolsonaro. Politico do baixo clero, deputado irrelevante sobre quem posavam os holofotes apenas quando gerava polémicas, o atual presidente do Brasil, por sete mandatos e passando por nove partidos, havia se notabilizado por não liderar nenhum projeto e por exaltar a ditadura. entre outras bizarrices. Eleito, deu sequência ao histrionismo que parece surpreender a muitos, embora investido de imenso poder conferido a si para dirigir os destinos do País, não o das pessoas.

Bolsonaro presidente não é mais do que o deputado. Obcecado por temas comportamentais relativos à sexualidade, agora devidamente complementado pela escatologia, o presidente cultiva uma pulsão de morte que só se viu nos aterrorizantes regimes fascistas ou protofascistas europeus. José Millan Astray, um dos generais mais importantes do franquismo, por exemplo, costumava gritar “viva Ia muerte, muera Ia inteligencia” ao mesmo tempo em que oferecia aos recrutas que se uniam à Legião uma nova vida que deviam pagar com a morte. Neste quesito, o apreço do ex-capitão pelo coronel torturador Brilhante Ustra, sempre exaltado como herói, diz muito do que é este governo.

O bolsonarismo, que por um lado tem aliados que entoam um discurso ultraneoliberal que promete tirar o Estado do “cangote do cidadão”, por outro conforma uma prática totalitária que põe o governo a tentar interferir em todos os setores da vida de qualquer brasileiro. Quando tenta desregulamentar aquilo que se constitui nos mínimos marcos civilizatórios do Brasil, Bolsonaro mostra sua face mais perversa. Inclui•se o desprezo pela floresta amazónica e pelo destino dos povos originários, a alteração das normas que regem o trânsito, com direito a supressão da obrigatoriedade das cadeiras de bebé e dos radares, o ataque ao conhecimento e as ciências, com baixas e vilipêndio continuo sobre as universidades e órgãos prestigiosos como o IBGE, a Fiocruz, o ICMBio e o INPE. Não há setor que esteja isento da intervenção governamental e é esse o motivo que a ironia feita com excrementos também denuncia as obsessões do bolsonarismo.

Avança a “revolução conservadora”, prometendo varrer o comunismo do Pais, como Bolsonaro voltou a repetir esta semana, quem sabe sonhando em exibir cabeças de adversários e inimigos como troféus. como fizeram Franco e Millán Astray em suas campanhas no norte da África, ou então obrigando seus adversários a comerem seus próprios excrementos, como fizeram os fascistas retratados na clássica obra Saló ou os 120 dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini.

(Carlos Zacarias de Sena Júnior)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 16.08.2019

Strange fruit

18/08/2019 às 2:21 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Domingo: música, cultura e História !


Em 20 de abril de 1939, a cantora de jazz Billie Holiday, entrou num estúdio com uma banda de oito músicos para gravar Strange Fruit (Fruta Estranha). Essa chocante música sobre os horrores dos linchamentos nos Estados Unidos não foi apenas o maior sucesso de Billie Holiday, mas também se tornaria uma das mais influentes canções de protesto do século 20.

Em 1999, ela foi escolhida pela revista Time como a “canção do século”, e a história de como Strange Fruit foi concebida tornou-se lendária. Originalmente um poema chamado Bitter Fruit, ela foi escrita pelo professor judeu Abel Meeropol, sob o pseudônimo Lewis Allen, em resposta aos linchamentos de negros em Estados do sul dos Estados Unidos.

“Eu escrevi Strange Fruit porque odeio os linchamentos, odeio injustiça e odeio as pessoas que os perpetuam”, disse Meeropol, em 1971. Ele nunca testemunhou um linchamento, mas acredita-se que ele tenha composto a canção depois de ver a perturbadora foto do linchamento de Thomas Shipp e Abram Smith, em 1930 em Indiana, feita pelo fotógrafo Lawrence Beitler. Em 1940, Meeropol, que era socialista, foi convocado para testemunhar num comitê investigando comunismo e foi questionado se o Partido Comunista dos EUA havia lhe dado algum dinheiro para que ele compusesse Strange Fruit.

O que aconteceu na primeira noite em que Holiday interpretou Strange Fruit no Café Society antecipou o tipo de resposta que a canção teria quando fosse lançada comercialmente. “Na primeira vez que eu a cantei, eu achei que houvesse algo de errado… Não houve nenhum aplauso. Aí, uma pessoa começou a bater palmas, de um jeito nervoso. E, de repente, todo mundo estava aplaudindo”, disse Holiday em sua autobiografia. “Você consegue imaginar nunca ter ouvido essa música antes e perceber qual é a estranha fruta pendurada no choupo? Há alguma coisa reveladora quando você a escuta, e aquela imagem de olhos arregalados e boca distorcida salta na direção do ouvinte.”

FONTE: https://entretenimento.uol.com.br/noticias/bbc/2019/07/21/strange-fruit-a-musica-sobre-linchamentos-de-negros-que-chocou-os-eua.htm

 

 


Fruta Estranha

Árvores do sul produzem uma fruta estranha,
Sangue nas folhas e sangue nas raízes,
Corpos negros balançando na brisa do sul,
Frutas estranhas penduradas nos álamos.

Cena pastoril do valente sul,
Os olhos inchados e a boca torcida,
Perfume de magnólias, doce e fresca,
Então o repentino cheiro de carne queimando.

Aqui está a fruta para os corvos arrancarem,
Para a chuva recolher, para o vento sugar,
Para o sol apodrecer, para as árvores derrubarem,
Aqui está a estranha e amarga colheita.

A memória, a escrita e a história ameaçados 

13/08/2019 às 3:05 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Mais uma excelente crônica do Professor Paulo Ormindo (UFBA). Uma breve digressão da história da escrita, de sua origem até os nossos dias.

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A memória, a escrita e a história ameaçados  foto-paulo-ormindo_thumb_thumb_thumb_thumb_thumb

A memória humana é curta. No neolítico, para se conservar a memória de um chefe, se construía um dólmen ou uma estela. Logo o homem se deu conta de que era necessário gravar sua memória. Surge assim na Mesopotâmia, em 3.200 a.C., a primeira escrita de caracteres cuneiformes feita no barro, depois cozido. Para dar portabilidade à escrita, os egípcios escreviam em hastes batidas do papiro e os gregos e romanos, no couro, ou pergaminho.

A escrita, além de preservar a memória _passou a ser um meio de comunicação vencendo grandes distâncias: geográficas, através do correio, e do tempo, através da história. Sem escrita não poderia haver história, de tal modo que as civilizações são classificadas como pré-históricas e históricas. A notação musical já era conhecida dos egípcios. A atual feita no pentagrama surge no século VII com o canto gregoriano. O registro da imagem data de 1826 com a fotografia. do som de 1878 com o disco, e do movimento em 1895 com o cinema. Todos eles têm uma base material: pergaminho, papel, vinil e celuloide.

Entre 1945 e 1953 arqueólogos encontraram em potes em 11 cavernas da Cisjordânia rolos de textos bíblicos em hebraico, aramaico e grego, datados entre o século II a.C. e o ano 70 d.C. O fato de estarem em três idiomas e tão bem guardados demonstra a intenção de preservar uma memória e transmiti-la a gerações futuras. O ar seco da região os conservou. O papel em condições normais dura pelo menos 500 anos, e temos fotos de 190 anos perfeitas.

A gravação magnética foi inventada em 1920, mas só se comercializou a partir de 1946. O suporte magnético é volátil e vídeos e de 50 anos, como os das Copas e a da chegada do homem à Lua, são verdadeiros borrões. Discos ópticos, como CD, DVD e Blue Ray, com validade de apenas cinco anos, estão sendo substituídos por pen drives e nuvens. Ninguém mais escreve cartas, só twitters. limitados a 180 caracteres. As novas gerações não sabem construir um discurso, apenas frases soltas. O Word lê para iletrados textos escritos. Meu bom empregado analfabeto se comunica com todo mundo através do WhatsApp voice, e não quer aprender a escrever. Quando numa farmácia peço para ele soletrar o nome de um remédio ele me diz, vou fotografar e lhe mando!

Mais grave é que a diplomacia se faz hoje por Twitter, e os processos jurídicos e as carteiras de trabalho estão sendo digitalizados em arquivos controlados pelo Estado. Que garantia tem o cidadão de que suas provas não serão apagadas, vazadas ou adulteradas? Nossos dados pessoais e preferências são vendidos pelos cartões de crédito. O que será da história quando os jornais impressos forem todos substituídos por blogs e redes sociais apócrifos? Só restará a história oficial dos vencedores e uma sociedade digital com Alzheimer. Bem-vindos a 1984 de Orwell!

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 10.08.2019

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