A BAHIA E A MORTE ANUNCIADA DA PETROBRÁS

19/06/2019 às 3:55 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Em tempos difíceis é sempre bom lembrar a História ! Crime de lesa-pátria, mais um, o que se fez e se está fazendo com a maior empresa do país !

Petrobras


A BAHIA E A MORTE ANUNCIADA DA PETROBRÁS

Foi na Bahia que se quebrou a cisma que no Brasil não havia petróleo, graças à luta do geólogo Oscar Cordeiro, em 1937, em Lobato, onde o povo acendia tochas com uma lama preta. Ele comprou uma sonda velha e provou que ali jorrava petróleo, embora não fosse viável comercialmente. Dois anos depois, em 1941, 0 Conselho Nacional de Petróleo per- furou, em Candeias, o primeiro poço de produção comercial de petróleo do país. A criação da Petrobrás, em 1953, resultante da campanha nacional “O petróleo é nosso”, teve como um de seus protagonistas o baiano Rômulo Almeida. Na Bahia se construiu a primeira refinaria brasileira, graças ao empenho de Landulfo Alves. Até 1965 todo o petróleo produzido no Brasil vinha da Bahia. Foi com esses recursos, experiência e muita pesquisa que a Petrobrás conseguiu desenvolver a mais alta tecnologia de prospecção de petróleo em águas profundas, que resultou na descoberta do pré-sal, em 2006.

Mas o generoso presidente FHC resolveu compartilhar a nossa riqueza com as nações amigas. Hoje, 39,5 % dos dividendos da Petrobrás vão para o exterior. Mas não bastava isso. Em 2017, Temer pressionou o Congresso a aprovar a isenção de impostos às empresas estrangeiras na exploração do pré-sal durante 25 anos, um mimo de um trilhão de reais. Por último, o STF, depois de aconselhado pelo ministro Paulo Guedes e o advogado do go- verno, André Mendonça, decidiu que em- presas-mães estatais, como a Petrobras, Eletrobrás e Banco do Brasil podem vender suas subsidiárias, inclusive refinarias, sem aval do Congresso, nem licitação.

Perguntem a Rockfeller e a Shell se uma empresa de petróleo pode sobreviver sem sua frota de petroleiros, sem oleodutos, gasodutos e a distribuidora de seus pro- dutos, que é um dos elos mais importantes da cadeia produtiva e única que dá

visualidade a empresa? Na produção de um livro, o editor paga direitos autorais, revisão, diagramação, programação visual, papel e impressão e o distribuidor fica com 50%. O mesmo fazem as galerias de arte com pintores e gravadores. Hoje, todas as potências industriais são protecionistas e nós condenados a ser sempre exportadores de commodities sem nenhum valor agregado. O Brasil não pode ficar “deitado eternamente em berço esplêndido” a ver navios. Vender as subsidiárias é mutilar as empresas-mães para vendê-las, mais tarde, por inviáveis.

Petróleo e energia são peças fundamentais da soberania nacional e não podem ser alienadas por problemas de caixa de uma administração. O mercado e o go- verno festejaram a decisão do STF, mas o povo lamenta com Cazuza: “Não me convidaram para esta festa pobre/ Que os homens armaram para me convencer/ Brasil, mostra a sua cara/ Quero ver quem paga para a gente ficar assim/ Brasil qual é o seu negócio?/ O nome de seu sócio?”.

(Paulo Ormindo de Azevedo)

FONTE: JORNAL A TARDE, SALVADOR-BA, 16.06.2019)

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UM PAÍS À DERIVA

27/05/2019 às 3:22 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Se a guerra é assunto demasiado grave para ser confiado aos militares, o que dizer da paz ?


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FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 24.05.2019

Cinco cientistas subestimados que estavam certos

21/05/2019 às 3:08 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Aqui são relatados apenas cinco casos, mas com certeza há mais.


Cinco cientistas subestimados que estavam certos

Ignaz Semmelweis (1818-1865)
O pai da desinfecção

Semmelweis foi o primeiro médico a sugerir que doenças infecciosas podem se espalhar quando os médicos não lavam as mãos ou desinfetam suas ferramentas, anos antes de aprendermos sobre a teoria microbiana das doenças. Semmelweis era um obstetra em Viena, cuja observação foi que a taxa de mortalidade das mulheres pós-parto era muito maior nos partos hospitalares do que nos nascidos de parteira.

Ele acreditava que isso acontecia porque os médicos da época costumavam examinar rotineiramente cadáveres e realizar autópsias, e depois continuariam a assistir partos, os quais, como Semmelweis concluiu, devem ter espalhado a doença para as mulheres. Para neutralizar isso, ele fez os médicos e enfermeiros lavarem as mãos antes de ajudar no parto e até mesmo começarem a desinfetar as ferramentas.

Isso diminuiu a taxa de mortalidade das mortes pós-parto quase imediatamente, e Semmelweis publicou vários artigos sobre esse fenômeno, mas ninguém acreditou nele. Ele foi demitido de seu trabalho em Viena e continuou sua prática em Budapeste, e lá também, as taxas de mortalidade entre as mulheres caíram em 25%.

cientistas

Desmoralizado e intrigado pela ignorância da comunidade científica, Semmelweis desenvolveu depressão clínica e foi administrado em uma instalação mental, onde ele morreu inesperadamente, provavelmente devido a ferimentos que sofreu do pessoal do hospital em uma tentativa de fugir.

 

Gregor Mendel (1822-1884)
Descobriu a herança genética

Um monge por característica, Gregor Mendel era um cientista nato: ele era um matemático talentoso e um brilhante biólogo. Mendel sozinho fundou a ciência da genética quando, enquanto trabalhava no jardim do mosteiro, notou que algumas das flores de ervilha tinham uma coloração mista, enquanto outras tinham apenas uma cor.

Isso o fez pensar que existem algumas características, como a cor das flores, que devem ser passadas de geração para geração, e quando essas características são diferentes na planta “mãe” e “pai”, ela pode produzir uma característica mista. Ele então continuou cruzando plantas de ervilha com vários traços e traçou os mecanismos básicos de herança genética, que ele publicou em um artigo que foi completamente ignorado.

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Mendel seguiu em frente com sua vida e se tornou o abade de seu mosteiro. Apenas 16 anos após sua morte, seu trabalho foi redescoberto e se tornou a base da genética, como a conhecemos hoje.

 

William B. Coley (1862-1936)
O Fundador da Imunoterapia

No final do século 19, não havia radiação, quimioterapia ou drogas contra o câncer, e o procedimento padrão para tumores cancerígenos envolvia cortar tumores ou tecidos cancerígenos. William Coley era um cirurgião de ossos que trabalhava no New York Cancer Hospital.

Ele notou que alguns pacientes que sofriam de infecções bacterianas, como infecções por estreptococos, tinham maior probabilidade de se recuperar de câncer sem cirurgias do que outros pacientes. Isso fez com que Coley injetasse vários pacientes com uma versão enfraquecida de estreptococos e outra bactéria, o que, em alguns casos, fazia o câncer do paciente diminuir drasticamente, mas em outros, os pacientes acabavam morrendo devido às infecções que ele administrava.

Esse tratamento para o câncer era chamado de toxinas de Coley, e ele e alguns outros médicos usaram a teoria de Coley para tratar o câncer. Infelizmente, a teoria de Coley não foi bem aceita na comunidade científica e foi esquecida por quase meio século.

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Somente na década de 1960, muitos anos após sua morte, a ideia de imunoterapia reapareceu na pesquisa médica, e os numerosos artigos de Coley tiveram um papel importante no estabelecimento desse campo de tratamento do câncer.

 

Alfred Wegener (1880-1930)
Proponente da teoria da deriva continental

Wagener era um geofísico e meteorologista, cuja vida é tão trágica quanto excitante. Wegener estuda amostras de terra de vários continentes e notou um padrão estranho: a composição das amostras das Américas era estranhamente semelhante à da Europa Ocidental, e os fósseis e rochas australianos tinham uma estranha semelhança com os da Ásia e da Nova Zelândia.

Isso o levou a sugerir em uma série de documentos que os continentes da Terra podem se mover  ao longo de milhões de anos. Mais uma vez, a teoria de Wegener também foi rejeitada por outros cientistas na época. Em 1930, ele foi em uma expedição à Groenlândia e morreu com a idade de 50 anos.

Somente anos depois, na década de 1960, a teoria da deriva continental foi estabelecida como um fato científico.

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Nicolau Copérnico (1473-1543)
Descobriu o Sistema Solar Heliocêntrico

Durante a antiguidade, os cientistas estabeleceram que vivemos em um sistema solar heliocêntrico, o que significa que todos os planetas giram em torno do sol. No entanto, esse conhecimento foi perdido por centenas de anos, até que Copérnico o restabeleceu em 1543 em seu livro Das Revoluções das Esferas Celestes, que foi amplamente ignorado, e as pessoas continuaram acreditando que a Terra era o centro do universo.

O que também prejudicou foi que a igreja católica condenou seu livro e o baniu por séculos. Ainda assim, o estudo de Copérnico é considerado uma das realizações astronômicas mais notáveis da Idade Média e Copérnico é conhecido por praticamente todos.

O mesmo se aplica a outros quatro dedicados cientistas que discutimos neste artigo. Essas histórias mostram que a persistência e a devoção à verdade transcendem o tempo, ao passo que o escárnio e a malevolência não são. Portanto, seja corajoso e não tenha medo de falar sua verdade.

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FONTE: http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=13610

Defeito de fabricação

15/05/2019 às 3:35 | Publicado em Artigos e textos | 2 Comentários
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É o retrocesso representado pelo nosso maior mandatário. São vários parafusos faltando na cabeça dele, não é só um. Excelente essa crônica do Professor Jorge Portugal.

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Defeito de fabricação jorgeportugal

Gente boa, depois de ter desistido de estudá-lo no campo da política, filosofia, sociologia, religiões comparadas, cibernética retrô, semiótica dodecafônica, para não enlouquecer de vez, resolvi dar uma chance à velha e boa psicologia básica, afinal eu não tinha passado uma bela temporada nos 1970/80 em São Lázaro jogando dominó ou tocando violão. Fiz os dois, é bem verdade, mas mantive boas conversas com os decifradores da mente humana e do comportamento esquisito dessa espécie surpreendente chamada Homo sapiens. E de lá trouxe respostas preciosas para o mistério. O mistério – acho que vocês já podem deduzir — atende pelo nome pomposo de Jair Messias Bolsonaro, ora sentado na cadeira número um do poder nacional. Minto: eles, pois como se houvesse uma sobreposição de corpos, os seus filhos também estão sentados lá.

A psicologia me disse que, em termos de estrutura mental, a cabeça de Bolsonaro ficou congelada na Guerra Fria. A sua cosmovisão, os seus valores são todos daquela época. Ainda. E, naquela época, ele era um militar bem convencional, vivendo na banda ocidental do mundo, num pais chamado Brasil, sob um terrivel regime de força, consequência de um golpe para o qual ele, Bolsonaro, contribuiu. O planeta era bipolar (epa!). De um lado, mandava a ideologia capitalista, com seu liberalismo econômico sob a liderança dos EUA; e do outro a ideologia comu- nista, comandada pela União Soviética e seus satélites. Ninguém pulava de um muro para outro, e o adversa que era O inimigo a ser exterminado. No Brasil, impuseram a Doutrina de Segurança Nacional, que nomeou como “inimigo interno” qualquer comunista que fosse, mesmo que até fosse um mero liberal, Mas… se era oposição à ditadura, comunista era!

Os anos passaram, as décadas também, a Guerra Fria acabou, a União Soviética ruiu, o Muro de Berlim caiu, os comunistas mudaram para outra galáxia, mas a cabeça de Jair ficou na Guerra Fria. Em 2018, tragédia das tragédias, Jair Messias, por uma conjunção tenebrosa de fatores, elege-se presidente da República. Ele, que era um mediocre deputado federal eleito e reeleito pelo voto dos fração fascistoide carioca e evangélicos fundamentalistas, viu-se com a votação gigantesca que o colocou no poder. Só que… com a mesma cabeça daquele “milico guerra fria”. No seu governo, a vertente neoliberal é governada por Paulo Guedes; da vertente militar, os próprios militares cuidam, com seus planos ainda indecifráveis para todos nós. E o presidente, eleito por 54% do voto brasileiro, concentra-se em governar exclusivamente para… 10% da população, se muito. A minúscula parcela nazifascista que pensa pela cabeça de Olavo de Carvalho. Porque a cabeça de Jair nem pensar pensa!

(Jorge Portugal)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 14.05.2019

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