O PAÍS DO FUTURO JÁ ERA

15/08/2018 às 3:39 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 3 Comentários
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Mais uma boa crônica do Jaguar. Sentir saudades do Temer, já pensou ? Que país é esse ?

 

“Se o capitão e o general forem eleitos, acredite se quiser, teremos muitas, mas muitas saudades do Temer”

Jaguar

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O PAÍS DO FUTURO JÁ ERA

Rio de Janeiro – Stefan Zweig, judeu austríaco, exilou-se em Petrópolis, no estado do Rio, enquanto Hitler barbarizava a Europa.Brasil,país do futuro foi lançado depois da sua primeira viagem ao país, em 1936, em vários idiomas, inclusive o nosso. Foi um tremendo sucesso de vendas mundo afora. Já a crítica foi reticente; afinal, o Brasil vivia a ditadura de Vargas e os elogios ufanistas do escritor às maravilhas do Patropi não batiam com a realidade, a repressão dos fascistas tupiniquins. O fato é que quando ele e sua mulher, Lotte, se mataram com veneno, o impacto foi enorme. Eu tinha 10 anos e uma das poucas lembranças que tenho da infância é de minha mãe chorando como se tivesse perdido um parente. Na estante do escritório do meu pai tinha uma prateleira só com livros dele. Inclusive um com dedicatória, do que ele muito se ufanava. Zweig fez uma palestra em Santos, onde meu pai era gerente do Banco do Brasil. Outro que se matou em Petrópolis foi Santos Dumont, o inventor do avião e do relógio de pulso. E fico imaginando: se fossem vivos, acho que se matariam de novo, depois do noticiário do Bom Dia, Brasil (risos). Se Petrópolis parece uma cidade boa para se matar, também é boa para se viver: passamos lá boa parte do nosso tempo. E apesar de ver o noticiário das oito, ainda não pensamos em veneno, corda ou pistola. Nem chegamos ao ponto do personagem da HQ do Adão Iturrusgaray, que todos os dias se atira do alto de um penhasco. Fiz uma charge na qual um eleitor se mostra indeciso: “Não sei se voto no ruim ou no pior”. E, é claro, um deles é o Bolsonaro, meu colega. Pasmem, mas é verdade: fiz meu serviço militar na Artilharia , como ele. E também descobri que conseguiu o que parecia impossível: um vice mais racista e reacionário que ele. Convenhamos: isso demanda alguma competência. Esse general Mourão seria parente do general Mourão, chefe da censura depois do golpe e que, a partir do AI-5, infernizou a vida do Pasquim? E o pior é que, se forem eleitos, já encontrarão muita coisa do jeito deles. Pasmem de novo: 400 mil bombas de fragmentação fabricadas no Brasil já foram jogadas no Iêmen. Cada uma mata e dilacera numa área de 400 metros de diâmetro. Sessenta países assinaram um tratado se comprometendo a não fabricar essas armas letais. O Brasil não assinou: faturar é preciso. Depois das eleições,teremos possivelmente o pior presidente da História do Brasil. Outro dia um repórter me ligou, querendo saber em quem eu vou votar. “Em ninguém, meu filho. Porque no dia seguinte à posse vou ter que fazer charges contra o eleito. Não existe charge a favor”. Aí ele perguntou por que não tenho feito charges contra o Temer. “Eu não sabia que ele ainda estava no Alvorada”, respondi. Para terminar: se o capitão e o general forem eleitos, acredite se quiser, teremos muitas, mas muitas saudades do Temer.

(Jaguar)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 11.08.2018

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Humorismo… Uma ode à ignorância e ao fascismo

04/08/2018 às 3:51 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Como esse espaço tem como foco Educação, vale a pena reproduzir a análise de Bob Fernandes sobre a recente participação de certo candidato a Presidente, cujo nome nem pronuncio nem escrevo, no programa Roda Viva.


A VULNERABILIDADE DO ORGULHO NACIONAL

16/07/2018 às 3:29 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 3 Comentários
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Embraer, mais um sonho que se esvai por conta de um governo ilegítimo. Excelente esse artigo do Professor Paulo Ormindo de Azevedo, confiram !

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A VULNERABILIDADE DO ORGULHO NACIONAL  foto-paulo-ormindo_thumb_thumb_thumb_thumb

Ah, essa mania brasileira de contrariar a gravidade! No colégio de Belém de Cachoeira, um seminarista paulista fez a água subir 40 metros e criou o primeiro objeto voador do mundo, a Passarola, ou balão de ar quente. Chamava-se Bartolomeu de Gusmão, ou o padre voador. Demonstrou sua invenção a D. João V, no Paço Real de Lisboa, em 1709, e foi perseguido pela Inquisição por ser considerado feiticeiro e amigo de judeus, se exilando na Holanda, onde mendigava vendendo poções nas ruas. Morreu em Toledo aos 38 anos.

Em 1855, Guilherme Capanema aperfeiçoou e fabricou foguetes, que 10.000 deles foram usados pelo Brasil na guerra do Paraguai, mas foram abandonados porque não tinham sistema de navegação. Um outro brasileiro se encantou com os balões de gás, motores à explosão e hélices e fez os primeiros balões-charutos dirigíveis. Com um deles ganhou um prêmio, em 1901, ao fazer a volta na torre Eiffel e retornar ao ponto de partida em 30 minutos. Em 1906, fez voar um aparelho mais pesado que o ar a 4 metros. de altura e 220 metros de distância no parque de Bagatelle, homologado pelo Aeroclube da França.

Mas a invenção do avião foi creditada aos irmãos Wright, construtores de planadores, que três anos antes, empurrados do alto de uma colina em sua fazenda, com uma ventoinha nanica de 15 hp, plainou 260 m. Mas ninguém nega que o inventor do Zepelim e do avião moderno, com asas na frente e lemes atrás, como o Demoiselle, foi um brasileiro. Tachado de boiola, porque nunca se casou, e deprimido pelo uso militar do avião se suicidou em 1932. Em 1941 começamos a fabricar o Paulistinha, que equipou os aeroclubes criados por Chatô e difundiu a aviação esportiva no país.

O programa espacial brasileiro foi instituído em 1961 por Jânio Quadros com o decreto nº 15.133/61 e encerrado em 2003, quando o foguete VLS-1 V03 explodiu misteriosamente três dias antes do lançamento em Alcântara, matando os 21 principais especialistas brasileiros. Segundo o jornal Estadão (20/05/18), documentos liberados pela CIA em 2016 revelam que satélites norte-americanos espionaram a base de lançamentos de foguetes na Barreira do Inferno e outras instalações militares brasileiras, entre 1978 e 1988.

O último sonho brasileiro de voar data de 1969, quando Ozires Silva dirigiu a Embraer, que desenvolveu o Tucano, já foi o terceiro fabricante de aviões do mundo e desenvolve um caça supersónico com os suecos. Como ameaçava crescer, está sendo comprada pela Boeing. De quebra, é alienado um naco do orgulho, da ciência e da tecnologia nacional. Voltamos a ser fornecedores de matérias primas baratas para o engrandecimento dos países ricos. Mas não se avexem não, porque “o que é bom para EUA é bom para o Brasil”, segundo o ex-embaixador Juracy Magalhães junto ao Tio San.

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 15.07.2018

HOMO DEUS

11/07/2018 às 3:28 | Publicado em Baú de livros | 3 Comentários
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Do mesmo autor, Yuval Noah Harari, havia lido e feito um post: HOMO SAPIENS. Após ler mais esse, compartilho aqui neste espaço. Uma boa reflexão para onde estamos indo. Recomendo !


HOMODEUS

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